sábado, maio 01, 2010

Ochelsis Laureano

Ochelcis Aguiar Laureano (foto) foi violeiro, compositor e cantor. Nasceu em 01 de maio de 1909 em Rio Acima, pertencente ainda a Sorocaba, onde hoje é a cidade de Votorantim-SP. Faleceu em 16 de janeiro de 1996.

Foi um dos mais destacados compositores da música caipira de raiz do início do Século XX, tendo feito parte das Caravanas de Cornélio Pires no início dos anos 30, e tendo sido artista na Era do Rádio brasileiro, do final dos Anos 20 até os Anos 50, tendo aí brilhado como compositor, como violeiro, e como intérprete musical, constituindo parcerias famosas nos programas sertanejos das rádios de São Paulo e do Rio de Janeiro:

Formou as duplas “Irmãos Laureano” (com seu irmão João Aguiar Laureano, o Joãozinho), “Laureano e Soares” (com seu cunhado Álvaro Soares, o Soarinho), “Laureano e Mariano” (com Mariano da Silva, pai do músico Caçulinha), “Laureano e Cap. Furtado” (com Ariovaldo Pires, famoso compositor, sobrinho de Cornélio Pires), e os trios “Laureano, Mariano e Serrinha” (com Antenor Serra, autor do sucesso “Chitãozinho e chororó”, com Athos de Campos), “Laureano, Cap. Furtado e Nhá Zefa” (foto: Laureano também fez parte do "Quarteto da Saudade" juntamente com Serrinha, Mariano e Arnaldo Meirelles).

Sobre a vida de compositor, destaca-se sua criatividade múltipla que, para além da música caipira e da poesia, levou-o, também, a compor músicas sacras, fazer regência de coral e lecionar música, lembrando que Ochelsis fez estudos musicais e de regência coral na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, com Heitor Villa-Lobos. Destaque para o poema “Capim Teimoso”, “Lenço Preto” e “O barranco”, para suas músicas caipiras “Marvada pinga (Moda da pinga)” ( o maior sucesso de Inezita Barroso), “Roseira branca”, “O balão subiu”, “A caçada”, “É mió num casá” e “Meu sertão.

A famosa viola do compositor, com seu nome gravado, e o disco original da primeira gravação de seu maior sucesso musical a “Marvada Pinga”, de 1939, com a dupla Laureano e Mariano encontra-se em poder de sua filha Gláucia Laureano Gomes.

Algumas composições de Laureano

· A Bandeira Do Caboclo (Laureano - Ariowaldo Pires)
· ABC Do Prisineiro (Laureano)
· A Caçada (Laureano)
· A Madrugada (Laureano)
· A Morte Do Manuelzinho (Laureano)
· A Mulher E O Relógio (Laureano)
· Agricultura Hoje Tem Seu Lugar (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Amanhecer No Sertão (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Cana-Verde Em Desafio (Laureano - Ariowaldo Pires - Nhá Zefa)
· Cantando No Rádio (Laureano)
· Casamento (Laureano - Soares)
· Casamento Internacional (Laureano)
· Casamento Perdido (Laureano)
· Casando À Bessa (Laureano)
· Chuva de Pedra (Laureano)
· Como Nasceu o Cururu (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Crise (Laureano)
· Deixei De Ser Carreiro (Mariano - Laureano)
· Desafio (Laureano - Soares)
· Desafio Disparatado (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Destinos Iguais (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Em Redor Do Mundo (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
· Ensinando A Muié (Laureano)
· Fim De Um Valentão (Laureano)
· Meu Casamento (Laureano)
· Meu Jardim (Laureano)
· Minha Profissão (Laureano)
· Minhas Aventuras (Laureano)
· Moda Da Pinga (Ochelsis Laureano - Raul Torres)
· Moda Das Meias (Irmãos Laureano - Ariowaldo Pires)
· Moda Do Ceguinho (Laureano)
· Moda Do Pito (Laureano)
· Moda Dos Tecelões (Laureano)
· Muié Sapeca (Laureano)
· No Mundo Da Lua (Laureano)
· O Balão Subiu (Laureano)
· O Cavalo E O Boi (Laureano)
· O Cravo (Laureano)
· O Crime Do Restaurante Chinês (Laureano)
· O Diabo E O Mundo (Laureano)
· O Jogo Do Truco (Laureano)
· O Que Eu Vejo (Laureano)
· O Sonho Do Matuto (Laureano - Ariowaldo Pires)
· Patrões E Operários (Laureano)
· Repicando A Viola (Laureano)
· Revolta De São Paulo (Laureano)
· Roseira Branca (Laureano)
· Saudades de Sorocaba (Laureano)
· Situação Dos Homens (Laureano)
· Uma Carta Atrapalhada (Laureano)
· Um Retrato (Laureano)
· Valentia de Voluntário (Laureano)

Fonte: biografia e fotos gentilmente enviadas por Nicc Nilson

sábado, abril 17, 2010

Dom Um

Dom Um (Dom Um Romão), instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 03/08/1925. Iniciou-se profissionalmente no final da década de 1940, tocando bateria em cabarés da Lapa e orquestras de bailes.

