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domingo, setembro 25, 2011

A última estrofe

A última estrofe (seresta, 1946) - Cândido das Neves (Índio) - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: A última estrofe / Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1946 / Nº Álbum 800413 / Lado: B / Gênero musical: Seresta

   Em             Am       Em 
A noite estava assim enluarada, 
          F              Em 
quando a voz já bem cansada 
      F#7   B7            Em                    B7 
eu ouvi       de um trovador  44 30 32 30 44 42 41 
     Em            Am            Em 
nos versos que vibravam de harmonia, 
        F          Em 
ele em lágrimas dizia 
       F#7  B7        Em 
da saudade    de um amor... 52 53 52 50 63 
   E7                       Am 
Falava de um beijo a- paixo-nado, 
62 60              60 62 64 50    50 52 53 52 
          F#º        Em   Em7M 
de um a- mor desesperado, 
 50    63  62 
         C7        B7    B7/F#   E7 
que tão cedo teve fim 
                      Am 
E desses gritos e tormentos, 
        F#º         Em   Em7M 
eu guardei no pensamento 
        F#7  B7           Em   B7 
uma estrofe    que era assim:   - 52 51 50 

  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
 64 
       B7           E 
vinha perto a madrugada, 
            B7/9           C#m 
quando, em ânsias, minha amada 
                      F#m 
nos meus braços desmaiou. 
                        F#m 
62 64 50 52 54 52 50 64 62 
                B7 
E o beijo do pecado 
        B7/F#      B7 
em seu véu estrelejado 
     B7/F#      E    B7 
a luzir glorificou.  - 52 51 50 
  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
 64 
         B7         E 
hoje eu vivo tão sozinho, 
                   C#7 
ao relento, sem carinho 
        C#7/G#       F#m     Am 
na esperança mais atroz, 
                          E 
de que cantando em noite linda 
         C#7         F#7 
esta ingrata, volte ainda, 
     B7   B7/F#         E    B7 
escutando      a minha voz   52 53 52 50 63 

      Em  F#º      Am   F#º      Em 
A estrofe    derradeira    merencórea 
62   60 
   F                Em   Em7M 
revelava toda a história 
        F#7  B7           Em                     B7 
de um amor     que se perdeu.  44 30 32 30 44 42 41 
     Em  F#º        Am  F#º       Em 
E a lua     que rondava    a natureza, 
     F               Em 
solidária com a tristeza 
          F#7    B7         Em 
entre as nuvens    se escondeu.  52 53 52 50 63 
    E7                    Am 
Cantor que assim falas à lua, 
62 60            60 62 64 50    50 52 53 52 
          F#º             Em  Em7M 
minha história é igual à tua 
50 63    62 
      C7           B7    B7/F#   E7 
meu amor também fugiu. 
                    Am 
Disse eu em ais convulsos 
       F#º         Em   Em7M 
Ele então entre soluços 
           F#7  B7      Em   B7 
toda a estrofe     repetiu.  - 52 51 50 

  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
 64 
       B7           E 
vinha perto a madrugada, 
            B7/9           C#m 
quando, em ânsias, minha amada 
                      F#m 
nos meus braços desmaiou. 
                        F#m 
62 64 50 52 54 52 50 64 62 
                B7 
E o beijo do pecado 
        B7/F#      B7 
em seu véu estrelejado 
     B7/F#      E    B7 
a luzir glorificou.  - 52 51 50 
  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
         B7         E 
hoje eu vivo tão sozinho, 
                   C#7 
ao relento, sem carinho 
        C#7/G#       F#m     Am 
na esperança mais atroz, 
                          E 
de que cantando em noite linda 
         C#7         F#7 
esta ingrata, volte ainda, 
     B7   B7/F#         E    B7                Em 
escutando      a minha voz   52 53 52 50 63 62 60 

quarta-feira, abril 05, 2006

Cândido das Neves

Cândido das Neves, apelidado de "Índio", compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24/07/1899 e faleceu em 04/11/1934. Filho do popular cantor e palhaço Eduardo das Neves, começou a se interessar pelo violão desde os cinco anos de idade. O pai, no entanto, queria que ele tivesse instrução e por isso colocou-o num colégio interno. 


Em 1917, porém, já aparecia como integrante do rancho Heróis da Piedade. Concluiu seus estudos, tendo perdido o pai a 11 de novembro de 1919, dia de sua formatura. Empregou-se como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, tornando-se conferente de estação.

