Disco 78 rpm / Título da música: Perfume de Mulher Bonita / Moran, Georges (Compositor) / Santiago, Osvaldo, 1902-1976 (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1939 / Nº Álbum 34415 / Lado B / Gênero musical: Valsa.
Não existe, não
Um aroma assim, tão doce
Nem, que em um jardim,
Procurá-lo, enfim,
Eu fosse.
É um olor sutil
Que de flores mil
Se exala
Filtro de ilusão
Que de uma paixão
Nos fala.
Perfume de mulher bonita
Tu me vens recordar um amor
Em ti meu coração palpita
Num sonho risonho
Perfume de mulher bonita
Já gozei, certa vez, seu frescor.
Se um dia ela voltar
De novo hás de vibrar
Nas minhas noites de luar.
Disco 78 rpm / Título da música: Lenda Árabe / Santiago, Osvaldo, 1902-1976 (Compositor) / Barbosa, Paulo, 1900-1955 (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34227 / Gênero musical: Canção.
Toda nua a favorita
A dança começou
E um escravo para ela um olhar então ousou...
Por castigo o Sultão raivoso, o fez cegar,
E ele desde então em prece vive a clamar.
Alá !
Belo é o lotus entreaberto
Bela é a lua no deserto
Mas em teu serralho ainda
Nunca houve flor mais linda.
Alá, Dá-me a luz do meu olhar,
Pra de novo eu a fitar !
Disco 78 rpm / Título da música: Madame Pompadour / Santiago, Osvaldo, 1902-1976 (Compositor) / Barbosa, Paulo, 1900-1955 (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34227 / Gênero musical: Valsa-canção.
Conta a história que o rei Luiz
( O Rei Luiz )
Por amor se fez grande e feliz
( se fez feliz )
E a teus pés assim,
Eu ouvi, oh, flor,
Te dizer um dia, um sonhador.
Madame Pompadour
Mon amour
Pour toujours
Será teu meu coração
Que é um reinado de ilusão
Um trono de estrelas,
Terás, que eu te darei...
Madame Pompadour,
Rainha de um rei...
Disco 78 rpm / Título da música: Cortina de Veludo / Santiago, Osvaldo, 1902-1976 (Compositor) / Barbosa, Paulo, 1900-1955 (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra de Cordas Columbia (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 15/05/1935 / Nº Álbum 8156 / Gênero: Valsa-canção
No apartamento azul
Do nosso coração
Há rosa de Istambul
Em jarros do Japão
É um sonho oriental
De mágico esplendor, Aurora Boreal
Na aurora de um amor !...
E uma cortina de veludo
Esconde a porta oval,
Por onde um dia hás de entrar !
E essa cortina há de se fechar
Sobre o teu vulto,
Quando ele a vier transpor !
E não mais se abrirá,
Meu amor !
Disco 78 rpm / Título da música: Há Um Segredo Em Teus Cabelos / Lamounier, Gastão, 1893-1984 (Compositor) / Santiago, Osvaldo, 1902-1976 (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1935 / Álbum 11283 / Lado A / Gênero: Valsa.
Em teus cabelos de seda Que perfume, que aroma sutil Dos sonhos pela alameda Bailam flores, n'um baile gentil
Há um segredo cantando Trescalando uma essência de flor Onde vibram arpejos, desejos, Misteriosos eflúvios de amor !
A suavíssima delícia De uma doce carícia Tem muito maior encanto Quando os meus dedos Num quebranto Palpitam; estremecem, meu amor.
O caso de Oswaldo Santiago é único no gênero. Ainda não tinha aparecido, no Brasil, um poeta, jornalista e escritor que se tivesse tornado um compositor vitorioso de músicas populares. Pois foi o que ele fez. Depois de haver firmado um indiscutível renome literário com “Gritos do meu silêncio” e “Rio-Rei”, dois dos seus livros mais festejados pela crítica, Oswaldo Santiago passou a escrever letras para canções.
O famoso “Hino a João Pessoa”, musicado por Eduardo Souto, valeu-lhe por uma consagração nacional.
