sexta-feira, abril 06, 2007

Walter Wanderley


Walter Wanderley (Walter José Wanderley Mendonça), instrumentista, nasceu no Recife/PE em 12/5/1932, e faleceu em São Francisco, EUA em 1/9/1986. Iniciou carreira como organista e pianista em Pernambuco.


Em fins da década de 1950 mudou para São Paulo onde integrou, em 1958, o conjunto do Bar Claridge. Em seguida, levado por Isaura Garcia (com quem casou mais tarde), passou a tocar piano no conjunto da boate Oásis.

Em 1959 estreou em disco, tocando órgão na gravação de E daí?... (Miguel Gustavo), na Odeon, por Isaura Garcia. Tocou ainda nas boates Michel e Reverie, e apresentou-se em bailes e na televisão.

Em 1960 começou a trabalhar no Captain’s Bar, no Hotel Comodoro, no conjunto que mais tarde passou a chamar-se Walter Wanderley e seu Conjunto, com ele no órgão. Em 1961 gravaram o LP Walter Wanderley e o bolero, na Odeon, com Sabor a mí (Alvaro Carrillo) e Solamente una vez (Agustín Lara), entre outras. O conjunto passou a acompanhar, na televisão e em gravações, diversos cantores, como João Gilberto, Isaura Garcia, Dóris Monteiro, Francisco Egidio, Morgana e outros.

Em 1962 lançou o LP Samba é samba, com O barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) e Palhaçada (Haroldo Barbosa e Luiz Reis), entre outras, e no ano seguinte o LP O samba é mais samba, entre outras, com Corcovado (Tom Jobim) e A mesma rosa amarela (Capiba e Carlos Pena Filho), ambos pela Odeon.

Em 1964, o conjunto, com nova formação, apresentou-se no Juão Sebastião Bar e passou a gravar na Philips. Ainda nesse ano, saíram os LPs Órgão sexy e Entre nós, e, nos anos seguintes, O autêntico (1965) e Sucessos + boleros = Walter Wanderley (1966).

Transferindo-se para os EUA, onde fixou residência na costa oeste, lançou pela etiqueta Verve os LPs Chegança (1967) e Batucada (1968), e pela AM Records, When it Was Done, em 1969, e Moondreams, em 1970.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Sérgio Ricardo

Sérgio Ricardo (João Mansur Lufti), compositor, cantor, instrumentista e cineasta, nasceu em Marília-SP, em 18/6/1932. Filho de um libanês que tocava alaúde, aos oito anos começou a estudar piano em conservatório e, pouco depois, a tocar em festas de amigos.

Aos 17 anos, mudou-se para São Vicente-SP, onde trabalhou na Rádio Cultura como discotecário, técnico de som e locutor. Ainda no litoral paulista, por pouco tempo, tocou piano na boate Recreio Prainha, de São Vicente.

Em 1952 mudou-se para o Rio de Janeiro, cursando o científico no Colégio Lafayette. Na mesma época, arranjou emprego numa boate em Copacabana, substituindo Tom Jobim, que ia trabalhar como arranjador na gravadora Continental. No meio musical do Rio de Janeiro, ficou conhecendo — além de Tom Jobim — Johnny Alf e João Gilberto.

Ainda nessa época, ingressou na E.N.M.U.B., onde estudou orquestração. Foi também nesse período que começou a compor e a cantar, continuando a tocar em boates. Ouvido pelo compositor Nazareno de Brito, foi convidado a gravar um 78 rpm e logo depois outro, com a toada de sua autoria Cafezinho. Mas seu primeiro sucesso foi gravado por Maysa em 1955, na RGE, o samba-canção Buquê de Isabel.