Nessa época já compunha e fazia serestas pelas madrugadas cariocas, com seus colegas de trabalho Henrique de Melo Moraes (tio de Vinícius de Moraes) e Uriel Lourival, entre outros. Em 1922 gravou, cantando, Saudades do sertão e o fox-trot Quadra de amor na Odeon (em discos mecânicos da Casa Edison), composições suas. Por 1925-1926 foi transferido para Conselheiro Lafaiete MG, onde passou um ano, continuando a cantar e tocar nas serestas com os companheiros da Central do Brasil.

Sua primeira gravação de sucesso foi o tango Noite cheia de estrelas (inspirado no tango Madre de Francisco Pracanico e Verminio Servetto, de muito sucesso na época), gravado em 1932, já na fase elétrica, por Vicente Celestino. Suas letras, sempre muito extensas, cantavam a natureza duma forma romântica, tornando-se muito apreciadas pelo público. Por volta de 1930 apresentou-se, algumas vezes, no programa de Gastão Lamounier na Rádio Educadora da Brasil, com Melo Moraes.

Em 1932 gravou com Melo Moraes, fazendo a segunda voz, as canções-sertanejas Rosa morena e Luar de minha terra (ambas de sua autoria). Nessa mesma época compôs Versos de longe, gravada por Melo Moraes. Em suas apresentações era aplaudido não só pelos seus versos e voz, como também pela sua execução no violão. Dedicou-se também ao ensino, pois escrevia e lia música. Sempre fiel à modinha popular, compôs também valsas, serestas e tangos. Nessa época começou a se afastar gradativamente das rodas boêmias, por problemas de saúde.

Em 1934, ganhou o primeiro lugar no concurso de músicas carnavalescas da revista O Malho, na categoria samba, com Perdi o meu pandeiro, que não foi gravado. Sofria já de tuberculose galopante na laringe, que o levou à morte.

Muitas de suas músicas, que se tornaram grandes sucessos, só vieram a ser gravadas após seu desaparecimento. Entre elas se encontram A última estrofe, inicialmente gravada em 1932 par Fernando Castro Barbosa, regravada por Orlando Silva em 1935, e que viria a ter gravações de Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Sílvio Caldas; Lágrimas, gravada por Orlando Silva em 1935; Apoteose do amor, gravada em 1936 por Orlando Silva; e Página de dor, feita em parceria com Pixinguinha, gravada por Orlando Silva em 1938, na Victor.

Algumas músicas









Obra completa

Abismo de amor, valsa, 1931; Anjo enfermo, canção, 1933; Apoteose do amor, valsa, 1936; Um beijo só (com Bonfiglio de Oliveira), samba, 1932; Cabocla serrana, canção, 1932; Canção do ceguinho, canção, 1930; Castelos de areia, valsa, 1935; Cinzas, valsa, 1937; Cinzas do amor, canção, 1930; Com iaiá é assim, samba-canção, 1930; De tanga, samba, 1930; Dileta, tango-canção, 1932; E nada mais, tango-canção, 1932; Em delírio, canção, 1936; Entre lágrimas, canção, 1932; Foi muamba (com Pixinguinha), samba carnavalesco, 1930; Fonte abandonada (com Pixinguinha), canção, 1930; lnfeliz amor, tango-canção, 1931; Íntima lágrima, valsa-modinha, 1929; Jura de Caboclo, canção regional, 1932; Lágrimas, valsa-canção, 1935; Lenda sertaneja, canção sertaneja, 1930; Luar de minha terra, canção sertaneja, 1933; A maior descoberta, marcha, 1934; Nas asas brancas da saudade, valsa, 1933; Nênias, tango canção, 1929; Noite cheia de estrelas, tango, 1928; A órfã, canção, 1933; Página de dor (com Pixinguinha), valsa, 1938; Para sempre adeus, valsa, 1933; Por que gosto de você, samba, 1930; Rancho abandonado (com Pixinguinha), canção, 1930; Rasguei o teu retrato, tango-canção, 1935; Renúncia em prantos (com Juca Kalut), canção, 1933; Rosa morena, canção sertaneja, 1933; Sim, mas desencosta, samba-canção, 1930; A última estrofe, noturno, 1932; Vangelina, canção, 1933; Versos de longe, 1933; Voltaste, canção dolente, 1937.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.