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domingo, fevereiro 11, 2018

João Petra de Barros - Biografia

João Petra de Barros, cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 23/6/1914, e faleceu em 11/1/1947. Estreou como cantor no início da década de 1930, participando do Programa Casé, na Rádio Philips. Logo tornou-se conhecido no rádio como “a voz de 18 quilates”, de timbre muito parecido com o de Francisco Alves.

Frequentador das rodas de Noel Rosa, Luís Barbosa e Custódio Mesquita, alcançou grande sucesso no Carnaval de 1933 com a gravação, na Odeon, do samba Até amanhã (Noel Rosa), seu disco de estréia.

Ao lado de Custódio Mesquita e Carmen Miranda, participou de várias apresentações no rádio e em teatros.

Foi um dos principais artistas do elenco da Rádio Globo. Deixou gravados 48 discos com 94 músicas. Entre suas gravações de maior sucesso estão o samba-canção Palacete de malandro (Custódio Mesquita), Victor, 1933; o fox Cantor de rádio (Custódio Mesquita e Paulo Roberto), Odeon, 1933; Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa), Victor, 1933; a marcha Chegou Papai Noel (Roberto Martins e Kid Pepe), Odeon, 1934; o samba Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), Odeon, 1934; a marcha Professora da saudade (André Filho e Orestes Barbosa), Odeon, para o Carnaval de 1935; o samba Foi no teu olhar (André Filho), Odeon, para o Carnaval de 1935; a canção Beijo mascarado (Gadé e Almanir Greco), Odeon, 1935; o fox O que o teu piano me revelou (Custódio Mesquita e Orestes Barbosa), Odeon, 1935; Em cima da hora (Russo do Pandeiro e Valfrido Silva), Victor, 1939; Última inspiração (Peterpan), Victor, 1940; Flor do lodo (Guilherme Pereira), Victor, 1940; o samba Santo Antônio amigo (Zé da Zilda, Marino Pinto e J. Cascata), Victor, para as festas juninas de 1941; o fox Mais um minuto apenas (Newton Teixeira e Mário Lago), Victor, 1942; a marcha Quem é o tal? (Ubirajara Nesdan e Afonso Teixeira), Victor, para o Carnaval de 1943.

Foi também o responsável pelo lançamento, em 1934, de Linda pequena (João de Barro e Noel Rosa), primeira versão da marcha Pastorinhas. Teve sua carreira interrompida por um acidente, do qual resultou a amputação de uma perna e seu falecimento prematuro.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Seja breve - Luís Barbosa e João Petra de Barros

Seja Breve (samba, 1932) - Noel Rosa - Intérpretes: João Petra de Barros e Luís Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Seja breve / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Barros, João Petra de, 1915-1948 (Intérprete) / Barbosa, Luís, 1910-1938 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1933 / Nº Álbum 33701 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: D

      A7M  E7     A7M
Seja breve, seja breve
          E7                 A7M
Não percebi porque você se atreve
      F#7(b13)   F#7(b9) Bm7 Gm6
A prolongar sua conversa mole
      Bm7 Dm6    A7M
Seja breve, não amole
       Bm7                 C#m7
Senão acabo perdendo o controle
  F#7           B7          E7   A7M
E vou cobrar o tempo que você me deve

      A7M  E7     A7M
Seja breve, seja breve
          E7                 A7M
Não percebi porque você se atreve
      F#7(b13)   F#7(b9) Bm7 Gm6
A prolongar sua conversa mole
      Bm7 Dm6    A7M
Seja breve, não amole
       Bm7                 C#m7
Senão acabo perdendo o controle
  F#7           B7          E7   A7M
E vou cobrar o tempo que você me deve

       E7(9)        E7(#9)    E7   E7(#9)
Eu me ajoelho e fico de mãos postas
       E7(9)      E7(#9)   E7   E7(#9)
Só para ver você virar as costas
        E7(9)      E7(b9)  A7M
E quando vejo que você vai longe
       Bm7               C#m7         E7
Eu comemoro sua ausência com champanhe
             A7M       E7    A7M
Deus lhe acompanhe (e vá com Deus)
      A7M      E7       A7M
Seja breve (e vê se não volta)