E até o presente momento não foi interrompida a escala cromática dos seus versos para músicas, quer originais, quer vertendo para a nossa lingua textos americanos dos números que vem nos filmes de Hollywood.
—— Mas como e quando começou a compor melodias?
Eis o que Oswaldo Santiago nos respondeu, quando lhe fizemos esta pergunta:
—— Em 1930, querendo servir a um colega de imprensa, Orestes Barbosa, que desejava iniciar-se como autor de letras, compus a melodia da canção “Bungalow”. A sua aceitação, o êxito dessa peça ainda hoje lembrada, de vez em quando, fez com que me animasse a tentar a realização de outras, tendo feito, então, a valsa “Teu sorriso é a minha dor”, sobre versos de Bastos Portella. Depois, havendo me afastado durante algum tempo do meio de cantores e de fábricas gravadoras, não procurei lançar algumas composições produzidas nessa época, dando-lhes o destino bom de não se tornarem, mais adiante, detestadas pelo público...
—— Como voltou a aparecer como compositor?
—— No Carnaval de 1935, quando fiz “Joia falsa” ou “Você me pareceu sincera”, como ficou mais conhecida. Um encontro casual com Gastão Formenti, cinco minutos de cantoria ao ouvido desse intérprete fidalgo e depois, no apartamento de Waldemar Henrique, dez minutos a seguir, a música tocada ao piano e cantada por todos com um entusiasmo de pasmar. Até Mara da Costa Pereira pareceu-me carnavalesca, apesar da sua cor “local” amazônica... Daí por diante nem eu, nem o Gastão Formenti, tivemos dúvida de que a “Joia falsa” tivesse o seu lugar separado no agrado coletivo, no que, como se sabe, não estávamos enganados.
—— Quer dizer que “Joia falsa” lhe deu gosto pelo gênero carnavalesco, não é verdade?
—— Sim e não. Ainda continuo gostando mais de fazer uma valsa ou uma canção, coisas em que se revela melhor o meu temperamento. É verdade que, no gênero, “Joia falsa” já representa, segundo a vaidade do autor, um passo à frente... Mas uma marchinha tem três meses de vida, passa breve, não fica na sensibilidade auditiva dos espíritos mais altos. Uma valsa como “Meu amor por toda a vida”, que fiz com Paulo Barbosa, atravessa anos com a mesma beleza do momento em que foi lançada.
—— Bem. Mas a sua primeira frase foi “sim e não”. O que nos disse depois deve ser o “não”. Falta agora o “sim”...
—— O “sim”, no caso, é o seguinte: o meu nome vai aparecer, no Carnaval de 1936, em cerca de doze composições destinadas à folia. “Querido Adão”, com Benedito Lacerda; “Olé, Carmem!”, com Paulo Barbosa; “Não foi assim”, com Antenógenes Silva: “Tu mereces um beijo”, com Heloísa Santiago; “Escola do amor”, com Walfrido Silva; “Nós dois e nosso amor”, com Isabel Cursio; “Cá estou eu, morena!” e “A guitarra e o violão”, com Vicente Paiva; e “É’ você que eu ando procurando”, com Carminha Balthazar.
Sozinho, fiz “Coração na boca”, no estilo de “Joia falsa”, “Você ainda não me deu” e “Oh, seu turista!... ”, as duas primeiras criadas por Gastão Formenti e a terceira pela dupla Joel e Gaúcho. Não tenho a pretensão de esperar que todas agradem. Nem eu, mesmo, gosto de todas elas. Mas no Carnaval um autor deve jogar tudo o que pode, pois ninguém adivinha de qual o público vai tomar conhecimento.
Russo de nascimento, alemão de educação, francês por temperamento e brasileiro por convivência, Georges Moran é um artista apaixonado e um compositor de talento (Foto: O Malho, de 21/07/1938).
Georges Moran, maestro e compositor, nasceu em São Petesburgo, Rússia, em 05/07/1900, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 07/10/1974. Na Rússia estudou piano e violino. Judeu russo imigrou para a Alemanha em 1923, onde se casou. Com a subida dos nazistas ao poder fugiu para a França em 1934 e depois viajou para o Brasil no mesmo ano, iniciando a carreira artística como instrumentista tocando balalaica.
