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segunda-feira, junho 10, 2013

Os Três Reis Magros


Héber de Bôscoli, radialista, apresentador de programas de auditório e compositor (falecido em 1956), teve o maior sucesso com o “Trem da Alegria", programa de rádio no Rio de Janeiro, que foi criado em 1942, em parceria com sua esposa, a atriz e humorista Iara Salles, e o grande compositor de marchinhas carnavalescas Lamartine Babo (que também era um ótimo humorista). Apresentavam-se como o "Trio de Osso" (os três eram magérrimos).

A audiência era tão grande que durante muito tempo teve de ser apresentado nos teatros, uma vez que o auditório das emissoras de rádio não comportava o grande público que desejava participar e assistir ao programa. O programa foi mantido no ar até 1955, um ano antes da morte de Héber. A propaganda, o panfleto do show acima, é do Natal de 1948.

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Fonte: Revista do Rádio n° 10, de Dezembro de 1948.

sábado, maio 18, 2013

A decadência dos trios


"Em comentário na CBN, falei sobre o trio final dos antigos times de futebol. Na formação clássica, o goleiro e os dois zagueiros formavam o aludido trio final: Castilho, Píndaro e Pinheiro, o trio final do Fluminense numa das melhores fases.

Não mais existe o trio final, agora são quatro zagueiros, mais o goleiro, formando o quinteto que nem chega a ser final, dois dos zagueiros vão para o meio-campo, somente o futebol de botão conserva a tradição.

Não foi apenas o trio final dos times que acabou. Acabaram, quase ao mesmo tempo, o Trio de Ouro (Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas), o Trio de Osso (Lamartine Babo, Yara Sales e Héber de Bôscoli), Trio Madrigal, Trio Esperança, Trio Irakitan, Trio Ternura, Trio Tamba, Trio Surdina, Trio Nagô, Trio Melodia. E o meu preferido, o Trio Los Panchos, na formação inicial com Navarro, Gil e Avilés (Insultado pela invasão de seu terreiro, Ruy Castro promete mais e melhor).

Não sei se nas igrejas ainda existem tríduos aos santos, os três dias formando o trio que antecede certas festas. No Rio, o mais popular era o de São Jorge. Que só perdia para o Tríduo Momesco, os três dias do Carnaval -que agora são quatro e, na Bahia, é o ano todo. O Concílio Vaticano 2 parece que acabou com o tríduo dos santos, e o "Manual da Redação" dos jornais acabou com o clichê do tríduo momesco.

Sou ignorante no assunto (e em muitos outros), mas acho que sobrou apenas o trio elétrico, atrás do qual só não vai quem já morreu. Faço parte dos que, entre outras muitíssimas coisas, não sabem que já morreu.

Mas, eia! sus! sus! Sobrou também aquele trio que forma o triângulo que não deixa de ser um trio, Ele, Ela e o Outro, sobre o qual a Commedia Dell'Arte baseou-se para criar o Pierrô, o Arlequim e a Colombina.

Ao citá-los, desconfio que ainda estou na era das cavernas. Um tempo em que não havia trios: era Um contra Todos."

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Fonte: Carlos Heitor Cony - Folha de S.Paulo, 04 de dezembro de 2004.