Mostrando postagens com marcador 1900-1910. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1900-1910. Mostrar todas as postagens

terça-feira, dezembro 13, 2011

Abdon Milanez

Abdon Milanez (Abdon Felinto Milanez), compositor, pianista e teatrólogo, nasceu no município de Areias, PB, em 10/8/1858, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 01/04/1927. Como músico, escreveu peças como Heróis à força, Barbeirinho de Sevilha, A chave do inferno, Bico de papagaio, Fada azul, La reine du tango, Mosca azul, Dama de espada e outras operetas de beleza melódica e realce dramático.

Descendente de família ilustre do Brejo paraibano, com ascendência luso-italiana, e de grande prestígio político, Abdon logo cedo se transferiu para o Rio de Janeiro, tendo cursado Medicina na Faculdade de Medicina e Engenharia na Escola Politécnica, formando-se como engenheiro civil em 1880. Não fez estudos regulares de música, tendo-se iniciado no piano tardiamente. Em sua fase de estudante, compôs polcas e valsas, publicadas pela Casa Bevilacqua.

Iniciou sua carreira artística como compositor teatral. Escrevia operetas e revistas representadas com sucesso nos teatros Sant'Ana, Lucinda, Apolo, Fênix etc. Sua primeira obra, a opereta Donzela Teodora, com libreto de Arthur Azevedo, estreou em março de 1886 no Teatro Sant'Ana. Musicou ainda as peças A loteria do amor, de Coelho Neto, O bico do papagaio, de Eduardo Garrido, e A chave do inferno, de Castro Lopes, todas com muito sucesso.

Embora não possuísse formação tradicional como compositor, escreveu a ópera Primizie, em um ato, com libreto de Heitor Malagutti, que estreou em 1904, no Rio de Janeiro, tendo sido novamente encenada em 1921, no Teatro Municipal. Compôs ainda o Hino da abolição, a Marcha da imprensa, para orquestra e coros, e ainda músicas sacras-missas, te-déums, ladainhas, etc, que eram geralmente executadas na igreja da Cruz dos Militares.

Em 1916, substituiu o compositor Alberto Nepomuceno na direção da Escola Nacional de Música, cargo que exerceu até aposentar-se em 1922. Em sua gestão, foi terminada a construção do prédio da Rua do Passeio, tendo sido inaugurado em 1922 o Salão Leopoldo Miguez, uma das mais importantes salas de concertos do país, conhecida pela excelência de sua acústica. Inspirado na Sala Gaveau de Paris, seu interior é decorado com afrescos de Antônio Parreiras e Carlos Oswald.

Em 1923, assumiu a direção o Prof. Alfredo Fertin de Vasconcelos, que criou a orquestra do Instituto, cujo principal regente em seus primeiros anos foi o Maestro Francisco Braga.Além de partituras para operetas e revistas, compôs marchas, valsas, quadrilhas, lundus, entre outros gêneros populares.

Em 1927, ano de sua morte, o barítono Roberto Vilmar gravou para a Odeon seu tango canção Ai!.

Obras

A chave do inferno, A loteria do amor, A princesa flor, Ai!, Comeu!, Donzela Teodora, Herói à força, Hino da abolição, Hino do Estado da Paraíba (música), Marcha da imprensa, Mosca azul, O bico do papagaio, Primizie e Zé-povinho.

Bibliografia: Marcondes, Marcos Antônio. Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2a. edição. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

Fonte: Enciclopédia Nordeste.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Artur Virou Bode

Artur Virou Bode (Artur Menezes dos Santos), flautista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 31/12/1887, e faleceu na cidade de São Paulo, SP, em 09/08/1959. Era pai de Zuzuca do Flautim, conhecido nos círculos de choro da época.

Conhecedor de música, possuía uma boa leitura à primeira vista. Seu apelido "Artur Virou Bode" vem do fato de que, ao ter sido acometido de uma crise de bronquite durante uma sessão de choro, teve um acesso de tosse cuja sonoridade assemelhava-se ao som emitido por este animal.

O trombonista Candinho Trombone compôs a polca  Artur virou bode, em sua homenagem.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Honorino Lopes

Honorino Lopes (28/8/1884 Rio de Janeiro, RJ - 19/8/1909 Idem), compositor, morreu tuberculoso com aproximadamente 25 anos de idade.