Mais tarde, tocando piano e violino fez parte de diversos pequenos conjuntos, trabalhando em revistas teatrais e fazendo shows em cassinos, além de atuar em estações de rádio. Logo fez parceria com Osvaldo Santiago com quem compôs suas primeiras músicas no Brasil. Suas primeiras composições gravadas foram o fox-canção Vinte e quatro horas sem amor, e a valsa Meu sonho é só meu, parcerias com Osvaldo Santiago, e lançadas por Carlos Galhardo na Victor.
Em 1938, Vicente Celestino gravou na Victor a valsa-canção Madona, com Manoel da Nóbrega, enquanto Orlando Silva, então em pleno sucesso, lançou também pela Victor a valsa Balalaika, com Armando Fernandes.
Em 1939, teve duas composições gravadas por Nuno Roland na Odeon a valsa-canção Manon, com Osvaldo Santiago, e o fox-blue Rosali, e mais duas por Cândido Botelho na mesma gravadora: a valsa-canção Fosse eu dono da tua boca, e a valsa Canta guitarra, ambas em parceria com Osvaldo Santiago. Nesse ano, Roberto Paiva gravou na Odeon a valsa Sim... És... Tu, e o fox-blue Apaixonei-me outra vez, esta última, parceria com Osvaldo Santiago, e que se tornou um dos sucessos do ano. Uma outra composição foi registrada por Dircinha Batista e lançada no início do ano seguinte para o carnaval: a marcha Katucha, com Osvaldo Santiago.
Também em 1939, Carlos Galhardo gravou na Victor o fox-canção Linda butterfly, a valsa Perfume de mulher bonita, e o fox Dia há de chegar, todas com Osvaldo Santiago, enquanto Orlando Silva, também na Victor, registrou o fox Como tu ninguém, com Manoel da Nóbrega, e o fox Zíngaro, e Cândido Botelho na Odeon a valsa-canção Fosse eu dono da tua boca e a valsa Canta guitarra, ambas com Osvaldo Santiago.
No início de 1940, teve gravadas suas primeiras parcerias com o poeta J. G. de Araújo Jorge, a valsa Ao som das balalaicas, seu maior sucesso, e o fox-canção Moreninha linda, ambas na voz de Nuno Roland. Nesse ano a dupla caipira Alvarenga e Ranchinho gravou na Odeon a rancheira Brasileiro apaixonado, com Osvaldo Santiago. Ainda em 1940, Sílvio Caldas gravou na Victor a valsa Kátia, com Victor Bezerra, e Carlos Galhardo, também na Victor, lançou as valsas Dois navios, com Victor Bezerra, e Confissão, com Manoel da Nóbrega.
Em 1941, na Victor, Sílvio Caldas gravou a valsa Se tu soubesses, com Cristóvão de Alencar. Já pela Odeon, Newton Teixeira lançou a valsa Se tudo fosse meu, também com Cristóvão de Alencar. No ano seguinte, ainda na Victor, Carlos Galhardo lançou a valsa A mulher que eu tanto adoro, com Mário Rossi. Para o carnaval de 1942, a marcha Eu tenho um cachorrinho, com Osvaldo Santiago, foi gravada na Odeon por Emilinha Borba.
Em 1943, o trio vocal Trigêmeos Vocalistas gravou na Columbia o fox A minha namorada Juju, com Freitas Guimarães. Nesse ano, na Odeon, foram gravadas duas parcerias com o poeta J. G. de Araújo Jorge, o fox-canção Primavera em flor, na voz de Odete Amaral, e a valsa Será verdade?, no registro de Orlando Silva, que também gravou o fox Podes mentir, com Aldo Cabral.
