terça-feira, outubro 24, 2006

Menino passarinho

Luís Vieira
Um dos maiores sucessos de Luís Vieira é “Prelúdio para Ninar Gente Grande”, mais conhecido como “Menino Passarinho” em razão do verso “sou menino passarinho com vontade de voar”.

Tal como “o Menino de Braçanã” outro êxito de Vieira, “Menino Passarinho” é uma canção sentimental, de letra meio pitoresca (“Quando estou nos braços teus / sinto o mundo bocejar”), mas que também sugere um clima místico-romântico acentuado pela interpretação contrita do autor, a melhor entre as várias versões gravadas (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Prelúdio para ninar gente grande (balada, 1962) - Luís Vieira

Gravação original: Disco 78 rpm / Título da música: Prelúdio para ninar gente grande (Menino passarinho) / Luís Vieira (Compositor) / Luís Vieira (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1962 / Álbum: 6.382 / Lado A / Gênero musical: Balada.


C      E7    Am                   Dm
Quando es...tou nos braços teus
        G7        C    B7
Sinto o mundo bocejar...ar
Em      Em7+   Em7                  F#m
Quan...do es...tás nos braços meus
 B7         Em
Sinto a vida descansar

F   A7      Dm              Gm
No ca...lor do teu carinho
 A               F
Sou menino passarinho...
   G7        C     C7
Com vontade de voar...
  F   Mbo    C         Am7
Sou me...nino passarinho
 Dm      G7        C
Com vontade ...  de voar

Luís Vieira

Luís Vieira (Luís Rattes Vieira Filho), compositor e cantor, nasceu em Caruaru/PE em 12/10/1928. Deixou Caruaru antes dos dez anos de idade, indo para o Rio de Janeiro, onde exerceu profissões como chofer de caminhão, engraxate, lapidário e guia de cego.

Em 1943 já cantava em programas de calouros e era crooner de um cabaré da Lapa, da Leiteria Boil e do Capela. Em 1946 deixou seu emprego numa oficina mecânica e começou a se apresentar na Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial), no programa Manhãs na Roça, de Zé do Norte, cantando música nordestina.

Tornou-se secretário e diretor musical do programa, para o qual redigia textos, anunciando casamentos, batizados, óbitos e nascimentos. Mais tarde foi para o programa Salve o Baião, da Rádio Tamoio, tornando-se o “príncipe do baião”, ao lado de Luiz Gonzaga, o “rei”, Carmélia Alves, a “rainha” e Claudete Soares, a “princesinha”.

Convidado por Almirante, passou a atuar também na Rádio Tupi. Com a inauguração da TV Tupi, do Rio de Janeiro, em 1951, participou do primeiro musical de televisão, Espetáculos Tonelux, uma realização de Mário Provezano, estrelado por Virginia Lane.

Foi para a Rádio Nacional em 1953, ano em que compôs um dos seus maiores sucessos, a toada Menino de Braçanã (com Arnaldo Passos). No fim da década de 1950 foi para a Rádio e TV Record, de São Paulo, para fazer o programa semanal Encontro com Luís Vieira, com o qual se transferiu para a TV Excelsior, de São Paulo, onde continuou divulgando musicas e cantadores do Nordeste.

Em 1962, a bordo de um avião, compôs o seu maior sucesso, o Prelúdio para ninar gente grande, que se tornou mais conhecida como Menino passarinho. Em 1975 fez o show Luís Vieira, de rapadura e cuscus até menino passarinho, no Teatro da Lagoa, no Rio de Janeiro, acompanhado pelo grupo Gente. Nesse mesmo ano apresentou se no show Tarde nordestina, na boate Igrejinha, em São Paulo.

Entre baiões, guarânias, toadas, sambas e prelúdios, é autor de mais de 300 canções gravadas, além de ser profundo conhecedor de literatura de cordel e folclore. Tem três Lps lançados pela Copacabana: Retalhos do Nordeste e Encontro com Luís Vieira, volumes 1 e 2.

