sexta-feira, fevereiro 29, 2008

No bico da chaleira II

Durante 20 anos, de 1895 a 1915, o general José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador, senador pelo Rio Grande do Sul, foi o homem forte do Legislativo e a eminência parda de muitos governos. Todos pensavam que um dia ele seria presidente da República, mas nunca chegou lá. Foi assassinado em 1915, por um desequilibrado mental.

Gaúcho, Machado não passava sem seu chimarrão. E bastava a cuia de mate esvaziar para os bajuladores correrem atrás de água quente. Era a "turma do pega na chaleira". Como o senador morava no alto do Cosme Velho, a música fala em "subir esta ladeira". E menciona também “Os Democratas”, uma das mais populares sociedades carnavalescas do Rio na época, que exibia em seu estandarte uma águia de prata.

A polca fez tanto sucesso no carnaval de 1909 que deu motivo para a peça de teatro-revista, de Raul Perderneiras e Ataliba Reis, intitulada Pega na chaleira. E mais: foram compostas duas outras músicas sobre o mesmo tema. A primeira, mais picante e maliciosa, de Eustórgio Wanderley, igualmente chamava-se No bico da chaleira; a segunda, Pega na chaleira, de Eduardo das Neves, fazia crítica genérica aos aduladores (“Neste século de progresso / Nesta terra interesseira / Tem feito grande sucesso / O tal “pega na chaleira”).

No bico da chaleira (polca, 1909) - Eustórgio Wanderley e Juca Storoni - Interpretação: Os Geraldos

Disco 76 rpm / Título da música: No bico da chaleira / Eustórgio Vanderley (Compositor) / Juca Storoni (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Gravadora: Odeon Record / Nº do Álbum: 108341 / Nº da matriz: xR-903 / Data de Lançamento: 1908 / Gênero musical: Cançoneta / Coleção de Origem: IMS, Nirez


Menina eu quero só por brincadeira
Pegar no bico da sua chaleira
Ela está quente e se você segura
Fica com uma grande queimadura.

É moda agora e eu justifico
(Com que eu implico)
Pegar no bico de uma chaleira
Muita senhora nos engrossando
Leva pegando a vida inteira.

Se você vai apertar-me no bico
Não imagina como eu logo fico
Não, eu seguro assim desta maneira
Lá no biquinho da sua chaleira.

Agora é moda / Com o que eu implico
Pegar no bico / De uma chaleira
Moço da roda / É gente fina
Tem esta sina / A vida inteira.

Ai, se eu consigo pegar de bom jeito
Você vai ver como eu pego direito
Sem ser no bico / Quer pegar na asa?
Talvez consinta, passa lá em casa.

Vamos depressa tomar um chazinho
Enquanto esquenta mais que um tempinho
Ela também está como eu fico
Quando um chazinho toma-se no bico.



Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Eustórgio Wanderley

Eustórgio Wanderley nasceu no dia 5 de setembro de 1882, na cidade do Recife, PE, onde estudou e morou durante quase toda sua vida. Adulto, dedicou-se ao jornalismo, atuando no Diário da Manhã e no Jornal do Recife.

Dando vazão aos seus pendores musicais, foi parceiro de Nelson Ferreira em diversas valsas e canções, sendo um dos primeiros pernambucanos a participar, pelo selo da RCA – Victor, da discografia brasileira, através de suas cançonetas que fizeram muito sucesso, como A pianista, O almofadinha e A melindrosa.

Durante o tempo que morou no Rio escreveu no Correio da Manhã, em A Noite Ilustrada, no Jornal do Brasil e em O Malho.

Em 1909 compôs a versão mais e picante e maliciosa da polca No bico da chaleira (a primeira versão foi escrita por Juca Storoni também no mesmo ano), gravada na Casa Edison pelos Os Geraldos.

Poeta, teatrólogo, foi membro da Academia Pernambucana de Letras e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco.

Quando residia no Recife, publicou em dois volumes, Tipos Populares do Recife Antigo (1953/54).

Faleceu no dia 31 de maio de 1962, no Rio de Janeiro.

Fonte: Dicionário de Folcloristas Brasileiros.

Faz-me rir

Edith Veiga

Faz-me rir (Me dá riza) (bolero, 1961) - F. Yoni e E. Arias

Como podes pensar que te quero?
Como podes sonhar com o meu amor?
Se uma vez eu te dei meu carinho
E a tua ilusão, encheu-me de dor
Não é dizer que eu sou vaidosa
Mas, estou orgulhosa de ser.
A mulher que outros homens pretendem
E a ti não quero voltar a querer

Faz-me rir o que andas dizendo
Que te adoro, que morro por ti
Não te enganes dizendo mentiras
Não te enganes, não te faças rir

Até parece impossível que um dia
Foste o homem sonhado por mim
Esta cínica farsa de agora
Faz-me rir, ai...faz-me rir...