Ainda em 1943, Francisco Alves lançou na Odeon a valsa-canção Ainda serás minha, com Cristóvão de Alencar, enquanto os Anjos do Inferno registraram na Continental a rumba Praia mulher, com J. G. de Araújo Jorge, Silvio Caldas gravou Ninotchka, com Cristóvão de Alencar, e os Trigêmeos Vocalistas na mesma gravadora lançaram o fox A minha namorada Juju, com Freitas Guimarães. Nessa mesma época, uma valsa sua ganhou letra de David Nasser com o nome de Exilado sendo gravada por Carlos Galhardo sendo assim uma espécie de autobiografia dele que tinha vindo se exilar no Brasil.
Em 1944, teve gravadas a valsa Oi, iaiá baiana, com Freitas Guimarães, por Francisco Alves, o paso-doble Carioca, com J. G. de Araújo Jorge, pelos Trigêmeos Vocalistas, e a valsa Toureador, com Osvaldo Santiago, por Odete Amaral e Quarteto de Bronze, as três na Odeon, além da valsa Indiferença, com J. G. de Araújo Jorge, na voz de Carlos Galhardo, na Victor. No ano seguinte, na Odeon, os Trigêmeos Vocalistas registraram o fox Os três mosqueteiros, com Freitas Guimarães.
Em 1946, o fox Francesinha, com letra de Osvaldo Santiago foi registrado na Odeon pelos Trigêmeos Vocalistas que lançaram também, visando o carnaval seguinte, a marcha Volga, volga, com letra também de Osvaldo Santiago. Orlando Silva gravou na Odeon em 1947, a valsa Perdoa, meu amor!, com J. G. de Araújo Jorge, e logo em seguida a valsa Maldito amor, com Cristóvão de Alencar.
Em 1953, mostrando já estar bem ambientado à musicalidade brasileira depois de quase 20 anos no Brasil, compôs o samba Perversa gravado na RCA Victor por Gilberto Milfont. No mesmo ano, compôs o samba Ninguém te afastará de mim, com letra de J. G. de Araújo Jorge, gravado por Carlos Galhardo na RCA Victor.
Em 1954, a valsa Aconteceu assim, com Osvaldinho, foi lançada na RCA Victor por Carlos Galhardo, enquanto Francisco Carlos na mesma gravadora lançou o bolero Ela me beijava, com Carlos Barroso. No ano seguinte, seu bolero Bella madonna, foi registrado por Carlos Galhardo.
Teve em 1957, os sambas-canção Se tu soubesses e Não voltarás, nem voltarei..., com Nogueira da Silva, gravados por Lúcio Alves no LP Serestas lançado pela Mocambo.
Em 1969, tornou-se um dos primeiros músicos populares a obter a aposentadoria. Passou os seis últimos anos de vida vivendo de forma precária em São Paulo em moradia modesta. Acometido de derrame cerebral foi acudida pela filha e transferido para o abrigo Lar João XXIII onde veio a falecer.
Obra
A minha namorada Juju (c/ Freitas Guimarães), A mulher que eu tanto adoro (c/ Mário Rossi), Aconteceu assim (c/ Osvaldinho), Ainda serás minha (c/ Cristóvão de Alencar), Ao som das balalaicas (c/ J. G. de Araújo Jorge), Apaixonei-me outra vez (c/ Osvaldo Santiago), Apartamento pequenino (c/ R. Costa), Balalaika (c/ Armando Fernandes), Bella madonna, Brasileiro apaixonado (c/ Osvaldo Santiago), Canção do barqueiro do Volga (c/ Arlindo Marques Junior), Canta guitarra (c/ Osvaldo Santiago), Carioca (c/ J. G. de Araújo Jorge), Chiquita (c/ Osvaldo Santiago), Como tu ninguém (c/ Manoel da Nóbrega), Confissão (c/ Manoel