Mostrando postagens com marcador vassourinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vassourinha. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, agosto 23, 2018

Juracy - Vassourinha

Vassourinha
Juracy (samba, 1941) - Antônio Almeida e Ciro de Souza

Disco 78 rpm / Título: Juracy / Autoria: Almeida, Antônio (Compositor) / Souza, Ciro de (Compositor) / Vassourinha (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 23/06/1941 / Nº Álbum 55295 / Lado B / Lançamento: 08/1941 / Gênero: Samba choro

G                         D7
Desde o dia em que eu te vi Juracy
                     G
Nunca mais tive alegria
                           D7
Meu coração ficou daquele jeito
                             G
dando pinote dentro do meu peito
                              D7
Mas agora eu quero, eu quero saber
                G
qual a sua opinião
                      D7
Pra resolver nossa situação
             C     D7      G
pode ser ou tá difícil coração
D7
Eu trabalhei durante um ano inteiro
                               G
pra conseguir juntar algum dinheiro
                        D7
fiz uma casa que é um amor
                                G
pois tem rádio, geladeira e ventilador
D7                 D7
Nossa casinha lá na Marambaia
           B7                 Em
fica a dois passos da beira da praia
         C      C#7        D7
e se você achar que lhe convém
                    C        D7     G
eu lhe garanto tudo isso e o céu também

terça-feira, abril 10, 2012

Vassourinha e as Emílias


Mário Ramos, o Vassourinha
Garoto e humilde, Mário Ramos apresentou-se na administração da emissora para executar as tarefas no emprego que seus pais lhe haviam arranjado. Miudinho, estando entre 13 e 14 anos, ficaria longe dos estúdios e dos microfones. Seria utilizado como menino de recados. Pela manhã, faria a limpeza da sala dos diretores varrendo-a e espanando móveis. Na sua condição subalterna, mandado por muitos, assistia embevecido à movimentação reinante no escritório. Cruzava com os artistas que por ele passavam indiferentes ou jogando-lhe a despreocupada saudação de costume: “como vai vassourinha!”.

Invejava toda aquela gente famosa, de muitos fãs, e tinha um desejo incontido de estar no meio dela. Sabia cantar uns sambinhas buliçosos, de breque, e se lhe dessem oportunidade, veriam que tinha jeito prá coisa. De fato assim foi. No dia que o levaram para o canto da sala e ouviram o menino, desembaraçado, com muita bossa, dar uma pala de seu valor, abriram-lhe caminho para sua carreira, infelizmente bem curta.

No melhor de sua ascensão, quando o apelido "Vassourinha" popularizava um excelente intérprete de nossa música popular, fazendo esquecer o office boy que antes fora, ele desapareceu. Morreu sem gozar o sucesso que lhe deu a boa Emília, cujo mérito de “preparar o café” ele alardeava em ritmo e melodias gostosas.

Apenas um “vassourinha”

O que o Sr. Paulo de Almeida Ramos e sua esposa Tereza pretendiam para o filho Mário era um emprego qualquer, de menor, próprio para um garoto de 13 anos já feitos. Precisavam de uma ajuda nas despesas da casa e o dinheirinho que ele iria ganhar na Rádio Record, de São Paulo, em serviços de escritório seria bem útil. Além disso, o ambiente de uma emissora estava no agrado do menino que vivia cantando seus sambinhas, imitando os artistas mais em evidência. Mesmo sendo para levar recados, para fazer limpeza, ser vassourinha, o meio lhe agradaria. Poderia talvez (“quem sabe lá?”) ter oportunidade de entrar em algum programa, cantar qualquer coisa: uma musiquinha fácil de seu repertório doméstico e só conhecido dos familiares.

Aquilo que o garoto tinha como sonho irrealizável, no entanto aconteceu. Puseram-no diante de um microfone e com essa chance facilitavam o que ele ambicionava. "Vassourinha" era o apelido que ganhara varrendo e espanando o escritório da PRB-8 e com ele ia sendo guindado à fama através de interpretações não só no estúdio, mas também no cinema e no disco. Suas primeiras gravações, já que ele cantava no estilo do famoso Luiz Barbosa, foram Juraci e Seu Libório. Depois vieram outras: Ela vai à feira, Olga, Chik Chick bum, Apaga a vela, E o juiz apitou, etc., todas favorecendo seu modo de interpretar, a bossa que lhe era peculiar. Dentro em pouco estava vitorioso e tinha lugar de destaque nos programas da rádio e nas pesquisas de vendagem de discos.

Emília, a velha e a nova

Iniciando-se em 1935 e falecendo a 3 de agosto de 1942, pôde mesmo assim, em apenas sete anos de atuação artística, deixar uma não muito numerosa mas expressiva bagagem. Nela sobressai-se, porém, o samba Emília, de Haroldo Lobo e Wilson Baptista, um de seus últimos (ou, parece, o último) sucesso. Lançado para o Carnaval de 1942 e tendo como motivo a exaltação da “mulher que sabia lavar e cozinhar”, além de acordar o amante na exata “hora de trabalhar”, era uma canção alegre, graciosa. Tinha a característica de um lamento (“Papai do céu é quem sabe a falta que ela me faz”) formulado com música viva, isenta de tristeza, de choramingas. Reclamava a volta da amada, insistentemente sim, suplicante não: “Emília! Emília! Emília!”.

Longe de isso pretender, usando embora personagem de igual nome, o sambista evocava uma velha heroína de saudosa modinha que, nos fins do século passado e princípios deste, era a preferida dos seresteiros. De origem presumidamente portuguesa, teve como seu mais conhecido intérprete o sempre lembrado Eduardo das Neves. Empunhando o violão aparecia no picadeiro e os aplausos do público que lotava toda a arquibancada do circo o saudavam. Feria as cordas e cantava: "Perdão Emília, se roubei-te a vida./ Se fui impuro, fui cruel, ousado./ Perdão, Emília, se manchei teus lábios./ Perdão, Emília, para um desgraçado.”

Depois numa descrição macabra, sofrida, tendo como cenário um cemitério, os versos relatavam um amor infeliz, o diálogo entre a Emília morta e o amante infiel arrependido. A antiga Emília, vítima lamuriada em música e letra, proporcionou ao Das Neves e a todos que cantaram a desdita, grande êxito de interpretação. A nova, aquela cuja ausência não permitia ao amante “viver em paz”, ao invés de provocar lágrimas, dava ao humilde Vassourinha também sucesso e fama.

Pouco, mas o bastante

Da carreira artística do office boy Mário Ramos, o menino que embora subindo jamais perdeu o apelido ganho na sua humilde origem de vassorinha de uma emissora de rádio, pode-se dizer ter sido ela rápida, porém vitoriosa. Os sete anos em que se exibiu nos estúdios, palcos e telas — pois afora os programas internos, participou de festivais e de filmes (Fazendo fita, em 1936, foi um deles) — bastaram para que deixasse patente sua qualidade de magnífico intérprete. Tal valor ainda mais se evidencia nos vários discos que gravou e nos quais ainda se tem a grata satisfação de ouvi-lo com sua bossa própria e muito apreciada.

Assim, duas Emílias, mulheres diversas, mas de igual nome, bem distantes uma da outra, serviram de pretexto para que se recordasse o garoto vitorioso tão prematuramente desaparecido. A Emília de agora, de nossos dias, que Vassourinha num alegre apelo queria tê-la fazendo o gostoso café e “não desfazendo nas outras”, era mulher amiga e carinhosa, levou-o à fama e popularidade. Não pôde, infelizmente, o Vassourinha desfrutar o sucesso que a boa Emília lhe deu e que se refletia na procura constante dos discos onde ele a chamava: “Emília!, Emília!, Emília!, eu não posso mais.”

