quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Lulu Santos

Lulu Santos (Luiz Maurício Pragana dos Santos), cantor, compositor, guitarrista e produtor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4/5/1953. Já vendeu mais de 7 milhões de discos, tem 16 singles no Brasil e 29 canções entre as 10 mais tocadas. Filho de pai militar, começou a tocar aos doze anos de idade formando uma banda inspirada nos Beatles chamada de Cave Man. Contrariando o desejo de seu pai, de que também se tornasse militar, fugiu de casa antes de completar o colegial, percorrendo o Brasil com os hippies.

Aos dezenove anos, tocava no grupo Veludo Elétrico com Fernando Gama e Paul de Castro. Um ano depois, Lulu e Lobão formaram a banda Vímana, da qual saiu por não concordar com os rumos que a banda acabou seguindo. Após trabalhar como músico freelancer, Lulu Santos resolveu seguir carreira solo. Antes de virar músico trabalhou como colunista em revistas como a "Som Três" escrevendo comentários sobre os álbuns da época.

Em 1981, assinou com a gravadora WEA e assumiu o nome de Lulu Santos, gravando Tesouros da juventude, em parceria com o jornalista Nelson Mota. Seguiram-se outras músicas de sucesso: em 1982 Tempos modernos, O ritmo do momento (1983), O último romântico (1984) - cujo arranjo musical foi fortemente influenciado por uma música de George Harrison - Greece, do álbum Gone Troppo de 1982, Tudo azul (1984), Normal (1985), Lulu (1986) e Toda forma de amor (1988).

Em 1985, Lulu participa, com êxito, do "Rock in Rio" e dois anos depois é premiado com o disco de platina. O cantor recusa o prêmio na cerimônia de entrega por não ter atingido o limite mínimo de vendas de 250 mil cópias. Entrou em um período de crise a seguir, quando tentou aproximar o pop com os ritmos brasileiros, através dos trabalhos Popsambalanço e Outras levadas, Honolulu e Mondo cane.

Mas a parceria com o DJ Memê, iniciada na sequência, alavancou novamente sua carreira com discos como Assim caminha a humanidade (1994), no qual a faixa-título se tornou tema de abertura do seriado da Globo Malhação, entre 1995 e 1999.

Com o gênero disco, trabalhou com o produtor Marcelo Mansur em "Eu e Memê, Memê e eu" (1995). Seguiram-se Anticiclone tropical (1996), Liga lá, assumindo a produção, sendo o álbum mestrado pelo tropicalista Rogério Duprat em 1997, um tempo depois veio Calendário (1999) e o Acústico MTV (2000), lançado em dois volumes.

Em 2002, Lulu grava o disco Programa e, em 2003, lança Bugalu, novamente em parceria com o Dj Memê, em 2004 é lançado o MTV ao Vivo.

No ano de 2005, como lançamento de seu disco, segue Letra e música, com a turnê Popstar.

Em 2007 Longplay, onde ficou 3 anos em turnê pelo Brasil e outros países, o show foi visto por mais de 5 milhões de pessoas, acompanhado de uma super banda e se utilizando do que há de mais moderno em tecnologia com paredes de led, iluminação e projeções feitas especialmente para o show, com clipes interativos.

No final de 2009, flerta com o samba novamente no álbum Singular recheado de canções pop no melhor estilo que o consagrou.

Em meados de 2010, em comemoração aos seus 30 anos de carreira solo, aos 20 anos da MTV Brasil e aos 10 anos da gravação do seu primeiro Acústico MTV, Lulu lança o seu Acústico MTV Vol. 2.

Foi casado por 28 anos com a jornalista Scarlete Moon, a qual conheceu em uma festa na casa de Caetano Veloso. Lulu não teve filhos. Em 2012, passa a ser jurado do "The Voice Brasil", junto de Claudia Leitte, Daniel e Carlinhos Brown.


Fontes: Centro América FM - Cuiabá MT; Wikipédia.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Sônia de Carvalho, uma intérprete vitoriosa

Sônia Carvalho - CARIOCA Setembro/1936
O samba encontrou em Sônia de Carvalho uma intérprete diferente. Justamente por ter nascido em São Paulo, Sônia procurou inventar um novo estilo de samba, adaptando-o à sua voz bonita.

Hoje, a música tão popular adquire coloridos diversos, quando interpretados pela vitoriosa artista.

— Não é um samba de cimento armado - declarou Sônia, sorrindo. — Nasceu em São Paulo, mas possui um ritmo diferente. Eu mesma procuro retardá-lo, porque o meu samba não tem pressa, nem procura subir para o céu ... Ele está tão bem, aqui! ...

Sônia olhava a cidade do 22° andar do edifício de "A Noite". Ali, na Rádio Nacional, ela tem sido um motivo constante de admiração. Surgiu junto com todos os outros artistas. Mas a diferença é que Sônia é ela mesma ...

Brincando de ficar vitoriosa

— Um dia, eu tive um desejo ingênuo. Quis agradar aos ouvintes, gravar discos, contratar-me numa grande estação e ter a impressão de estar satisfeita. Tudo isso junto parece muita coisa, mas eu o consegui em pouco tempo. Três anos de microfone e discos. . . Agora, essa brincadeira me surpreende, porque deu certo.

Sônia não pertence a essa classe de artistas que quase morrem do coração diante de elogios. É algo displicente a esse ponto, quase tímida. Dona de uma figura graciosa, não gosta de aparecer.

— Eu poderia dizer que detesto a publicidade, mas isso, declarado assim publicamente, adquire um sentido inverso.

Sônia tem outra particularidade notável: gosta de ser sentimental e triste, ao ponto de não ligar a menor importância à alegria alheia.

