terça-feira, setembro 17, 2013

Nego bamba

Ottilia Amorim
Nego bamba (samba-batuque, 1931) - J. Aimberê - Interpretação: Otília Amorim com orquestra - Disco selo Victor de 30/12/1930, lançado em janeiro de 1931 (33413-B, matriz 65090).



Nego bamba, bão no samba
Bão no batuque e no tamborim
Mandei fazê um despacho
Pra você ficá por baixo
E gostá, só de mim.

Nego bamba, bão no samba
Bão no batuque e no tamborim
Mandei fazê um despacho
Pra você ficá por baixo
E gostá, só de mim.

Nego,
Que andou muito tempo na escola
Nego
Superior, que sabe lê até
Nego,
Que só anda dando bola
Dando bola,
Pra tudo quanto é muié,
Oi !...

Mamãe preta

Mamãe preta (canção, 1928) - Hekel Tavares e P. M. Almeida - Letra de Paulo Mendes - Interpretação de Sérgio da Rocha Miranda, acompanhado por piano - Disco Odeon, 1928 - Gênero musical: modinha / canção - Nº Álbum 10172 - Data lançamento 1928 - Lado A.



Mamãe preta que me embalou,
Eu bem me lembro de você...
Eu era tão pequenino,
E, para os meus olhos de criança,
Você, na luz fraca do quarto,
Era apenas uma sombra
Na brancura da parede.

Mamãe preta, mamãe preta,
Eu não me esqueço de você...
E a tenho sempre no olhar
Da Saudade, que tudo vê...

Mamãe preta, se eu não dormia,
Sua voz, fanhosa e rouca,
Com brandura me dizia:
— "Drume, drume sinhozinho,
Sinhô parece zumbi
Preta véia tá cansada
E o sinhô não quê drumi"...

E eu custava a dormir...
E você, com paciência,
Ficava sempre a velar...
Ficava sempre a meu lado,
Cantando, num tom magoado,
Cantigas da sua raça,
— Mãe preta que me embalou!

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Fontes: IMS in "TAVARES, Hekel; ALMEIDA, P. M; MIRANDA, Sérgio da Rocha. Mamãe preta. Acompanhado por Piano. [S.l.]: Odeon, 1928"; http://www.brasiliana.usp.br / bbd / bitstream/ handle / 1918/ 060052-15/ 060052-15_COMPLETO. pdf.txt;

segunda-feira, setembro 16, 2013

Sapo Cururu

"Os ritmos vão criando paisagens e, enquanto o ouvido se perde no curso livre da onda lírica, o olhar se enriquece do panorama local que vai se levantando pela força da persuasão melódica. Assim, a música de Hekel Tavares não enche somente nossos ouvidos de acordes agradáveis: também nos enche os olhos de imagens deliciosas...

E do seu conjunto vem, naturalmente, essa ideia de mata soturna, em que o sol não consegue penetrar, dourando apenas o cimo das árvores. Isso pela predominância da misteriosa tristeza dos motivos agrestes, que formam a estrutura da ceração sonora de Hekel, por onde passa, de vez em quando, bem de leve e no alto, um frêmito de alegria doida e clara, como na página festiva de D. Domitília.

Mas, já em Mamãe preta geme toda a escravidão com o trabalho sem fim dos dias escuros e com a vistosa aristocracia dos "sinhôs-moços", a quem, por desvio da maternidade submissa, as negras entregam toda a sua ternura deslumbrada. E em Sapo Cururu esboçam as gordas lagoas noturnas dentro do deserto verdejante, cortado de gritos indecifráveis, e de onde de levantam, com a cumplicidade dos luares solenes, assombrações e arrepios..." (Chronica Social - Correio Paulistano)

Sapo cururu (acalanto, 1929) - Hekel Tavares e letra de Olegário Mariano - Intérprete: Francisco Alves - Disco selo Odeon, 1929 - Gênero musical: canção / acalanto - Nº Álbum 10365 - Data de lançamento: 1929 - Lado A.



"Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, maninha
Diz que está com frio..."

Na casa grande do engenho
Preta véia tá cantando
Prá sinhozinho drumi
Sarta o bacurao na estrada
E a lua entra na ginela
Parece que vem ouvi.

Preta véia então se alembra
Da vida que ali viveu
Deu o peito a Sinhô-Moço
E na rede de seus braço
Seu Sinhô-Moço cresceu.

Hoje cria Sinhozinho
Branquinho que nem jasmim
Tem sempre os óinho aberto
Só drome quando se canta
Preta véia canta assim:

Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, maninha
Cururu tem frio...

Na casa grande de engenho
Preta véia tá cantando
Pra Sinhozinho drumi...


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Fonte: Música Popular Brasileira - Mariza - Jornal do Brasil, de 24/01/1937; Correio Paulistano de 17/04/1928.