segunda-feira, março 12, 2012

Aprendi com um rei

Graças ao bom Deus, que atende a todos os meus desejos e aspirações, vim a ter um discípulo de violão e modinhas que seria a maior revelação do ano...”. Assim dizia, em 1929, José Barbosa da Silva, o popularíssimo Sinhô, num artigo que, com sua assinatura, aparecia na revista Wego editada pela tradicional Casa Carlos Wehrs, ainda hoje existente na Rua da Carioca. Consolava-se com essas palavras depois de uma queixa que, no mesmo escrito, formulara linhas antes, triste, pesaroso: “Eu que dou minhas composições musicais e versejadas, sempre lutei com a falta de um cantor a quem pudesse infundir o meu estilo próprio, por que não dizer a minha escola...".

E essa revelação, motivo a um só tempo, de consolo e orgulho do já famoso nome do nosso cancioneiro popular, era, ainda no artigo em referência, logo apontada: “... esse distinto moço, rapaz da melhor sociedade carioca, musicista e acadêmico de uma das nossas escolas superiores, também sportman, campeão de raquete, o fidalgo e salutar divertimento que refina o caráter e dá vigor ao corpo, esse meu amigo é Mário Reis...”.

Aluno do “Rei”

Vaidoso, ou no dizer de um estudioso de nossa música popular (Sérgio Cabral), “talentoso e pernóstico”, Sinhô ao apresentar com tal efusão um jovem que vinha da alta, da haute gomme (como era da voga galicística da época), não escondia seu entusiasmo. Mário Reis, de fato, com sua maneira de cantar própria, diferente dos muitos intérpretes, atendia àquilo que ele, o “Rei do Samba”, como já se havia auto-cognominado, chamava de “minha escola”. Suas composições apresentadas de uma nova maneira, simples, sem modulações pretensiosas, ao jeito de declamação conduzida por um tema melódico, adquiriam uma nova característica, tinham o exato sabor de coisa popular que a todos agradavam.

O moço branco, bem trajado, de família importante, que entrava num meio bem diverso e abaixo do seu, criando uma “escola” ou “bossa”, como mais tarde a gíria carioca sempre em renovação, viria a classificá-la, fazia ufanoso o “Rei”, o seu mestre. Seu primeiro disco, gravado na veterana Odeon, a cujo estúdio foi levado por Sinhô como discípulo dileto para pôr na “chapa” com a qual estreava as composições Que vale a nota sem o carinho da mulher e Carinho da vovó, denominadas pedantemente pelo autor (J. B. da Silva), a primeira como “samba lânguido” e a segunda de “romance pedagógico”, resultou num estrondoso sucesso, seguido, de imediato, por muitos outros, formando todos uma discografia memorável, há pouco (em 1960) ligeiramente mostrada no long-playing “Mário Reis em Hi-Fi”. Bem razão, pois, tinha Sinhô em dar “graças ao bom Deus” pelo discípulo que lhe proporcionara.

Um “Bem” toca violão

Da família Silveira Reis, criado distante das rodas dos sambistas e dos musicistas populares, Mário Reis, desde rapazola, sentiu-se atraido pelo ritmo e melodia das composições fáceis, despretensiosas, que a gente carioca cantava. Daí decidir que deveria aprender um instrumento onde as pudesse executar acompanhando-se nos ensaios e tentativas que fazia para aprendê-las. Seria, pois, o violão, o tão decantado “pinho”, embora não bem recebido nos meios sociais que freqüentava o escolhido para atender ao seu insopitado desejo.

E um dia, na casa A Guitarra de Prata, outro tradicional estabelecimento da já aludida Rua da Carioca, travava conhecimento com José Barbosa da Silva, o “Rei do Samba”, valendo-se então do feliz ensejo para pedir-lhe que o tomasse como seu aluno.

