quinta-feira, janeiro 10, 2008

Aires

Aires (Doraci Aires de Arruda), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em São Paulo SP em 13/9/1932. Tocando violão, viola, guitarra ou cavaquinho, a partir de 1952 participou de vários conjuntos e orquestras, entre eles Clóvis e Eli (até 1954), Marinho e sua Orquestra (1955), Calisto e Conjunto.

Fazendo acompanhamento, gravou seu primeiro disco em 1961, época em que também começou a se apresentar em programas de rádio e televisão e ingressou na Grande Orquestra Tupi, de São Paulo.

Em 1962 passou a acompanhar Agostinho dos Santos em shows e gravações. No ano seguinte apresentou-se na Argentina e Uruguai com Robledo e seu Conjunto, atuando em 1964 na orquestra de Carlos Piper.

Entre 1964 e 1967 acompanhou o humorista Chico Anísio e o cantor Geraldo Vandré, tendo também participado (tocando viola) do Trio Novo, que acompanhou Jair Rodrigues na música Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros), vencedora do II FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1966, e do Quarteto Novo.

Em 1972 deixou de atuar na orquestra da Tupi e em 1974 fez acompanhamento nos LPs da Marcus Pereira, Música popular do Centro-Oeste/Sudeste.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

Nalva Aguiar

Cantora de diversos estilos e também atriz, Nalva de Fátima Aguiar nasceu no Triângulo Mineiro, na cidade de Tupaciguara-MG no dia 09/10/1945, tendo vivido uma infância humilde. Seu pai era alfaiate e também foi proprietário de um hotel.

Com apenas três anos de idade, Nalva já sonhava ser cantora e começava a "ensaiar os primeiros passos". Aos sete anos, passou a estudar acordeon. Nalva também chegou a ser professora da técnica desse instrumento musical.

Mais tarde, Nalva Aguiar começou a cantar em festas e também na emissora de rádio de sua cidade natal, além de outras emissoras de rádio da região e também na TV Triângulo Mineiro. Na primeira metade da década de 1960 participou de um dos Discos da dupla Nísio e Nestor.

No ano de 1966, Nalva trocou sua Tupaciguara natal pela capital paulista, época em que a Jovem Guarda estava no auge e era o que atraía a jovem cantora. No ano seguinte, ela representou o Estado das Minas Gerais num concurso na que teve lugar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro-RJ, onde fez sucesso ao interpretar em inglês a famosa canção Jambalaya (Hank Willians).

Ainda em 1967, Nalva Aguiar participou do filme Adorável Trapalhão ao lado de Renato Aragão. E em 1969 participou do filme 2000 Anos de Confusão também com Renato Aragão, além de seu companheiro Dedé Santana.

No início da década de 1970, Nalva Aguiar fazia sucesso com o estilo da Jovem Guarda, sendo que um dos seus grandes "hits" era a versão de Wando para o famoso tema do Cristiano (personagem interpretado por Francisco Cuoco) da novela Selva de Pedra, na Rede Globo, em 1972: Não volto mais (Rock And Roll Lullaby) (Barry Mann - Cyntia Weil - adapt.: Wando).

Em 1976 Nalva estourou nas paradas de sucesso com a gravação de Beijinho doce (Nhô Pai)
(apesar de ter sido num "ritmo pop"), gravação feita no ano anterior e que fez parte da trilha sonora do filme "O conto do vigário de Kléber Afonso e Barros de Alencar. O Compacto Simples com essa gravação (Epic/CBS Nº 66280) vendeu mais de 500 mil cópias e tinha no Lado B a música Amigos como antes (Totó).

Em 1977, Nalva participou do filme Entre o Céu e o Inferno, juntamente com a dupla Duduca e
Dalvan. E em 1979 ela participou também do filme Sinfonia Sertaneja, com Geraldo Meirelles e Marcelo Costa.

Como Compositora, teve a música Coração sofredor (Nhô Pai - Nalva Aguiar) gravada em
1983 pela dupla Tonico e Tinoco no LP Viva a viola, lançado em 1982 pela Copacabana (COELP 41873) e que foi remasterizado em CD.

