quinta-feira, maio 29, 2014
Leny Eversong e sua carreira artística
"Leny Eversong é uma artista que se firmou na radiofonia nacional em menos tempo do que todos, inclusive ela própria, esperavam. O foxtrote tem em Leny uma grande admiradora e uma fiel intérprete. Parece que a nova estrela do "broadcasting" da Cidade Maravilhosa estudou psicologia da música negra norte-americana. E fez-se professora ...
Seu verdadeiro nome é Hilda Campos Filgueras. Nasceu na capital de São Paulo. Casou-se com Alvinho Filgueras, outro animador do rádio brasileiro, criador do grupo radiofônico "Os Namorados do Ar", de Santos.
Leny Eversong descobriu muito cedo os seus pendores para o canto. Aos treze anos de idade já cantava alguma coisa. Mas então nem sequer em sonhos ela cogitava de vir a enfrentar um microfone.
Cantou pela primeira na PRB-4, de Santos. Ali se conservou o tempo necessário para adquirir mais impulso e maior anseio. Procurou sempre interpretar músicas norte-americanas. Começou cantando-as em tradução. Depois no original. Seu pseudônimo já começava a ficar conhecido. Resolveu ir para a PRG-5, Rádio Atlântica, na mesma cidade paulista. Com isto pode-se dizer que ela correu todas as estações de Santos.
Na Rádio Atlântica se firmou definitivamente. Era intérprete número um da melodia norte-americana. Foxes, blues, rag-times ...
Por ocasião da visita da embaixada de artistas cariocas composta por Almirante, Castro Barbosa, Jayme Britto e o Conjunto Regional de Benedito Lacerda àquela estação emissora, Leny cantou em sua homenagem. Os artistas chegados do Rio retribuíram, tendo Castro Barbosa mostrado as suas possibilidades, secundado pelo Conjunto Regional de Benedito Lacerda, com este na flauta, Russo no pandeiro, e o resto ...
Chegado ao Rio, o Conjunto de Benedito Lacerda notificou a direção da Tupy sobre a arte de Leny Eversong. E como Carlos Frias ia para Santos, a PRG-3 aproveitou a sua viagem para chamá-la. Leny não demorou muito a chegar ao Rio de Janeiro.
A entrevista que Leny Eversong concedeu a CARIOCA resultou numa palestra agradável e interessante, de acordo com a própria artista.
— Que pensa do rádio? E do ouvinte?
— Penso que o rádio é um grande invento. Um formidável invento.
Ele auxilia muito o artista. Torna-se um propagandista ligeiro e mais eficaz do qualquer outro ... Quanto ao ouvinte acho que é muito camarada da gente e é muito gentil. É assim como um espírito invisível benéfico para nós, pois ele é uma das coisas que fazem com que o artista progrida para fazer jus a uma boa e contínua recepção ...
Um dos grandes anseios de Leny Eversong é entrar para o cinema brasileiro. Acha que a cinematografia nacional tem um brilhante futuro, pois começou pelos primeiros passos ... Este e o de ser grande estrela de rádio para seu nome alcançar fama em outros países do mundo, são os seus maiores anhelos (anseios). Julga assim que sua ambição não é incomensurável ...
— Quais as músicas que mais aprecia cantar?
— Em primeiro lugar gosto de cantar foxtrotes. Em geral a música dos negros norte-americanos. Parece que não, mas o ritmo destas melodias faz fremir o âmago da gente ... O meu compositor predileto é Duke Ellington. De vez em quando, porém, canto sambas e outras músicas do folclore brasileiro ... lá em casa, geralmente. Eu gostaria de aprender a interpretar tuto, tudo ...
E não está longe disso. Sua voz é um problema cheio de saídas. Pois se ela não só canta com voz humana como até imita instrumentos musicais! Quando está mais animada consegue uma perfeita imitação do sopro do pistão e do argênteo som da guitarra de Havaí! Já está apta a fazer os próprios acompanhamentos. E sem bateria ...
— Em que procura distrair-se?
— Eu estou sempre distraída, com franqueza. Quando não estou cantando, toco piano, repinico num violão qualquer coisa ... Gosto de pintura. Pinto em toda a parte, fundo de prato, quadros, almofadas ... Também gosto de ir ao cinema e ao teatro assistir a revistas. Leio semanalmente as seções de rádio e cinema de CARIOCA.
— Quais as suas novidades para o corrente ano?
— Por enquanto não posso afirmar nada. Tenho diversas propostas de contratos em vista para ir atuar nos rádios do sul. Talvez eu vá para a Argentina, talvez não ... Vou pensar ... Na Tupy espero lançar, paulatinamente, perto de duzentos foxes que ainda restam no meu repertório ..."