      A7M
Seja breve
         Bm7                 C#m7
Não percebi porque você se atreve
      F#7(b13)           Bm7 Gm6
A prolongar sua conversa mole
      Bm7 Dm6    A7M
Seja breve, não amole
       Bm7                 C#m7
Senão acabo perdendo o controle
  F#7           B7          E7   A7M
E vou cobrar o tempo que você me deve

     E7(9)      E7(#9)  E7 E7(#9)
A sua vida nem você escreve
      E7(9)      E7(#9)    E7 E7(#9)
E além disso você tem mão leve
       E7(9)      E7(b9)   A7M
Eu só desejo ver você nas grades
         Bm7                C#m7      D7M
Pra te dizer baixinho sem fazer alarde
 E7       A7M             D7M
Deus lhe guarde (e vá com Deus)
 E7   A7M  D7M E7
Seja breve

Vou conservar a porta bem fechada
Com um cartaz: "é proibida a entrada"
E você passa a ser pessoa estranha
Meu bolso fica livre dos ataques seus
Graças a deus

terça-feira, janeiro 14, 2014

Dois irmãos de verdade...

"Quando Mário nasceu, João já sabia andar, falar e empinar papagaios com os outros garotos da sua rua. Olhando o pequenino loiro que a família lhe apresentou como um presente vindo de Paris, João pensou:

— Podia ter nascido um pouco maior. Mas daqui há algum tempo será o meu companheiro de folguedos.

Mário cresceu sob o olhar cheio de simpatia e esperança do irmão mais velho, porque João adivinhava qualquer coisa naquele garotinho que fazia longos berreiros, e executava verdadeiros malabarismos para conseguir percorrer, num passo vacilante, alguns centímetros de extensão na sala de jantar...

Depois Mário cresceu um pouco — começou a ajudar o irmão a tirar toda a paciência da família. Um dia, ingressou num ginásio afim de ficar ciente das matérias desconhecidas pela sua alta compreensão: ele só estudava o globo através da esfera mínima das bolinhas de gude...

João perdendo a companhia do seu comparsa, começou a dar muito trabalho ao próprio cérebro. E, um dia, descobriu a sua verdadeira vocação. Foi ser cantor de rádio. Muita gente tem essa mesma fase na vida, que não passa de simples descoberta.

Mas João Petra de Barros, dono de uma voz que depressa se impôs ao bom gosto dos ouvintes de rádio, tornou-se, imediatamente, uma das figuras mais queridas do meio radiofônico. Surgiu no “Programa Casé”, em 1932. Gravando “Até amanhã...”, samba que obteve enorme sucesso, João passou a “astro” e foi requisitado pelas outras emissoras, que logo viram nele um cantor de primeira linha, apto a tomar conta de todo o programa da estação.

João passou a atuar na PRA-2, PRC-6 e, finalmente, na PRA-9, estação que o conserva até hoje, renovando continuamente todos os seus contratos, assim que eles se extinguem. Quando um artista chega a “astro”, dificilmente enxerga quem anda ao seu redor. A luz do seu próprio brilho ofusca-o. João Petra de Barros é, porém, positivamente diferente: começou a observar, atentamente, todas as vezes que Mário, seu irmão estudante, cantarolava qualquer canção ou samba do seu próprio repertório. E um dia declarou:

— Vais fazer uma prova de voz.

Mário preparou a garganta, estudou direitinho uma canção bonita e apresentou-se, nervosíssimo, na PRA-9, afim de “provar” a própria voz, ao microfone. Isso passou-se durante as irradiações do antigo “Programa das Donas de Casa” , da Mayrink Veiga. Como João previra, a voz melodiosa e afinada de Mário, agradou, imediatamente. E o jovem cantor passou a fazer parte do “cast” daquela emissora, sendo logo promovido e contratado, embora sem interromper os seus estudos no Instituto Rabello.

Agora, passados quase um ano, uma nova ideia surgiu, desta vez no cérebro de ambos, provocando perfeito acordo:

— Vamos formar uma dupla.

E formaram.

Irmãos na arte, na voz e na vida real, eles formaram uma dupla que certamente será, talvez a mais interessante por ser inteiramente artística e verdadeira.

Um novo repertório

— Vamos organizar agora um repertório inteiramente novo, — disseram João e Mário Petra de Barros, quando CARIOCA foi ouvi-los no dia da estreia da nova dupla na Mayrink. Cada um terá um repertório diferente.

