domingo, janeiro 05, 2014

Linda Batista, a rainha do Rádio

"Naquela tarde, sua Majestade, o rei Momo, presidindo o baile dos artistas de rádio, promovido pela Rádio Tupy, a bordo do iate "O Laranja", em que reinou o maior entusiasmo, elegeram rainha do rádio a jovem cantora Linda Baptista, que figura no medalhão acima." (texto adaptado da CARIOCA, de 22/2/1936).

Essa jovem talentosa, cantora e futura compositora, chamava-se, na verdade, Florinda Grandino de Oliveira. Nasceu em São Paulo, SP, em 14/6/1919. Filha do ventríloquo e humorista Baptista Júnior (João Batista de Oliveira) e irmã da cantora Dircinha Batista, sua família já residia no Rio de Janeiro, no bairro do Catete.

Em 1936, por um atraso de Dircinha, substituiu-a, estreando como cantora no programa que Francisco Alves fazia na Rádio Cajuti, interpretando Malandro, de Claudionor Cruz. Obteve sucesso, sendo convidada para outras apresentações nessa emissora.


Fonte: CARIOCA.

sábado, janeiro 04, 2014

Amaro Silva

Amaro Silva (Circa 1910 Pernambuco), flautista e compositor, teve sua primeira composição gravada, quando Aurora Miranda lançou seu samba Não tem rival, em 1934, na Odeon.

Em 1937, teve os sambas Triste fim de um coração e Respeita a cadência gravados por Odete Amaral na Columbia. No ano seguinte,
Ciro Monteiro gravou pela Victor o samba Ela não compreende.

Em 1940, o samba Com você e sem você, com Nelson Teixeira, foi gravado por Arnaldo Amaral na Columbia.

Em 1941, foram gravadas a marcha Tinha gente assim, com Raul Longras, pela dupla caipira Alvarenga e Ranchinho, e o samba Confessa, com Ary Barroso, pelo cantor Deo, ambos em discos Odeon.

Em 1942, Odete Amaral gravou na Odeon a marcha Vitaminas, com Djalma Mafra e Domício Augusto. No ano seguinte, os sambas Desta vez vou ser feliz e Réu primário, com Djalma Mafra, foram gravados por Marilu na Victor. Em 1944, a marcha Salve o inventor da mulher, com Djalma Mafra, foi gravada na Odeon por Odete Amaral.

Em 1987, seus sambas Triste fim de um coração e Respeita a cadência, na interpretação de Odete Amaral e acompanhamento musical do Conjunto Regional Cruzeiro do Sul, foram incluídas no LP "Grandes cantoras", que o selo Revivendo lançou com gravações de Odete Amaral, Laís Marival, Araci Cortes e Carmen Barbosa.

Em 1985, o samba Mulher bonita, com Domício Alves Magalhães, foi gravado pelo Trio Palestina. Em 1991, o samba Vitaminas, com Djalma Mafra e Domício Augusto, na interpretação de Odete Amaral foi incluído no LP "A coroa do Rei", que o selo Revivendo lançou com gravações de Francisco Alves, Rosina Pagã, Dircinha Batista e Odete Amaral.

Em 2004, o samba Confessa, com Ary Barroso, em gravação de Deo foi relançado pelo selo Revivendo no CD triplo "Ary Barroso - Nossa Homenagem", em homenagem ao centenário de Ary Barroso.

Começando a compor aos dez anos de idade

Quando Amaro Silva começou a rabiscar as primeiras letras num caderno escolar, fez um samba. Um samba onde havia muito de frevo e maracatu nortista. Ele nasceu em Pernambuco. Chegando ao Rio, garoto de calças curtas, começou a compor melodias inspiradas ao som de uma pequena flauta. Alicinha de Archambeau ouviu o novo Pan precoce e levou-o a presença de Joaquim Medina, o saudoso violonista falecido. Assim Amaro Silva ingressou no ambiente radiofônico. Logo depois, Carmen Miranda lançou um samba seu que obteve sucesso: “Artigo brasileiro”.