Surpreendendo-se com a solicitação, mas exultante em sua vaidade de ver que um grã-fino, um elemento da “gente bem” vinha a ele reconhecendo sua “Majestade”, Sinhô acedeu e começou, incontinenti, a dar suas primeiras aulas. Logo nas primeiras lições o aluno mostrava-se, a par da facilidade com que aprendia um cantor apreciável, de feitio diferente, capaz de impor vitoriosamente uma nova e agradável maneira de interpretar suas produções, sempre bem recebidas pelo povo. O jovem Mário Reis passou, em conseqüência, a ser o discípulo muito querido de um “Rei”.

Surge uma “escola” ou “bossa”

Lançada a nova maneira de cantar ao ritmo característico carioca, criada a nova “escola” ou “bossa” que, segundo um outro autorizado estudioso de nossa música popular (Lúcio Rangel), em Sambista & Chorões, passaria “a influenciar os cantores mais velhos e de nome feito”, Mário Reis, criador do estilo exaltado por seu professor de violão, ligava seu nome ao cancioneiro da Sebastianópolis. Mais tarde, nas pesquisas ou simples recordações que viriam a ser feitas para documentar ou apenas falar da música ligeira, espontânea, que compositores de pouco saber dão quase diariamente à terra da Guanabara alegrando-a, proclamar-se-ia o seu pioneirismo. Isto foi o que fez Vasco Mariz apontando-o em seu livro A Canção Brasileira como intérprete oficial de Sinhô, timbre inconfundível que marcou época e criou uma escola...

Razão bastante para que hoje, afastado das rodas do samba, mas atento e ternamente enamorado do ritmo do qual foi intérprete original, diferente, diga, sem a vaidade do mestre que o ensinou a dedilhar o “pinho”, apenas como simples gracejo: “Aprendi a tocar violão com um Rei”. O “Soberano” de quem mereceu, para seu orgulho, louvor desmedido juntamente com um agradecimento a Deus, que sempre atendia a todos os seus desejos, principalmente dando-lhe um discípulo de violão e modinhas como Mário Reis.

(O Jornal, 24/10/1962)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

A Penha está aí

Mulher, a Penha está ai. Eu lá não posso ir e um favor vou lhe pedir: Me leva um braço de cera à Santa padroeira, foi o que lhe prometi...”.

Assim, ao ritmo buliçoso de um sambinha, o musicista popular, tão correto “pagador de promessas” quanto o bizarro herói do filme que bem alto elevou nossa cinematografia, resgatava um compromisso assumido.

Simples homem do povo a quem dedicava suas produções, mandava levar àquela que lhe proporcionara uma graça, modesto “braço de cera”. Objeto contra o qual, sem dúvida, não surgiriam os mesmos embargos causados à enorme cruz que o ingênuo Zé do Burro tentou colocar diante do altar de uma das muitas igrejas da Bahia.

Seu sambinha, de letra e melodia fáceis, correndo de boca em boca, proclamaria, juntando-se a muitos outros de igual objetivo, os favores, as benesses que a Santa concedia a seus devotos, a quem lhe dirigia orações de súplica. Era, além do singelo cumprimento de uma promessa, a maneira pela qual despretenso compositor popular tornava público seu sentimento de gratidão.

O braço modelado em cera representava a parte de seu corpo atingida por enfermidade ou acidente que o privara de dedilhar o violão ou o cavaquinho ou, talvez, bater no pandeiro.

Restabelecido e já podendo manejar seu instrumento divulgava com música a graça alcançada.

Portugueses iniciaram, sambistas continuaram

Iniciados por portugueses, os festejos em louvor de Nossa Senhora da Penha da freguesia de Irajá tiveram as mesmas características das romarias que realizavam em sua terra. Para o então longínquo subúrbio, aonde se chegava conduzido pelos vagarosos trens da Leopoldina Railway, cuja estação de partida situava-se nas proximidades do antigo Jockey Club, ou em pequenas embarcações que atracavam no Porto de Maria Angu, afluíam nos domingos do mês de outubro muitas centenas de romeiros. Alguns levavam suas guitarras, seus bandolins, e todos com seus familiares, sobraçavam farnéis fartos de comedorias para o repasto ao ar livre regado por um bom “verdasco” ou “alvarelhão”. Tudo no exato costume luso que aqui continuavam.

