Mostrando postagens com marcador batista junior. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador batista junior. Mostrar todas as postagens

domingo, julho 07, 2013

Baptista Júnior

Baptista Júnior alcançou em nossos meios artísticos, grande prestígio e admiração. Especialmente no ambiente da ribalta a popularidade que desfrutou esse grande artista foi quase sem precedente. Iniciou sua difícil arte de fazer rir nos palcos de São Paulo, de onde o seu nome propagou-se com rapidez pelo Brasil inteiro. Foi considerado o maior ventríloquo do Brasil, conquistando em diversos concursos medalhas e diplomas de honra.


João Baptista de Oliveira Júnior, cantor, ventríloquo, comediante e compositor, nasceu em São Paulo, SP, em 15/01/1894, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24/5/1943. Pai das cantoras Linda e Dircinha Batista, era casado com D. Emília Grandino de Oliveira, de tradicional família paulista e conhecida no meio artístico como D. Neném, com quem teve três filhas. Transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro na década de 1920, em busca de melhores condições de trabalho, morando no bairro carioca do Catete.

Trabalhou como comediante, ventríloquo (imitava mais de 22 vozes sem abrir os lábios) e cançonetista. Conseguia a atuar com 18 bonecos e fazer as vozes para todos. Atuou no rádio, teatro e cinema e foi autor de várias cançonetas, cenas cômicas, lundus, valsas e sambas, muitos deles gravados pela Odeon e Columbia.

Gravou mais de 25 discos nos anos 1920 e 1930. Começou fazendo um tipo caipira. Seu primeiro disco foi Quadrilha do pé espaiado e o lundu Porque me enganou, numa fase em que a indústria de discos dava muita ênfase nas gravações de cômicos e cançonetistas, como Bahiano, Eduardo das Neves e outros.

Em 1928 gravou pela Odeon o samba Um adeus por despedida, de José Francisco de Freitas, além da cançoneta Chic-chic e a marcha Não vai chorar, de sua autoria.

Em 1929, foi contratado pela Columbia, estreando com uma série de três discos, que incluíam entre outras composições de sua autoria, a valsa Convencida, a toada Chuvinha e a cançoneta Futebol, uma das pioneiras a tratar do assunto. Nesse mesmo período, gravou diversas composições com motivos sertanejos como a prosa sertaneja Ó de casa e a canção sertaneja Mágoas de carreiro, ambas de sua autoria.

Em 1930, gravou as cenas cômicas Casamento na roça; Hotel dos viajantes e Na quitanda. No mesmo ano, gravou de Sátiro de Melo o cateretê Rela coco e a embolada Sacode a saia, caboca!. No mesmo ano, sua filha Dircinha Batista, então com oito anos de idade, iniciou-se na vida artísitca lançando um disco com duas composições de sua autoria, Borboleta azul e a a canção Dircinha.

Em 1931, gravou as canções cômicas Reflexos de um concurso de beleza e Apuros do chorão no dentista, de sua autoria. Nesse mesmo ano, participou do primeiro filme sonoro nacional, o Coisas nossas, produzido por Wallace Downey.

Em 1934, gravou na Odeon de sua autoria a cena cômica Infantilidade e a embolada Sururu.

Em 1936, retornou para a Columbia onde lançou mais dois discos com, entre outras, a Quadrilha da família chorão.

Teve importante papel na introdução de suas filhas, Linda e Dircinha, na carreira artística.

Batista Júnior e seus bonecos, com suas filhas Linda e Dircinha (Revista da Semana, de 17/4/1937)