João e Mário não deixarão de cantar separadamente em outros programas da PRA-9 mantendo, no entanto, um repertório exclusivo para o canto a duas vozes.

— Mário continuará estudando, ele precisa se aperfeiçoar em vocalizes, etc. Eu farei o possível para agradar ao público. Nós dois juntos teremos todo o gosto em corresponder a expectativa das pessoas amigas.

João respondia enquanto Mário ensaiava dizer qualquer coisa. Eles são absolutamente parecidos e seriam gêmeos inegavelmente se não houvessem nascido em épocas diferentes...

— O nosso repertório compõe-se de músicas de Humberto Porto, Nelson Castro, Custódio Mesquita, Zé Pretinho, Gastão Bueno Lobo e outros. Já lançamos “Por que não manda essa mulher embora?”, samba de Humberto Porto; “Cansei de avisar”, etc. Temos várias músicas para serem lançadas e gravadas em discos Odeon, muito brevemente.

João Petra de Barros tem três anos de atuação nos nossos microfones. Mário, quase nove meses, porém, juntos, eles parecem dois cantores veteranos, graças ao cuidado que emprestam à interpretação das suas novas músicas. Ambos nasceram no Rio. Juntos eles realizam longos ensaios, antes de se apresentarem ao microfone. E, unidos, agora, eles se retiram da estação, quando termina o último número.
 .
— Na minha vida particular gosto de cinema, esporte e boas literaturas, — diz-nos João Petra de Barros — Aprecio George Brent e Jorge Raft, na tela, nos esportes todos que exigem movimento, no teatro todas as boas companhias. Aprecio todos os bons compositores e tenho minhas predileções entre os artistas de rádio, destacando Carmen Miranda, Francisco Alves, e alguns outros.

Mário pensou e disse:

— Gosto de Joan Crawford no cinema. Teatro, só gênero muito elevado. Leitura, todos os livros, excluindo os de estudo... Pretendo formar-me em odontologia, mas não penso em deixar o rádio por causa disso. Continuarei sempre que o destino fornecer bons sambas e canções. O repertório é tudo na vida dos artistas. João também acha isso.

João Petra de Barros disse que “sim” com a cabeça, enquanto Mário prosseguia:

— Admiro entre os colegas: Carmen Miranda, Francisco Alves Sílvio Caldas e João Petra de Barros...

Sim, João Petra de Barros. Mário Petra de Barros é grande fã do homem com quem formou uma dupla. Isso basta para o êxito dos dois."


Fonte: CARIOCA, de 9/5/1936 (texto atualizado).

segunda-feira, junho 24, 2013

Paulo Werneck

Paulo Werneck - 1935
Paulo Werneck (Paulo de Frontin Werneck), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 29 de setembro de 1918 e faleceu, na mesma cidade em 4 de outubro de 2001. Teve curta carreira artística, num momento em que a carreira de cantor ou compositor ainda engatinhava na profissionalização.

Iniciou a carreira artística no começo da década de 1930, apresentando-se em programas de Rádio. Em 1932, gravou pela Victor com acompanhamento do Grupo da Guarda Velha os sambas A neném é do amor, de J. Machado, e Meu coração está magoado, de sua autoria.

Em 1934, gravou na Odeon em dueto com João Petra de Barros, com acompanhamento da Orquestra Odeon, a marcha Noiva do meu coração e o samba Menina bonita, ambas de sua autoria.

Em 1935, seu samba Foi assim que morreu o nosso amor foi gravado na Odeon pelo cantor Mário Reis.

Em 1936, gravou em dueto com Aurora Miranda e acompanhamento do Grupo Odeon a marcha Janjão e Zabé, de Ary Barroso e Paulo Roberto, e o samba Minha existência está finando, de sua autoria e Lauro dos Santos Werneck. Nesse ano, seu samba Rancor, com A. Rocha, foi gravado em dueto por Carmen Miranda e Aurora Miranda na Odeon.

Durante os anos 40 e 50, segundo informações de um familiar, permaneceu trabalhando com o meio artístico musical em São Paulo, sendo um dos donos da legendária Boate Oásis, no subsolo do edifício Esther.