Nalva é também autora de Triângulo mineiro (Nalva Aguiar - Itamar dos Santos), Sombra dos laranjais (Tupaciguara) (Nalva Aguiar - Itamar dos Santos), Reportagem (Teixeirinha - Nalva Aguiar), Rosana (Nalva Aguiar - Itamar dos Santos) e Cortina da saudade (Tião do Carro - Nalva Aguiar), apenas para citar algumas. Em 1984, Nalva Aguiar gravou em dueto com Teixeirinha o LP "Guerra dos desafios (Chantecler 2.74.405.157).

Consta em algumas biografias que Nalva Aguiar foi a primeira cantora a gravar Músicas de Renato Teixeira, apesar de que, ao que consta, o registro mais antigo de uma música de autoria desse compositor é de 1968, ano em que sua composição Madrasta (Beto Ruschel - Renato Teixeira) foi gravada por Roberto Carlos (LP O Inimitável - CBS 137585) e também pelo próprio Renato Teixeira (no LP IV Festival Da Música Popular Brasileira - Vol. 3 - 1968 - Philips R-765.067-L), além de Taiguara (LP O vencedor de Festivais" - Odeon MOFB 3570).
As três gravações em 1968.

Nalva, no entanto, realmente foi das intérpretes pioneiras em composições de Renato Teixeira, tendo gravado Interlagos (Renato Teixeira) e Não corto mais os meus cabelos (Renato Teixeira) em 1971 (7ª. e 8ª. faixas do LP Nalva - Beverly - SBLP-19009).

Dentre várias outras composições de Renato Teixeira, Nalva também gravou, numa belíssima interpretação, Nó na garganta (Renato Teixeira) (LP "Nalva Aguiar" - Entré/CBS - 104500 - 1981), além de Amora (Renato Teixeira), Amado irmão (Renato Teixeira) e Doradinho (Renato Teixeira) (LP Doradinho - Chantecler - 2.11.405.623 - 1983).

Além das composições de Renato Teixeira, Nalva Aguiar também gravou belíssimas páginas do repertório caipira raiz, como por exemplo Tá de mal comigo (Nhô Pai), Dia de Formatura (Moacyr Franco), Cabecinha no ombro (Paulo Borges), "Coração da Pátria" (Barrinha), Coração redomão (Tião do Carro - Moacyr dos Santos), Aurora do mundo (Goiá), Avenida Boiadeira (José Fortuna - Paraíso) e Peito de aço (Tião Carreiro - Lourival dos Santos), apenas para citar algumas.

Após um período ausente das gravações, tendo inclusive morado no Exterior, Nalva retornou ao Brasil e, após ter sido apresentada pelo Marcelo Costa (TV Record) à gravadora Velas, ela gravou o CD Nalva Aguiar (012 948-2) em 1999, o qual contou com a participação de Ivan Lins (na faixa 7: Bandeira do Divino (Ivan Lins - Vitor Martins)), Chitãozinho e xororó (na faixa 1: Meu bem querer (Djavan)), e Sérgio Reis (na faixa 4: Vende-se (Dêne)), além do locutor de rodeios Barra Mansa (declamando versos na faixa 10: "Oração do peão de boiadeiro" (Renato Teixeira)).

Agenor Flauta

Agenor Flauta, instrumentista. cantor e compositor. Fl. Rio de Janeiro RJ inícios do séc. XX. Morava na Rua Visconde de Itamarati, no Maracanã, Rio de Janeiro, e era empregado da Saúde Pública. Além de exímio flautista, cantava modinhas e compôs polcas e xótis.

"Agenor Flauta morava na rua Visconde de Itamaraty. Era empregado como chefe de turma, da Saude Publica. Amigo e companheiro de linha. Tocava com grande esplendor na sua flauta, que era de novo systema. Muito me ajudou nas pragas do Egypto quando eu era seu presidente.

Era chorão afamado, e acompanhei com meu violão ou cavaquinho, as suas melodiosas musicas de fazer admirar. Tinha um sopro macio e sublime. Tocava todos os choros dos grandes flautas antigos e tambem modernos. Tambem tocava todas as musicas de Candinho, de supplantar.

Cantava tambem bellas e sumptuosas modinhas de arrebatar. Era um excellente chefe de familia, o que muito valeu o seu bom nome. Escreveu alguns chôros bons que devem andar por ahi nos cadernos destes chorões da nova guarda" (Alexandre Gonçalves Pinto, em seu livro O Choro - Reminiscências dos chorões antigos).