Obra


A aldeiazinha, A boiada, A feira, A minha vida é viajar, A roseira, Adeus Momo, Agonizando, Apuros do chorão no dentista, Borboleta azul, Casamento na roça, Chic-chic, Chuvinha, Ciganinha, Convencida, El adios final, El collar, Futebol, Geraldo aviador, Hotel dos viajantes, Infantilidade, Infeliz nos amores, Jaboti, jatobá, Linda loira, Linda morena, Mágoas de carreiro, Marcha dos caixeiros viajantes, Me quieres matar, Miss Brasil, Monólogo caipira, Na delegacia, Na quitanda, Não estou embriagado, Não vai chorar, O barbeiro do arrabalde, O chorão, Ó de casa!, O professor de canto, O relógio carrilon, P. R. C...bola, Pai João, Passadas as eleições, Pinta meu bem, Porque sonhar?, Problemas dos empregados, Quadrilha da família Chorão, Quadrilha do pé espaiado, Reflexos do concurso de beleza, Rugidos da mata virgem, Saudades da minha infância, Sogra versus genro, Sonhei, Sururu, Te conheço Simplício, Trem Cruzeiro, Uma festa de São João na roça, Vancê já foi, Vasco X Corintians, Visita de um caipira paulista.

Playlist














Discografia


1918 Monólogo caipira • Phoenix • 78
1918 Visita de um caipira paulista • Phoenix • 78
1921 Quadrilha do pé espaiado • Odeon • 78
1921 Porque me enganou • Odeon • 78
1921 Linda morena • Odeon • 78
1921 Linda loira • Odeon • 78
1921 O espelho e a mulher • Odeon • 78
1921 A gauchada • Odeon • 78
1921 A roseira • Odeon • 78
1921 Porque sonhar? • Odeon • 78
1928 Independência/Um adeus por despedida • Odeon • 78
1928 Chic-chic/Não vai chorar • Odeon • 78
1928 Jaboti, jatobá/Borboleta azul • Odeon • 78
1929 Convencida/Saudades de minha infância • Columbia • 78
1929 O relógio carrilon/Pinta, meu bem • Columbia • 78
1929 Futebol/Chuvinha • Columbia • 78
1929 Me quieres matar/A feira • Columbia • 78
1929 El collar/El adios final • Columbia • 78
1929 Constantinopla/Adeus Momo • Columbia • 78
1929 Não estou embriagado/Ó de casa! • Columbia • 78
1929 Mágoas de carreiro/Uma festa de São João na roça • Columbia • 78
1929 Infeliz nos amores/Ciganinha • Columbia • 78
1929 Vancê já foi/Miss Brasil • Columbia • 78
1929 Vasco x Corinthians/A aldeiazinha • Columbia • 78
1929 Problemas dos empregados/Sonhei • Columbia • 78
1929 Sogra versus genro/Linda morena • Columbia • 78
1930 Na quitanda/Rugidos da mata virgem • Columbia • 78
1930 Casamento na roça/Hotel dos viajantes • Columbia • 78
1930 Pai João/Quadrilha do pé espaiado • Columbia • 78
1930 Linda loira/Passadas as eleições • Columbia • 78
1930 O chorão/Agonizando • Columbia • 78
1930 Te conheço Simplício/Trem Cruzeiro • Columbia • 78
1930 O professor de canto/Marcha dos caixeiros viajantes • Columbia • 78
1930 Rela coco/Sacode a saia, caboca! • Columbia • 78
1931 Reflexos do concurso de beleza/Apuros do chorão dentista • Columbia • 78
1931 A boiada/O barbeiro do arrabalde • Columbia • 78
1934 Infantilidade/Sururu • Odeon • 78
1936 Quadrilha da família chorão/P.R.C...bola • Columbia • 78
1936 A minha vida é viajar/Na delegacia • Columbia • 78

______________________________________________________________________
Fontes: Revista da Semana, de 17/04/1937; Dicionário Cravo Albin da MPB; officinadosradios.blogspot.com.

sexta-feira, junho 21, 2013

O dom da família Batista

Batista Júnior e seus bonecos, com suas filhas Linda e Dircinha (Revista da Semana, de 17/4/1937)
“É difícil encontrar-se no meio artístico, qualquer que seja elementos da mesma família que se destaquem igualmente, sem que um, seja ofuscado pela fama do outro, do mais antigo. Há, não resta dúvida, exceções. Na América do Norte, a família Barrymore tem obtido grande sucesso, enquanto que aqui, no Brasil, a família Batista já se tornou famosa.

