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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

A polêmica

Polêmica

Episódios do folclore musical brasileiro: a polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista.

Na época, Wilson Batista era um jovem e talentoso sambista, porém um sambista desconhecido, que sonhava com a fama e apostava que a conseguiria. Ele acabou entrando para história como um dos grandes compositores sambistas da década de 40.

Mas, naquele ano de 1934, ele ainda se apresentava em lugares obscuros do interior do Rio de Janeiro. A polêmica com Noel Rosa foi, portanto, um jeito de aparecer para o grande público.

Noel já era um sambista conhecido e, na medida que respondia aos ataques de Wilson, mais este último ficava na boca do povo. Mas ataque de sambista é feito em verso e batuque. A polêmica entre os dois foi mais um desafio.

Noel havia composto Rapaz folgado, uma crítica velada à música Lenço no pescoço, de Wilson. Ele deu o troco e fez o samba Mocinho da Vila, criação fraca na letra e na melodia, que dava alfinetadas em Noel e em seu bairro. Noel ignorou (por enquanto, Wilson 2 x Noel 1).

A segunda provocação veio melhor. Um bom samba, Conversa fiada, que satiriza Feitiço da Vila, grande sucesso de Noel. Já não dava para ignorar (Wilson 3 x Noel 2, ainda no primeiro tempo).

Noel respondeu. E a resposta foi definitiva. Ele compôs Palpite infeliz, que já nasceu obra-prima e encerrou a disputa (placar final: Noel 4 x Wilson 3, porque obra-prima vale dois gols... pelo menos na MPB).

Fonte: MPB Compositores - Noel Rosa - Ed. Globo.

quarta-feira, outubro 10, 2007

5° Festival da MPB


5° Festival da MPB - TV Record (novembro, 1969): 1º - Sinal fechado, de Paulinho da Viola, com Paulinho da Viola. 2º - Clarisse, de Eneida e João Magalhães, com Agnaldo Rayol. 3º - Comunicação, de Hélio Matheus e Edson Alencar, com Vanusa. 4º - Gostei de Ver, de Eduardo Gudin e Marco Antônio da Silva Ramos, com Márcia e Os Originais do Samba. 5º - Monjolo, de Dina Galvão Bueno e Eric Nepomuceno, com Maria Odete.

"...A Record, coitadinha, já sem poder de fogo, para estar de acordo com os padrões e não ser afastada de algumas verbas oficiais, resolveu fazer o festival seguinte proibindo a utilização de guitarras elétricas.

Como eu não tinha mais espaço, pois as marcas tropicalistas deixadas pelo festival de 68 haviam me incompatibilizado com a postura política que o Paulinho de Carvalho foi obrigado a adotar, senti que minha temporada na Record estava chegando ao fim. Além do mais, todos os compositores e cantores com quem eventualmente poderia contar para algum evento musical de importância estavam no exílio ou sem condições de atuar. Eu não via sentido em trabalhar com a música brasileira naquele momento.

A direção do festival de 1969 passou para o meu ex-assistente, Marcos Antônio Rizzo, assistido pelo meu também ex-assistente “Fifuca”, apelido de Flávio Porto, irmão do genial Sérgio do mesmo Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, que tanto material teria hoje para o seu FEBEAPÁ, “Festival de Besteira que continua a Assolar o País”.

Apesar de significativamente a música vencedora ter o título de Sinal fechado, de Paulinho da Viola , tenho de reconhecer que o Festival da Record de 1969 foi o festival do Rizzo. Com sua sempre inexplicável incoerência, Paulinho de Carvalho ainda conseguiu realizar a segunda Bienal do Samba, três anos depois da primeira..."

Fonte: Prepare seu Coração (A História dos Grandes Festivais) – Solano Ribeiro – Geração Editorial, 2002