quinta-feira, março 30, 2006

Carmen Miranda


Carmen Miranda (Maria do Carmo Miranda da Cunha), cantora, atriz e dançarina, nasceu em Marco de Canaveses, Portugal, em 9/2/1909, e faleceu em Beverly Hills, Los Angeles, EUA, em 5/8/1955. Com um ano e meio veio para o Brasil com a mãe, Maria Emília Miranda da Cunha, e Olinda, a irmã mais velha. Seu pai, José Maria Pinto da Cunha, barbeiro, chegara antes.

No Rio de Janeiro RJ nasceriam Amaro, Cecília, Aurora e Oscar. Em 1919 foi matriculada na Escola Santa Teresa, de freiras, que dava instrução gratuita às meninas pobres da Lapa. Aos 15 anos conseguiu trabalho como balconista de loja de gravatas e depois em loja de chapéus femininos, onde aprendeu a confeccioná-los. A pensão da mãe era frequentada também por músicos, como Pixinguinha e seu grupo. Vivia cantando e fazendo planos, até ser convidada por Aníbal Duarte, futuro deputado, para participar de um festival de caridade no Instituto Nacional de Música, em 1929.

Cantou então tangos e a canção Chora violão, acompanhada do pianista Julinho de Oliveira, tendo atraído a atenção justamente do autor da canção, Josué de Barros, professor de violão, que se ofereceu para ajudá-la. Depois de algumas apresentações nas Rádios Sociedade e Educadora, foi levada por Josué para gravar na etiqueta Brunswick um disco com Não vá simbora e Se o samba é moda, duas músicas dele, só lançado em janeiro de 1930, ano também de seu segundo disco, pela Victor com Triste Jandaia e Dona Balbina (ambas de Josué de Barros).

O sucesso veio em seu segundo disco Victor, com a marcha de Josué, laiá Ioiô, lançado no Carnaval de 1930. A fama viria no disco seguinte, com Pra você gostar de mim (Ta-hi), marcha do médico Joubert de Carvalho especialmente para ela e que, depois do Carnaval, bateria o recorde nacional de vendas com 36 mil cópias. Ainda em 1930, apenas cantando, atuou na revista musical Vai dar o que falar, no Teatro João Caetano.

Em 1931 gravou sucessos como Carnavá tá ai (Pixinguinha e Josué de Barros), Amor, amor (Joubert de Carvalho) e realizou sua primeira viagem ao exterior, à Argentina, com Francisco Alves, Mário Reis, os músicos Luperce Miranda e Tute e um casal de bailarinos. Em 1932 estreou no cinema, no filme Carnaval cantado de 1932 no Rio, um semidocumentário de média metragem, produzido pelo exibidor Vital Ramos de Castro, no qual canta o samba Bamboleô, de André Filho.

Em 1933 participou do filme Voz do Carnaval, da Cinédia, dirigido por Ademar Gonzaga e Humberto Mauro. Já era chamada A Pequena Notável, slogan criado por César Ladeira. Lançou sucessos como Good bye e Etc (Assis Valente), Moleque indigesto (Lamartine Babo), este junto com o autor, Chegou a hora da fogueira (Lamartine Babo), em dueto com Mário Reis, Inconstitucionalíssimamente (Hervé Cordovil). São destaques de 1934 Alô, alô (André Filho) e Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Babo), ambas em dueto com Mário Reis, Primavera no Rio (João de Barro), Coração (Sinval Silva) e outras.

No início de 1935 aparece no filme Alô, alô Brasil!, da Waldow-Cinédia, no qual cantou Primavera no Rio. Transferiu-se mais tarde para a gravadora Odeon e apareceu no filme Estudantes, da Waldow-Cinédia, único filme brasileiro em que atuou como atriz. Nele cantou a famosa marcha junina Sonho de papel, de Alberto Ribeiro. Lançou pela Odeon, além do citado Sonho de papel, O tic-tac do meu coração (Alcir Pires Vermelho e Valfrido Silva), Adeus batucada (Sinval Silva), Casaquinho de tricô (Paulo Barbosa), entre outros sucessos.

Começou 1936 com o filme Alô alô Carnaval, da Waldow-Cinédia, dirigido por Ademar Gonzaga, no qual cantou Querido Adão (Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago) e Cantores de Rádio (Alberto Ribeiro, João de Barro e Lamartine Babo), em dupla com Aurora Miranda, ambas de fraque e cartola dourados (foto ao lado), traje criado por Carmen, numa cena clássica. Entre os seus maiores sucessos desse ano estão o citado Querido Adão, Como vaes você e No tabuleiro da baiana (ambas de Ary Barroso) e Polichinelo (Gadé e Almanir Grego).

