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sexta-feira, agosto 01, 2008

É tão triste dizer adeus

É tão triste dizer adeus (1963)- Nelson Lins e Barros, Carlos Lyra e Chico de Assis - Interpretações: Carlos Lyra e Nara Leão

CD Nara / Título da música: É tão Triste Dizer Adeus / Autoria: Carlos Lyra (Compositor) / Nelson Lins e Barros (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Carlos Lyra (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Coro (Acompanhante) / Gravadora: Elenco (Reedição) / Nº Álbum: 7314546803-2 / Gravação: 1964 / Lançamento: 2008 / Faixa 14 (bônus)



É tão triste dizer adeus
É mais triste que morrer
Quando um morre
O outro chora
Mas se um dos dois vai embora
Os dois é que vão sofrer

Se eu ficar,
Tão triste
Sem você
Dizer adeus

Mas pra que
Que eu vou ficar
Pra comida preparar
E ter filhos pra criar
E ter roupa pra lavar
O melhor
Tão triste
É separar
Dizer adeus

Pra viver nosso cantinho
E fazer sempre juntinho
Tantas coisas
Que só dois sabem fazer

E essas coisas tão bonitas
Se você for mesmo embora
Vão se embora com você

Pras despesas aumentar
E a vida piorar
Ninguém pode suportar
O Melhor,
Tão triste
É separar
Dizer adeus

Gostar Ou Não Gostar

Gostar Ou Não Gostar (1963) - Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros - Interpretações: Marisa Gata Mansa e Marisa Gata Mansa

LP Marisa / Título da música: Gostar Ou Não Gostar / Autoria: Nelson Lins e Barros (Compositor) / Carlos Lyra (Compositor) / Marisa Gata Mansa (Intérprete) / Jongo Trio (Acompanhamento) / Gravadora: Equipe / Nº Álbum: EQ-808 / Lançamento: 1965 / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Bossa Nova



Gosto de cheiro de mato
Da brisa do mar
Gosto das tardes morrendo
Da luz do luar
Quero um amor de verdade
Pra me compreender
Não vê?
Que eu sonho com a felicidade
E tenho um amor
Que é você.

Mas não gosto de chuva miúda
Das noites sem fim
Não gosto de gostar de alguém
Que não goste de mim

Não quero amor sem carinho
Não quero sofrer
Pra que?
Se eu não sonho mais que sozinho
Não tenho você

Mundo à Parte

Mundo à parte (1962) - Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros

LP Depois do Carnaval - O Sambalanço de Carlos Lyra / Título da música: Mundo à Parte / Carlos Lyra (Compositor) / Carlos Lyra (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1962 / Álbum: P 630.492 L / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


Você é um mundo a parte
Não faz parte desse mundo
E no fundo não reparte
Sua parte com ninguém

Não vê que o mundo passa
E a vida passa sem você
Não sei pra que
Que fica sozinha
Não sei

Tanta gente nesse mundo
Do mundo vive afastado
Diz que só vai bem melhor
Só que vai mal acompanhado
E vai de mal a pior

O melhor é viver junto
Pra que viver separado?
Se cada um vai pro seu lado
Fica de lado, abandonado
Nisso é que dá viver só

O Bem do Amor

O bem do amor (samba-bossa, 1960)- Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros

LP Bossa Nova / Título da música: O Bem do Amor / Carlos Lyra (Compositor) / Carlos Lyra (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1960 / Nº Álbum: P 630.409 L / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Valsa-canção.



A luz que vem além do mar
Faz a noite nascer manhã
O amor partiu a paz surgiu
Canção sentiu o que era amar

Amei sonhar o bem do amor
No silêncio do seu olhar
Sofri sem fim, sorri enfim
Silêncio fez-se em mim

As noites vazias de amor
Novos caminhos vão encontrar
E o amor do amor vai voltar
Trazendo carinhos fazendo sonhar

Manhã de paz nasceu em mim
E as promessas virão também
Eu sou feliz, assim feliz
O mundo é todo meu
O mundo é todo meu

Maria do Maranhão

Maria do Maranhão (canção, 1961) - Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros - Intérprete: Carlos Lyra

LP Depois do Carnaval - O Sambalanço de Carlos Lyra / Título da música: Maria do Maranhão (trecho) / Carlos Lyra (Compositor) / Carlos Lyra (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1962 / Álbum: P 630.492 L / Lado B / Faixa 7 / Gênero musical: Canção.

