sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Luciene Franco

A cantora Luciene Franco (Luciene Habib Franco Freitas Câmara), nascida no Rio de Janeiro-RJ em 3/1/1939, é filha única de Alexandrino Franco e Sarah Habib Franco. Estudou no Colégio Mello e Souza, no Rio, onde sempre viveu (salvo um período de dois anos em que morou em São Paulo, entre 1965 e 1967). Foi casada duas vezes e além da atividade artística é empresária do ramo hoteleiro, sendo proprietária de um hotel em Cabo Frio-RJ.

Uma das intérpretes favoritas de Ary Barroso, iniciou a carreira de cantora em 1957 atuando no rádio carioca. No mesmo ano, lançou pela Copacabana seu primeiro disco, assinando apenas Luciene, com o bolero Tarde morena de Espanha, composição de Luiz Bonfá e o samba-canção Ave Maria, de Vicente Paiva. Por essa época, foi levada por Ary Barroso para cantar com Ernâni Filho na boate "Friend's", no Rio de Janeiro.

Em 1958, atuou na TV Rio, indicada pelo violonista Luís Bonfá. No mesmo ano, gravou pela Copacabana os sambas Paz de espírito, de Luiz Bonfá e Reinaldo Dias Leme, e Eu fui de novo à Penha, de Ary Barroso. No ano seguinte, gravou o samba-canção Conversa, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, e o samba Não foi a saudade, de Severino Filho e Alberto Paz.

Ainda em 1959, gravou de Luiz Bonfá e Antônio Maria, o samba-canção Manhã de Carnaval e o Samba do Orfeu. Ainda na década de 1950, participou da festa de aniversário do presidente Juscelino Kubitschek no Palácio Laranjeiras a convite de Ary Barroso. Com o compositor de Aquarela do Brasil trabalhou em três temporadas na extinta boate Fred's, no Rio de Janeiro cantando ao lado de Ernâni Filho.

Em 1961, gravou um de seus maiores sucessos, o samba-canção Ternura antiga, de Dolores Duran e Ribamar, da qual foi a primeira intérprete, no I Festival da Canção ("Festival do Rio"), realizado no Rio de Janeiro no mesmo ano, sob o patrocínio de "O Rei da Voz". Também em 1961, lançou o samba-canção Poema do adeus, de Luís Antônio.

Em 1962, gravou Folha caída, de Hélio Justo e Berenice Ramos e Imenso amor, de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. Em 1963, gravou o fox Gente maldosa, de Fernando e Glauco Pereira, e o schuffle Oração da esperança, de Toso Gomes, Paulo César e Correia. No mesmo ano, gravou com Moacir Franco as canções O bicho papão, de Rogério Cardoso e Luzes da ribalta, de Charles Chaplin, com versão de Antônio de Almeida e João de Barro.

Em 1964, lançou pela Copacabana o LP Luciene a notável com orquestração do maestro Severino Filho, com destaque para o samba Dois amigos, de Ary Barroso, os sambas-canção Diga adeus e vá, de Hianto de Almeida e Macedo Netto, e Chamando você, de Luiz Bonfá, e o Baião triste, de Altamiro Carrilho e Miguel Gustavo.

Gravou três elepês e cerca de dez compactos duplos, tendo tido discos lançados na Espanha, Portugal, França e Argentina. Outros sucessos foram Ma vie, de Alain Barrière, música francesa gravada no original, que ficou nove meses na parada de sucessos em todo o Brasil e Gente maldosa, de Glauco Fernando Pereira.

Fez shows em quase todos os estados brasileiros, salvo o Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá e Acre. Fez shows em vários países. Em Portugal, esteve em várias temporadas, inclusive no Cassino Estoril, onde cantou para o príncipe Vittorio Emanuele da Itália, além de apresentações na RTP. No Uruguai, apresentou-se no Cassino San Rafael, em Punta del Este. Na Espanha, fez temporada na Boate Flamingo, em Madri. Na Itália, apresentou-se na embaixada do Brasil, em Roma, a convite do embaixador Hugo Gouthier. Fez apresentações no México e no Peru.

Foi a primeira cantora a gravar uma composição de Geraldo Vandré (Rosa flor, em parceria com Baden Powell) e de Edu Lobo. Na TV, atuou em todos os principais shows como os de Flávio Cavalcanti, Chacrinha, Jota Silvestre, Jair de Taumaturgo, Sílvio Santos, Blota Jr., Aerton Perlingeiro, Airton Rodrigues e Murilo Nery.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.