segunda-feira, agosto 01, 2011

A impressão musical no Brasil - Parte 1

O Príncipe regente Dom João
Até a criação da Imprensa Régia, por decreto do príncipe regente Dom João, a 13 de maio de 1808, era proibida a instalação de tipografias no Brasil. Mas já em princípios do século XVIII surgia em Recife PE uma pequena tipografia, logo confiscada, e em 1747 houve a tentativa, também fracassada, de A. Isidoro da Fonseca, no Rio de Janeiro RJ.

As primeiras oficinas imprimindo música no Rio de Janeiro surgiram no início do séc. XIX; alguns desses estabelecimentos se incumbiam de editar e vender músicas.

John Ferguson & Charles Crokaat, com loja na Rua da Quitanda, 41, em 1824 anunciavam no Diário do Rio de Janeiro o que parece ser a mais remota referência a obra musical impressa no país, o “Hino Imperial e Constitucional de S. M. Imperial (Pedro I), para piano e cantoria, recentemente gravado e estampado nesta corte”.

Na mesma loja vendia-se a “Notícia da vida e das Obras de J. Haydn, por Joachin Le Breton” (Imprensa Régia, 1820), considerada a mais antiga obra sobre música impressa no Brasil, e ainda a “Arte de música para uso da mocidade brasileira, por um seu patrício”, impressa por Silva Porto & Cia. em 1823.

Entre os pioneiros destacam-se Francisco Chenot, estabelecido em 1830 como “abridor e estampador” na Rua dos Latoeiros, 126, e depois na Rua da Ajuda, 89, e, na mesma época, H. Furcy, “livreiro e editor de música”, com oficina de gravação na Rua do Cano (hoje Rua Sete de Setembro), 73.

O mais antigo exemplar de peça musical gravada é de cerca de 1833, “Uma saudade para sempre", composta por [M. Pimenta Chaves] um criado da Casa Imperial dedicada à Princesa "Dona Paula Mariana”, publicada pela Oficina Litográfica do Arquivo Militar (Higino José Lopes de Almeida), pertencente, como outras peças da mesma oficina, à seção de música da Biblioteca Nacional, Coleção Teresa Cristina Maria.

João Cristiano Müller, de origem dinamarquesa, estabeleceu-se em 1828, como negociante de pianos e música, na Lapa do Desterro, 76, contando em sua loja com um variado repertório nacional e estrangeiro, para venda e empréstimo. Em 1837, associou-se a H. E. Heinen, sendo ambos nomeados “fornecedores de música de S.M.I.”, com endereço na Rua Nova do Ouvidor, 1 e 36, e no mesmo ano foi elaborado o Catálogo da biblioteca musical de 1. C. Müller e H. E. Heinen, talvez o primeiro no gênero impresso no Brasil, do qual é conhecido um único exemplar, ricamente encadernado, que pertenceu à imperatriz Teresa Cristina Maria.

Em março de 1828 chegou ao Rio de Janeiro o clarinetista João Bartolomeu Klier, natural de Bremen, Alemanha, estabelecendo-se inicialmente como professor de música e, mais tarde, instrumentista da Capela Imperial. Três anos depois, abriu uma loja de música na Rua do Cano, 189, transferindo-se em 1832 para a Rua Detrás do Hospício (hoje Rua Buenos Aies), 95.

Em 1834 anunciou que mandara imprimir, com propriedade exclusiva, modinhas de Gabriel Fernandes da Trindade, e em 1836 já possuía uma imprensa própria de música, anunciando no ano seguinte a publicação de Terpsícore brasileira, coleção de valsas, contradanças etc. Após sua morte em 1855, teve como sucessores na firma suas filhas Francisca Klier & Irmã (1856-1859) e por fim A. J. Klier, sucessor de seu pai J. B. Klier.

A impressão regular de peças musicais no Rio de Janeiro teve início com Pierre Laforge, músico francês estabelecido por volta de 1834 com “estamparia de música” na Rua do Ouvidor, 149, que teria sido o responsável pela gravação das modinhas de Gabriel Fernandes da Trindade para J. B. Klier.

Em 1837 instalou-se na Rua da Cadeia (depois Rua da Assembléia), 89, onde funcionou até 1851, tendo gravado inúmeras peças, em sua maioria de pequeno formato (28 por 18 cm) e sem qualquer capa ou folha de rosto, apenas com as indicações necessárias na cabeça da própria música. Sua produção era constituída principalmente de modinhas, lundus e árias de óperas, de compositores como o padre José Maurício Nunes Garcia, Cândido Inácio da Silva, Gabriel Fernandes da Trindade, Pedro I, Francisco Manuel da Silva, Januário da Silva Arvelos, M. A. de Sousa Queirós, Francisco da Luz Pinto, Joseph Fachinetti, Antônio Tornaghi e outros.

Em 1850 iniciou a publicação de coletâneas para piano e canto, como Delícias da jovem pianista, Recreação da jovem fluminense, Progresso da jovem pianista, Ramalhete dos principiantes, Grinalda da jovem pianista etc.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.