Mais tarde, numa viagem que fez a São Paulo, trabalhou como ator em televisão, obtendo relativa popularidade. Por essa época, integrou o grupo de músicos liderado por João Gilberto, que se reunia para discutir a bossa nova, no inicio do movimento. Em 1960 lançou o LP A bossa romântica de Sergio Ricardo, pela Odeon, participando também de vários shows de bossa nova, tournees e apresentações em televisão. Nessa época, seu maior sucesso foi a composição Pernas.

Pouco depois, começou a se afastar dos caminhos da bossa nova e lançou o samba Zelão, um de seus maiores êxitos. Iniciou então seu primeiro filme, O menino da calça branca, curta- metragem feito com Nelson Pereira dos Santos. Terminado em fins de 1961, o filme representou o Brasil no festival de cinema de San Francisco, EUA, em 1962, obtendo o segundo lugar. De San Francisco, foi para New York, participando do Festival da Bossa Nova, no Carnegie Hall.

Permaneceu nos EUA ainda algum tempo, cantando em boates. Retornou ao Brasil em 1963, quando fez o longa-metragem Esse mundo é meu (montagem de Rui Guerra), com músicas de sua autoria, que teve grande repercussão. No mesmo ano, compôs e fez os arranjos da trilha sonora do filme Deus e o Diabo na terra do Sol (Gláuber Rocha), lançada depois em LP de mesmo nome, pela gravadora Forma. No mesmo ano, gravou o LP Um senhor talento, pela Elenco.

Em 1964, produziu para o governo do Líbano o filme O pássaro da aldeia, media-metragem rodado naquele país. De volta ao Brasil, no ano seguinte fez o show Esse mundo é meu, com roteiro e direção de Chico de Assis. Ainda em 1965, compôs a trilha sonora para o filme Terra em transe (Gláuber Rocha) e fez as músicas da peça O coronel de Macambira (Joaquim Cardoso). Dois anos depois gravou na Philips o LP A grande música de Sergio Ricardo e participou de vários festivais.

Por ocasião do II FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1967, inscreveu sua música Beto bom de bola. Classificada para a final, debaixo de vaias, não conseguiu apresenta-la, acabando por quebrar seu violão e atira-lo sobre o público, sendo desclassificado. Participou ainda de outros festivais, como a Bienal do Samba e promoções da TV Excelsior, do Rio de Janeiro, e TV Record. Tomou parte também no Festival da Canção de Protesto, realizado na Bulgária, onde duas composições suas foram interpretadas por Geraldo Vandré.

Em 1968 realizou, no Teatro de Arena, de São Paulo, o show Sergio Ricardo e a praça do povo, feito com Chico de Assis e dirigido por Augusto Boal. No mesmo ano, escreveu o roteiro musical para O auto da compadecida, peça de Ariano Suassuna.

Em 1969 completou a filmagem de Juliana do amor perdido, com Roberto Santos, que estreou no ano seguinte. Gravou um novo LP, Arrebentação, pela Equipe, em 1970, e, depois, pela Continental, Sérgio Ricardo (1973), A noite do espantalho (1974), trilha sonora de seu filme de mesmo nome, rodado em Nova Jerusalem PE e Do lago e cachoeira (1979).

Apresentou-se em 1980 no festival de Varadero, em Cuba, com Chico Buarque lançando no mesmo ano, pela Continental, um LP com Geraldo Vandré. Em 1983 compôs e fez arranjos para o cordel de Carlos Drummond de Andrade, Estória de João-Joana, sendo a obra gravada pela Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

De 1983 a 1988 escreveu, dirigiu e compôs a trilha musical de vários filmes de curta-metragem (Traço e cor, Dançando Villa-Lobos, o único no qual nao compôs a parte musical, Voz do poeta, com Ferreira Gullar, O espetáculo continua).

Lançou em 1991 o livro Quem quebrou meu violão (Record, Rio de Janeiro), análise da cultura brasileira nas décadas de 1940 a 1990. No mesmo ano, foi realizada a Semana Sérgio Ricardo, com apresentação de seus filmes, pinturas, discos, livros e espetáculos, no MIS de São Paulo.

