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sábado, junho 29, 2013

Sólon Sales

"São Paulo não permitiu que o progresso extinguisse o espírito romântico do seu povo. A mocidade sonha na cidade que mais cresce no mundo e acolhe, com ternura, as canções sentimentais do jovem cantor Sólon Sales - o seresteiro da Pauliceia. Obedecendo ao estilo que consagrou os maiores intérpretes de nossa música popular, Sólon Sales justifica a grande admiração que lhe vota o público ouvinte e defende valorosamente o seu título bem merecido: Seresteiro da Pauliceia" (Revista do Rádio, 1954).


Sólon Hanser Sales, cantor, nasceu em Sorocaba, SP, em 05/12/1923, e faleceu em São Paulo, SP, em 15/01/1995. Sua mãe, Rosa Hanser, o pai, Antônio Marcelo de Sales, e mais cinco tios, trabalhavam no circo Irmãos Hanser, que dava espetáculos em Sorocaba e cidades vizinhas. No Circo da família, foi trapezista, acrobata e mágico. Fora da lona, de violão em punho, fazia serestas pelas ruas de sua cidade. Com a transferência da família para São Paulo, ocupou-se em atividades modestas como office boy.

Formou com um amigo a dupla caipira Samburá e Chapinha na qual era o Chapinha. A dupla apresentou-se na Rádio Bandeirantes, sendo a partir de então convidados a participar de uma novela sertaneja realizada pela Rádio Cultura. Desfeita a dupla, deu continuidade à sua atividade artística.

Em 1948, gravou seu primeiro disco, pela Continental com o tango canção Segue teu caminho, de Arlindo Pinto e Mário Zan, que fez grande sucesso e a valsa Belo Horizonte, de Anacleto Rosa Jr. e Arlindo Pinto.

No ano seguinte, obteve mais dois sucessos, com dois baiões: Quixabeira, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e Juazeiro, de Humberto Teixeira e Cícero Nunes, ambos com acompanhamento musical de Rago e seu conjunto. No mesmo ano, gravou o balanceio Cabeça inchada, composição de Hervé Cordovil e o tango Perambulando, de Mário Zan e Arlindo Pinto. Atuou nas emissoras Mundial, Nacional, Mayrink Veiga e Excelsior.

Em 1950, gravou as valsas Mentira, de Mário Zan e Geraldo Costa e Beijinho doce, de Nhô Pai e a canção Parque de diversões, de Hervé Cordovil. No ano seguinte, gravou o bolero Em tuas mãos, de Antônio Rago e Ribeiro Filho e o valseado Tristeza, de motivo popular com arranjos de Luiz Alex e Américo Campos. No mesmo ano, gravou a primeira composição de sua autoria o samba canção Lencinho branco, parceria com Dilermano dos Santos. Também no mesmo período gravou os baiões Tem pena de mim e Cada moça que eu conheço, de Hervé Cordovil.

Em 1952, gravou o baião Peixinho do mar, de motivo popular com arranjos de Américo de Campos, o bolero Por toda a vida..., de Antônio Rago e Ribeiro Filho e o samba Ela é solteira..., de sua autoria e Américo de Campos.

Em 1953, gravou o bolero Mulher sem alma, de Plínio Cará e Américo de Campos e o tango Rua da solidão, de Aloísio Figueiredo e Nelson Figueiredo.

Em 1954, ingressou na Odeon e lançou a marcha Cidade arranha-céu, de Alvarenga e Edgar Cardoso e o baião Êh São Paulo, de Alvarenga. Gravou no mesmo ano o samba canção Um caboquinho, de Hervé Cordovil e Luiz Peixoto e o bolero Beijos nos olhos, de Portinho e Wilson Falcão.

Em 1955, gravou o samba canção Deixa falar quem quiser, de Américo de Campos e Antônio Pacheco e o bolero Voltarás a mim, de Antônio Rago.

Em 1956, gravou três composições do renomado compositor sertanejo João Pacífico: o bolero Lágrimas de amor e marcha Meu São João, parcerias com Antônio Rago e a clássica toada Chico Mulato, parceria com Raul Torres. Em 1957, registrou o samba O sol nasceu para todos, de Lamartine Babo e o bolero Meu querido amor, de Antônio Rago e Mário Vieira.

Em 1958, gravou a canção Serenata do adeus, de Vinícius de Moraes e no ano seguinte, o samba canção Neste mesmo lugar, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti e A noite do meu bem, de Dolores Duran em ritmo de marcha rancho.

Em 1960, gravou duas composições de sua autoria: o samba Meu samba antigo e o charleston Recordando o charleston. No ano seguinte, gravou o último disco pela Odeon com a valsa Novo céu, de Ted Moreno e Fernando César. No mesmo ano, foi para o pequeno selo Orion e lançou a guarânia Orgulhosa, de Mário Zan e Nhô Pai e a toada Cabocla Tereza, de Raul Torres e João Pacífico.

Em 1962, lançou mais um disco pela Orion com a toada Pingo d'água, de Raul Torres e João Pacífico e a valsa Retalhos de amor, de Zé Fortuna.

Lançou ainda um único disco pela Chantecler, em 1964, com o rasqueado Você diz que não me ama, de Américo de Campo e o maxixe Chuva miúda, de Sílvio Caldas e Frazão.

Foi pioneiro da televisão brasileira, de onde veio seu slogan "O seresteiro da paulicéia". Intérprete eclético, incluindo o gênero sertanejo com a MPB em seu repertório, destacam-se principalmente canções românticas, valsas, boleros, etc. Gravou 36 discos em 78 rpm, contabilizando um total de 72 músicas.

Obra


Ela é solteira... (c/ Américo de Campos), Lencinho branco (c/ Dilermano dos Santos), Meu samba antigo, Recordando o charleston.

Playlist







Discografia


1949 Juazeiro/Quixabeira • Continental • 78
1949 Cabeça inchada/Perambulando • Continental • 78
1949 Inconsciência/Não darei perdão • Continental • 78
1948 Segue teu caminho/Belo Horizonte • Continental • 78
1950 Mentira/Parque de diversões • Continental • 78
1950 Meu castigo/Beijinho doce • Continental • 78
1951 Em tuas mãos/Tristeza • Continental • 78
1951 Lencinho branco/Rosa Maria • Continental • 78
1951 Tem pena de mim/Cada moça que eu conheço • Continental • 78
1952 Peixinhos do mar/Sem vingança • Continental • 78
1952 Por toda a vida.../Ela é solteira... • Continental • 78
1953 Mulher sem alma/Rua da solidão • Continental • 78
1953 Teus olhos/Amor de mãe • Continental • 78
1953 Noite negra/Ilusão fugidia • Continental • 78
1954 Cidade arranha-céu/Eh! Eh! São Paulo • Odeon • 78
1954 Um caboquinho/Beijos nos olhos • Odeon • 78
1955 Deixa falar quem quiser/Voltarás a mim • Odeon • 78
1955 Pique será/Supertição • Odeon • 78
1955 Papai Noel/Santas tradições • Odeon • 78
1956 Lágrimas de amor/Chico mulato • Odeon • 78
1956 Meu São João/Namorados • Odeon • 78
1956 Jura/Prova de amor • Odeon • 78
1956 Gosto que me enrosco/Agora é cinza • Odeon • 78
1957 O sol nasceu para todos/Meu querido amor • Odeon • 78
1957 Fim de noivado/Dorinha meu amor • Odeon • 78
1958 Que saudades me dá/Rosas do céu • Odeon • 78
1958 Mentirosa/Serenata do adeus • Odeon • 78
1959 Minha dor não me deixa/Índia morena • Odeon • 78
1959 Flor do abacate/Neste mesmo lugar • Odeon • 78
1959 A noite do meu bem/Canção da garoa • Odeon • 78
1960 Minha história/Tua volta • Odeon • 78
1960 Meu samba antigo/Recordando o charleston • Odeon • 78
1961 Novo céu/Fugindo do amor • Odeon • 78
1961 Orgulhosa/Cabocla Tereza • Orion • 78
1962 Pingo d'água/Retalhos de amor • Orion • 78
1964 Você diz que não me ama/Chuva miúda • Chantecler • 78

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Fontes: Revista do Rádio, de 11/12/1954; Museu da TV; Dicionário da MPB.

quarta-feira, julho 30, 2008

Segue teu caminho

Mário Zan
Segue teu caminho (tango, 1948) - Mário Zan e Arlindo Pinto - Interpretação: Sólon Sales

Disco 78 rpm / Título da música: Segue teu caminho / Arlindo Pinto (Compositor) / Mário Zan, 1920-2006 (Compositor) / Sólon Sales (Intérprete) / Mário Zan e Aymoré (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 02/01/1948 / Lançamento: 05/1948 / Nº do Álbum: 16898 / Nº da Matriz: 10804-1-R / Gênero musical: Tango brejeiro /Coleção de origem: Nirez


Hoje é meu dia e amanhã será o teu
Eu sei que um dia sofrerás mais do que eu
Embora digas que o passado não importa
Eu sei que um dia voltarás a minha porta

Mas se algum dia estiveres sem guarida
Se precisares de um prato de comida
Podes chegar que estarei ao seu dispor
Embora saibas muito bem
Que está morto o nosso amor

Vai, por esse mundo afora
Vai ver aonde é que mora a infelicidade
Para depois, voltar arrependida
Humilde e despida
De toda essa vaidade

Vai e segue o teu caminho
Que eu fico aqui sozinho
Aguardo o teu regresso
Porque quem age assim dessa maneira
Fazendo tanta asneira
Não pode ter progresso.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.