No final de 1937, voltou para a sua querida Rádio Mayrink Veiga. São desse ano O samba e o tango (Amado Régis), Camisa listrada (Assis Valente), Eu dei (Ary Barroso), Quem é? (Custódio Mesquita e Joraci Camargo) e outros sucessos.

Em 1938, abalada pela morte de seu pai, afastou-se por alguns meses, só voltando para receber mais uma confirmação de ser a maior cantora do Brasil por votação dos leitores da revista Fon-Fon. Em fins de 1938 apresentou-se pela primeira vez vestida de baiana no Cassino da Urca, cantando Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso. Então conheceu o ator Tyrone Power e sua noiva Annabella, presenteada por ela com uma baiana, traje que estilizou e fixou como típico da mulher brasileira em todo o mundo.

No início de 1939, vestida de baiana, foi a atração do filme Banana da terra, da Sonofilms, dirigido por J. Rui, cantando O que é que a baiana tem?, do estreante Dorival Caymmi, samba gravado em seguida com ele, e Pirulito, marcha de João de Barro e Alberto Ribeiro, que substituíram Na Baixa do Sapateiro e Boneca de piche, porque Ary Barroso, autor das duas músicas, pedira muito alto para cedê-las. Logo depois, acompanhada do Bando da Lua, que até estão colaborava com ela apenas por amizade e quando suas apresentações coincidiam, foi vista no Cassino da Urca pelo grande empresário americano Lee Shubert e pela atriz-patinadora Sonja Henie, que insistiu em sua contratação. Carmen aceitou ir para os EUA mas impôs como condição a ida do Bando da Lua, para garantia do ritmo.

Consagrada na América do Sul e absoluta no Brasil, embarcou em 4/5/1939 com uma multidão na despedida mas chegou a New York completamente desconhecida e sabendo umas poucas palavras em inglês. Foram-lhe reservados apenas seis minutos num dos quadros da revista musical Streets of Paris, que aproveitou para cantar trechos de Mamãe eu quero (Jararaca e Vicente Paiva), Marchinha do grande galo (Lamartine Babo e Paulo Barbosa), Bambo de bambu (Donga, P. Teixeira, Almirante e V. Abreu), Touradas em Madri (João de Barro e Alberto Ribeiro), além da canção South American Way (Al Dubin e Jimmy McHugh) adaptada ao ritmo de samba e cantada em português e inglês. Da noite para o dia seu êxito extraordinário passou para os anais do mundo do espetáculo. Lançou moda, gravou na Decca e fez com que a 20th Century Fox deslocasse sua equipe a New York para filmar seus números da revista, encaixados no filme Serenata tropical (Down Argentine Way, direção de Irving Cummings, 1940). Tornou-se popularíssima como a Brazilian Bombshell.

Voltou ao Brasil em 1940 e teve majestosa recepção popular no cais e na avenida Rio Branco. No Cassino da Urca foi recebida com frieza por uma platéia diferente, de grã-finos, por dizer algumas palavras em inglês e cantar South American Way. Suspendeu a temporada e voltou com músicas em que rebateu as acusações de se ter americanizado, como Disseram que voltei americanizada, Disso é que eu gosto, Voltei pro morro, todas de Vicente Paiva e Luís Peixoto. Seria esse triunfo sua última apresentação pessoal no Brasil, pois fixaria residência em Beverly Hills.

Pela Fox filmou Uma noite no Rio (That Night in Rio, de Irving Cummings, 1941). Nesse ano imprimiu mãos e sapatos de plataforma (para compensar seus 1,53 m de altura) na calçada do Teatro Chinês, primeira e única sul-americana a receber tal honraria. Depois filmou Aconteceu em Havana (Weekend in Havana, de Walter Lang, 1941), Minha secretária brasileira (Springtime in the Rockies, de Irving Cummings, 1942), Entre a loura e a morena (The Gang`s All Here, de Busby Berkeley, 1943), Quatro moças num jeep (Four Jills in a Jeep, de William A. Seiter 1944), Serenata boêmia (Greenwich Village, de Walter Lang, 1944), Alegria rapazes (Something for the boys, de Lewis Seiler, 1944), Sonhos de estrela (Doll Face, de Lewis Seiler, 1945).