Falando à CARIOCA, Amaro diz:

— Cecília Miranda de Carvalho foi, no entanto, a verdadeira madrinha e pioneira de todas as minhas composições musicais. Hoje a irmãzinha de Carmen e Aurora Miranda encontra-se afastada do microfone, aguardando a chegada de um encantador bebê ao seu lar feliz.

Madame Abílio de Carvalho deixou Amaro Silva às voltas com Dircinha Batista. A deliciosa garota tomou a si o encargo de espalhar as músicas do jovem compositor, alcançando grande êxito com a interpretação de “Mocidade brasileira”, inegavelmente uma das melhores composições de Amaro Silva.

— Os meus sambas e marchas quase sempre exploram de preferência motivos patrióticos e coisas da nacionalidade — informa ele.

À exceção do seu primeiro samba, feito aos 10 anos de idade e intitulado: “Se fosses minha...”, o qual foi indiscutivelmente um verdadeiro caso de precocidade. Hoje, Amaro Silva dedica-se também a compor músicas para o teatro. Custódio Mesquita, notando o seu valor, levou-o para abrilhantar, musicalmente, as peças da Casa de Caboclo.

— Já estou escrevendo em “Alma de violão”, a nova peça de Duque e Miranda. Confesso que me desinteressei das gravações e edições musicais ao notar a desarmonia reinante no meio. Sinto-me bem no teatro.

Amaro Silva não deixará, no entanto, os estúdios radiofônicos e declara:

— Acho que não há um compositor melhor que outro: depende tudo da oportunidade da sua inspiração. Lamartine Babo tem tantos sucessos como Ary Barroso ou Assis Valente.

As suas artistas prediletas são: Carmen e Aurora Miranda, Dyrcinha Baptista e Aracy de Almeida, no rádio. Martha Eggerth, no cinema. Dulcina, no teatro.

— Também admiro profundamente Sylvio Caldas que é, sem favor, a voz do Brasil. César Ladeira — “speaker” absoluto e Cristóvão de Alencar — que anda seguindo de perto os valores do primeiro. Gosto de Procópio e admiro Bing Crosby.

Amaro Silva tem uma porção de composições musicais inéditas e várias gravadas, “Sem carinho”, samba, e “Canção de inverno” foram algumas das suas últimas produções lançadas, respectivamente, por Dircinha e Moacyr Montenegro, na PRA-9.

— O meu último samba intitula-se “Noite de São João” e destina-se ao concurso “Da Noite”, tendo sido feito de parceria com Salomão Suissa — termina Amaro Silva.

CARIOCA, de 06/06/1936

Algumas obras

Artigo brasileiro, Com você e sem você (c/ Nelson Teixeira), Confessa (c/ Ary Barroso), Desta vez vou ser feliz (c/ Djalma Mafra), Ela não compreende, Mocidade brasileira, Mulher bonita (c/ Domício Alves Magalhães), Não tem rival, Respeita a cadência, Réu primário (c/ Djalma Mafra), Salve o inventor da mulher (c/ Djalma Mafra), Tinha gente assim (c/ Raul Longras), Triste fim de um coração, Vitaminas (c/ Djalma Mafra e Domício Augusto).


Fontes: CARIOCA, de 22/2/1936 e 06/06/1936; Dicionário da MPB.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Zilda, a rainha do samba

Aracy Côrtes, aliás Zilda Spinola
“CARIOCA entrevistou várias figuras de relevo do nosso “broadcasting”. Sylvinha Meilo, Alzirinha Camargo, Olga Praguer, Christina Maristany, as Irmãs Pagãs, Marília Batista. . . e quantas mais! Ainda não havíamos, porém, entrevistado Zilda Spinola, autêntica rainha do samba.

—— Zilda Spinola? — perguntará, surpreendido, o leitor. — Francamente, não me recordo de ter ouvido esse nome.