O primeiro nome a aparecer foi o de Batista Júnior, figura que alcançou nos nossos meios artísticos, grande prestígio e admiração. Especialmente no ambiente da ribalta a popularidade que desfrutou esse grande artista foi quase sem precedente. Iniciou sua difícil arte de fazer rir nos palcos de São Paulo, de onde o seu nome propagou-se com rapidez pelo Brasil inteiro. Considerado o maior ventríloquo do Brasil, conquistou em diversos concursos medalhas e diplomas de honra.

O seu nome cresceu... e sua fama espalhou-se com extraordinária facilidade, mesmo além fronteiras. Recebeu então convite para levar até os palcos argentinos e uruguaios, os seus já famosos bonecos falantes. E nestas duas repúblicas amigas, como em outros países sul-americanos os seus triunfos se sucederam. Voltando ao Brasil, percorreu quase todos os Estados colhendo os mais calorosos aplausos.

Pelo cenário radiofônico sua passagem foi também das mais brilhantes. Mesmo como compositor musical o seu nome obteve sucesso. Aliás, o primeiro disco gravado por Dircinha Batista, com apenas oito anos, foi a valsa de sua autoria: “Borboleta Azul”.  Sua última atuação no rádio deu-se na Nacional. Em princípios quase de 1943 quando preparava nova série de espetáculos radiofônicos faleceu. Legando, porém à Dircinha e Linda o seu nome e fibra de grande artista que foi.

Dircinha Batista, embora mais moça, é mais antiga no meio radiofônico do que Linda. Sua primeira atuação perante um microfone deu-se na Rádio Educadora Paulista. Mas seu primeiro contrato foi firmado com o Rádio Clube do Brasil, aos onze anos. E a garotaque fora a princesinha do rádio foi lançando uma série enorme de sucessos: “Pirata da areia”, “Periquitinho verde”, “Tirolesa”, “Upa, upa”, “Eu gosto de samba”, “Bem-te-vi”, “Música maestro” etc.

Como o do pai, seu nome projetou-se além fronteiras, culminando com uma temporada de relevo em Buenos Aires. Cantando com especialidade o samba e a marchinha brasileira, Dircinha interpreta com destaque o bolero mexicano, o tango portenho, dolente e nostálgico, as canções cubanas, e as próprias valsas brasileiras. Também no cinema nacional a “linda” Batista, tem emprestado o seu concurso, já tendo trabalhado em diversos filmes, entre os quais o famoso “Futebol em família”, tendo por gala Arnaldo Amaral.

O terceiro nome desta família em que o valor artístico pontificou é o de Linda Batista. Como Dircinha, foi levada ao microfone pela mão de Batista Junior.

Atuando, de início, em diversas estações simultaneamente o seu nome foi logo se tornando conhecido. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha “Bis Maestro”, sendo até hoje, um dos seus discos, que obteve maior venda. Em 1936, foi eleita pela primeira vez “rainha do rádio”, e desde então nunca mais perdeu o posto supremo. Seu primeiro contrato de exclusividade foi firmado com a Rádio Nacional, onde permaneceu durante alguns anos, transferindo-se no ano passado para a PRG3 Tupi do Rio.

Não só no rádio, mas também nos principais cassinos da cidade, de Belo Horizonte e de São Paulo, atuando ao lado de Grande Otelo, Linda Batista tem conquistado os mais frementes aplausos. No cinema o seu último grande sucesso foi conquistado em "Não adianta chorar", onde interpretou suas últimas grandes criações carnavalescas.

Como vêem os prezados leitores, três nomes da mesma família que obtiveram igual sucesso. "A força revolucionária da nossa música", Dircinha Batista e a "Rainha do Rádio", Linda Batista, são legítimas continuadoras dos sucessos de Batista júnior, sucessos que levaram aos grandes centros da América do Sul, o nome glorioso do Brasil artístico.”

(Reportagem de Batira Brasil)

______________________________________________________________________
Fontes: Revista da Semana de Abril/1937; A Cena Muda de 06/03/1945.