— Acho que toda criatura que possui sentimento tem a obrigação de ser um pouco triste, afim de não desagradar ao coração, nem entrar em desacordo com a vida.  Gosto da minha arte. Mas acho o amor infinitamente mais humano. A prova é que todos amam, mas nem todos são artistas ...

Sônia de Carvalho começou a cantar na Rádio Educadora Paulista. Veio várias vezes ao Rio, a passeio. Agora, contratada com exclusividade, ela se declara perfeitamente satisfeita, mas observa:

— O ambiente radiofônico agrada, mas não é uma finalidade. A existência feminina anda sempre às voltas com outros problemas: o matrimônio, o amor, etc. Pela minha parte, penso em me casar e ter um lar sossegado.

Ela possui atualmente um repertório musical inédito, composto de músicas de Sinval Silva, Assis Valente e outros. Compositora inspirada, Sônia de Carvalho já gravou composições suas que obtiveram êxito.

Agora irá gravar inúmeros outros sambas. E continuará cantando e vencendo, pelo menos enquanto o seu coração continuar seguindo o ritmo bonito e retardado dos seus sambas ...


Fonte: CARIOCA, de 26/9/1936 (texto atualizado).

domingo, fevereiro 02, 2014

Inauguração da Rádio Nacional: o evento

Fotos: Elisa Coelho, a magnífica intérprete de canções brasileiras, quando era apresentada por Celso Guimarães, um dos melhores "speakers" com que conta atualmente o Rio; Bidu Sayão, a maior cantora do Brasil e uma das melhores do mundo, emprestou brilho excepcional à inauguração da PRE-8, cantando duas lindas canções; Orlando Silva, o inconfundível cantor de nossa música sentimental e um dos grandes sucessos da noite de estreia da PRE-8.


Eis aqui, amigos, amantes da MPB e arqueólogos musicais, mais uma reportagem da revista CARIOCA intitulada "Do Rio para todo o Brasil", de 19/9/1936, sobre a festa da inauguração da PRE-8, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, ocorrida em 12/9/1936, e, que bom: com fotos ...

"Teve um brilho excepcional a inauguração da Sociedade Rádio Nacional. No estúdio do edifício de "A Noite", além de vários membros do governo, representantes de altas autoridades, deputados, vereadores, delegações de instituições culturais, de sociedades difusoras, artistas e membros de letras, compareceram as mais representativas figuras da sociedade brasileira.

Fotos: Bob Lazy, o interessante intérprete de "foxes" gênero "hot", cantando acompanhado por Pereira Filho, "The music goes round and around"; a cantora paulista Roxane, interpretando canções francesas, foi, acompanhada pela orquestra, sob a direção de Romeu Ghipsman.
Entre os presentes se notavam o presidente do Senado Federal, embaixadores da França, Portugal e Japão; ministros de Estado, presidente da Academia Brasileira, da Câmara Municipal, da Associação Brasileira de Letras, diretor do Departamento Nacional de Propaganda e Difusão Cultural e várias outras personalidades de relevo.

A solenidade foi iniciada executando-se o Hino Nacional pela orquestra do Teatro Municipal. Em seguida, falou o Dr. Medeiros Netto, presidente do Senado. Seguindo com a palavra, abençoando a Rádio Nacional, o Cardeal Arcebispo, falou do Palácio de S. Joaquim, ao microfone da PRE-8. (À direita Nuno Roland - catarinense de Joinville -, grande intérprete de nossa música, que cantou pela 1a. vez no Rio).

Fotos: Sylvinha Mello, como intérprete do nosso folclore, é um dos mais destacados nomes do "cast" da PRE-8. Na inauguração da nova estação, Sylvinha foi um dos grandes sucessos; Amalia Diaz, a intérprete de tangos da PRE-8, apresentando uma interessante música argentina; o samba tem em Aracy de Almeida uma de suas maiores intérpretes. Inaugurando a PRE-8 e cantando um samba carioca, ela mais uma vez reafirmou a sua incomparável interpretação.


Falaram a seguir, proferindo expressivas orações, o embaixador de Portugal, na qualidade de sub-decano do corpo diplomático; o ministro da Educação, como orador oficial da cerimônia; os embaixadores da França e do Japão e o representante do embaixador argentino; presidente da Câmara Municipal o diretor do Departamento Nacional de Propaganda, o presidente da Confederação de Radiodifusão, o presidente da A. B. I., o Sr. Castellar de Carvalho, nosso companheiro de "A Noite", e o diretor-presidente da Sociedade Rádio Nacional, Dr. Cauby de Araújo.

Fotos: A inauguração da Rádio Nacional foi prestigiada pela presença de grande número de pessoas da nossa melhor sociedade, como se pode avaliar pela fotografia; Sônia Carvalho, a querida estrela de São Paulo, cantando um samba, acompanhada pelo Regional da PRE-8, com Pereira Filho e Dante Santoro.

 Os destacados cantores do elenco do Municipal, Bidu Sayão, Maria de Sá Earp, Giuseppe Danise, Bruno Landi, Aurélio Marcato, a ilustre pianista Dyla Joseti, o conhecido artista Mário de Azevedo e a orquestra do Teatro Municipal executaram a parte de honra do programa musical, a que se seguiram os demais números a cargo do "cast" da Rádio Nacional, que se inaugurou assim com um acontecimento mundano de raro brilho e grande repercussão."

Dolly Ennor cantando a música de câmera - "La Wally", que obteve um dos maiores sucessos da noite.


Eis a inauguração da famosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1936, cujo evento aqui é ilustrado pela revista CARIOCA, com fotos de alguns artistas, alguns esquecidos pelos brasileiros, que nem sequer possuem uma biografia digna aqui na NET. Boa Noite!


Fonte: CARIOCA, de 19/9/1936 (texto atualizado e fotos).