Tom: E

Intro: A7M F#7/13 Bm7 E7/9-

A7M   Bm7    C#m7  F#7/9-
Maria pobre Maria,
D#m5-/7 G#7/9- C#m5-/7
Maria do Maranhão
        Bm7       G7/11+  F#m7 B7/9
Que vive por onde       anda
    A          E4/7    A
E anda de pé no chão.
   Bm7 E7/9-              A7M  F#m7
Maria        desceu a estrada,
D#m7 G#7/9-    C#m7  F#7
Atravessou     o país
        Br4/7(9) B7/9-        E7M   C#m7
Procurava            muito pouco
          B4/7(9) B7/9-       E7  E7/13-
Muito pouco            ser feliz
           Bm7 E7/9-        A7M
Nem feliz            queria ser
F#m7 D#m5-/7 G#7/9-    G7M  F#7
Que feliz          não pode ser
           B4/7(9)  B7/9-    E7M   C#m7
Quem anda      pelas estradas,
   B4/7(9)       E7/9  E7/9-
Atravessando o país
  A7M   Bm7  C#m7  F#7/9-
Maria pobre Maria
  D#m5-/7 G#7/9- C#m5-/7  F#7/13-
Maria do    Maranhão
        Bm7      G7/11+  F#m7  B7/9
Que vive por onde       anda
  A            E4/7    A
E anda de pé no chão
   Bm7 E7/9-              A7M  F#m7
Maria       desceu a estrada
      D#m7     G#7/9-    C#m7  F#7
A estrada de uma    estrela
    B4/7(9) B7/9-              E7M  C#m7
Maria           não viu a estrela
B4/7(9) B7/9-          E7
Maria        é só na estrada
          Bm7 E7/9-         A7M  F#m7
Mas muita          gente seguiu
       D#m5-/7  G#7/9- G7M F#7
A estrela que ela  não  viu
   B4/7(9)  B7/9-        C#m7  F#7/9-
E vai      dizer pra Maria
        B4/7(9)  B7/9-   E7/9 E7/9-
Que tudo      tem solução
     A7M    Bm7          C#m7  F#7/9-
Até mesmo         pra Maria
  D#m5-/7 G#7/9- C#m5-/7  F#7/13-
Maria do    Maranhão
    Bm7       G7/11+  F#m7  B7/9-
Que vive por onde     anda
 A        E4/7    A
E anda de pé no chão

Letra:

Maria pobre Maria
Maria do Maranhão
Que vive por onde anda
E anda de pé no chão.

Maria desceu a estrada
Atravessou o país
Procurava muito pouco
Muito pouco ser feliz

Nem feliz queria ser
Que feliz não pode ser
Quem anda pelas estradas
Atravessando o país

Maria pobre Maria
Maria do Maranhão
Que vive por onde anda
E anda de pé no chão

Maria seguiu a estrada
A estrada de uma estrela
Maria não viu a estrela
Maria é só na estrada

Mas muita gente seguiu
A estrela que ela não viu
E vai dizer pra Maria
Que tudo tem solução

Até mesmo pra Maria
Maria do Maranhão
Que vive por onde anda
E anda de pé no chão

terça-feira, abril 11, 2006

Carlos Lyra


Carlos Lyra (Carlos Eduardo Lyra Barbosa), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 11/05/1939. Por várias gerações, a música faz parte das atividades de sua família. Estudou em colégio de jesuítas e aprendeu a tocar violão pelo método Paraguaçu. Ainda no colégio, conheceu Roberto Menescal, que também tocava violão, e os dois começaram a estudar juntos, nascendo nessa época a idéia de formar uma academia de violão.


A escola, que funcionava em Copacabana, virou ponto de encontro de futuros artistas, como Marcos Vale, Edu Lobo, Nelson Linse Barros, Nara Leão, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli (um de seus primeiros parceiros), e teve grande influência na divulgação do violão como instrumento importante na bossa nova.

