sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Sai da tua alcova - Henrique Cazes e Cristina Buarque


Sendo Noel Rosa um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de taxi, que às vezes o levavam para casa, às vezes emendavam uma outra farra, ou às vezes o levavam para namorar alguma moça no Juá. Noel percebeu que havia um motorista de táxi chamado Malhado, que era metido a cantor de seresta, dava o famoso "dó de peito" e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas, que ele não entendia absolutamente o que significava.

Noel, percebendo o estilo do motorista, compôs uma canção especialmente para ele e combinou lançar essa música numa seresta para duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegando lá em baixo do sobrado do coronel, o Noel disse que ia ficar do outro lado da rua pra dar o destaque que a voz do Malhado merecia. Feriu o tom... lá se foi o Malhado.

Saí da Tua Alcova (canção, s. d.) - Noel Rosa - Intérpretes: Henrique Cazes e Cristina Buarque

CD Cristina Buarque, Henrique Cazes ‎– Sem Tostão... A Crise Não É Boato... - Canções de Noel Rosa / Título da música: Saí Da Tua Alcova / Noel Rosa (Compositor) / Henrique Cazes (Intérprete) / Cristina Buarque (Intérprete) / Gravadora: Kuarup Discos / Ano: 1995 / Nº Álbum: KCD 129 / Faixa 3 / Gênero musical: Canção.


              Am            E7        Am
Saí da tua alcova com o prepúcio dolorido
(42-43-42-40-53-52-50)
Am                  Bb6       Bb(b5)  A7
Deixando seu clitóris gotejante
 A#°     A7/G    Dm   A7
De volúpia emurche..cido
   Dm   E7                 Am     B°
Porém,    o gonococus da paixão
Am      Am/G         Bb
Aumentou minha tensão
Bem, o coronel levantou atirando, 
o Malhado saiu correndo, chegou na esquina lívido, 
e o Noel já estava esperando ele e perguntou:

- O que é que houve Malhado?

E o Malhado assustadíssimo falou:

- O cara sai atirando, não entendi nada!

E o Noel sem perder a pose diz pra ele:

- Isso é pra você ver, Malhado, 
  o que que é a falta de sensibilidade dessa gente!

Que se dane - Leonel Faria

Quando Noel namorava uma certa Clara, ele estava sem dinheiro para pagar o bonde a ela e seus muitos irmãos. Aí ele pediu para Clara esperar e foi direto a uma casa de músicas propor a venda de um samba a J. Machado, pianista de lá. Aceita a negociação apenas da letra, Noel logo a rabiscou no tampo de um piano. Leonel Faria lançou-a na Columbia em fevereiro de 1932, disco 22101-B, matriz 381189 (Fonte: Samuel Machado Filho, no Youtube).

Que Se Dane (samba, 1932) - Noel Rosa e J. Machado - Intérprete: Leonel Faria

Disco 78 rpm / Título da música: Que Se Dane / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Machado, J (Compositor) / Faria, Leonel (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1932 / Nº Álbum 22101 / Lado B / Lançamento: Fevereiro/1932 / Gênero musical: Samba.


Intr.: G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D7 / / /
G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D /

D        A7/C#          A7        D
Vivo contente embora esteja na miséria
D6/F#   Em    A7     D
Que  se dane! Que se dane!
A7/C#        A7        D
Com essa crise levo a vida na pilhéria
D6/F#   Em    A7     D 
Que  se dane! Que se dane!
D7     G    Gm6      D
Não amola!    Não amola!
B7            Em             A7          D7
Não deixo o samba porque o samba me consola
G    Gm6      D
Não amola!    Não amola!
B7            Em             A7          D
Não deixo o samba porque o samba me consola

G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D7 / / /
G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D / /

         A7/C#         A7        D
Fui despejado em minha casa no Caju
D6/F#   Em    A7     D
Que  se dane! Que se dane!
A7/C#       A7            D
O prestamista levou tudo e fiquei nu
D6/F#   Em    A7     D 
Que  se dane! Que se dane!
D7     G    Gm6      D
Não amola!    Não amola!
B7            Em             A7          D7
Não deixo o samba porque o samba me consola
G    Gm6      D
Não amola!    Não amola!
B7            Em             A7          D
Não deixo o samba porque o samba me consola

G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D7 / / /
G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D / /

         A7/C#       A7         D
Fui processado por andar na vadiagem
D6/F#   Em    A7     D
Que  se dane! Que se dane!
A7/C#      A7        D
Mas me soltaram pelo meio da viagem
D6/F#   Em    A7     D 
Que  se dane! Que se dane!
D7     G    Gm6      D
Não amola!    Não amola!
B7            Em             A7          D7
Não deixo o samba porque o samba me consola
G    Gm6      D
Não amola!    Não amola!
B7            Em             A7          D
Não deixo o samba porque o samba me consola

G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D7 / / /
G / / G#º D/A / B7 / E7 / A7 / D / / /

Felicidade - Noel Rosa

René Bittencourt
Sub-intitulado na edição "Que bom, felicidade, que vai ser!', verso final do estribilho, este samba-canção foi lançado por Noel na Columbia, futura Continental, em fevereiro de 1932 (78 rpm 22083-B, matriz 381159). No selo, o nome de René Bittencourt não apareceu como co-autor. Já em 1952, pouco antes de falecer, Francisco Alves regravou a música, mas o nome omitido no selo foi o de Noel! Dá pra acreditar! (Samuel Machado Filho - Youtube).

Felicidade - (Que bom, felicidade que vai ser) (samba, 1932) - René Bittencourt e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Felicidade / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Bittencourt, René (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1931 / Nº Álbum 22083 / Lado B / Lançamento: Fevereiro/1932 / Gênero musical: Samba.



Felicidade, felicidade
Minha amizade foi-se embora com você
Se ela vier e te trouxer
Que bom, felicidade que vai ser

Trago no peito o sinal de uma saudade
Cicatriz dessa amizade
Que com o tempo vi morrer
Eu fico triste
Quando vejo alguém contente
Tenho inveja dessa gente
Que não sabe o que é sofrer

O meu destino
Foi traçado no baralho
Não fui feito para trabalho
Eu nasci pra batucar
Eis o motivo
Que do meu viver agora
A alegria foi-se embora
Pra tristeza vir morar