segunda-feira, junho 03, 2013

Creusa

Creusa (Creuza Francisca dos Santos), cantora, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/03/1927, e faleceu na mesma cidade, em 02/02/2002. Nasceu no Morro da Mangueira e era filha de Agenor dos Santos e Rosa do Espírito Santos. O pai era amigo de Cartola e a mãe amiga de Deolinda. Quando Rosa faleceu em 1932, o casal Deolinda e Cartola (que viviam juntos desde 1925) resolveu adotar a menina, então com cinco anos.

Cartola compôs para ela O mundo é um moinho, que, de acordo com relatos anteriores, teria sido composta para a filha prostituta do compositor. Todavia, segundo depoimento da filha mais velha de Creusa, Irinéa dos Santos, Cartola compôs essa música tendo em vista sua passagem pela adolescência, e com a natural curiosidade de 16 anos por namoros. O compositor então expressou sua preocupação como qualquer pai em relação a uma menina adolescente.

Iniciou a carreira artística no final década de 1930 cantando em programas nas rádios Transmissora e Nacional, quando Cartola a levava para interpretar suas composições, o que era comum nesta época, cada compositor ter uma cantora para interpretar suas canções. Com isso, a menina aprendeu músicas que mais tarde, com a morte do pai, iria resgatar da memória, inclusive, várias inacabadas. Por essa época, integrou como corista o grupo As Gatas que acompanhava Herivelto Martins.

Na década de 1960 apresentou-se ao lado de Cartola em vários shows, entre eles na Boate Jogral, em Ribeirão Preto (São Paulo) e no Zicartola e Teatro Opinião, ambos no Rio de Janeiro. Também atuou em shows ao lado de Genaro da Bahia (Genaro Valfredo Bispo).

Em 1976 participou do segundo disco solo de Cartola lançado pelo selo Discos Marcus Pereira. No LP interpretou Ensaboa (Cartola e Monsueto) e Sala de recepção (Cartola), ambas em dueto com Cartola.

No ano de 1982, a faixa Ensaboa foi inserida no disco História da música popular brasileira, editado pela Abril Cultural S/A .

Em 1984, quatro anos após o falecimento do pai, participou do LP Cartola entre amigos. No disco, com produção artística e musical de João de Aquino e ainda pesquisa musical de Marília Trindade Barbosa e Arthur L. de Oliveira Filho, foram incluídas várias composições inéditas de Cartola, algumas relembradas por sua filha, que interpretou a inédita Rolam dos meus olhos e participou do coro nas faixas Não (Cartola e Aluízio Dias), O samba do operário (Cartola, Alfredo Português e Nelson Sargento) e Deus te ouça (Cartola e Paulo da Portela).

Em 1986 o compositor e violonista Aluízio Dias, fundador da Ala de Compositores da Mangueira e parceiro de Cartola, fundou também a Velha-Guarda da Mangueira e a convidou para participar como pastora. Com este grupo, e ao lado de outras pastoras como Dona Neuma, Tia Zélia, Soninha, Zenith, apresentava-se regularmente na quadra da escola. Três anos depois, em 1989, o produtor japonês Katsunori Tanaka produziu o primeiro disco da Velha-Guarda da Mangueira. No CD intitulado Mangueira chegou, interpretou a inédita Pedi perdão (Cartola) e em dueto com Aluízio Dias O amor é isso? (Aluízio Dias e Cartola).

Em 2000 o CD Mangueira chegou foi lançado no Brasil pela gravadora Nikita Music.

Em seu ultimo show, como integrante da Velha-Guarda da Mangueira na Sala Funarte Sidney Miller, apresentou duas composições inéditas de Cartola: Serviço de roça e Por motivos de força maior, ambas finalizadas pelo filho Reizilan, neto de Cartola.

Discografia

(1976) Cartola • Selo Discos Marcus Pereira • LP
(1982) História da música popular brasileira • Abril Cultural S/A • LP
(1984) Cartola entre amigos • Selo Funarte INM • LP
(1989) Mangueira chegou • Selo Office Sambinha LTDA • CD
(2000) Mangueira chegou • Nikita Music/Office Sambinha • CD
(2002) Acervo Funarte da música popular brasileira - Cartola entre amigos • Atração Fonográfica/Instituto Cultural Itaú • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.