sábado, setembro 23, 2006

Valfrido Silva

Valfrido Silva (Valfrido Pereira da Silva), compositor e instrumentista nasceu no Rio de Janeiro/RJ -12/8/1904 e faleceu em Niterói/RJ - 6/1/1972. Aos seis anos de idade, mudou-se para Niterói, onde fez o curso primário na Escola Pública D. Pórcia e o secundário no Colégio Salesiano Santa Rosa.

Aos 16 anos, abandonou a escola, limitando-se a fazer curso de datilografia, na Escola Remington, e de noções de contabilidade e comércio, na Escola Royal, de Niterói. Ainda com 16 anos, em 1920, começou a estudar bateria com Carlos Eckardt, especializando-se com Augusto Lima, ambos chefes de orquestra em Niterói.

No ano seguinte, participou da orquestra de Eckardt, que acompanhava revistas e operetas e fazia fundo musical para filmes mudos no Cine Royal. Por essa época, em dupla com o pianista Gadé, acompanhava bailes de fim-de-semana dos ranchos carnavalescos Mimoso Manacá, Reinado da Folia e outros. Atuou nas orquestras de Eckardt e Augusto Lima até 1927, quando passou a trabalhar no Cassino Assírio, no Rio de Janeiro, depois no cabaré Beira-Mar, no Dancing Avenida e, finalmente, na Orquestra do Cassino Atlântico.

Em 1932 passou a integrar o Grupo da Guarda Velha e os Diabos do Céu, conjuntos de estúdio da Victor, com os quais participou de várias gravações, como de Linda morena (Lamartine Babo), O teu cabelo não nega (Irmãos Valença e Lamartine Babo), A tua vida é um segredo (Lamartine Babo), Ride palhaço (Lamartine Babo), e outras.

Nessa época estreou como compositor, fazendo músicas para blocos carnavalescos: No dia em que meu amor morreu. Ainda em 1932, teve sua primeira música gravada, Jurei me vingar (letra de André Filho), por Sílvio Caldas, na Victor. Em fins desse ano, Mário Reis gravou sua composição Vai haver barulho no chatô, cuja segunda parte foi feita por Noel Rosa.

Também em 1932 iniciou parceria com Gadé: compuseram o samba-choro Amor em excesso, gravado no mesmo ano por Almirante, na Victor; fizeram grande sucesso em 1935 com Estão batendo, gravada por Joel e Gaúcho, e Vou me casar no Uruguai, gravada por Almirante. Gadé tornou-se então seu parceiro mais constante, e a dupla conta 48 composições, entre sambas e marchinhas.

De 1935 a 1939, integrou a orquestra de Romeu Silva como baterista. Ainda em 1935, compôs o samba-choro O tic-tac do meu coração (com Alcir Pires Vermelho), gravado por Carmen Miranda e por ela cantado no filme norte-americano Minha secretária brasileira, 1942.

De 1944 a 1948, apresentou-se como baterista da Companhia Walter Pinto, no Teatro Recreio. Em 1949, excursionou pela Venezuela com a Companhia Derci Gonçalves. Pouco tempo depois, passou a trabalhar com o Trio de Ouro e como maestro Vicente Paiva, com os quais viajou durante três meses pelo Brasil.

Em 1952 foi para Portugal com a Companhia Folclórica Brasileira, ao lado de José Vasconcelos e Carlos Galhardo. Voltou depois de seis meses e passou a trabalhar com a Companhia César Ladeira e Renata Fronzi, na peça Brasil, 3000. Em seguida atuou como integrante eventual de orquestras, tocando em bailes e shows.

Em 1956 gravou, na Musidisc, com Gadé ao piano, o LP Gafieira, em que relembram os grandes sucessos da dupla.

Obras: Em cima da hora (c/Russo do Pandeiro), samba, 1940; Estão batendo (c/Gadé), samba, 1935; No arranha-céu da vida (c/Alcir Pires Vermelho), valsa, 1936; Que barulho é esse? (c/Gadé), samba, 1936; O tique-taque do meu coração (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1935; Vai cavar a nota (c/Gadé), samba, 1933; Vai haver barulho no chatô (c/Noel Rosa), samba, 1932; Velho enferrujado (c/Gadé), choro, 1950; Vou me casar no Uruguai (c/Gadé), choro, 1935.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora PubliFolha

Gadé

Gadé (Osvaldo Chaves Ribeiro), compositor e pianista, nasceu em Niterói/RJ em 23/7/1904 e faleceu em 27/10/1969. Cursou o primário em Niterói, e dos 16 aos 20 anos fez curso comercial. Seu instrumento era o piano, que aprendeu a tocar de ouvido.

Em 1924, foi contratado para trabalhar em navios do Lóide Brasileiro, como pianista de orquestra. Em 1926 deixou o Lóide e foi para a Rádio Sociedade, do Rio de Janeiro RJ, onde permaneceu por cerca de seis meses, atuando em seguida nas rádios cariocas Ipanema, Clube do Brasil, Mayrink Veiga, Tupi e Nacional.

Com Valfrido Silva, seu parceiro em inúmeras músicas, compôs o samba Vai cavar a nota (1932), gravado por Francisco Alves. A dupla, considerada uma das principais responsáveis pela fixação do samba-choro, teve como primeiro sucesso Amor em excesso, composto também em 1932, mas gravado apenas em 1936 por Almirante.

Vários sambas-choros da dupla, em geral bem-humorados, obtiveram grande êxito, entre os quais: Estão batendo, gravada por Joel e Gaúcho, Roseira branca, gravada por Carmen Miranda, e Vou me casar no Uruguai, gravada por Almirante, todas de 1935, quando também compôs, em parceria com Almanir Grego, a canção Beijo mascarado, gravada por João Petra.

No ano seguinte, junto com Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, participou da inauguração da Rádio Inconfidência Mineira, de Belo Horizonte MG, e teve seu samba-choro Faustina gravado com sucesso por Almirante.

Em 1941, tornou-se funcionário público, passando a trabalhar no Ministério de Viação e Obras Públicas como auxiliar de desenhista. Dedicava-se também a fazer caricaturas nas horas vagas, o que levou Lamartine Babo a chamá-lo de La Fontaine do rádio. Gravou um LP de dez polegadas na Musidisc, o Gafieira, em que tocava piano ao lado de seu parceiro Valfrido Silva, na bateria.

Obras: Estão batendo (c/Valfrido Silva), samba-choro, 1935; Faustina, samba-choro, 1936; Que barulho é esse? (c/Valfrido Silva), samba-choro, 1936; Roseira branca (c/Valfrido Silva), samba-choro, 1936; Vou me casar no Uruguai (c/Valfrido Silva), samba-choro, 1935.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora PubliFolha

sexta-feira, setembro 22, 2006

Jackson do Pandeiro


Primeiro grande artista paraibano, surgido em plena era do rádio, Jackson do Pandeiro nasceu José Gomes Filho em Alagoa Grande no dia 31 de agosto de 1919, filho de José Gomes e de Flora Maria da Conceição.


Cantava no interior da Paraíba desde sua adolescência e fez algumas duplas antes de sagrar-se como artista solo. Ainda como Jack do Pandeiro, montou primeiramente uma dupla com Zé Lacerda em Campina Grande.

Em 1947, às vésperas de começar a ganhar popularidade nas rádios locais, e de ser rebatizado artisticamente como Jackson do Pandeiro, formou a dupla Café com Leite com Rosil Cavalcanti em João Pessoa. A dupla durou apenas um ano, mas a amizade e a parceria refletiriam no início da carreira solo de Jackson.

