Sinhô apreciava tanto a valsa francesa "Geny (C'est pas dificile)" que acabou plagiando-a na marchinha "O Pé de Anjo". E deu certo, pois "O Pé de Anjo" caiu nas graças do povo, tornando-se o maior sucesso do carnaval de 1920 e até originando uma revista musical que adotou o seu título.
Foi, ainda, a primeira música gravada por Francisco Alves, sendo lançada juntamente com "Fala meu Louro" no suplemento inaugural do selo Popular, de efêmera duração.
Quanto ao título, tratava-se de uma zombaria aos pés enormes do China, dando assim continuidade à interminável rixa entre Sinhô e seus desafetos preferidos: os irmãos China e Pixinguinha.
Disco selo: Disco Popular / Título da música: O Pé de Anjo / J. B. da Silva "Sinhô" (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Grupo dos Africanos (Acomp.) / Nº do Álbum: 1008 / Nº da Matriz: 1008-2 / Gravação: Outubro/1919 / Lançamento: 1920 / Gênero musical: Marcha Carnavalesca / Coleção de fontes: IMS, Nirez
O pé de anjo (samba, 1920) - Sinhô
C----------Cº------- Dm- ----------Dº----------- C/E
Eu tenho uma tesourinha / Que corta ouro e marfim
C---------- Cº----------- G------D7------------------ G7
Serve também para cortar / Línguas que falam de mim
C------------ Dm---------------- G7----- C
Ó pé de anjo, ó pé de anjo / És rezador, és rezador
A7------------------- Dm------------------------ D7
Tens um pé tão grande / Que és capaz de pisar
G7------------- C
Nosso Senhor, Nosso Senhor
C------- C#º-------Dm-------------Dº----------- C/E
A mulher e a galinha / São dois bichos interesseiros
C----- Cº----------- G------- D7-------------- G7
A galinha pelo milho / E a mulher pelo dinheiro.
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
segunda-feira, março 20, 2006
China
China (Otávio Littleton da Rocha Vianna), cantor, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 16/05/1888 e faleceu na mesma cidade em 27/08/1927. Irmão de Pixinguinha. Por volta de 1917 gravou, como cantor, vários discos na Phoenix, inclusive suas modinhas Amei-te tanto e A lua nova.
Foi para satirizar seus pés enormes que Sinhô, na discussão com a turma de Pixinguinha,. compôs a marcha Pé de anjo (1919). China tinha escrito nesse ano, contra Sinhô, os versos do samba Já te digo, com música de Pixinguinha.
Como cantor, pianista e violonista integrou o grupo Oito Batutas, que se apresentava na sala de espera do Cinema Palais, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Excursionou com o grupo à França, em 1922, e à Argentina, em 1923.
Obra
Ai, madama, samba carnavalesco, s.d.; Broadway (com Pixinguinha), fox-trot, s.d.; O cachorro da mulata (com Duque), samba, s.d.; Cadê ele (com Donga), embolada, s.d.; Caxuxa, samba, s.d.; Herança de caboclo (com Pixinguinha), samba, s.d.; Já te digo (com Pixinguinha), samba, 1919; Meu passarinho, samba, s.d.; Pulo de gato, samba, s.d.; Que nega é essa (com Lezute), samba, s.d.; Sai, Exu (com Donga), jongo, s.d.; Trancinha, marcha, s.d.; Você me acaba (com Mirandela e Donga), samba, s.d.; Viva a reação, samba, s.d.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Foi para satirizar seus pés enormes que Sinhô, na discussão com a turma de Pixinguinha,. compôs a marcha Pé de anjo (1919). China tinha escrito nesse ano, contra Sinhô, os versos do samba Já te digo, com música de Pixinguinha.
Como cantor, pianista e violonista integrou o grupo Oito Batutas, que se apresentava na sala de espera do Cinema Palais, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Excursionou com o grupo à França, em 1922, e à Argentina, em 1923.
Obra
Ai, madama, samba carnavalesco, s.d.; Broadway (com Pixinguinha), fox-trot, s.d.; O cachorro da mulata (com Duque), samba, s.d.; Cadê ele (com Donga), embolada, s.d.; Caxuxa, samba, s.d.; Herança de caboclo (com Pixinguinha), samba, s.d.; Já te digo (com Pixinguinha), samba, 1919; Meu passarinho, samba, s.d.; Pulo de gato, samba, s.d.; Que nega é essa (com Lezute), samba, s.d.; Sai, Exu (com Donga), jongo, s.d.; Trancinha, marcha, s.d.; Você me acaba (com Mirandela e Donga), samba, s.d.; Viva a reação, samba, s.d.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Flor do mal
O poeta Domingos Correia suicidou-se no dia 6 de maio de 1912, bebendo um copo do desinfetante Lisol, numa casa de chope no Rio de Janeiro. Antes, porém, perpetuou nos versos da canção "Flor do Mal" o motivo do suicídio: sua paixão não correspondida por Arminda Santos, uma jovem pernambucana que então iniciava carreira artística nos palcos da cidade.
"Oh! Eu me recordo ainda / desse fatal dia / em que tu me disseste, Arminda, / indiferente e fria / eis do meu romance o fim...".
Como não era compositor, fez esses versos tristíssimos em cima da melodia, mais triste ainda, de "Saudade Eterna", uma valsa do violonista Santos Coelho, autor de um método de guitarra portuguesa, muito usado na época.
Tendo recebido em 1909 a letra de Catulo da Paixão Cearense (sob o título de "Ó como a saudade dorme num luar de calma"), "Saudade Eterna" era apenas razoavelmente conhecida, tornando-se grande sucesso ao transformar-se em "Flor do Mal", talvez até pelo impacto da tragédia.