Fonte: CARIOCA, de 13/3/1937 (texto atualizado e foto de Leny, provavelmente com 17 anos)
A viagem de Sylvinha Mello
| "A attracção do cinema - Um film dramatico que será produzido no Ceará" (Carioca, de 13/3/1937) |
"A pouco e pouco o nosso meio radiofônico está perdendo os seus ases ante o evidente progresso do nosso meio cinematográfico. Quando começou a se firmar o cinema na nossa terra, quando ele se mostrou mesmo com grandes tendências para uma perfeição pouco longínqua, os artistas do nosso rádio e do nosso teatro abandonaram céleres, as suas precedentes ocupações e se passaram para a tela prateada. Alguns gostaram. E ficaram. Outros gostaram. Mas não ficaram ...
O teatro cede muito elementos para o cinema, mas o rádio não lhe fica atrás. O rádio é um intermédio. Os artistas saem do teatro para o rádio, deste para o cinema. Adquirem, assim, ao microfone, a dicção necessária para uma boa película.
Sylvinha Mello começou muito bem no rádio. Tem uma voz agradável e um jeito todo especial para cantar canções. E é dona de agradabilíssimo palmo de face. É justo, pois, que o cinema a seduzisse. E seduziu-a mesmo.
Quando Raul Roulien organizou o elenco de artistas que seriam filmados na sua primeira produção brasileira "O Grito da Mocidade", não se esqueceu de dar um pequeno papel a Sylvinha Mello. E ela agradou bem na parte que lhe coube. Além de ser muito elegante, demonstrou possuir grande parte do jeito comediógrafo de que todos nós temos uma parte ...
Sylvinha Mello gostou do cinema e o cinema gostou de Sylvinha Mello. Mas ela não abandonou definitivamente o "broadcasting". O cinema ainda não é aqui no Brasil uma segura e contínua colocação.
A conhecida intérprete do nosso folclore veio, afinal, a ser contratada pela PRE-8, Rádio Nacional. Seu desempenho neste emissora era muito bom. Sua expressão, ótima. Ela continua a cantar no rádio com a sua voz bonita. E a agradar a quem a vê com a sua figura graciosa.
Agora, Sylvinha Mello voltou para o cinema. Enfim, o cinema a chamou de novo, para celebrizar quiçá como estrela de primeira grandeza. Ela deve partir dentro destes dias para o Ceará, disposta a ser filmada numa nova produção cinematográfica brasileira. A companhia que a convidou, uma sociedade americana de cinematografia, vai tentar mais um sucesso na nascente indústria cinematográfica brasileira. Sylvinha Mello vai tentar mais uma vez um outro sucesso em frente da câmera. Se desta vez ela desempenhar com apuro o seu papel, é quase certo que mais cedo ou mais tarde deixará mesmo o rádio de parte.
Todos os artistas têm grandes aspirações. Quem não vai gostar é o radiouvinte exclusivo de Sylvinha Mello ..."
Fonte: CARIOCA, de 13/3/1937 (texto atualizado e foto).
segunda-feira, maio 26, 2014
A marcha chinesa que dominou um carnaval
De todas as músicas surgidas para os próximos festejos de Momo, só uma conseguiu um sucesso fulminante até agora: -- é a marcha chinesa "Lig-Lig-Lig-Lé", de Paulo Barbosa e Oswaldo Santiago.
Em poucos dias, mal as estações de rádio começaram a rodar o disco, esgotava-se o primeiro milheiro de partes de piano e outro tanto de chapas fonográficas.
Na época que corre, em que a vendagem decaiu de forma desoladora, "Lig-Lig-Lig-Lé", parece destinada a um recorde de bilheteria, como se diz em linguagem de teatro e cinema.
"Lig-Lig-Lig-Lé" foi gravada em discos por Castro Barbosa, o cantor que gravou "O teu cabelo não nega".
Fontes: "O Malho", de 7 de janeiro de 1937 (artigo e foto); Youtube.
Em poucos dias, mal as estações de rádio começaram a rodar o disco, esgotava-se o primeiro milheiro de partes de piano e outro tanto de chapas fonográficas.
Na época que corre, em que a vendagem decaiu de forma desoladora, "Lig-Lig-Lig-Lé", parece destinada a um recorde de bilheteria, como se diz em linguagem de teatro e cinema.
"Lig-Lig-Lig-Lé" foi gravada em discos por Castro Barbosa, o cantor que gravou "O teu cabelo não nega".
Lá vem o seu China / Na ponta do pé
Lig lig lig lig lig lig lé!
Dez tões, vinte pratos / Banana e café
Lig, lig, lig, lig, lig, lig, lé!
Chinês / Come somente uma vez por mês
Não vai / Mais a Xangai / Buscar a Butterfly
Aqui, com a morena / Fez a sua fé / Lig, lig, lig, lé!
Fontes: "O Malho", de 7 de janeiro de 1937 (artigo e foto); Youtube.
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