domingo, fevereiro 11, 2018

Tu passaste por este jardim - Gilberto Alves


Alfredo Dutra (circa 1860 - 1920 Rio de Janeiro, RJ) é o autor da canção Tu passaste por esse jardim (composta como polca), que Catulo da Paixão Cearense pôs letra. Sabe-se que a canção foi apresentada pela primeira vez pelo próprio Catulo, em festa de casamento do sobrinho do compositor, de nome Oscar de Meneses Pamplona, realizada em 28 de setembro de 1905.

Em 1962, a canção "Tu passaste por este jardim", foi relançada em ritmo de maxixe, por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de sempre lançado pela gravadora Copacabana.

Tu Passaste Por Este Jardim (polca / maxixe, 1905) - Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra - Interpretação: Gilberto Alves

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Tu Passaste Por Este Jardim / Alfredo Dutra (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1962 / Nº Álbum: CLP 11268 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Maxixe.



Tu passaste por este jardim!
Sinto aqui certo odor merencório
Desse branco e donoso jasmim
Num dilúvio de aromas pendeu
Os arcanjos choraram por mim
Sobre as folhas pendidas do galho
Que a luz de seus olhos brilhantes verteu

Tu passaste, que de quando em quando
Vejo as rosas no hastil lacrimado
Das corolas de todas as flores
As minhas angústias, abertas em flores
Neste ramo que ainda se agita
Uma roxa saudade palpita
E esse cravo, no ardor dos ciúmes
Derrama os perfumes num poema de amor

De um suspiro deixaste o calor
Neste cálix de neve, estrelado
Neste branco e gentil monsenhor
Vê-se o íris de um beijo esmaltado
Tu deixaste num halo de dor
Nas violetas magoadas, sombrias
A tristeza das ave-marias
Que rezam teus lábios à luz do Senhor

Vejo a imagem da minha ilusão
Nessa rosa prostrada no chão
Meus afetos descansam nos leitos
Destes lindos amores-perfeitos
Como chora o vernal jasmineiro
Que me lembra o candor de teu cheiro!
Este cravo sangüíneo é uma chaga
Que se alaga no rubor da cor

As gentis magnólias em vão
Muito invejam teu rosto odoroso
Rosto que tem a conformação
De um suspiro adejando saudoso
E esses lírios têm a presunção
De imitar em seus níveos brancores
Esses dois ramalhetes de amores
Andores de flores num seio em botão

Recorda-te de mim - Catulo da Peixão Cearense

Catulo da Paixão
Recorda-te de mim (modinha, 1912) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Orestes de Matos

Disco 78 rpm / Título da música: Recorda-te de Mim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Matos, Orestes de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912 / Nº Álbum: 137006 / Lado único / Gênero musical: Modinha.



LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Recorda-te de Mim / Anacleto de Medeiros (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Modinha.



Recorda-te de mim quando de tarde
Gloriosa a morrer na luz do dia
E nos seios da noite a serrania
Em candores de neve se ocultar
Recorda-te de mim nesse momento
As estrelas saudosas do penar

Recorda-te de mim quando alta noite
Escutares um canto de tristeza
Descantado por toda a natureza
Nos formosos harpejos do luar
Recorda-te de mim quando acordares
E sentires no peito do adolescente
Um espírito em mágoa florescente
Uma hora em teu peito a suspirar

Recorda-te de mim quando no templo
Numa prece serena, doce e fina
Sob o altar florescido de Maria
Teus segredos à Virgem confiar
Recorda-te de mim nesse momento
Para que minha dor tenha um alento
E me deixe morrer com o pensamento
De que morro feliz só por te amar

Na aldeia - Patrício Teixeira

Catulo

Na Aldeia  (Quando Ela Passa) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Mário Alvares - Interpretação: Patrício Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Na Aldeia / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Alvares, Mário / Teixeira, Patrício (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum: 10084 / Gênero musical: Maxixe.



Quando ela passa
A caminho da choça do monte
Lá no horizonte
A ascensão do luar
Pela aldeia vem se derramar
Geme a fonte
E as minhas mágoas vêm vê-la passar
Passar cantando
Com a flor brincando
De quando em quando a suspirar

Vai bandoleira
A faceira que de mim se esquece
Até parece uma flor
Que ao luar, ao luar
Irrorada de orvalho
Do galho se desprendesse
E lá fosse a ondular
E ondulando fosse voando
De quando em quando a suspirar

Deixa em seu rastro o odor
Do rescendente sassafrás em flor
Deixa onde passa o olvido
O aroma de um coração ferido
Geme a viola então
Em meio da solidão do sertão calado
Um canto apaixonado, aveludado
De suspiros do coração

Se ao longe um lacrimal
Desliza sobre a areia de cristal
Descalça o pé dengoso
E o riozinho estremece airoso
E todo dia a se arrufar
Não quer mais deslizar
No planger fluente
Quer essa flor virente
Nas madeixas da corrente
Leva, levar

Quando amanhece
E à porta da choça aparece
Acorda a flor que umedece
O frescor que é tão grato
Acorda o regato e no mato
Acorda a rola em seu ninho de amor
Acorda a fonte, o horizonte
E lá no monte o trovador