sexta-feira, julho 09, 2010

Edmundo Souto

Edmundo Souto (Edmundo Rosa Souto), compositor, instrumentista, escritor e arquiteto, nasceu em 30/3/1942, em Belém, PA. Aos oito anos, transferiu-se de Belém para o Rio de Janeiro com seus pais, fixando residência nesta cidade desde então.

Em 1963, compôs a trilha sonora do curta-metragem Garoto de calçada, de Carlos Frederico Rodrigues. Nesse mesmo ano, teve suas primeiras composições, De brincadeira (c/ Danilo Caymmi) e Candomblé (c/ Paulo Antônio Magoulas), gravadas em LP pelo Conjunto Mário Castro Neves.

Entre 1964 e 1966, estudou violão com Oscar Castro-Neves.

Em 1967, formou-se em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conciliando a atuação profissional nessa área com a carreira de compositor.

No ano seguinte, compôs, com Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, a música Andança, que conta com mais de 150 gravações, no Brasil e no exterior.

Destacou-se como compositor da geração dos festivais, tendo conquistado as seguintes premiações:

1968: 2º lugar no I Festival Universitário de Música Popular (RS) com "Canto pra dizer-te adeus (c/ Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós), defendida por Iracema Werneck (1968);

1968: 3º lugar na fase nacional do III Festival Internacional da Canção (FIC) com Andança, defendida por Beth Carvalho e o grupo Golden Boys;

1969: 1º lugar na fase nacional e 1º lugar na fase internacional do IV Festival Internacional da Canção (FIC) com Cantiga por Luciana (c/ Paulinho Tapajós), defendida por Evinha;

1969: 6º lugar na II Olimpíada Musical da Canção em Atenas (Grécia) com Rumo Sul (c/ Paulinho Tapajós), defendida por Beth Carvalho;

1974: 4º lugar no Festival Universitário de Juiz de Fora com Pra ninguém chorar (c/ Paulo César Pinheiro), defendida por Beth Carvalho.

Em 1970, compôs para trilhas sonoras de novelas as canções Tema de Regina (c/ Paulinho Tapajós), para a novela A próxima atração (TV Globo), e Onde você mora (c/ Paulinho Tapajós), para a novela Verão vermelho (TV Globo).

Em 1984, escreveu, com Paulinho Tapajós, o livro infantil Verde que te quero ver (Editora Record), cujo texto foi adaptado, pelos autores, para um musical infantil de televisão (Rede Globo) e teatro. Compôs algumas músicas da trilha sonora do musical, posteriormente lançada em LP. Ainda nesse ano, a escola de samba Unidos do Cabuçu venceu o desfile com o samba-enredo "Beth Carvalho, a enamorada do samba", de sua autoria e dos parceiros Iba Nunes, Luís Carlos da Vila e Paulinho Tapajós.

Em 1989, escreveu o livro infantil, A pipa arco-íris, publicado pela Editora Record. Adaptou o texto para o teatro e compôs a trilha sonora do musical.

Em 1999, concluiu o MBA (Master Business Administration) em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em 1999 e 2000, trabalhou na Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Idealizou e produziu a Sinfonia Sacopenapã, composta de dezessete canções em homenagem à Lagoa, bairro do Rio de Janeiro, tendo parceiros como Sérgio Natureza e Paulinho Tapajós, entre outros. A Sinfonia Sacopenapã foi apresentada no Parque do Cantagalo, na Lagoa (RJ).

Obra

Andança (Edmundo Souto / Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós); Ao Chico com carinho (Edmundo Souto / Moacyr Luz e Paulinho Tapajós); Alpendre da Saudade (Edmundo Souto / João Pacífico); Água-pé (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Beth Carvalho, a enamorada do samba (Edmundo Souto / Iba Nunes, Luís Carlos da Vila e Paulinho Tapajós); Bloco Leblon (Edmundo Souto / Tavito); Boto desbotado (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Caminho de São Thiago (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Caminhos (Edmundo Souto / Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós); Candomblé (Danilo Caymmi e Paulo Antônio Magoulas); Cantiga por Luciana (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Canto de saudade (Edmundo Souto / Paulo Antônio Magoulas); Canto pra dizer-te adeus (Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós); Cavalheiro andante (Edmundo Souto / Arnoldo Medeiros); Cansaço (Edmundo Souto / Paulo César Pinheiro); Canção do arco-íris (Edmundo Souto / João Pacífico e Paulinho Tapajós); Conquista do cacique (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Contraste (Edmundo Souto / Arnoldo Medeiros); Canção do despertar (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Dança de brinquedos (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); De brincadeira (Edmundo Souto / Danilo Caymmi); De pé no chão (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Disfarce (Edmundo Souto / Noca da Portela); História de São João Batista (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Joatinga (Edmundo Souto / Beth Carvalho e Paulinho Tapajós); Mais que um sorriso (Edmundo Souto / Jorge Aragão) Onde você mora (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Palhaço real (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Pra ninguém chorar (Edmundo Souto / Paulo César Pinheiro); Rancho dos boêmios (Paulinho Soares e Nei Barbosa); Reencontro (Edmundo Souto / Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós); Regina (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Rumo sul (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Samba-enredo exaltação à mulher (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Sempre só (Edmundo Souto / Joaquim Vaz de Carvalho); Só quero ver (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Soda com cachaça (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Sou frevo (Edmundo Souto / Arnoldo Medeiros); Vaqueirada (Edmundo Souto / Bororó Felipe e Nei Lopes); Verde que te quero ver (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós); Verso e cantoria (Edmundo Souto / Bororó Felipe e Paulinho Tapajós); Vivências (Edmundo Souto / Chico Lessa e Paulinho Tapajós); Xote dos pássaros (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Wikipédia.

Você também é responsável

Você também é responsável (canção, 1969) - Dom e Ravel


Introdução: Gm

D                  Gm
Eu venho de campos, subúrbios e vilas,
D                    Gm
Sonhando e cantando, chorando nas filas,
D#                D
Seguindo a corrente sem participar,
Cm                 D
Me falta a semente do ler e contar
Gm                 D
Eu sou brasileiro anseio um lugar,
Gm           D#          D
Suplico que parem , prá ouvir meu cantar
F          F7          Bb
Você também é responsável,
F            F7          Bb
Então me ensine a escrever,
F            F7           Bb
Eu tenho a minha mão domável,
F            F7        Bb        D
Eu sinto a sede do saber (do saber, do sabe-er)
Gm             D                     Gm
Eu venho de campos, tão ricos tão lindos,
D                    Gm
Cantando e chamando, são todos bem vindos
D#               D
A nação merece maior dimensão,
Cm                D
Marchemos prá luta, de lápis na mão
Gm                 D
Eu sou brasileiro anseio um lugar,
Gm           D#          D
Suplico que parem , prá ouvir meu cantar
Refrão 

Dom e Ravel

Dom e Ravel - Os irmãos Eduardo Gomes de Farias, 1947- (Ravel) e Eustáquio Gomes de Farias 21/08/1944 - 10/12/2000, (Dom) nascidos em Itaiçaba, Ceará, mudaram-se, ainda pequenos, para São Paulo, na década de 1950, com os pais e a irmã caçula Eva. Foram criados na periferia de São Paulo, onde foram morar. Eduardo foi apelidado de Ravel por um professor de música, por causa de sua aptidão para a arte.

Ingressando na carreira artística por volta do início dos anos 1960, a dupla, já como Dom & Ravel, lançou em 1969 o primeiro LP, Terra boa, que trazia Você também é responsável, transformada, dois anos depois, pelo ex-ministro da Educação, Jarbas Passarinho, em hino do Mobral, o Movimento Brasileiro de Alfabetização.

Mas seria na virada dos anos 1970 que dupla atingiria seu maior sucesso, através de sua composição Eu te amo meu Brasil, gravada pelo conjunto Os Incríveis. A obra rendeu-lhes, ao mesmo tempo, sucesso e rotulações de bajuladores da direita. Tais críticas ocorreram devido ao caráter ufanista,daquela canção, que foi utilizada, no contexto político daquele momento, em pleno auge da ditadura, pelos governos militares. Somando-se à temática ufanista, também foi sucesso sua composição Obrigado, homem do campo.

O sucesso de Eu te amo meu Brasil teria levado o então governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré, a sugerir ao ex-presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, que a citada canção fosse transformada em hino nacional. Médici nada teria respondido. Mas a notícia teria sido divulgada na imprensa e os artistas começaram a ser apontados como arautos da ditadura. A música, segundo Ravel, foi composta, na verdade, para aproveitar a onda do tricampeonato da seleção de futebol. Todavia, em entrevista de 2001 à Veja, o músico declara:'Mas nossos sobrenomes Gomes de Farias ajudaram a aumentar a confusão', lembrando a associação que as pessoas faziam com o brigadeiro Eduardo Gomes e o general Cordeiro de Farias. Falava-se, então que os irmãos eram filhos de militares. Na verdade, o pai deles era um pequeno comerciante paraibano e a mãe, uma dona-de-casa cearense.

Em 1971, tiveram a música Praia de Iracema gravada pelo grupo paulista Demônios da Garoa no LP Aguenta a mão , joão, lançado pela Chantecler. Em 1972, a dupla foi selecionada para participar do LP coletânea Os grandes sucessos, lançado pela RCA , com a música Você também é responsável.

Em 1973, Dom & Ravel gravaram Animais irracionais, falando de injustiça social. A direita não gostou e os dois sentiram uma certa má-vontade da mesma ditadura que com eles simpatizara, sendo o disco e a música afastados das rádios.

Em meados dos anos 1970, a dupla se separou, e ambos seguiram carreira solo.

Com a morte do irmão Dom, em dezembro de 2000, vítima de um câncer de estômago, Ravel, com uma vista prejudicada por um acidente, lançou, em 2001, o CD Deus é o juiz, em sua homenagem, com sucessos da dupla. "Eu te amo meu Brasil" não foi selecionada para o disco.

Obra

Eu te amo meu Brasil /Glória aos jovens (Dom) /O caminhante (Dom e Aziz) /Obrigado, homem do campo / Você também é responsável.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Bioagrafia de Dom e Ravel- Letras.com.br.