terça-feira, maio 21, 2013

Dupla Verde e Amarelo

Dupla Verde e Amarelo - Duo vocal formado em 1935 pelos compositores Wilson Batista e Erasmo Silva, que se conheceram no Café Nice, na Avenida Rio Branco, e que, segundo o radialista César Ladeira, tinha "cores diferentes - vozes iguais".

Inicialmente, formaram um conjunto, com Lauro Paiva ao piano e Roberto Moreno na percussão. Com o conjunto, realizaram apresentações em Campos RJ. De volta ao Rio de Janeiro, formou-se a dupla.

Em 1936, a dupla participou da vocalização da orquestra argentina Almirante Jonas, que estava de passagem no Rio de Janeiro, seguindo com ela para Buenos Aires, Argentina, onde ficaram por três meses. De volta ao Brasil, trabalharam durante mais de um ano na Rádio Atlântica, de Santos SP, e, depois, na Record, da capital paulista.

A dupla estreou em discos em 1936, registrando com as Irmãs Vidal, pela Columbia, a marcha E ela não voltou", de Francisco Malfitano, Aloísio Silva Araújo e A. Frazão, e o samba Adeus...adeus..., de Francisco Malfitano e A. Frazão. Nesse ano, realizaram excursão ao sul do país, apresentando-se em cidades como Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, além de apresentações na Argentina.

Em 1937, registraram com o acompanhamento do Conjunto Regional de Benedito Lacerda, os sambas Receita médica, e Se você fosse inteligente, de Francisco Malfitano e Eratóstenes Frazão, Já sei, de Wilson Batista e L. Paiva, e Não devemos brigar, de Wilson Batista. Após essas gravações a dupla não teve continuidade e seus integrantes prosseguiram em suas carreiras solo de compositores.

Em 1948, a dupla se formou novamente, contratada pela gravadora Continental, e lançou disco interpretando com acompanhamento de conjunto regional os sambas Casa vazia, de Wilson Batista e Erasmo Silva, e Quebrou meu cavaquinho, de Jorge de Castro e Roberto Martins. O segundo disco foi lançado quase dois anos depois, com acompanhamento de Severino Araújo e sua orquestra Tabajara, com o samba Escravo do trabalho, de Antônio Almeida e Oldemar Magalhães, e a marcha Senhor açougueiro, de Wilson Batista e Erasmo Silva. No mesmo período, gravaram pela Star o maracatu Bango-ê bango-á, de Erasmo Silva e Arnaldo Tavares, e o samba Samba Brasil, de Ataulfo Alves e Aldo Cabral.

Ainda em 1950, gravaram pela Todamérica, com acompanhamento de orquestra, as marchas Viver em paz, de Nássara e Salvador Miceli, e Mundo cruel, de Wilson Batista e Paulo Marques. Em 1951, gravaram com acompanhamento de orquestra, os sambas Não tou charlando, de Wilson Batista e Jorge de Castro, e Rir para não chorar, de Erasmo Silva e Magno de Oliveira.

Em seguida, gravaram também com acompanhamento de orquestra os sambas O mundo vai se admirar, de Wilson Batista e Erasmo Silva, Maria tá rica, de Wilson Batista e Oldemar Magalhães, e Vai passear, de Luiz Antônio e Oldemar Magalhães, além da marcha Dona Elvira, de Wilson Batista e Aldo Cabral.

Após essas gravações, a dupla dissolveu-se definitivamente, após lançar dez discos pelas gravadoras Columbia, Star, Sinter, Todamérica e Continental.

A dupla que volta!

Revista do Rádio - Outubro/1948
"Depois de um longo período de ausência dos nossos microfones, voltou a atuar na Rádio Tupi a interessante dupla Verde e Amarelo, composta por dois dos nossos mais destacados compositores populares, Wilson Batista e Erasmo Silva.

Com repertório inteiramente novo e apresentando números bem arranjados, onde podemos ressaltar Cadê a Jane, Iaiá não desça a saia e A Maria ficou rica, e 'reintrée' da dupla Verde e Amarelo constitui um autêntico sucesso.

Wilson Batista e Erasmo Silva, já estão selecionando uma série de de sambas e marchas para o próximo carnaval e, podemos adiantar aos nossos leitores, pelo menos duas das quatro músicas que eles vão gravar na Continental, estão fadadas a cair no agrado do público,

Está de parabéns a direção artística da Tupi, por tão brilhante aquisição e fazemos votos para que a dupla Verde e Amarelo venha a figurar como um dos grandes cartazes da radiofonia brasileira."  (Revista do Rádio - Outubro de 1948)

Discografia

(1936) E ela não voltou/Adeus...adeus... • Columbia • 78
(1937) Receita médica/Já sei • Columbia • 78
(1937) Não devemos brigar/Se você fosse inteligente • Columbia • 78
(1948) Casa vazia/Quebrou meu cavaquinho • Continental • 78
(1950) Escravo do trabalho/Senhor açougueiro • Continental • 78
(1950) Bango-ê bango-á/Samba Brasil • Star • 78
(1950) Viver em paz/Mundo cruel • Todamérica • 78
(1951) Não tou charlando/Rir para não chorar • Sinter • 78
(1951) O mundo vai se admirar/Maria tá rica • Sinter • 78
(1951) Vai passear/Dona Elvira • Sinter • 78

