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sexta-feira, outubro 29, 2010

Mano Aurélio

Mano Aurélio, apelido de Aurélio Gomes (Fl. Rio de Janeiro, RJ, década de 30), compositor e cantor, foi um dos fundadores da Escola de Samba Deixa Falar do Estácio de Sá. Segundo depoimento do compositor Ismael Silva, era um ótimo cantor.

Em 1933, lançou o samba Arrasta a sandália (com Osvaldo Vasques), que foi o primeiro grande sucesso do cantor Moreira da Silva, numa época em que ele ainda não era conhecido como o rei do samba de breque.

Com um estribilho curto, intercalado por respostas no estilo de partido-alto, o samba agradou, caiu no gosto do público, permanecendo como sucesso por muitos anos.

Ainda segundo Ismael Silva, seu parceiro Osvaldo Vasques (também conhecido por Baiaco) não era o verdadeiro autor do samba. Dessa opinião discordava Moreira da Silva que, em depoimento fornecido ao Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, atesta: "Baiaco era um compositor de mão-cheia. Dava uma sorte danada com o mulheril, que sempre entregava o dinheiro pra ele."

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Brancura

Brancura na Casa de Detenção - 1932
Brancura (Sílvio Fernandes), compositor e flautista, nasceu provavelmente em 1908 no Rio de Janeiro, RJ, e faleceu na mesma cidade em 1935. Ganhou o apelido dos amigos do Estácio por conta de sua cor negra reluzente.

Outra versão conta que, como era parceiro de Baiaco na jogatina e exploração das mulheres da Zona do Mangue, seu apelido veio daí: a maioria das mulheres da zona que explorava era branca, as "polacas".

É lembrado pela sua valentia e por não andar sem sua navalha, no melhor estilo da malandragem do Estácio dos anos 1920.

Desde jovem frequentava o Café Apolo e o Café Compadre, que eram os redutos de sambistas da época. Foi ali, naquele ambiente, que conheceu vários artistas com Noel Rosa, Mário Reis e Francisco Alves.

O produtor musical Fernando Faro confirma a fama de valente de Brancura: "Era bandido. Tinha sempre um 45 e uma navalha por baixo do terno branco linho 120. Monarco me contou que, uma vez, o Brancura chegou no samba e uma mulher falou: “Estão fazendo um trabalho contra você.” “Contra mim? Sou Brancura, nada me atinge.” Um mês depois, estava preso na Ilha Grande. Passaram uns anos e o Brancura voltou. Apareceu na Mangueira, quando a escola estava na quadra. Ele que era uma elegância chegou com short rasgado, camisa regata suja, um rato morto na mão. Fizeram até um samba: O Brancura Enlouqueceu."

Seus primeiros sambas gravados foram Coração volúvel e Mulher venenosa, lançados por Francisco Alves, pela Odeon, em 1929.

Em 1931, seu samba Deixa essa mulher chorar, obteve grande sucesso no carnaval. Foi gravado por Francisco Alves e Mário Reis, em dupla, pela Odeon. Teve muitos outros sambas gravados, entre eles: Sinto muito, gravado por Mário Reis, em 1932; Carinho eu tenho, gravado por Ismael Silva, no mesmo ano, assim como o samba Príncipe negro, gravado por Patrício Teixeira.

Em 1935, o samba Você chorou, foi gravado por Francisco Alves.

Obra

Carinho eu tenho, Coração volúvel, Deixa essa mulher chorar, Mulher venenosa, Príncipe negro, Samba de verdade (c/ Francisco Alves), Sinto muito, Você chorou

Fontes: Almanaque Brasil - Papo cabeça - Fernando Faro; Samba na Veia; Turma do Estácio; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

quarta-feira, abril 15, 2009

Baiaco

Baiaco (Osvaldo Caetano Vasques) nasceu em 1913 e faleceu em 1935 na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Compositor e instrumentista, era freqüentador das reuniões de sambistas do Bar do Apolo, no subúrbio do Estácio, ao lado de Bide, Ismael Silva, Mano Edgar, Mano Rubem, Nílton Bastos e outros, com eles fundou a primeira escola de samba do Brasil, Deixa Falar, em 1928.

Três anos depois, com o desaparecimento da escola, alguns de seus membros juntaram-se à União das Cores, para fundar a escola de samba União do Estácio. Sua música mais famosa, Arrasta a sandália (com Aurélio Gomes), foi gravada em 78 rpm para o Carnaval de 1933 por Moreira da Silva, na antiga Columbia, trazendo, na outra face, Vejo lágrimas (com Ventura). Para o mesmo Carnaval, Patrício Teixeira gravou, na Victor, seu samba Tenho uma nega (com Benedito Lacerda).

Em julho do ano seguinte, Almirante lançou, também pela Victor, sua música Conversa puxa conversa. Moacir Fenelon contratou-o como ritmista (tocava omelê), para a Columbia, onde mais tarde a ele se juntaram Buci Moreira e Cartola.

Obras

Arrasta a sandália (c/ Aurélio Gomes), 1933; Conversa puxa conversa, 1934; Tenho uma nega (c/ Benedito Lacerda), samba, 1933; Vejo lágrimas (c/ Ventura), 1933.

Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 1977.