Em 2003, sua interpretação do samba Janjão e Zabé, de Ary Barroso e Paulo Roberto, em dueto com Aurora Miranda, foi incluída no volume 2 da coleção Nossa homenagem Ary Barroso 100 anos, lançada pelo selo Revivendo em homenagem ao centenário de nascimento de Ary Barroso.

De curta carreira, assim foi definido na revista O Malho pelo jornalista e compositor Osvaldo Santiago: "Os sambistas são tidos geralmente como sujeitos mal vestidos e mal encarados. Na realidade, porém, a classe está cada vez mais limpa e elegante. Paulo de Frontin Werneck, cantor e autor de sambas românticos, é o moço alinhado que o clichê indica. Ele acaba de gravar por Mário Reis o samba "Quando meu amor morreu", uma peça digna do êxito que está obtendo".

Cantor e autor


"Neto de conde, do conde de quem herdou o nome, Paulo de Frontin Werneck constitue, entre os elementos excessivamente democraticos do nosso broadcasting, um excepção de bom sangue e de boa educação. É um cantor de linha e um auctor de elite, apesar de actuar no genero predilcto das grandes massas do nosso publico, que é o samba, a marchinha, o fox-trot, a valsa e cousas assim.

Paulo de Frontin Werneck começou, como inteprete, no programa "Horas do Outro Mundo", que Renato Murce transmittia na Philips. E hoje já conta com uma legião de admiradores e admiradoras, estas, naturalmente, em muito maior numero, o que causa inveja a muito medalhão do radio carioca...

Como auctor, são varias as suas composições, salientando-se as que estão na ordem do dia carnavalesco: - "Menina bonita". samba, e "Noiva do meu coração", marcha, ambas gravadas por João Petra de Barros e elle proprio"  (O Malho, 31/01/1935).

Obras


Foi assim que morreu o nosso amor, Menina bonita, Meu coração está magoado, Minha existência está finando (c/ Lauro dos Santos Werneck), Noiva do meu coração, Rancor (c/ A. Rocha).

Playlist





Discografia


1932 A neném é do amor/Meu coração está magoado • Victor • 78
1934 Noiva do meu coração/Menina bonita • Odeon • 78
1936 Janjão e Zabé/Minha existência está finando • Odeon • 78

__________________________________________________________
Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho"

quarta-feira, setembro 13, 2006

Dilermando Reis

Dilermando Reis, instrumentista e compositor, nasceu em Guaratinguetá/SP em 22/9/1916 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 2/1/1977. Estudou violão inicialmente com o pai, o violonista Francisco Reis. Em 1933, após assistir a um recital do violonista cego Levino da Conceição, que se apresentava em Guaratinguetá, entusiasmou-se e passou a acompanhá-lo em suas atuações pelo interior do país.

No Rio de Janeiro, começou a ganhar a vida ensinando violão em casas de música da época, como a Bandolim de Ouro e a Guitarra de Prata, na Rua da Carioca. Em 1935, conheceu Renato Murce, que o levou para a Rádio Clube do Brasil.

Companheiro de boêmia de Francisco Alves, João Petra de Barros e outros, tornou-se um dos mais famosos violonistas do rádio carioca, atuando principalmente na Rádio Nacional, de cujo elenco participou até 1969.

Em 1941 a Columbia lançou seu primeiro disco, que incluía a valsa Noite de lua e o choro Magoado (ambos de sua autoria). Em 1941 e 1942, integrou uma orquestra de 12 violões que atuou no Cassino da Urca e na Rádio Clube do Brasil. Gravou ainda com sucesso, em discos de 78 rpm, o bolero Penumbra, o calango Calanguinho (ambos de sua autoria), o jongo Interrogando (João Pernambuco) e a valsa Alma nortista (de sua autoria).

Em 1953, excursionou pelos EUA, atuando na CBS, de New York. Desde a década de 1950 até meados dos anos de 1960, lançou vários LPs na Continental, como solista de violão, entre os quais Sua Majestade o violão, Melodias da alvorada, Abismo de rosas e Presença de Dilermando Reis.

Teve muitos alunos famosos, como Bola Sete, Darci Vilaverde e, como amador, o presidente Juscelino Kubitschek. Em 1972 gravou o LP Dilermando Reis interpreta Pixinguinha e, em 1975, lançou O violão brasileiro de Dilermando Reis, ambos pela Continental.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora