terça-feira, abril 04, 2006

Antenógenes Silva


Antenógenes Silva (Antenógenes Honório da Silva), instrumentista e compositor nasceu em Uberaba MG, em 30/10/1906. Filho de serralheiro e respeitado sanfoneiro de oito baixos, fez os primeiros estudos em sua cidade natal, chegando apenas ao segundo ano do grupo escolar. Aprendeu a tocar os oito baixos e aos 14 anos compôs a primeira música, com o nome da namorada.


Em 1927 mudou-se para Ribeirão Preto SP, e iniciou carreira artística; em 1928 estava em São Paulo SP, onde começou a tocar no Bar Excelsior e na Rádio Educadora Paulista. Em 1929 gravou dois discos na Victor paulistana, com o choro Gostei de tua caída e a valsa Norma, ambas de sua autoria.

Em 1933 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, assinando contrato com a Victor. Tornou-se nacionalmente conhecido e fez tournée em Buenos Aires, Argentina.

Em 1934 passou a gravar na Odeon. Como acordeonista, acompanhou vários artistas, nacionais e internacionais, e foi o primeiro a tocar música lírica no Teatro Municipal. Aprendeu harmonia, solfejo e orquestração, e teve aulas com Guerra Peixe. Prosseguiu os estudos interrompidos na infância e, em 1949, formou-se em química industrial.

Em 1957, na Alemanha, no festival de gaitas Honner, ganhou o primeiro prêmio tocando sanfona de oito baixos, sendo reconhecido como um dos melhores do mundo.

Entre seus maiores sucessos estão as valsas Saudades de Matão (Jorge Galati e Raul Torres, com seu arranjo), em 1938, e Ave Maria (Erothides de Campos), com voz de Augusto Calheiros, em 1939. E, entre suas composições, destacam-se Pisando corações (com Ernani Campos), gravada com Augusto Calheiros, em 1936; as valsas Uma grande dor não se esquece (com Ernani Campos) e Santa Teresinha, gravada com Gilberto Alves, em 1943; Mês de Maria, em 1947, gravada com Alcides Gerardi; e muitas outras.

Conhecido como O Mago do Acordeom, gravou, de 1929 a 1963, cerca de 162 discos em 78 rpm, com 324 músicas, e vários LPs. Manteve por muitos anos, no Rio de Janeiro, uma escola de acordeom para profissionais, com cursos de teoria, solfejo e harmonia.

Obras

Adeus mãezinha (com José Duduca de Morais), valsa, 1944; Bebê chorão (com Irani de Oliveira), marcha, 1941; O Carnaval é rei, s.d.; Uma grande dor não se esquece (com Ernâni Campos), valsa, 1940; Mês de Maria, valsa, 1947; Pisando corações (com Ernâni Campos), valsa, 1936; Santa Teresinha, valsa, 1944; Saudades de Matão (com Jorge Gallati e Raul Torres), valsa, 1937.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 1998, SP.

André Filho

André Filho (Antônio André de Sá Filho), compositor, cantor e instrumentista nasceu no Rio de Janeiro RJ em 21/3/1906 e faleceu em 2/7/1974. Órfão cedo, foi criado pela avó, e aos oito anos começou a estudar música com Pascoale Gambardella, que lhe ensinou ritmo e harmonia. Mais tarde aprendeu a tocar diversos instrumentos, entre os quais violino, violão, bandolim e piano.


No Colégio Salesiano de Santa Rosa, em Niterói RJ, onde foi colega do radialista Almirante, formou-se em ciências e letras. Iniciou sua carreira cantando na Rádio Educadora.

Em seguida foi compositor, arranjador, locutor e autor de jingles em várias emissoras, entre as quais a Philips, a Mayrink Veiga, a Tupi e a Guanabara. Em 1929 0 seresteiro Henrique de Melo Morais gravou na Parlophon sua canção Velho Solar, e um ano depois Carmen Miranda lançou na Victor um disco com o samba O meu amor tem e a marcha Eu quero casar , ambos de sua autoria. Ainda em 1930 foi lançada pela Victor Nem queiras saber (com Felácio da Silva), na voz de Sílvio Caldas. Com Noel Rosa compôs o samba Filosofia, gravado por Mário Reis, que não chegou a alcançar popularidade.

Em 1931 Carmen Miranda gravou na Victor os sambas Bamboleô e Quero só você, e dois anos depois, juntamente com Mário Reis, Alô... alô. Como cantor estreou na Victor com os sambas Vou navegar e Nosso amor vai morrendo, de sua autoria para o Carnaval de 1933, gravando como intérprete músicas até 1939, quase todas suas.

De 1934 é sua composição mais famosa, a marcha Cidade maravilhosa, que gravou na Odeon juntamente com Aurora Miranda. Inscrita no concurso de Carnaval da prefeitura do Rio de Janeiro, no ano seguinte, classificou-se em segundo lugar, tornando-se um grande sucesso e passando a ser tradicionalmente executada no encerramento dos bailes em todos os Carnavais. Em 1960 foi oficialmente decretada como hino da cidade do Rio de Janeiro.

Por volta de 1940 esteve internado com problemas psíquicos numa casa de saúde particular; a partir dessa época afastou-se da vida artística, passando praticamente recluso seus últimos anos. Em 1975 Chico Buarque regravou Filosofia.

Obra

Alô... alô..., samba, 1933; Baiana do tabuleiro, samba, 1937; Balança coração, marcha, 1934; Bamboleô, samba, 1931; Cidade maravilhosa, marcha, 1934; Filosofia (com Noel Rosa), samba, 1933; Mamãezinha está dormindo, canção, 1930; Marisa, valsa, 1936; Mulato de qualidade, samba, 1932; Quando a noite desce (com Roberto Borges), canção, 1930.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Aldo Cabral

Antônio Guimarães Cabral, compositor e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 3/2/1912 e faleceu em 5/6/1994. Nascido no bairro de Santo Cristo, foi jornalista, produtor de rádio, autor do teatro de revista e poeta. Um dos grandes letristas de nossa música popular, começou com um clássico, a valsa Boneca (gravada por Sílvio Caldas em 1935), com melodia de Benedito Lacerda, seu parceiro mais constante.


Para o Carnaval de 1936, os dois fizeram o samba Pra fazer você chorar, gravado por Carmen Miranda, e a marcha Abel e Caim, gravada por Sônia Carvalho; em seguida, lançaram a valsa No palco da vida, gravada por Nestor Amaral.

Em 1937 lançaram, também no Carnaval, as marchas Serpente do amor, gravada por Carlos Galhardo, e Noite de Carnaval, por Sílvio Caldas. Em seguida compuseram a valsa Iracema, gravada por Nuno Roland, e o grande sucesso Amigo leal, samba, por Orlando Silva, cuja continuação, Amigo infiel, foi gravada pelo mesmo cantor no ano seguinte.

Em 1939, a dupla alcançou grande sucesso com o samba-canção Espelho do destino, gravado por Orlando Silva, e talvez o seu maior êxito, com o samba-exaltação Brasil, lançado por Francisco Alves e Dalva de Oliveira. No Carnaval de 1940, foi a vez do samba Despedida de Mangueira, sucesso na voz de Francisco Alves. Na expectativa da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, compuseram Voz do dever, valsa gravada por Orlando Silva e Ismênia dos Santos.

Em 1942 lançaram o samba-canção Carnaval da minha vida, gravado por Francisco Alves. Com outro parceiro compôs, ainda em 1942, o samba Bom-dia (com Herivelto Martins), gravado por Linda Batista e As três Marias, e em 1945 o samba Mensagem (com Cícero Nunes), o maior sucesso de Isaura Garcia. Para o teatro musicado, escreveu a burleta O feitiço da baiana (1936) e a revista Mordomo em grande gala (1939), ambas com músicas de Benedito Lacerda; a revista Cadeia da sorte (1935), com Nestor Tangerini; as revistas O teu dia chegará (1941), com Saint-Clair Sena, e De boca em boca (1950), com Nestor Tangerini e De Chocolat.

Obras

A você (c/Ataulfo Alves), valsa, 1937; Bazar (c/Custódio Mesquita), fox-canção, 1941; Carnaval na minha terra (c/Kid Pepe), marcha, 1938; De tanto sambar (c/Benedito Lacerda), samba, 1940; Dilema (c/Ataulfo Alves), samba, 1952; Molengo (c/Severíno Araújo), choro, 1950; Nunca (c/Benedito Lacerda), valsa, 1941; Podes mentir (c/Georges Moran), fox, 1943; Quem chorou fui eu (c/Benedito Lacerda), marcha, 1940; Sinceridade (c/Valdemar Gomes), samba, 1945; Teus ciúmes (c/Laci Martins), valsa, 1936; Tudo é possível (c/Cícero Nunes), samba, 1945; A volta (c/Benedito Lacerda), valsa, 1945.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.