Em 1994 fez shows em Lisboa, Portugal, onde gravou um disco com musicas africanas, portuguesas e brasileiras. Apresentou-se também em Angola e Guiné Bissau, Em 1996 ganhou o Prêmio Candango, no Festival de Brasília DF, pela trilha sonora do filme O lado certo da vida errada, de Otavio Bezerra. Em 1996 compôs a trilha sonora da minissérie Zumbi dos Palmares e, em 1997, da novela Mandacaru, ambas exibidas pela TV Manchete.

Em 1999, o espetáculo "Estória de João-Joana", encenado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, marcou sua volta à cena artística. O musical contou com a participação de Chico Buarque, Elba Ramalho, Alceu Valença, Telma Tavares e Zélia Duncan.

Lançou, em 2001, o CD Quando menos se espera.

Em abril de 2005, inaugurou, na Villa Riso (RJ), a exposição "Transparência", com suas pinturas mais recentes.

Embora trabalhe geralmente sem parceiros, compôs algumas músicas para letras de outros autores. É autor de uma única letra para música de outro compositor: Canto de boiadeiro (c/ Bororó Felipe).

Publicou os livros "Quem quebrou meu violão" (Editora Record, 1991), um ensaio sobre a cultura brasileira no período 1940-1990, e "Elas", uma coletânea de suas poesias.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

Rosinha de Valença

Rosinha de Valença (Maria Rosa Canelas), instrumentista e cantora, nasceu em Valença RJ em 30/7/1941. Ainda criança começou a se interessar por violão, assistindo aos ensaios do conjunto regional de seu irmão Roberto. Estudou sozinha, ouvindo músicas de rádio, e aos 12 anos já tocava violão num regional que animava bailes e na Rádio de Valença, acompanhando cantores.

Em 1960 abandonou os estudos para se dedicar à carreira musical, indo para o Rio de Janeiro em 1963. Através de Sérgio Porto, conheceu, na boate Au Bon Gourmet, o violonista Baden Powell e Aloysio de Oliveira, produtor da gravadora Elenco, que a contratou para gravar seu primeiro disco, Apresentando Rosinha de Valença. Seu nome artístico foi criado por Sérgio Porto, que costumava dizer que ela tocava por uma cidade inteira.

Ainda em 1963, foi sucesso durante oito meses na boate carioca Bottle’s. Seguiram-se apresentações em televisão, radio, teatro e outras casas noturnas, e em maio de 1964 apresentou-se no show O fino da bossa, no Teatro Paramount, em São Paulo. No fim do mesmo ano, excursionou durante oito meses pelos EUA com o conjunto Brasil 65, de Sérgio Mendes, e gravou dois discos. Viajou novamente no final de 1965, participando como solista de um grupo de música brasileira, patrocinado pelo Itamaraty, que se apresentou em 24 países europeus.

Foi a violonista do espetáculo Comigo me desavim, de Maria Bethânia, em 1967, e no ano seguinte iniciou uma série de apresentações na ex-U.R.S.S., Israel, Suíça, Itália, Portugal e países africanos, voltando ao Brasil em 1971. Trabalhou então com Martinho da Vila, participando de seus quatro LPs seguintes.

Realizou depois novas tournées no exterior, e de volta, em 1974, organizou uma banda que teve várias formações e contou com a participação de artistas como o pianista João Donato, o flautista Copinha e as cantoras Dona Ivone Lara e Miúcha.

Um dos espetáculos da sua banda foi gravado pela Odeon, que lançou em 1975 o LP com o título Rosinha de Valença e banda. Tem ainda 11 LPs editados no Brasil, EUA, ex-R.F.A. e França, em diversas marcas, entre as quais RCA, Odeon, Forma, Pacifíc Jazz e Barclay. Abandonou a carreira artística algum tempo depois, por motivos de saúde.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora