terça-feira, dezembro 02, 2008

Giane


Giane (Georgina Morozinde dos Santos), cantora, nasceu em Ribeirão Preto, São Paulo, e pode ser considerada uma das precursoras da jovem guarda.

Iniciou a carreira em meados da década de 1960, durante o início da Jovem Guarda.

Seu maior êxito, como cantora profissional, foi ter ganho o Festival de San Remo, realizado na Itália em 1972, interpretando a música Estrada do sol, samba-canção de Tom Jobim e Dolores Duran.

Discografia

Esta É Giane - A Voz Doçura (1964) - A pronúncia italianada dos erres era típica velha-guarda, e a paulista Giane, nascida numa fazenda em Ribeirão Preto, estaciona aqui nalgum ponto intermediário entre o comércio à antiga e o mercadão pop nascente da “música jovem”, em quindins infanto-juvenis como a versão de Dominique (de Soeur Sourire): Dominique, nique, nique, sempre alegre, esperando alguém que possa amar/ o seu príncipe encantado, seu eterno namorado, que não cansa de esperar. Aos ouvidos de hoje, soa menos infanto-juvenil que infanto-infantil, mas Dominique termina a canção condoída, punida, nique, nique, nique, sempre triste a chorar o amor que se acabou.

Giane (1965) - Preste Atenção, versão para Fais Attention (de J.L. Chauby e Bob du Pac), abre o LP em feitio de dramalhão. Sempre com um pé em lancha “jovem” e outro em canoa “antiga”, Giane parece nesse momento mais determinada a pular de corpo inteiro na segunda embarcação. Os vocais infantis de rotação acelerada, tipo Pato Donald, de Eu Não Posso Namorar podem soar vexatórios a ouvidos de 2008. Mas não custa lembrar que, em 1961, também eram usados num disco de “brotolândia” por uma adolescente gaúcha chamada Elis Regina.

Suavemente (1965) - “Suavemente”? Não, dramas, draminhas e dramalhões como Se Eu Pudesse Encontrar Você ou 15 Primaveras não autorizam o mimoso advérbio que titula o LP. Notas curiosas sobre a instabilidade e a incerteza no imaginário musical de Giane: a) a presença do sambão Lago da Felicidade, de Lúcio Cardim e Nello Nunes; b) a regravação lamuriosa (e emprestada de vozes solenes como a de Maysa) da toada acaipirada de Adoniran Barbosa Bom-Dia, Tristeza, com versos pré-bossa nova de mr. Vinicius de Moraes. Era 1965, Roberto Carlos já mandava tudo para o inferno.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; RUÍDO - blog musical de Pedro Alexandre Sanches

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