da Nóbrega), De amar-te tanto, Dia há de chegar (c/ Osvaldo Santiago), Dois navios (c/ Victor Bezerra), Ela me beijava (c/ Carlos Barroso), Eu te amo (c/ Cristóvão de Alencar), Eu tenho um cachorrinho (c/ Osvaldo Santiago), Exilado (c/ David Nasser), Fosse eu dono da tua boca (c/ Osvaldo Santiago), Francesinha (c/ Osvald Santiago), Indiferença (c/ J. G. de Araújo Jorge), Kátia (c/ Victor Bezerra), Katucha (c/ Osvaldo Santiago), Linda butterfly (c/ Osvaldo Santiago), Madona (c/ Manoel da Nóbrega), Maldito amor (c/ Cristóvão de Alencar), Manon (c/ Osvaldo Santiago), Meu amigo violão (c/ J. G. de Araújo Jorge), Meu mundo se chama você (c/ Osvaldo Santiago), Meu sonho é só meu (c/ Osvaldo Santiago), Minha namorada Juju (c/ Freitas Guimarães), Moreninha linda (c/ J. G. de Araújo Jorge), Mulher que eu tanto adoro (c/ Mário Rossi), Não quero mair chorar (c/ Aldo Cabral), Ninguém te afastará de mim (c/ J. G. de Araújo Jorge), Ninotchka (c/ Cristóvão de Alencar), Nunca sonhei (c/ J. G. de Araújo Jorge), Oi, iaiá baiana (c/ Freitas Guimarães), Olhos negros (c/ Arlindo Marques Junior), Os três mosqueteiros (c/ Freitas Guimarães), Perdoa, meu amor! (c/ J. G. de Araújo Jorge), Perfume de mulher bonita (c/ Osvaldo Santiago), Perversa, Podes mentir (c/ Aldo Cabral), Praia mulher (c/ J. G. de Araújo Jorge), Primavera em flor (c/ J. G. de Araújo Jorge), Rosali, Se tu soubesses (c/ Cristóvão de Alencar), Se tudo fosse meu (c/ Cristóvão de Alencar), Será verdade? (c/ J. G. de Araújo Jorge), Silêncio (c/ David Nasser), Sim, és tu, Só me falta você (c/ J. G. de Araújo Jorge), Toureador (c/ Osvaldo Santiago), Tu precisas de mim (c/ J. G. de Araújo Jorge), Uma vez, outra vez (c/ Osvaldo Santiago), Vinte e quatro horas sem amor (c/ Osvaldo Santiago), Volga, Volga (c/ Osvaldo Santiago), Zingaresca (c/ Maugéri Neto), Zíngaro.
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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de 21/07/1938.
Disco 78 rpm / Título da música: Catarina / Osvaldo Santiago, 1902-1976 (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 25/08/1939 / Lançamento: 11/1939 / Nº do Álbum: 34508 / Nº da Matriz: 33152-1 / Gênero musical: Marcha
Eu fiz com a Catarina
Um negócio da China
Vendi meu bangalô
Que herdei do meu avô
Ó Catarina! Ó Catarina!
Se moro nele é porque você chamou
Catarina me deu jantar
Catarina me deu amor
Catarina não quer que eu pense em trabalhar
Catarina já prometeu
Que será novamente meu
O bangalô que ela veio me comprar
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Roleta da vida / Heriberto Muraro (Compositor) / Osvaldo Santiago, 1902-1976 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 28/02/1940 / Lançamento: 04/1940 / Nº do Álbum: 34591 / Nº da Matriz: 33340-1 / Gênero musical: Valsa
A vida é uma roleta
Gira...gira...
A sorte é uma mentira
Que logo se desfaz
Uns ganham venturas
Outros amarguras
E troca-se o prazer
Pelo sofrer
Tu foste em minha vida
O pano verde da ilusão
Em ti, como uma ficha
Eu arrisquei o coração
Tive delícias
De mil carícias
Ao começar
O olhar em fogo
Senti o jogo
Me alucinar !