Foi o compositor de um clássico do choro, Língua de preto, gravado pela primeira vez pela Banda da Força Policial do Estado de São Paulo, na Odeon, entre 1907 e 1912.

Em 1913, foi gravada pela Banda da Casa Edison. Obra que faz parte do repertório de chorões, conta com gravações de músicos como Henrique Cazes, entre outros. Abaixo uma interpretação de Garoto.

Título da música: Língua de preto / Gênero musical: Choro / Intérprete: Garoto / Compositor: Honorino Lopes / Gravadora Odeon / Número do Álbum 12966 / Data de Gravação: 00/1949 / Data de Lançamento 00/1949 / Lado: lado A  /  Acervo Humberto Franceschi  /  Disco 78 rpm:


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular do Brasil

terça-feira, outubro 12, 2010

José Rebelo da Silva

Zé Cavaquinho
José Rebelo da Silva (20/03/1884 Guaratinguetá, SP - 01/05/1951 Rio de Janeiro, RJ) , instrumentista, regente e compositor, conhecido também como Zé Cavaquinho, ainda jovem se mudou para o Rio de Janeiro, onde estudou cavaquinho na loja e fábrica de instrumentos Cavaquinho de Ouro. Posteriormente aprendeu a tocar violão e flauta.

Foi professor de violão (escreveu métodos para o estudo do cavaquinho), e também funcionário do Ministério da Agricultura.

Sua carreira artística começou ainda jovem e, em 1903, com apenas 19 anos, participou da serenata organizada por Eduardo das Neves em homenagem ao aviador brasileiro Santos Dumont que então regressa da Europa.

Por essa época também atuou em orquestras, tocando flautas, basicamente em apresentações em cinemas. Por essa ocasião, reunia-se frequentemente no Cavaquinho de Ouro com outros importantes músicos da época como Quincas Laranjeiras, Anacleto de Medeiros, Luís de Souza,Juca Kalut, Felisberto Marques, Catulo da Paixão Cearense, Luiz Gonzaga da Hora, Irineu de Almeida, além do maestro Heitor Villa-Lobos, entre outros.

Em 1907, foi um dos fundadores do famoso rancho carnavalesco Ameno Resedá, cuja reunião de fundação teria acontecido segundo alguns na ilha de Paquetá e segundo outros na barca que trazia o grupo fundador de volta à Praça Quinze, depois de um passeio à famosa ilha da Baía da Guanabara. 

Em 1908, formou e regeu a orquestra que era a grande atração do primeiro desfile do rancho Ameno Resedá, com o enredo "Corte Egipciana". Essa orquestra tinha mais de vinte músicos além do coral. Além de reger a orquestra do Ameno Resedá desfilou também como violonista e flautista e compôs várias marchas-ranchos para desfile do Ameno Resedá. Ainda em 1908, participou com Catulo da Paixão Cearense e outros de um famoso recital organizado pelo poeta na Escola Nacional de Música. Na ocasião usou um violão-bolacha fabricado pelo Cavaquinho de Ouro.

Em 1911, dirigiu a orquestra do Ameno Reseda no desfile de carnaval com o enredo "Corte de Belzebu". Na ocasião, apareceu empunhando sua flauta à frente da orquestra e da comissão de frente, em documento histórico reproduzido posteriormente por Jota Efegê no livro "Ameno Resedá - O rancho que foi escola". Nessa ocasião, participou nos jardins do Palácio Guanabara de uma apresentação especial do Rancho Ameno Resedá ao presidente da República Hermes da Fonseca e sua esposa Orsina da Fonseca.

