quinta-feira, novembro 04, 2010

Luís Soberano

Luís Soberano (Ednésio Luís da Silva), compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20/01/1920, e faleceu na mesma cidade em 30/07/1981. Filho de alagoanos foi criado no bairro do Estácio, onde desde pequeno cantava nas festas da escola. Mais tarde começou a tocar pandeiro em rodas de amigos, tornando-se excelente malabarista.

Freqüentou várias escolas de samba, fixando-se na Paz e Amor, de Bento Ribeiro. Com o jornalista Júlio Pires, começou a freqüentar os pontos de músicos e compositores da Praça Tiradentes. Conheceu ali Germano Augusto, Kid Pepe, Portelo Júnior, Milton Passos, Jaime Vogeler, Buci Moreira, Augusto Calheiros, integrantes da “turma do copo”.

Por essa época, já era requisitado para tocar em bailes e festivais. Com os companheiros da “turma do copo” resolveu alugar os fundos de uma igreja, na Estrada do Macaco, em Vila Valqueire, onde organizou uma quermesse com espetáculos semanais, nos quais se apresentava com o seu pessoal e outros artistas. Passando a trabalhar como pandeirista, foi contratado pelas rádios Transmissora, Educadora, Tupi e Nacional.

Em 1940 começou a trabalhar com Napoleão Tavares, participando de espetáculos em quase todos os cassinos do Rio de Janeiro. Viajou para São Paulo SP com o Trio de Ouro e tornou-se sério concorrente de Russo do Pandeiro.

Em 1941 teve pela primeira vez uma composição sua gravada, o samba Não sinto saudade (com Orlando M. Braga e Vasco Gomes), interpretado pelo Quarteto de Bronze, na Victor. No final de 1944, o português Manuel Monteiro gravou na Victor o samba Tudo pode acontecer (com Romeu Gentil e Antônio dos Santos). No ano seguinte, ingressou na Orquestra de Fon-Fon.

Para o Carnaval de 1948, lançou dois grandes sucessos, o samba Não me diga adeus (com Paquito e João Correia da Silva), gravado por Araci de Almeida, na Odeon, e o samba Enlouqueci (com Valdomiro Braga e João Sales), gravado por Linda Batista na Victor. No ano seguinte, o Trio de Ouro gravou na Odeon o samba Salve a princesa Isabel (com Paquito). No final do ano, Dircinha Batista gravou, na Odeon, o samba Quem já sofreu, e Araci de Almeida lançou com sucesso, pela Odeon, o samba Na beira da praia (ambos com Felisberto Martins).

Viajou para o exterior com a Orquestra de Fon-Fon. Várias de suas composições foram gravadas por outros intérpretes, inclusive Paquetá (com Fernando Pais de Oliveira) e os pontos de macumba Xangô, Oxum, Jerônimo com Ganja, Zumba e São Benedito é preto, por Zezé Gonzaga, na década de 1970. Não me diga adeus e Enlouqueci tiveram numerosas regravações no mundo todo.

Obra

Não me diga adeus (c/Paquito e João Correia da Silva), samba, 1947; Não sinto saudade (c/Orlando M. Braga e Vasco Gomes), samba, 1941; Tudo pode acontecer (c/Romeu Gentil e Antônio dos Santos), samba, 1944.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.