Requisitada pelo cinema, rádio, gravações, cassinos e casas noturnas tornou-se a mais bem paga mulher em 1945 considerados todos os ramos de atividade. Em 1946, fez seu último filme na Fox, Se eu fosse feliz (If I'm Lucky, de Lewis Seiler). No ano seguinte, casou-se com o americano David Sebastian e estrelou, com Groucho Marx, Copacabana (de Alfred E. Green). A convite do produtor Joe Pasternak, da MGM, atuou no filme O príncipe encantado (A Date With Judy, de Richard Thorpe, 1948), contracenando com Wallace Beery Jane Powell e a jovem Elizabeth Taylor.

Foi das primeiras artistas a atuar na televisão. Em 1950, mais um filme na Metro, Romance carioca (Nancy Goes to Rio, de Robert Z. Leonard). Em 1953 foi lançado seu último filme, Morrendo de medo (Scared Stiff; de George Marshall), ao lado de Dean Martin e Jerry Lewis.

No final de 1954, depois de 14 anos fora, voltou ao Brasil para tratamento de esgotamento nervoso. Restabeleceu-se mas teve de voltar aos EUA. Quatro meses mais tarde o Brasil foi paralisado com a notícia de seu falecimento por colapso cardíaco em sua casa em Beverly Hills, depois de filmar com Jimmy Durante um programa de televisão em Los Angeles. No dia 12 seu corpo embalsamado chegou ao Rio de Janeiro, foi velado na Câmara dos Vereadores e sepultado no dia seguinte no Cemitério de São João Batista, com mais de um milhão de pessoas, quase a metade da população carioca.

Em 1995 Helena Solberg fez o filme Bananas is my business, documentário-ficção elogiado pelos jornais The New York Times e Village Voice. No mesmo ano, o Lincoln Center, de New York, promoveu espetáculo em lembrança do 40° aniversário de sua morte, com direção de Nelson Mota e participações de Bebel Gilberto, Aurora Miranda, Eduardo Dusek, Maria Alcina, Marília Pêra e outros. Deixou sua voz e personalidade em 281 gravações brasileiras e 32 americanas. Lançou internacionalmente a moda dos turbantes, colares, brincos, balangandãs e sapatos de sola alta, contraponto de uma gesticulação peculiar das mãos em compasso com olhos irrequietos.

O "mirandismo", mais de 40 anos depois, mantém aura que ainda fascina a juventude, justificando a afirmação de que ela é um dos ícones mundiais do séc. XX.

Algumas letras e cifras


















































Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Caninha

O compositor José Luís de Morais, apelidado de "Caninha", nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 06 de julho de 1883, e faleceu na mesma cidade, em 16 de junho de 1961. O apelido lhe foi dado em criança, quando vendia roletes de cana na estação da Estrada de Ferro Central do Brasil. Nessa época aprendia cavaquinho com Adolfo Freire.

Por 1900, começou a frequentar as reuniões de sambistas nas casas da Tia Dadá e da Tia Ciata, baianas da Cidade Nova. Um dos fundadores do Dois de Ouro, rancho pioneiro no Rio de Janeiro, participou ainda do Balão de Rosa, do Rosa Branca, do Recanto das Fadas, do União dos Amores, chegando a ser diretor de canto do Recreio das Flores.

Já havia feito várias músicas, mas o seu primeiro sucesso foi o maxixe Gripe espanhola, lançado na festa da Penha em 1918. Depois, tornou-se freqüentador constante da festa e passou a integrar vários grupos carnavalescos, como o Grupo de Caxangá, do qual participava com o nome de Mané do Riachão, o Grupo Cidade Nova, integrado também por Pixinguinha, e o Grupo Sou Brasileiro.

Em 1919 compôs o tango O kaiser em fuga e o samba Até parece coisa feita, e, em 1920, fez os sambas Quem vem atrás fecha a porta, outro sucesso, e Ninguém escapa ao feitiço. No ano seguinte obteve êxito com sua primeira composição gravada, Esta nega qué mi dá (com Lezute). Ainda em 1921, compôs um samba e um tango, ambos com o mesmo título, Que vizinha danada.

Em 1922, com a marcha-rag-time Me sinto mal, derrotou Sinhô no concurso da festa da Penha. Para o Carnaval de 1923, compôs o maxixe Não é conversa, a marcha Meu amor qué me batê e o samba Não se ganha pra comer.