Em 1928, foi homenageado pela Casa Cavaquinho de Ouro através de um folheto por ela publicado e em cujo texto, citado por Ary Vasconcelos, se lê "..é, na atualidade, por suas requintadas preocupações clássicas do solo, um autêntico esteta do violão." Entre suas composições destacaram-se a valsa Miragem, e os tangos Ipiranga e Guanabara, este último, gravado em 1930 pela Orquestra Brunswick.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

terça-feira, abril 08, 2008

Bento Mossurunga

Bento Mossurunga (Bento João de Albuquerque Mossurunga), regente, compositor e instrumentista, nasceu em Castro - PR, em 06/05/1879, e faleceu em Curitiba - PR, em 23/10/1970. Filho do tabelião João Bernardes de Albuquerque Mossurunga e de Graciliana Reis de Albuquerque Mossurunga, nasceu entre músicos (o pai e o irmão tocavam violão e viola, e as irmãs, órgão) e desde pequeno aprendeu a tocar violinha sertaneja. Cresceu em contato com violeiros populares, com a música produzida numa colônia de negros libertos que ficava perto de sua casa e com a música de bandas.

Tendo-se iniciado no piano com o ourives Manuel Cristino dos Santos, e em violino, teoria e solfejo com o italiano Augusto Mainardi, em 1895 foi para Curitiba, onde continuou os estudos com Adolfo Corradi, no Conservatório de Belas Artes. Na capital paranaense, além de trabalhar numa loja de chapéus e de estudar, freqüentava o Grêmio Musical Carlos Gomes, tendo convivido com os compositores e músicos da época. Depois de haver voltado a Castro em 1897, retornou a Curitiba em 1902, para retomar os estudos musicais; durante esse período lecionou piano e apresentou-se num café-concerto.

Em 1905, sua valsa Bela morena foi publicada pela revista carioca O Malho. Transferiu-se então para o Rio de Janeiro RJ, onde a princípio atuou como violinista no teatro de variedades Guarda Velha. Em 1907 ingressou no I.N.M. tendo estudado com Frederico Nascimento (harmonia), Francisco Braga (contraponto, composição e fuga) e Ernesto Ronchini (violino). Nessa época integrou, como primeiro violino, a orquestra do Centro Musical, regida por Francisco Braga.

Iniciou carreira de regente ao ingressar, em 1916, na companhia do Teatro São José, inicialmente como auxiliar do maestro José Nunes e, depois, com a morte deste, como diretor do teatro, a convite da Empresa Pascoal Segreto. De 1918 a 1922, supervisionou ensaios, fez instrumentações e musicou operetas, revistas e burletas, embora algumas passassem como de autoria de compositores conhecidos. Musicou peças de Luiz Peixoto, Cardoso de Meneses, Viriato Correia, Gastão Tojeiro, etc. Desempenhou depois a função de regente em diversos teatros cariocas, como o Lírico, o Apolo, o Carlos Gomes e o Recreio Dramático.

A 21 de setembro de 1924 casou com Belosina Lima. Em 1930, de volta a Curitiba, passou a dirigir um curso de música e a trabalhar na Sociedade Musical Renascença, além de haver fundado a Sociedade Orquestral Paranaense.

Sempre produzindo para o teatro musicado e compondo hinos, canções e obras para orquestra, em 1946 organizou, com um grupo de estudantes e músicos, a Orquestra Estudantil de Concertos, que em 1958 se transformaria na Orquestra Sinfônica da Universidade do Paraná.

Em 1947, seu Hino do Paraná (1903) tornou-se o hino oficial do Estado. Professor, lecionou canto orfeônico no Colégio Estadual do Paraná e instrumentação na Escola de Música e Belas Artes do Paraná.

Sua obra popular, que inclui numerosos sambas, tangos, choros, marchas carnavalescas, valsas, mazurcas, etc., perdeu-se em grande parte. Musicou, entre outras, as seguintes peças: Reco-reco, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses, 1921; Olelê olalá, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses (em colaboração com Freire Júnior), 1922; Segura o boi, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses, 1921; Meu bem, não chora!, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses (em colaboração com Assis Pacheco), 1922; Florzinha, opereta de Ivete Ribeiro (em colaboração com Henrique Vogeler), 1927; Gato, baeta, carapicu, revista de Cardoso de Meneses (em colaboração com Bernardo Vivas), 1920; Boas falas, revista de Bastos Tigre, 1927.