Nessa época, apresentava-se em festas, tocando e cantando com amigos. Sua primeira composição foi o samba-canção Quando chegares (1954), que só mais tarde receberia letra. Apresentou em 1954, em concurso na TV-Rio, sua composição Menina, defendida pelo cantor Carlos Dias (depois Geraldo Vandré).

No ano seguinte, Sílvia Telles gravou a música em 78 rpm, pela Odeon, que trazia ainda Foi a noite (Tom Jobim e Newton Mendonça), e que foi considerado um dos discos precursores da bossa nova.

Em 1956 compôs Maria Ninguém, letra e música de sua autoria. Participou, nesse período, do conjunto de Bené Nunes, tocando violão elétrico. Em 1957, Os Cariocas gravaram, de sua autoria, Criticando, samba-colagem, com fragmentos de bolero, jazz e rock-balada. Começou também a se apresentar em shows universitários, ao lado de Alaíde Costa, Sílvia Teles, Oscar Castro Neves, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.

Em 1959 destacou-se com Lobo bobo, Saudade fez um samba (ambas com Ronaldo Boscoli) e Maria ninguém, gravadas por João Gilberto no LP Chega de saudade, na Odeon. Ainda em 1959, gravou o primeiro disco: Carlos Lira -Bossa nova, pela Philips, com texto de Ary Barroso na contracapa. Em 1960 musicou a peça A mais-valia vai acabar, seu Edgar, de Oduvaldo Viana Filho, e compôs Gosto de você (com Carlos Fernando Fortes). No mesmo ano, conheceu Vinícius de Moraes, seu parceiro em inúmeras composições, entre as quais Você e eu, Nada como ter amor, Coisa mais linda e Minha namorada.

Em 1961 lançou Se é tarde, me perdoa e Canção que morre no ar (ambas com Ronaldo Bôscoli), e Quem quiser encontrar o amor (com Geraldo Vandré). No mesmo ano musicou duas peças infantis de Maria Ciara Machado (O dragão e A fada) e a peça de Francisco de Assis e Nelson Lins e Barros, Um americano em Brasília, da qual faziam parte as músicas Mister Golden (com Daniel Caetano), Maria do Maranhão (com Nelson Lins e Barros) e Canção do subdesenvolvido (com Chico de Assis). A última foi gravada sob o patrocínio da UNE, mas recolhido quando a peça foi proibida pela censura.

Ligado ao CPC da UNE, que procurava questionar a herança cultural da música popular brasileira, começou a fazer contatos com outros compositores populares, resultando daí uma parceria com Zé Kéti no Samba da legalidade. Mais tarde, comporia Influência do jazz, concluindo pela dificuldade de ligação da bossa nova com o samba tradicional.

Em 1962 musicou o episódio Couro de gata, de Joaquim Pedro de Andrade, do filme Cinco vezes favela, e a peça Gimba, de Gianfrancesco Guarnieri; e compôs Aruanda (com Geraldo Vandré), É tão triste dizer adeus (com Nelson Lins e Barros) e Pobre menina rica (com Vinícius de Moraes). Apresentou-se, em novembro do mesmo ano, no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em New York, E.U.A., cantando Maria ninguém e Lobo bobo, show no qual o quarteto Bossa-Rio, de Sérgio Mendes, tocou Influência do jazz.

Em 1963 fez parte do elenco (sendo também o autor das músicas) da peça Pobre menina rica, apresentada inicialmente sob forma de show na boate carioca Au Bon Gourmet, com participação de Vinícius de Moraes (autor do texto e das letras das músicas) e da cantora Nara Leão, que estava sendo lançada. Sob sua direção, a peça foi montada depois no Teatro Maison de France, no Rio de Janeiro, e em seguida no Teatro de Bolso, quando então contou com a participação de Ari Toledo, cantando Pau-de-arara (com Vinícius de Moraes), interpretação que o tornou conhecido.

Ainda em 1963 voltou aos E.U.A., foi diretor musical do Teatro de Arena e do Centro Popular de Cultura, promoveu apresentações de Zé Kéti, Cartola, Nelson Cavaquinho e João do Vale, e musicou o filme Bonitinha mas ordinária, de José Pereira de Carvalho, além de ter composto com Vinícius de Moraes Marcha da quarta-feira de cinzas.