Em 1927 obteve o primeiro prêmio no concurso do jornal Correio da Manhã, com Rosinha.

Em 1933 venceu concurso oficial de músicas carnavalescas, com É batucada, feita em parceria com o jornalista Horácio Dantas (que usava o pseudônimo de Visconde de Bicoíba), que lhe valeu um Diploma de Sambista, dado pelo prefeito da cidade. Essa música foi gravada por Moreira da Silva, na Columbia, com acompanhamento do grupo instrumental Gente do Morro, de Benedito Lacerda.

Em 1954 foi um dos participantes do Festival da Velha Guarda, organizado por Almirante. Morreu em 1961, embora em 1950 a prefeitura do Rio de Janeiro já o tivesse incluído numa homenagem prestada a sambistas famosos falecidos, ao lado de Noel Rosa, Sinhô e outros.

Obra

Deixa ela, samba, 1927; É batucada (com Visconde de Bicoíba), samba, 1933; Essa nega qué me dá (com Lezute), samba, 1921; Está na hora, marcha-carnaval, 1925; O kaiser em fuga, tango, 1919; Me sinto mal, marcha-rag-time, 1922; Quem vem atrás fecha a porta, samba, 1920.

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Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Augusto Calheiros

Augusto Calheiros, cantor e compositor, nasceu em Maceió AL 5/6/1891 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 11/1/1956. Jovem ainda, foi para Recife PE, onde conheceu Luperce Miranda, tendo sido convidado a participar, como cantor, do grupo formado pelos irmãos Luperce (bandolim), João (bandolim) e Romualdo Miranda (violão), e mais os violonistas Manuel de Lima (que era cego) e João Frazão (Periquito). Por sugestão do historiador Mário Melo, o grupo passou a chamar- se Turunas da Mauricéia, numa alusão ao governador holandês do séc. XVII, Maurício de Nassau.

Foi logo apelidado de “A patativa do Norte”, pela sua voz afinadíssima e estilo peculiar de cantar, que o tornariam um dos cantores mais originais do seu tempo. Em janeiro de 1927, sem Luperce Miranda, os Turunas desembarcaram no Rio de Janeiro, com suas roupas sertanejas e chapéus de aba larga. Estrearam com muito sucesso no Teatro Lírico, em espetáculo patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, cantando emboladas, cocos e outros ritmos ainda desconhecidos dos cariocas, apresentando-se depois, em várias ocasiões, na Rádio Clube. Como solista gravou canções sertanejas na Casa Edison, obtendo grande sucesso com os Turunas, no Carnaval de 1928, com a embolada Pinião, de autoria de Luperce Miranda, que não participou dessa gravação. No ano seguinte o grupo se desfez e o cantor passou a atuar individualmente.

Ainda em 1929 gravou na Odeon Valsa da saudade (Levino da Conceição) e Saudades do Rio Grande (Levino da Conceição e Nelson Paixão). Na Victor gravou Alma tupi (Jararaca) e Céu do Brasil (Henrique Vogeler e Jararaca), lançando em seguida diversos discos, como Revendo o passado (Freire Júnior), em 1933, e um de seus maiores êxitos, Chuá, chuá (Sá Pereira e Ari Pavão).

Em 1939 gravou a valsa Ave Maria (Erothides de Campos e Jonas Neves). Seis anos depois foi contratado pela Victor, gravando vários sucessos, como os sambas Senhor da floresta (1945) e Garoto da rua (1947) (René Bittencourt), a canção Caboclo vingador (Artur Goulart e José Colombo), as valsas Fatal desilusão (1947) (Meira e Marcial Mota) e Dúvida (Luiz Gonzaga), além das músicas de sua autoria Célia e Bela. No auge da popularidade, atuou ao lado de Durvalina Duarte, Jararaca, Ratinho e outros, na Casa de Caboclo, famosa companhia de espetáculos da Praça Tiradentes.

Compôs Adeus, Pilar e Pisa no chão devagar, por 1950, ano em que saiu da Victor e passou para a Todamérica, onde gravou seu último sucesso, Grande mágoa (Clóvis Santos), além de Meu dilema e Audiência divina, ambas de Guilherme de Brito, então lançado como compositor. Entre seus maiores êxitos estão ainda Na praia, Iolanda e Saudade do meu Norte, este em parceria com Artur Goulart.


Fonte: Collector's Studios Ltda.