Segundo o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque), Domingos Correia "era branco, baixo e tinha uma cabeça enorme", o que lhe valeu o apelido de Boneco nos meios boêmios onde bebia e cantava com voz possante". Com tal figura, era mesmo tarefa impossível ao Boneco conquistar a bela Arminda.
A seguir algumas gravações sobre o tema:
Disco selo: Odeon Record / Título da música: Saudade Eterna (Flor do Mal) / Santos Coelho (Compositor) / Grupo dos Sustenidos (Intérprete) / Nº do Álbum: 120143 / Nº da matriz: xR1686 / Gravação: 16/Setembro/1911 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: Nirez
Disco selo: Odeon Record / Título da música: Flor do Mal / Valsa de Santos Coelho (Compositor) / Versos de Domingos Correia (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Cavaquinho e violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121052 / Nº da matriz: 121.052=2 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título da música: Flor do mal (Saudade Eterna) / Santos Coelho (Compositor) / Alencar Terra (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Copacabana / Nº do Álbum: 5385-a / Nº da matriz: M-932 / Lançamento: Março/1955 / Gênero musical: Valsa
LP Gilberto Alves De Sempre Nº2 / Título da música: Flor do Mal (Saudade Eterna) / Santos Coelho (Compositor) / Domingos Correia (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Álbum: CLP 11307 / Ano: 1963 / Tracklist: 4B / Gênero musical: Valsa
Oh ! Eu me recordo ainda, / Deste fatal dia...
Em que tu me disseste, Arminda, / Indiferente e fria.
- Eis do meu romance o fim! / - Senhor! / - Basta!
- Esquece-te de mim, / Amor.
Por que? / Não procures indagar, / A causa ou a razão?
Por que? / Eu não te posso amar? / Oh ! Nunca quis não,
Será fácil te esquecer. / Prometo,
Oh! minha flor, / Não mais ouvir falar de amor.
Eu! / Hipócrita! / Fingido coração! / De granito...
Ou de gelo... / Maldição...
Ah! / Espírito satânico! / Perverso! / Titânico chacal...
Do mal... / Num lodaçal imerso...
Sofrer! / Quanto tenho sofrido! / Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído! / Por que? / Não posso ser então...
Oh, Não !
Que importa, / O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural! / Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente, / A Flor do Mal.
Sofrer! / Quanto tenho sofrido! / Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído! / Por que? / Não posso ser então...
Oh, Não!
Que importa, / O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural! / Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente, / A Flor do Mal....
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
"Oh! Eu me recordo ainda / desse fatal dia / em que tu me disseste, Arminda, / indiferente e fria / eis do meu romance o fim...".
Como não era compositor, fez esses versos tristíssimos em cima da melodia, mais triste ainda, de "Saudade Eterna", uma valsa do violonista Santos Coelho, autor de um método de guitarra portuguesa, muito usado na época.
Tendo recebido em 1909 a letra de Catulo da Paixão Cearense (sob o título de "Ó como a saudade dorme num luar de calma"), "Saudade Eterna" era apenas razoavelmente conhecida, tornando-se grande sucesso ao transformar-se em "Flor do Mal", talvez até pelo impacto da tragédia.
Segundo o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque), Domingos Correia "era branco, baixo e tinha uma cabeça enorme", o que lhe valeu o apelido de Boneco nos meios boêmios onde bebia e cantava com voz possante". Com tal figura, era mesmo tarefa impossível ao Boneco conquistar a bela Arminda.
A seguir algumas gravações sobre o tema:
Disco selo: Odeon Record / Título da música: Saudade Eterna (Flor do Mal) / Santos Coelho (Compositor) / Grupo dos Sustenidos (Intérprete) / Nº do Álbum: 120143 / Nº da matriz: xR1686 / Gravação: 16/Setembro/1911 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: Nirez
Disco selo: Odeon Record / Título da música: Flor do Mal / Valsa de Santos Coelho (Compositor) / Versos de Domingos Correia (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Cavaquinho e violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121052 / Nº da matriz: 121.052=2 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título da música: Flor do mal (Saudade Eterna) / Santos Coelho (Compositor) / Alencar Terra (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Copacabana / Nº do Álbum: 5385-a / Nº da matriz: M-932 / Lançamento: Março/1955 / Gênero musical: Valsa
LP Gilberto Alves De Sempre Nº2 / Título da música: Flor do Mal (Saudade Eterna) / Santos Coelho (Compositor) / Domingos Correia (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Álbum: CLP 11307 / Ano: 1963 / Tracklist: 4B / Gênero musical: Valsa
Oh ! Eu me recordo ainda, / Deste fatal dia...
Em que tu me disseste, Arminda, / Indiferente e fria.
- Eis do meu romance o fim! / - Senhor! / - Basta!
- Esquece-te de mim, / Amor.
Por que? / Não procures indagar, / A causa ou a razão?
Por que? / Eu não te posso amar? / Oh ! Nunca quis não,
Será fácil te esquecer. / Prometo,
Oh! minha flor, / Não mais ouvir falar de amor.
Eu! / Hipócrita! / Fingido coração! / De granito...
Ou de gelo... / Maldição...
Ah! / Espírito satânico! / Perverso! / Titânico chacal...
Do mal... / Num lodaçal imerso...
Sofrer! / Quanto tenho sofrido! / Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído! / Por que? / Não posso ser então...
Oh, Não !
Que importa, / O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural! / Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente, / A Flor do Mal.
Sofrer! / Quanto tenho sofrido! / Sem ter uma consolação!
O Cristo também foi traído! / Por que? / Não posso ser então...
Oh, Não!
Que importa, / O meu sofrer ferino...
Das coisas é ordem natural! / Seguindo o meu destino,
Chamar-te-ei, eternamente, / A Flor do Mal....
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
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