Obras

Música orquestral: Bucólica paranaense, s.d.; Dezenove de Dezembro, hino militar, 1904; Guaicará, s.d.; Hino do Paraná, 1903; Ingrata, mazurca, 1904; Marcha da cidade de Curitiba, s.d.; Ondas do Iapó, s.d.; Pintassilgo dos pinheirais, s.d.; Rincão, s.d.; Sapecada, s.d.
Música instrumental: Doce reminiscência, para piano, s.d.; Fantasia romântica, para violino e piano, s.d.; Serenata, para piano, s.d.; Serenata rústica, para celo e piano, s.d.
Música vocal: Bandeira do Brasil, para quatro vozes, s.d.; Berceuse, para canto e piano, s.d.; Canções paranaenses, para canto e piano, s.d.; Luar no mato, para canto e piano, s.d.; Nosso Brasil, para canto e piano, s.d.; , para canto e piano, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira: Popular, Erudita e Folclórica, 2ª edição revista e atualizada, página 524, São Paulo - SP, Art Editora e Publifolha, 1998.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Ernesto de Souza


No tempo em que a publicidade apelava para rimas para conquistar o grande público com baixa escolaridade, o cartaz no bonde anunciava: “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado. E no entanto, acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado!” (Ernesto de Souza, 15 de fevereiro de 1920).


Ernesto de Souza (1864 - 1928 - Rio de Janeiro - RJ), compositor, teatrólogo, farmacêutico e instrumentista. Nascido no centro do Rio de Janeiro, na Rua Buenos Aires, morou depois no Andaraí numa casa que tinha um galpão onde apresentava teatro com artistas amadores do bairro, com representações de revistas, comédias e operetas. Pai do músico Gastão Penalva.

Fez fortuna como industrial farmacêutico principalmente devido ao sucesso popular do seu Trinoz e Rum Creosotado, para o qual fez conhecido reclame publicitário. Foi grande proprietário de terras no Rio de Janeiro estendendo-se suas propriedades desde a Rua Uruguai na Tijuca até o trecho que se tornou depois o bairro do Grajaú.

Publicou reclames comerciais em forma de versos e também poemas na revista O Malho depois reunidos no livro Galhardetes. Colaborou ainda com o jornal A Noite. Foi autor do primeiro hino da República que não chegou a ser aproveitado. Foi homenageado ainda em vida com uma rua do bairro do Andaraí recebendo o seu nome.

Ficou famosa a sua cançoneta Quem inventou a mulata?, da peça junina São João na roça. Sua casa era frequentada por figuras como Artur Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Sátiro Bilhar e outros como os atores Figueiredo e Brandão.

Escreveu ainda com sucesso as músicas Mulata da Bahia, Me compra, ioiô e Angu do Barão.

Sua carreira artística começou no final do século XIX quando juntamente com Moreira Sampaio fundou o Clube Bogari, no qual criou uma orquestra de amadores com 25 componentes intitulada Estudantina Carioca grupo que apresentou diversos concertos.

É autor do famoso reclame publicitário afixado em bondes e veiculado nas rádios no século passado que dizia: "Veja ilustre passageiro/ O belo tipo faceiro/ Que o senhor tem a seu lado/ E, no entanto, acredite,/ Quase morreu de bronquite,/Salvou-o o Rum Creosotado".

Suas primeiras composições foram gravadas em 1902, as cançonetas Angu do barão e O arame pelo cantor Bahiano em disco Zon-O-Phone. Nesse ano, escreveu e dirigiu a revista A cançoneta.

Por volta de 1908, o tango A mulata da Bahia e a cançoneta O angu do Barão foram gravadas na Victor Record pelo cantor João Barros. Por essa época a cançoneta Me compra ioiô e a canção A mulata da roça foram gravadas pela cantora Iracema Bastos, e a cançoneta O arame, pelo cantor Acácio.

Foi tema do programa História das Orquestras e músicas do Rio apresentado por Almirante na Rádio Nacional. Segundo Almirante, deixou mais de 50 composições especialmente cançonetas.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Agenor Flauta

Agenor Flauta, instrumentista. cantor e compositor. Fl. Rio de Janeiro RJ inícios do séc. XX. Morava na Rua Visconde de Itamarati, no Maracanã, Rio de Janeiro, e era empregado da Saúde Pública. Além de exímio flautista, cantava modinhas e compôs polcas e xótis.