Cantora, pianista, declamadora? Quem será Zilda Spinola?

Zilda Spinola, — deixemos que se dissipe o mistério, — não é senão o nome verdadeiro, o nome autêntico de Aracy Côrtes, a intérprete inconfundível da nossa música popular. E, agora, na certa, o leitor declarará:

— Ora! Aracy... Também quem é que não a conhece?

Começo de carreira, no teatro
Pouca gente sabe que é esse o nome de Aracy — que, há pouco, regressou da Argentina, depois de ter conquistado expressivos triunfos no Prata. E isso porque a festejada artista só usou seu verdadeiro nome quando estreou, em 1919, no Democrata Circo. Ali, demorou pouco tempo, ingressando logo numa companhia de revistas que trabalhava no Teatro Recreio, sob a direção de João de Deus.

Trabalhando na revista “Nós pelas costas”, foi, então, crismada com o pseudônimo de Aracy Côrtes, que se transformou num dos maiores nomes do nosso teatro popular e do nosso “broadcasting” ...

Dessa temporada, Aracy não tem saudades. Seguiu para São Paulo e, voltando mais tarde ao Rio, foi a Campos como empresária, para logo depois ser contratada pela Empresa Paschoal Segreto, estreando no Teatro São José, na revista de Duque e Oscar Lopes: “Sonho de ópio”.

E acrescenta:

— Há por aí quem diga maldosamente que só consegui ser “estrela” na praça Tiradentes. É falso. Pondo a modéstia de parte brilhei na praça dos Caboclos e brilhei, na Avenida, no Glória, no Cassino Beira-Mar, no Fênix e no antigo Palace Teatro. Fui com Jardel Jercolis à Europa, onde o meu êxito, se é que houve, foi constatado pela imprensa. Percorri, nessa ocasião, Portugal, Espanha, França e Itália.

— O público já está saudoso. Quer vê-la em cena — dissemos nós.

— E eu também estou saudosa dele, mas, infelizmente, o teatro de revista está em situação precária. É doloroso dizer-se que a capital do Brasil, a “Cidade Maravilhosa”, não tenha para os turistas, não como novidade, mas como passatempo, um só teatro musicado funcionando.

— E quanto à sua viagem à Argentina?

— Fui contratada pelo empresário Cairo. Ele ficou satisfeitíssimo, porque conseguir agradar na Argentina é um “caso muito sério”. Os platinos, conquanto não sendo jacobinos, gostam muito do que é deles, e defendem muito, artística e monetariamente, a prata de casa. No terreno artístico lá vence quem tem mérito real. Aliás, você não ignora isso. É dos livros, como se diz lá no morro! Ficaram satisfeitíssimos com a interpretação dos nossos sambas, com os “breques” e contracanto, criação dessa sua criada. Há quem diga que não, mas eu tenho a certeza, embora não cobre direitos autorais.

— Quais os seus autores prediletos?

— Todos aqueles que escrevem boas revistas.

— Das peças que já representou, qual é a que mais gosta?

Aracy, em casa, com seu canário cantor
— Duas: “Cidade Maravilhosa” e “Miss Brasil”. E já agora aproveito para dizer que dois sambas que mais me impressionaram até hoje foram: “Ai yoyô”, de Luiz Peixoto e Vogeler, e “Sorris”, letra e música de J. J. Soares.

— E, agora, — dissemos nós, — um pouco de suas preferências. Qual o seu manjar predileto?

Aracy deu uma gostosa gargalhada e respondeu:

— Espiga de milho cozido.

— E, se fosse rica, que faria?

— Viajaria muito, muitíssimo. Teria criadagem especial para tratar exclusivamente das malas, chapeleiras, etc.

Despedimo-nos. Aracy trouxe-nos, gentilmente, até ao elevador, onde acrescentou:

— Diga na CARIOCA que eu até nova ordem estou no rádio, porque sou positivamente do rádio: — cansa pouco e populariza mais! ...”


Fonte: CARIOCA, de 25/01/1936.