Mais tarde, brasileiros comungando com os irmãos de além-mar, deles descendendo ou não, participavam também dessas festividades em que o cunho religioso se diluía e era profanado com manifestações pagãs.

“Faduchos” e bebedeiras enchiam de algazarra o imenso arraial que dava acesso à longa escadaria de trezentos e sessenta e cinco degraus através da qual se atingia a penha onde, na igreja ali erigida, oficiavam-se missas gratulatórias em louvor da Santa. Já então, viajando nos mesmos comboios morosos da companhia inglesa, conduzidos em carroças engalanadas com bandeirinhas de papel de cor e ramagens, ou montando “pangarés”, encontrava-se entre os romeiros grande número de patrícios nossos.

Conseqüentemente a música brasileira de cunho popular e a cerveja preta (“barbante”) substituíam ou mesclavam-se aos fados e ao vinho. O samba, ainda meio confundido com o lundu, o tanguinho e o maxixe, ia repontando na romaria luso-brasileira da festa da Penha.

O samba toma conta do arraial

Espúrio, perseguido pela polícia, realizado às escondidas, o samba nas suas manifestações precárias, em “rodas” (círculos de participantes, de acompanhantes ou assistentes) encontrou na festa da Penha local próprio para se realizar. Trajando roupas novas, ritual que criaram e observavam, os sambistas marcavam encontro no arraial para, em confraternização quase sempre de pouca duração, pois vários conflitos ocorriam entre eles com tiros e navalhadas — entoar os seus refrãos: “ô maiadô seu maia...”, “a lei mandô derrubá ê ê...”, etc. E a aguardente nos seus muitos apelidos (“branquinha”, “brasa”) animava os sambistas, Fortalecia suas pernas para as rasteiras, as “bandas”, a derrubada violenta que substituía a umbigada amena de que falam os folcloristas.

De burguesa romaria lusa, típica festa popular trazida por imigrantes ainda bem presos aos recreios de suas aldeias, a Penha nos seus folguedos do mês de outubro dedicados à Santa padroeira da localidade passou a ser romaria temida. As barracas espalhadas pelo arraial reuniam em suas mesas os sambistas destemerosos, de calça “boca de sino”, que com suas companheiras, também valentes, afeitas às brigas generalizadas, aos “rififis”, bebiam à farta e erguiam vivas a propósito de tudo. O mesmo acontecendo nos piqueniques onde, estendendo toalhas na relva, eram muito raras as famílias de portugueses que se arriscavam a prosseguir a tradição de um bródio campestre à moda da terra onde nasceram. O samba rude, grosseiro, simples toada tosca conduzindo uma frase, enchia o ambiente onde outrora se ouvia lângidos fados.

Começo do Carnaval

Quando o Carnaval começou a ter um cancioneiro próprio ou a ele destinado, atraindo os mais famosos compositores populares, os festejos da Penha, numa época em que a divulgação tinha apenas como único meio eficiente a imprensa, propiciaram aos sambistas, já então bem aceitos e integrados no convívio social, ótimo campo para lançar suas produções. Sinhô com o seu Grupo Fala Baixo, Caninha e sua turma, Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Heitor dos Prazeres e outros apareceram no arraial entoando sob os aplausos da multidão que ali se reunia as suas músicas para o tríduo de Momo. Os do grupo cantavam e depois, aprendendo rapidamente, todos faziam coro consagrando, logo nesta primeira audição, a letra e melodia que iam animar a folia em fevereiro próximo.

Servindo de prelúdio ao Carnaval, espécie de festa das músicas a ele destinadas, a festa da Penha profanava o sentido religioso das comemorações em louvor da Santa que se venerava pelos seus milagres, pela bondade com que atendia a quem lhe dirigia orações. Os sambistas, entretanto, a seu modo, sem obediência ao que determina a certa e boa prática do catolicismo, demonstravam respeito e gratidão. Iam bem cedo às missas que se rezavam, levavam flores, e aqueles que faziam promessas as cumpriam, corretos e contritos. Houve mesmo um deles, o popularíssimo Cartola que tendo pedido “à Santa padroeira proteção, só não subiu a escadaria ajoelhado para não estragar o terno que lhe foi emprestado”.

Hoje simples quermesse

Hoje, sem a sua característica que lhe deu tradição, os festejos da Penha, ainda realizados nos domingos do mês de outubro, têm apenas o cunho de simples quermesse, dessas que no interior são realizadas ao ensejo de datas religiosas ou em louvor aos padroeiros de cidades ou vilas. Ainda se encontram no arraial as barraquinhas, os piqueniques familiares e os vendedores de cordões com balas e roscas que os poucos romeiros penduram no pescoço como em outros tempos. Falta, porém, a afluência numerosa e álacre que se recordou acima.

Aquilo que em diversas fases popularizou a festa da Penha, desde sua origem nitidamente lusitana até chegar a marcá-la como pródromo do Carnaval com o lançamento de sambas e marchinhas dos mais famosos cultores de nossa música popular, não mais se vê no arraial, nem em sua longa escadaria. Para consolar os saudosistas, não dei- xando morrer a tradição, há apenas agora, lá no alto, imponente, inteiramente iluminada à noite de todos os domingos de outubro, a igreja da venerada e milagrosa padroeira dos sambistas.

(O Jornal, 21/10/1962)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

domingo, março 11, 2012

Como nasceu o samba “Jura”

As discografias apontam os nomes de Mário Reis e Aracy Côrtes como intérpretes do bonito samba Jura, do famoso Sinhô. E, de fato, esses dois expressivos nomes de nossa música popular levaram para a fonografia com todos os requintes rítmicos e melódicos a consagrada composição do “Rei do Samba” tornando-a imperecível jóia do cancioneiro carioca.

A verdade, porém, é que o Jura antes de ser gravado, e ter assim maior difusão, registrou o seu primeiro e grandioso sucesso no teatro lançado como quadro de uma revista musicada pelo Sinhô e por um maestro português que se encontrava no Brasil.

Quem o cantou, então, logrando calorosa salva de palmas e tendo de trisá-lo para satisfazer ao numeroso público que lotava toda a platéia, foi Aracy Côrtes, “A Mulata”, como a chamavam seus milhares de fãs sempre presentes aos espetáculos que a tinham como vedete.

No velho Teatro Phoenix

Em 1928, no velho Teatro Phoenix, existente na Rua Almirante Barroso, e há pouco demolido, estreava na noite de 28 de setembro a revista Microlândia. Eram seus autores os mais famosos revistógrafos da época: Marques Pôrto, Luís Peixoto e Afonso de Carvalho, três nomes que ficaram ligados ao histórico de nosso teatro popularesco.

A revista, com a qual fazia sua estréia naquela casa de espetáculos a companhia dirigida por Norka Rouskaya, tinha, ainda como fator de grande atração, seus números musicais que eram de Sinhô e do maestro Antônio Rada, este tido como de nacionalidade portuguesa e que tinha a originalidade de reger a orquestra dançando e fazendo vibrar uma espécie de chocalho metálico.

Havia ainda, e isto como garantia de seu êxito, o nome de Aracy Côrtes estrelando o elenco ao lado do ator cômico Grijó Sobrinho. Tudo posto em destaque nos anúncios e cartazes anexados à porta do teatro pelo empresário M. Franciscus.

“Jura! Jura!”