"Agenor Flauta morava na rua Visconde de Itamaraty. Era empregado como chefe de turma, da Saude Publica. Amigo e companheiro de linha. Tocava com grande esplendor na sua flauta, que era de novo systema. Muito me ajudou nas pragas do Egypto quando eu era seu presidente.

Era chorão afamado, e acompanhei com meu violão ou cavaquinho, as suas melodiosas musicas de fazer admirar. Tinha um sopro macio e sublime. Tocava todos os choros dos grandes flautas antigos e tambem modernos. Tambem tocava todas as musicas de Candinho, de supplantar.

Cantava tambem bellas e sumptuosas modinhas de arrebatar. Era um excellente chefe de familia, o que muito valeu o seu bom nome. Escreveu alguns chôros bons que devem andar por ahi nos cadernos destes chorões da nova guarda" (Alexandre Gonçalves Pinto, em seu livro O Choro - Reminiscências dos chorões antigos).

domingo, novembro 25, 2007

Manduca do Catumbi

Manduca do Catumbi, violonista, nascido (circa 1842) e falecido (circa 1920), provavelmente na cidade do Rio de Janeiro-RJ. Era padrinho de batismo do compositor e violonista Heitor Catumbi. Morava no Catumbi, bairro carioca do qual herdou o apelido.

Trabalhou em uma litografia na Rua da Assembléia. Faleceu em uma festa de núpcias, enquanto executava uma valsa. Acompanhador e solista muito famoso entre os chorões da velha guarda. Gostava de cantar lundus ao violão.

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, em seu livro O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), tocava com a cabeça caída sobre o instrumento e usava anéis de latão cravejados de pedras falsas:

"Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição, typo idoso, de cor parda, de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca, trabalhava numa litographia na rua da Assembléa, trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro, e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão."

"... era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões, porém, fazia proezas nas cordas de tripas, sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões, em bora não tendo elegancia, pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento, sabia tirar partido nos chôros que executava, ainda possuía uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados, era calmo, concentrado, modesto, e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo, porque se sabia conduzir entre outros chorões, de seu tempo, eis porque digo que Manduca de Catumby, fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham. Aqui, nestas linhas, fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda."

Fontes: O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), 1936- Alexandre Gonçalves Pinto; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

sábado, novembro 24, 2007

Felisberto Marques

Felisberto Marques (circa 1860 – circa 1920, Rio de Janeiro, RJ) era flautista, compositor e professor. Contemporâneo e amigo do maestro Anacleto de Medeiros, muito pouco se sabe a seu respeito. Participou da serenata que Eduardo das Neves, o palhaço Dudu, realizou em homenagem a Santos Dumont, em 1903.

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, "era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava as suas admiráveis composições, pois Felisberto, além de um bom executor, era um exímio professor de flauta".

Ainda em "O choro", Alexandre conta que "Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto, pela sua inteligência musical e seu fino trato":

“Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda, já fallecido, Felisberto Marques, mais conhecido por Maçarico. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiráveis composições, pois Felisberto além de um bom executor, era um exímio professor de flauta. Ultimamente, já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um súbito mal que com espanto de todos os seus admiradores, perdeu a embocadura, e nada mais pôde tocar. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma", "Tutú", "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto, pela sua inteligência musical e seu fino trato” (Alexandre Gonçalves Pinto).

Obras: Manoelita; Odalisca; Os deuses de Maricota; Paquetaense; Suspiros d'alma; Tutu.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora; O Choro – Reminiscências dos chorões antigos, 1936 – Alexandre Gonçalves Pinto.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Alfredo Português

Alfredo Português (Alfredo Lourenço), compositor, nasceu em Portugal no ano de 1885 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 10/9/1957. Marinheiro mercante, quando vivia em Portugal era fadista no bairro da Alfama, em Lisboa.

Veio para o Brasil como contratado da Marinha Mercante Brasileira, indo morar em Santo Antônio, bairro do Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, onde logo começou a freqüentar rodas de sambistas.Por volta de 1936, adotou Nelson Matos (que mais tarde seria conhecido como Nelson Sargento) como afilhado, que na época tinha 12 anos. Com ele começou a freqüentar a extinta escola Unidos da Mangueira, para a qual passou a comporem parceria com Moçoró. Nessa época já era conhecido como Alfredo Português.