Gravou pela CBS, em 1964, com Dulce Nunes, Moacir Santos, Catulo de Paula e Telma, o LP Pobre menina rica, com músicas do show, como Cartão de visita, Sabe você, Marcha do amanhecer, Primavera, Pau-de-arara e Canção do amor que chegou (todas com Vinícius de Morais). Viajou, nesse ano, para os E.U.A., onde participou com Stan Getz do festival de jazz de Newport.

Em 1965 excursionou com Stan Getz por cidades norte-americanas e pelo Brasil, Japão, Canadá e Europa, e lançou pela Columbia o LP The sound of Ipanema, em parceria com Paul Winter. A partir de então, passou longa temporada no México, onde se apresentou com Stan Getz e, depois, trabalhou como locutor e tradutor nas Olimpíadas, musicou cerca de dez curtas-metragens e peças teatrais, fez jingles para a televisão e estudou teatro e literatura espanhola.

Compôs, em 1966, Lá vem o bloco (com Rui Guerra), e musicou o filme de Joaquim Pedro de Andrade O padre e a moça. Dirigiu em 1970, no México, a peça Ouviu falar em dragão, recebendo por esse trabalho o prêmio de melhor diretor e ator do ano. Lá, conheceu sua mulher, Katherine, atriz, cantora e modelo profissional, e em 1971 voltou ao Brasil para lançar os LPs ...E no entanto é preciso cantar, com participação de Chico Buarque, e Eu e elas, ambos pela Philips.

Fez a música Tudo o que eu sou eu dei para a telenovela O cafona, da Rede Globo, e compôs Essa passou (com Chico Buarque). Em 1973 mudou para a gravadora Continental e lançou o LP Carlos Lira. No ano seguinte, gravou o LP Herói do medo, que seria lançado em 1975. Ainda em 1974, mudou-se para Los Angeles, E.U.A., onde estudou astrologia. Dois anos mais tarde, voltou ao Brasil e lançou o livro O seu verdadeiro signo, pela Codecri, Rio de Janeiro.

Em 1979 participou do congresso da UNE em Salvador ocasião em que dirigiu coro de cinco mil estudantes na interpretação de sua música Hino da UNE, composta em parceria com Vinicius de Morais (1963). No ano seguinte, musicou a peça Vidigal, de Millor Fernandes. Em 1983 compôs, com Paulo César Pinheiro, as músicas para a peça As primícias, de Dias Gomes, e a música para a letra O negócio é amar, de Dolores Duran. Em 1984 estreou 25 anos de bossa nova, no Teatro dos Quatro; o show foi gravado ao vivo em 1986 e lançado em disco, pela gravadora 3M, no ano seguinte.

Em 1987 apresentou-se na Espanha com Caetano Veloso, Toquinho e Nana Caymmi. Um ano depois, apresentou-se no Japão, com Leila Pinheiro e o Quarteto em Cy. Em 1991, sua peça Pobre menina rica foi remontada, sob direção de Aderbal Júnior. No ano seguinte excursionou pela Espanha e Portugal, além de ter participado do Festival Pescara Jazz, ao lado de Gerry Mulligan e Gary Burton. Em 1993, após permanecer seis anos afastado dos estúdios, gravou no Japão o CD Bossa Lira, pela BMG-Victor. Em 1994 lançou pela Editora Lumiar o Songbook Carlos Lira, e, em seguida, o livro Ayanamsa - astrologia sideral, pela Editora Maltese. No ano seguinte, iniciou temporada de shows pelo Brasil.

Em 1996 compôs os temas de Policarpo Quaresma - Herói do Brasil (fiIme de Paulo Tiago), fez curta temporada no Japão e, no final do ano, estreou o show Vivendo Vinícius, com Leila Pinheiro, Toquinho e Baden Powell. Em 1997 lançou o CD Get us Bossa Nova (Pony Canyon Records) e estreou o show 40 anos de Bossa Nova, em Tóquio, ao lado de Roberto Menescal, Leila Pinheiro, Astrud Gilberto e outros.

Algumas músicas







































Veja também:


























Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.