No programa, onde, como era de praxe, vinham os retratos das principais figuras do conjunto e a enumeração dos quadros da revista, constava no segundo ato, como seu terceiro número, o samba Jura! Jura! Não se indicava, no entanto, que seria Aracy Côrtes a intérprete, e muito menos esperava-se que a nova composição de José Barbosa da Silva, já cognominado o “Rei do Samba” se tornasse no grande sucesso do espetáculo.

Correu o primeiro ato com agrado geral sucedendo-se os quadros musicais e de comicidade sob palmas entusiásticas. E, portanto, foi num ambiente de alegria e satisfação que se iniciou o ato final onde aparece na Aracy Côrtes, que já vinha sendo aplaudida nas intervenções que tivera antes, para depois da introdução faustosa do novo samba de Sinhô, começar com sua voz rica de nuances melódicas: “Jura! Jura!, pelo Senhor... Jura!, Jura!, pela imagem do redentor prá ter valor a tua jura...”.

Passou da primeira para a segunda parte do samba sempre cantando com aquela bossa bem própria, e ao chegar aos versos finais: “... os sonhos meus, bem junto aos teus, para livrar-nos das aflições da dor”, todo o teatro em delírio gritando: “bis!, bis!, bis!”, insistia para que Aracy cantasse novamente uma, duas, três vezes, em verdadeira consagração, à nova composição do já vitorioso autor de tantos sucessos musicais populares.

Sinhô, presente ao espetáculo, apareceu no palco e abraçado a criadora do seu novo samba, a quem beijara efusivamente, agradecia comovido, quase chorando de alegria, os aplausos e as exclamações de júbilo dos espectadores.

A mulata e o português

Figuras tradicionais de nossas antigas revistas teatrais, a mulata e o português, que sempre apareciam nos quadros de comicidade juntavam-se naquela noite ao sucesso de um samba bem carioca.

A mulata Zilda Espíndola, que no teatro tomara o nome de Aracy Côrtes, lançava vitoriosamente uma nova composição do Rei, que até hoje, em gravações sucessivas, em interpretações as mais diversas, se faz ouvir com agrado.

o português Antônio Rada (1), regente exótico, que conduzia a orquestra gingando e dançando ao ritmo da música executada, integrando-se inteiramente no balanço do samba carioca, contribuíra também para a vivacidade interpretativa comunicando aos músicos que dirigia o seu allegro molto vivo. O ritmo brasileiro, contagiante, agressivo, positivava-se de maneira absoluta.

Os jornais disseram

No dia imediato, fazendo a consagração para a posteridade, definitiva e documentária, as colunas dedicadas ao teatro pela imprensa diziam do sucesso do novo samba. Na unanimidade que marca o êxito absoluto, os jornais ressaltavam nas críticas feitas á revista Microlândia o sucesso da composição que vinha enriquecer a bagagem de Sinhô.

Um dos jornais, O Globo, cuja crítica vinha assinada por um simpIes Erre, dizia, depois de louvores iniciais:

“... Quanto à música do maestro Rada e aos sambas buliçosos de Sinhô, seria injusto dizer-se que não agradam vastamente, suscitando aplausos e bis, como aquele “Jura! Jura!” em que a desenvoltura morena da senhora Arcy Côrtes obteve êxito franco...”.

Hoje, decorridos mais de trinta anos, o Jura! Jura! continua registrando o mesmo sucesso obtido num teatro que as picaretas do progresso demoliram, quando a “mulata” Aracy Côrtes e o “português” Rada contribuíam para o lançamento estrondoso desse inesquecível samba do “Rei” Sinhô.

(1). o maestro Rada (Antônio, Serafim) embora fosse espanhol, era tido como português por ter vindo para o Brasil como regente de uma companhia portuguesa de revistas liderada pela atriz Laura Costa e estreou no Teatro República a 21 de abril de 1926.

(O Jornal, 23/12/1962)


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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.