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio.

segunda-feira, maio 20, 2013

Herivelto, Dalva e Trio de Ouro em 1948

Herivelto, Dalva e seus filhos - 1948
Esse artigo da "Revista do Rádio", de outubro de 1948, chama a atenção sobre o casal Herivelto Martins - Dalva de Oliveira. A separação deles, mais tarde, motivou um ganho expressivo e emocional nos sambas-canções chamados de "dor-de-cotovelo". Agora um registro disso nesse revista em 1948:

"Primeiramente, devo dizer que o Trio de Ouro não acabou”. O que se passou foi o seguinte: Terminando o nosso contrato com a Rádio Nacional, não me interessei pela sua reforma tão pouco cogitei de ir para outra estação, isto porque tinha recebido vantajosa proposta de uma nova empresa cinematográfica, com a qual assinara um contrato para ir a São Paulo, montar os estúdios a fim de, quando os mesmos ficassem prontos, iniciar simultaneamente três películas, nas quais me caberia o papel de diretor-artístico e, ainda, o de intérprete juntamente com o Trio de Ouro.

Como eu me ausentasse do Rio para ir a São Paulo fiscalizar as obras dos estúdios; como nós tivéssemos saído da PRE-8; como há vários meses não atuamos em nenhuma emissora e não aparecemos em público, isso veio dar motivo a que muita gente pensasse que o Trio de Ouro desaparecera.ília

No entanto, posso afirmar mais uma vez que o Trio de Ouro continua mais firme do que o Pão de Açúcar e mais unido do que nunca. E, agora que os estúdios já estão quase concluídos, devemos seguir para São Paulo dentro de breves dias, a fim de cumprirmos o nosso contrato.

Quando voltarmos, então vou estudar qual a mais vantajosa das propostas que três das nossas maiores emissoras nos fizeram. Eis aí tudo
 o que eu tenho a dizer e peço a vocês que divulguem, através das páginas da simpática Revista do Rádio, para todos os rádioóuvintes do Brasil, tudo isto que acabei de lhes declarar".

Dalva de Oliveira e Herivelto Martins são casados. Mas espalhou-se a notícia que eles se tinham separado. Então, Dalva e Herivelto resolveram posar para o nosso, em companhia dos seus dois filhos. Não pode haver desmentido melhor... O casal continua feliz. O casal só, não. O quarteto..."

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Revista do Rádio - Edição de  Outubro de 1948.

Nilton Paz pela Revista do Rádio

Nílton Paz - 1939
A biografia do cantor Nilton Paz - e de centenas de outros artistas também desaparecidos da mídia e na espessa poeira do passado do Brasil -, tentamos, se fundamentando em documentos antigos, sem grandes chances, resgatar. Graças à "Revista do Rádio", e mais ainda, principalmente a Hemeroteca Digital Brasileira que está registrando publicações de outrora, há uma pequena luz. Então vamos a uma publicação da citada revista sobre o cantor...

“Há meses transactos, Nilton Paz, o valoroso cantor da Rádio Mayrink Veiga, seguia para os Estados Unidos, a fim de tentar a sorte no cinema. Confiante na sua boa estrela, cheio de esperanças, chegou a Hollywood.

Entretanto, teve que enfrentar uma série de dificuldades, uma vez que para se encontrar na Meca do Cinema é preciso, antes de tudo, muito talento e, depois, estar perfeitamente regularizado com as leis americanas que exigem de todos os estrangeiros uma infinidade de coisas. E o artista já estava vendo se dissiparem suas últimas esperanças... Mas não desanimou. Foi pondo em dia todos os seus documentos e ficou na expectativa de uma oportunidade. Estava escrito: o seu dia havia de chegar.

E eis que agora nos chega a grata notícia de que aproveitando uma chance que a Metro Goldwyn Mayer lhe oferecera para se submeter a alguns testes, a fim de julgar, desse modo, seu real quilate artístico, e tendo os mesmos agradado cem por cento, foi-lhe oferecido um contrato para interpretar um pequeno papel à guiza de experiência, com a promessa de melhores, no futuro, caso seu desempenho venha a corresponder.

Não está longe, pois, o dia em que veremos nos cartazes de um dos nossos cinemas o nome de mais um brasileiro que, à custa de ingentes esforços e dos seus inegáveis dotes artísticos, conseguiu vencer na terra de Tio Sam.”

Nilton Paz com Emilinha Borba para o Carnaval de 1939, gravaram na Columbia, a marcha Pirulito (João de Barro e Alberto Ribeiro). Emilinha não apareceu no selo do disco.
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Fontes: Revista do Rádio  - Setembro de 1948; MPB CIFRANTIGA.