Em 1941 atuava no programa A Voz do Morro, de Paulo Roberto, na Rádio Cruzeiro do Sul, do qual participavam também Cartola e Paulo da Portela, que conhecera na escola de samba Lira do Amor, do subúrbio carioca de Bento Ribeiro.

Por volta de 1947, convidado por Carlos Cachaça, foi para o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, tornando-se seu compositor. Em 1948 compôs Rio São Francisco, em parceria com seu afilhado, Nelson Sargento, e em 1950, com o mesmo parceiro, fez Apologia dos mestres.

O samba-enredo, homenagem de Mangueira a Miguel Couto, Osvaldo Cruz, Rui Barbosa e Ana Néri, não chegou a ser cantado na avenida. Uma semana antes do Carnaval, a direção da escola resolveu alterar o enredo, que passou a ser Saúde, Lavoura, Transporte e Educação, para o qual foi composto outro samba que acompanhou o desfile da Mangueira.

Em 1954, compôs o samba-enredo Aspectos do Rio e, em 1955, ainda com Nelson Sargento, fez Cântico à natureza, grande sucesso da escola, gravado por Jamelão, na Continental. Essa música seria regravada, mais tarde, ainda por Jamelão e, mais recentemente, por Renata Lu, sendo aclamada, em 1975, como um dos dez melhores sambas da escola.

Autor de muitos sambas, a maioria inédita em disco e só conhecida nos morros, era pintor de profissão. Obras: Apologia dos mestres (c/Nelson Sargento), samba-enredo, 1950; Aspectos do Rio, samba-enredo, 1954; Cântico à natureza (c/Nelson Sargento), samba-enredo, 1955; Rio São Francisco (c/Nelson Sargento), samba-enredo, 1948.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

domingo, março 12, 2006

Casimiro da Rocha

Casimiro da Rocha, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1880 e faleceu em 27/2/1912. Integrou a banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro na época de Anacleto de Medeiros.

Inspirado no pregão dos compradores de ratos durante a campanha de combate à peste bubônica, promovida por Oswaldo Cruz (1872-1917), compôs a polca Rato, rato, que se tornou célebre ao ser gravada em 1905 pela Casa Edison, com o seu autor ao trompete, Tute ao violão e Chico da Banana ao cavaquinho.

Para combater a peste bubônica que se alastrava pelo Rio de Janeiro em 1903, o diretor da Saúde Pública, Osvaldo Cruz, determinou uma desratização da cidade. Dentro dos limitados recursos que dispunha, organizou uma brigada de exterminadores, dando a cada um de seus integrantes a tarefa de apresentar o mínimo de cinco ratos mortos por dia. O que excedia a esse número era gratificado à razão de 300 réis por cabeça...

E lá saíam eles pelas ruas, carregando grandes latas e apregoando a compra de ratos: "rato! rato!". Tal pregão motivou Casimiro da Rocha, pistonista da Banda do Corpo de Bombeiros, a compor a polca "Rato Rato", sucesso que depois ganhou letra de Claudino Costa "Rato, rato, rato / Por que motivo tu roeste meu baú?" Em tempo: a guerra aos ratos deu certo. Em 4 de abril de 1904, foi anunciado oficialmente o fim da peste. A seguir algumas versões da música:

Rato rato (polca) - Casimiro da Rocha / Intérprete: Rocha, Casimiro / Gravadora Odeon / Número do Álbum 108069 / Gravação 1907-1912 / Lançamento 1907-1912 / Lado único / Disco 78 rpm:



Rato rato (cançoneta) - sem autor / Intérprete: Silva, Alfredo / Gravadora Odeon / Número do Álbum 10060 / Gravação 1907-1913 / Lançamento 1907-1913 / Lado único / Disco 78 rpm:



Rato rato (choro) - Casimiro Rocha e Claudino Rocha / Gênero musical Choro / Intérprete: Costa, Claudino / Gravadora Odeon / Número do Álbum 120062 / Gravação 1912-1915 / Lançamento 1912-1915 / Lado único / Disco 78 rpm:




Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34 e Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha