sexta-feira, janeiro 07, 2011

Ferreira Gullar

José Ribamar Ferreira
Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), poeta, crítico, letrista e teatrólogo, nasceu em São Luís, Maranhão, em 10/9/1930. Com uma poesia de cunho social tornou-se um dos mais importantes poetas brasileiros surgidos após o movimento modernista (1922).

O quarto dos 11 filhos do comerciante Newton Ferreira e de Alzira Ribeiro Goulart, foi educado em um colégio católico de São Luís. Entrou pra a Escola Técnica de São Luís (1943) e a partir de sua primeira paixonite, aos treze anos, decidiu ficar recluso dentro de casa lendo e escrevendo poemas.

Ao ganhar (1945) um concurso de redação sobre o Dia do Trabalho, em sua escola, resolveu que se tornaria um escritor. Conseguiu publicar em um jornal seu soneto O trabalho (1947) e, no ano seguinte (1948) passou a colaborar no suplemento literário do Diário de São Luís. Com o apoio do Centro Cultural Gonçalves Dias e com recursos próprios, conseguiu publicar a coletânea Um pouco acima do chão (1949), seu primeiro livro, e foi premiado em um concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras (1950) e mudou-se para o Rio de Janeiro. 

Publicou A luta corporal (1954), obra considerada precursora do movimento paulista de poesia concreta. Com Poemas (1958) mostrou-se neoconcretista e liderou o movimento no âmbito carioca, com a publicação do ensaio-manifesto Teoria do não-objeto (1959). 

Encerrou a fase formalista (1961) e aderiu à poesia politicamente engajada do movimento Violão de Rua, do Centro Popular de Cultura, o CPC da União Nacional dos Estudantes, a UNE, do qual era presidente quando sobreveio o golpe militar (1964) e em dezembro (1968), após assinado o Ato Institucional nº 5 ele foi preso. 

Após um longo período vivendo na clandestinidade, parte para o exílio (1971) , primeiro em Moscou e depois em Santiago, Lima e Buenos Aires. Enquanto morava fora do país, colabora para O Pasquim, Opinião e outros jornais usando o pseudônimo de Frederico Marques. Absolvido (1974) pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de pertencer ao Comitê Cultural do Partido Comunista Brasileiro, continua refugiado em Buenos Aires para não ser preso no Brasil. A editora Civilização Brasileira publicou Poema sujo (1976), lançado no Rio ainda sem sua presença. 

No ano seguinte voltou ao Brasil, mas foi preso no dia seguinte pelo Departamento de Polícia Política e Social, o famigerado ex-Dops, onde foi interrogado e ameaçado durante 72 horas, mas graças ao esforço de amigos, consegue ser libertado e, aos poucos, retomou seu trabalho no país. 

Pela primeira vez, um livro seu foi traduzido e publicado em outro idioma: La lucha corporal y otros incendios, em Caracas. Gravou um disco, Antologia poética de Ferreira Gullar pela Som Livre (1979), mesmo ano em que estreou Um rubi no umbigo, primeira peça que escreveu individualmente, começou a trabalhar no núcleo de teledramaturgia da Rede Globo e ganha o prêmio Personalidade Literária do Ano, da Câmara Brasileira do Livro. 

Foi nomeado (1992) pelo presidente Itamar Franco diretor do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, o Ibac, e permaneceu no cargo por mais de três anos (1992-1995), período suficiente para devolver à instituição seu antigo nome, Funarte. 

Ganhou muitos prêmios literários e foi eleito o Homem de Idéias do ano pelo Jornal do Brasil (2004). Outros destaques em sua obra foram Dentro da noite veloz (1975), com poemas escritos nos últimos 13 anos (1961-1974), Na vertigem do dia (1980), Sobre arte (1984), Etapas da arte contemporânea (1985), Barulhos (1987) e Indagações de hoje (1989). 

Para o palco, escreveu Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come (1966), com Oduvaldo Viana Filho, com a qual e ganhou o Molière, o Saci e outros prêmios, A saída? Onde fica a saída? (1967) em parceria com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa, e Dr. Getúlio, sua vida e sua glória (1968), com Dias Gomes, todas encenadas no Rio de Janeiro, pelo Grupo Opinião. 

Como ensaísta, suas principais obras são Vanguarda e subdesenvolvimento (1969) e Uma luz no chão (1978).

Fontes: Net Saber - Biografias; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Osvaldo Guilherme

Osvaldo Guilherme e Denis Brean - 1964
Osvaldo Guilherme, compositor, nasceu em Campinas, SP, em 7/3/1919. Em 1942 conheceu o compositor Newton Teixeira, e com ele fez sua primeira composição, O que há com você, gravada no mesmo ano por Isaura Garcia, na Victor.

No início do ano seguinte conheceu o compositor Denis Brean, e pouco depois era convocado pelo Exército, no qual permaneceu por 28 meses.

Nessa ocasião compôs Em tudo há uma saudade, gravada por Ely Camargo, e Seresteiro, em parceria com Newton Teixeira, que a gravou posteriormente.

Retornando à vida civil, reativou a parceria com Denis Brean, com quem havia deixado algumas letras. A primeira música gravada da dupla foi Onde há fumaça há fogo, em disco Odeon, por Joel e Gaúcho. Em seguida o cantor Bob Nelson gravou Como é burro o meu cavalo, também da dupla.

Com Denis Brean compôs seus maiores sucessos, como: Franqueza, Raízes, Conselho, A mulher do meu amigo, Chora, coração, Festa do samba, Cadência do Brasil, Grande Caruso, Andorinha, Presença de Maria e Sinal dos tempos. A dupla teve várias músicas gravadas no exterior, assim como composições incluídas em filmes nacionais.

Sem parceria, gravou diversas músicas, como: Na fumaça de um cigarro, Quando o amor morre, Coisas tolas, o Hino Oficial do Guarani F C. e o Hino a Nossa Senhora das Graças.

É funcionário público aposentado do Instituto Agronômico de Campinas, onde sempre residiu.

Obra

Conselho (c/Denis Brean), samba, 1957; Convite ao samba (c/Denis Brean), samba, s.d.; Franqueza (c/Denis Brean), samba, 1957; Grande Caruso (c/Denis Brean), marcha, 1952; A mulher do meu amigo (c/Denis Brean), samba, s.d.; O que há com você (c/Newton Teixeira), 1942; Seresteiro (c/Newton Teixeira), s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

Rui Guerra


Rui Guerra (Rui Alexandre Guerra Coelho Pereira), compositor e cineasta, nasceu em Maputo, Moçambique, em 22/8/1931. Tomou contato com os compositores populares quando o Centro Popular de Cultura, no Rio de Janeiro, iniciou suas atividades, compondo com Sérgio Ricardo Esse mundo é meu, incluída no LP Um senhor talento, da Elenco, 1963.

Aproximou-se então de Edu Lobo, com quem escreveu Reza, Aleluia, Canção da terra e Réquiem para um amor, incluídas no LP A música de Edu Lobo, ainda da Elenco, 1965. Com esse mesmo parceiro, fez Jogo de roda, incluída no LP Edu Lobo, Philips, 1967, e Mariana, Mariana, gravada em 1970 no LP Cantiga de longe, da Elenco.

Experimentou então nova parceria, com Marcos Valle, compondo Bloco do eu sozinho, gravado em 1968 no LP de seu parceiro Viola enluarada, Odeon. Depois, com Milton Nascimento, compôs a canção Canto latino, do LP Milton, Odeon, 1970, e as canções da trilha sonora de seu filme Os deuses e os mortos, de 1971.

Retomando a antiga parceria com Edu Lobo, compôs as canções da trilha sonora da peça Woyzeck, de Georg Büchner (1813—1837), encenada em 1971 no Teatro casa Grande, do Rio de Janeiro, sob a direção de Marilda Pedroso.

Seu parceiro seguinte foi Chico Buarque, criando as canções da peça Calabar, escrita pelos dois, que não foi encenada. Essas músicas apareceram no LP Chico canta, da Philips, em 1974, destacando-se, entre outras, Bárbara, Tatuagem, Fado tropical e Ana de Amsterdam.

Com Francis Hime escreveu Meia luz, Teima e Ave Maria, incluídas no LP deste. Dirigiu ainda espetáculos musicais com Francis Hime e Dori Caymmi, Baden Powell, Alaíde Costa e Dulce Nunes, Milton Nascimento com o Som Imaginário, e Chico Buarque com o MPB-4.

Obra

Aleluia (c/Edu Lobo), 1965; Ana deAmsterdam (c/Chico Buarque), 1974; Bárbara (c/Chico Buarque), 1974; Boi voador (c/Chico Buarque), 1973; Cala a boca, Bárbara (c/Chico Buarque), 1973; Canto latino (c/Milton Nascimento), 1970; Fado tropical (c/Chico Buarque), 1974; Maré morta (c/Edu Lobo), 1972; Não existe pecado ao sul do Equador (c/Chico Buarque), 1973; Réquiem para um amor (c/Edu Lobo), 1965; Reza (c/Edu Lobo), 1965. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.