Depois a sorte ingrata
Abandonou o jogador
Perdi no pano verde
O coração e o teu amor
E a roleta, indiferente
Ao meu penar
Prosseguiu, sem descanso
A girar... a girar...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Tudo cabe num beijo / Carolina Cardoso de Menezes (Compositor) / Osvaldo Santiago, 1902-1976 (Compositor) / Manoel Reis (Intérprete) / Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 05/05/1938 / Lançamento: 07/1938 / Nº do Álbum: 34335 / Nº da Matriz: 80780-1 / Gênero musical: Fox
Não, não cabe numa canção
Tudo o que eu quero dizer
Um dia ao teu coração
Oh, sim, talvez precise escrever
Longo romance sem fim
Em teu louvor, amor
Nestas palavras não posso resumir
Todas as mil expressões do meu sentir
Porém, se o que eu quero dizer
Não cabe numa canção
Num beijo há de caber
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Osvaldo Santiago (Osvaldo Néri Santiago), compositor e poeta nasceu no Recife PE 26/5/1902 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 29/8/1976. Passou a infância em São Caetano PE e a juventude em Recife, estreando como poeta, em 1923, com o livro No reino azul das estrelas. No mesmo ano, escreveu sua primeira letra de música, para uma composição de Nelson Ferreira, interpretada por Laís Areda, na revista Mademoiseile Cinéma, da Companhia Vicente Celestino.
Em 1924, ainda em Recife, fundou a revista Rua Nova e dois anos depois lançou seu segundo livro de poemas, Gritos do meu silêncio, cujo êxito o animou a ir para o Rio de Janeiro RJ. Em 1929, ano em que sua revista Rua Nova deixou de ser editada, teve sua primeira composição gravada, na Columbia: Melodia de amor (com música de Nelson Ferreira), interpretada por Alda Verona.
Um ano depois, lançou a marcha Hino a João Pessoa (com Eduardo Souto), gravada por Francisco Alves, na Odeon, com grande sucesso. No mesmo ano, foi nomeado para a prefeitura carioca, e compôs, para que Orestes Barbosa estreasse como letrista, Bangalô, que foi gravada na Victor por Alvinho. A partir desse ano, começou a colaborar na imprensa e teve, de 1933 em diante, uma seção, Broadcasting, na revista O Malho, onde permaneceu até 1935. Nesse ano lançou a valsa Há um segredo em teus cabelos (com Gastão Lamounier), gravada por Sílvio Caldas na Odeon, e, para o Carnaval, a marcha Joia falsa, gravada por Gastão Formenti.
Ainda em 1935, Carlos Galhardo gravou sua valsa Cortina de veludo (com Paulo Barbosa), e em 1937, da mesma parceria, a valsa Madame Pompadour e a canção Lenda árabe; depois a valsa Salambô (1943) e outras, todas com temas exóticos e misteriosos.
Em 1936,Italiana (com Paulo Barbosa e José Maria de Abreu), foi interpretada em disco Victor por Carlos Galhardo, e a marcha Querido Adão (com Benedito Lacerda), grande sucesso Odeon, foi gravada por Carmen Miranda para o Carnaval. No ano seguinte fez grande sucesso com a marcha Lig-lig-lig-lé (com Paulo Barbosa), lançada por Castro Barbosa, na Victor. Com o mesmo parceiro lançou, em 1938, o samba Olá, seu Nicolau e Torre de marfim (com José Maria de Abreu), gravados por Carlos Galhardo na Victor, e a marcha Tirolesa, lançada em disco Odeon por Dircinha Batista, para o Carnaval do ano.
Em 1939 obteve grande sucesso com a valsa Perfume de mulher bonita (com George Moran), gravada por Carlos Galhardo na Victor, e a marcha Pedro, Antonio e João (com Benedito Lacerda), gravação de Dalva de Oliveira como solista, na Columbia. Ainda em 1939 fundou a A.B.C.A. e dois anos mais tarde lançou seu último grande sucesso, o samba Eu não posso ver mulher (com Roberto Roberti), gravado por Francisco Alves na Columbia, para o Carnaval.
Escreveu ainda inúmeras versões e, por vezes, usou o pseudônimo de Aldo Néri. Foi um dos fundadores, em 1942, da UBC, passando a dedicar-se à questão dos direitos autorais. Foi representante da UBC em diversos países, publicando em 1946 o livro Aquarela do direito autoral e, em 1956, Proteção ao direito do autor no Brasil. Faleceu aos 74 anos, de colapso cardíaco.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.