Entre seus maiores sucessos estão o baião Paroliado, de 1954, a toada Os olhinhos do menino, de 1955, o corridinho Maria Filó (com João do Vale), de 1956, o prelúdio Paz do meu amor, de 1963, e a canção Sinfonia do amor divino, de 1964. Empresário e publicitário, fundou a Luís Vieira Produções.

Obras: Cafundó (c/Luis Bandeira), baião, 1954; Encalacrado (c/Adoniran Barbosa), samba, 1989; Forró do Frutuoso (c/João do Vale), baião, 1955; Lelê belezinha, baião, 1955; Malaquias (c/João do Vale), baião, 1976; Maria Filó (c/João do Vale), corridinho, 1956; Menino de Braçanã (c/Arnaldo Passos), toada, 1953; Os olhinhos do menino, toada, 1955; Pai, acende o lampião (c/Ubirajara Santos), baião, 1951; Paroliado, baião, 1954; Paz do meu amor, prelúdio, 1963; Prelúdio para ninar gente grande (Menino passarinho), 1962; Rolinha, minha saudade, toada, 1953; Sinfonia do amor divino, canção, 1964; Soleiras, canção, 1990; Tronco velho, toada, 1982.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Luís Barbosa

Luís Barbosa (Luís dos Santos Barbosa), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 07/07/1910 e faleceu, na mesma cidade,em 08/10/1938. Irmão do compositor Paulo Barbosa, do humorista e cantor Barbosa Júnior e do radialista Henrique Barbosa, começou sua carreira na Rádio Mayrink Veiga, no Esplêndido Programa, de Valdo Abreu, em 1931, logo se destacando por sua personalidade na interpretação de sambas, reforçada pela novidade da utilização de “breques”.

Foi também o introdutor do chapéu de palha como acompanhamento rítmico, nos programas de rádio e em gravações. Seus primeiros sucessos foram as interpretações de Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa) e Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro).

Em 1931 gravou na Odeon seus primeiros discos: os sambas Meu santo (Pedro Brito), Silêncio (Vadico), Não gostei de seus modos (Amor) e Sou jogador (de sua autoria), e as marchas Vem, meu amor (Pedro Brito e Milton Amaral) e Pega, esta também de sua autoria.

Na Victor, em 1933, gravou o primeiro samba de Wilson Batista, Na estrada da vida, e em seguida o samba Adeus, vida de solteiro, além do samba-canção Jamais em tua vida, ambos do compositor e pianista Mano Travassos de Araújo, que o acompanhou ao piano. No mesmo ano, a convite de Jardel Jércolis, passou a se apresentar todas as noites no Teatro Carlos Gomes, cantando juntamente com Deo Maia o samba No tabuleiro da baiana (Ary Barroso), que seria gravado por ele em dupla com Carmen Miranda, na Odeon, em 1937.

Em seguida gravou, na Victor, a marcha Quem nunca comeu melado (com Jorge Murad), o samba Bebida, mulher e orgia (Luis Pimentel, Anis Murad e Manuel Rabaça), o samba Cadê o toucinho e a marcha Eu peço e você nao dá (ambos de Nássara e Antônio Almeida), e os sambas Lalá e Lelé (Jaime Brito e Manezinho Araújo), Risoleta (Raul Marques e Moacir Bernardino), Perdi a confiança (Rubens Soares e Ataulfo Alves) e Já paguei meus pecados (Leonel Azevedo e Germano Augusto).

Entre 1935 e 1937 gravou uma série de sambas de breque de Antônio Almeida e Ciro de Sousa, com acompanhamento ao piano de Mário Travassos de Araújo. No Carnaval de 1936, fez sucesso com a gravação da marchinha de Antônio Almeida e A. Godinho Ó! ó! não, que inicialmente era um anúncio da Drogaria Sul-Americana, do Rio de Janeiro.

A vida de boêmio interrompeu o sucesso de sua curta mas extraordinariamente marcante carreira, tendo morrido tuberculoso em casa de sua família, na Tijuca, em 1938.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.