(O Jornal, 18/7/1965)
____________________________________________________________________
Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

sábado, março 22, 2008

E o juiz apitou

Vassourinha
E o juiz apitou (samba, 1942) - Wilson Batista e Antônio Almeida - Intérprete: Vassourinha

Disco 78 rpm / Título da música: ...E o juiz apitou / Antônio Almeida (Compositor) / J. Batista (Wilson Batista) (Compositor) / Vassourinha (Intérprete) / Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 15/05/1942 / Lançamento: 05/1942 / Nº do Álbum: 55343 / Nº da Matriz: 515-1 / Gênero musical: Samba choro / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi


Eu tiro o domingo para descansar
Mas não descansei
Que louco fui eu
Regressei do futebol
Todo queimado de sol
O Flamengo perdeu
Pro Botafogo
Amanhã vou trabalhar
Meu patrão é vascaíno
E de mim vai zombar


Foram noventa minutos
Que eu torci como louco
Até ficar rouco
Nandinho passa a Zizinho
Zizinho serve a Pirilo
Que preparou pra chutar
Aí o juiz apitou
O tempo regulamentar
Que azar!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Juraci

Vassourinha
Juraci (samba, 1941) - Antônio Almeida e Ciro de Souza - Intérprete: Vassourinha

Disco 78 rpm / Título da música: Juraci / Antônio Almeida (Compositor) / Ciro de Souza (Compositor) / Vassourinha (Intérprete) / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Acomp.) / Regional de Benedito Lacerda (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 23/06/1941 / Lançamento: 08/1941 / Nº do Álbum: 55295 / Nº da Matriz: 442-1 / Gênero: Samba choro / Coleções de origem: Nirez, IMS D, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi

G                         D7
Desde o dia em que eu te vi Juracy
                     G
Nunca mais tive alegria
                           D7
Meu coração ficou daquele jeito
                             G
dando pinote dentro do meu peito
                              D7
Mas agora eu quero, eu quero saber
                G
qual a sua opinião
                      D7
Pra resolver nossa situação
             C     D7      G
pode ser ou tá difícil coração
D7
Eu trabalhei durante um ano inteiro
                               G
pra conseguir juntar algum dinheiro
                        D7
fiz uma casa que é um amor
                                G
pois tem rádio, geladeira e ventilador
D7                 D7
Nossa casinha lá na Marambaia
           B7                 Em
fica a dois passos da beira da praia
         C      C#7        D7
e se você achar que lhe convém
                    C        D7     G
eu lhe garanto tudo isso e o céu também


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, dezembro 03, 2006

Vassourinha

O cantor Vassourinha (Mário Ramos) nasceu em São Paulo SP 16/5/1923, e faleceu na mesma cidade em 3/8/1942. A origem de seu apelido é confusa, mas já era assim conhecido quando foi registrado como contínuo da Rádio Record, de São Paulo, em 1935, onde iniciou também carreira de cantor, no horário noturno.

Ainda nesse ano, participou do filme Fazendo fita, dirigido por Vittorio Capellaro. Na Rádio Record formou dupla com a cantora Isaura Garcia, apresentando-se em shows e circos. Em 1941 foi para o Rio de Janeiro, onde gravou na Columbia e atuou na Rádio Clube do Brasil.

Nos anos de 1941 e 1942, gravou os seis únicos discos que deixou. O primeiro incluía Juracy (Antônio Almeida e Ciro de Sousa) e Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro), que fez grande sucesso e o projetou nacionalmente como herdeiro do sambista Luís Barbosa.

Entre os demais, destaca-se o samba Emília (Haroldo Barbosa e Wilson Batista), que ratificou seu êxito inicial, Amanhã tem baile (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e Olga (Alberto Ribeiro e Sátiro de Melo).

Morreu com apenas 19 anos, ao que parece de uma osteomielite, deixando nessa diminuta discografia (reeditada mais tarde num LP da Musicolor) o suficiente para ser tido como um dos maiores sambistas brasileiros.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.