Sebastiana fez sucesso no Carnaval de 1953 e Jackson foi contratado pela Rádio Jornal do Commercio, ganhando - já aos 34 anos de idade - uma notoriedade nacional que acabou despertando o interesse das gravadoras. É nessa época que conhece Luiz Gonzaga, que imediatamente propõe encaminhá-lo à diretoria da RCA (atual BMG Ariola) no Rio de Janeiro, mas Jackson - recém-casado com a cantora pernambucana Almira Castilho - acaba preferindo a Copacabana (atual EMI Music), por esta ter um escritório no Nordeste.

O cantor utiliza o estúdio da rádio para gravar dez faixas para a gravadora, que antes do Natal de 1953 colocou nas lojas um 78 rpm com Forró em Limoeiro e Sebastiana. Há 50 anos, começava o sucesso nacional de Jackson do Pandeiro, cujo primeiro disco ultrapassaria as 50 mil cópias vendidas antes do Carnaval de 1954.

Com a boa vendagem, Jackson é então contratado pela Copacabana por dois anos. Assustado com o sucesso, isola-se no Nordeste e, somente após o sucesso do segundo 78 rpm, 1 x 1 e A mulher do Aníbal, resolve visitar o Sudeste - mas de navio, já que tinha pavor da idéia de sequer embarcar num avião. Após três dias a bordo do lendário Vera Cruz, Jackson do Pandeiro e Almira Castilho chegaram ao Rio de Janeiro em 18 de abril de 1954.

A mídia encanta-se com os dois, que - apesar de já desfrutando de uma vida mais confortável - não abriam mão de residir no Nordeste. Passam alguns meses viajando, enquanto a gravadora fecha o restante do ano lançando mais 78 rpm´s - com as outras seis faixas gravadas inicialmente. Vou Gargalhar, lançada para o Carnaval de 1955, faz enorme sucesso e beira as 50 mil cópias vendidas em poucas semanas.

Somente depois do carnaval, Jackson entra finalmente em estúdio para novas gravações e Forró em Caruaru é lançada enquanto o artista negocia a liberação de seu contrato de exclusividade com a rádio nordestina, para com isso poder trabalhar melhor a mídia nacional.

Durante a passagem pelo Recife, Jackson e Almira acabam sendo agredidos fisicamente durante uma festa e resolvem finalmente mudar-se para o Rio de Janeiro. Estabelecem-se na Glória, a poucos minutos do centro do Rio, e Jackson lança seu primeiro LP de 10 polegadas, que rende diversas aparições na televisão e convites para participações em filmes.

Um segundo álbum de 8 faixas é lançado em 1956, trazendo pela primeira vez uma foto de Jackson e Almira na capa. Mesclando com sabedoria temas carnavalescos, juninos e até natalinos, os discos passariam a animar qualquer ocasião. Jackson faz enorme sucesso no eixo Rio-São Paulo e também em Minas Gerais, numa época em que O canto da ema não parava de tocar e já garantia seu posto como um dos grandes sucessos do artista.

Após lançar um terceiro LP em 1957, ao final de quatro anos de contrato com a Copacabana, Jackson anuncia sua decisão de assinar com a Columbia (atual Sony Music) - por onde passaria a lançar discos em 1958, tão logo a Copacabana terminasse de lançar o material recentemente gravado.

Jackson gravaria na nova gravadora por apenas dois anos, e a partir de 1960 desenvolveria uma carreira de cinco anos pela Philips (atual Universal) - onde efetivamente gravou diversos LPs e compactos. Nos anos 60 ainda gravou pela Continental e pela Cantagalo, e durante os anos 70 participou de diversos projetos.

Jackson do Pandeiro faleceu aos 63 anos no Hospital de Base de Brasília no dia 10 de julho de 1982, em decorrência de um coma diabético. Outros sucessos: Chiclete com banana, Falsa patroa e Cantiga do sapo.

Sua biografia “Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo”, escrita por Fernando Moura e Antônio Vicente e lançada pela Editora 34 em 2001, é referência obrigatória. (Marcelo Fróes - Janeiro, 2004)

Algumas músicas


















Fonte: EMI MUSIC