Integrou a orquestra da Rádio Tupi, acompanhando cantoras como Dircinha e Linda Batista. No programa de Aérton Perlingeiro, na mesma rádio, participou da Noite das Estrelas, com Elis Regina.

Nos anos 50, tornou-se baterista da boite Vogue do Rio de Janeiro. Em 1955, formou, com Toninho (piano) e Manuel Gusmão (contra-baixo), o Copa Trio, com o qual apresentou-se no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro.

Em 1958 participou do álbum Canção do amor demais, de Elizeth Cardoso, disco precursor da bossa-nova. Por volta de 1959, participou das jam-sessions da boate Little Club, passando a atuar em shows de boates no Beco das Garrafas, em Copacabana, então quartel-general da bossa-nova.

Em 1961, como baterista do Brazilian Jazz Sextet, liderado por Sérgio Mendes, participou do III Festival Sul Americano de Jazz, no Uruguai. No ano seguinte gravou, com o conjunto do pianista J. T. Meireles, o LP O som, da Philips, e integrou a primeira formação do Bossa Rio Sextet, de Sérgio Mendes, participando, em novembro, do Festival da Bossa Nova, realizado no Carnegie Hali, em Nova York, EUA. Na época, gravou na etiqueta norte-america na Riverside Cannonball’s Bossa-nova, com o saxofonista norte-americano Julian Cannonball Aderley.

Em 1963, novamente com o grupo musical do pianista J. T. Meireles, gravou o LP Meireles e os Copa 5, pela Philips, e no ano seguinte, com o Copa Trio, atuou no show O fino da bossa, no Teatro Paramount, de São Paulo SP.

Ainda em 1964, com o Copa Trio, agora com o pianista Dom Salvador e o baixista Manuel Gusmão, participou de vários shows, inclusive do primeiro de Elis Regina, no Rio de Janeiro, em novembro, na boate Bottle’s. Com o trio, acompanhou o Quarteto em Cy e outros cantores. Em seguida, Jorge Ben veio a integrar o grupo que passou a se chamar Copa 4.

Gravou ainda nesse ano o LP Dom Um, pela Philips, com arranjos de Paulo Moura e Waltel Branco, em que se destacaram as faixas Telefone (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), África (Waltel Branco), Berimbau (João Meio e Codó), Dom Um sete (Waltel Branco) e Zona Sul (Luís Henrique A. Soares).

Em 1965 coordenou o disco de estréia de Flora Purim, então sua esposa (Flora é MPB, RCA) e, no final do ano, foi novamente para os E.U.A., a convite de Norman Grantz, produtor de Ella Fitzgerald. Lá apresentou-sé com Stan Getz e Astrud Gilberto em universidades e várias cidades e, depois, na Europa. Em Nova York, trabalhou com diversos conjuntos norte-americanos e também ao lado de brasileiros, como Luiz Bonfá e Tom Jobim, com quem gravou diversos discos.

Em 1966, nos EUA, voltou a trabalhar com Sérgio Mendes, atuando no conjunto Brasil 66, com o qual gravou o LP Fool on the Hill (A&M Records), e excursionou pelo Brasil nesse mesmo ano. Em 1967 participou do LP de Tom Jobim com Frank Sinatra (Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim), além do LP solo de Tom Jobim, Wave (A&M Records).

No ano seguinte deixou o conjunto de Sérgio Mendes e, permanecendo nos EUA, integrou vários grupos norte-americanos, participando de shows e gravações. Com Luís Bonfá, participou do disco The movie song album de Tony Bennett.

Em 1972 passou a ser o percussionista do grupo Weather Report, no lugar de Airto Moreira. Nesse mesmo ano apresentou-se com o grupo no Japão, gravando ao vivo o disco 1 Sing the Body Electric. Em 1973 excursionou com o grupo Blood, Sweat and Tears, e lançou seu primeiro disco solo nos EUA, Dom Um Romão. Com o Weather Report participou da gênese do estilo free jazz e gravou também os LPs Mysterious Traveller e Sweetnighter, antes de abandonar o grupo em 1976, ano em que lançou o LP solo Hotmosphere (Pablo Records).

No início dos anos de 1980, radicou-se em Wechis, Suíça, apesar de manter o famoso estúdio Black Beans, em New Jersey, EUA. Em 1985, com seu Quinteto Dom Um Romão, participou do 1 Festival de Jazz de Lisboa, Portugal. O quinteto era formado por Izio Gross (piano), Wilson D’Oliveira (sax-tenor), Hal Thurmond (bateria) e Norbert Dömling (baixo), com ele na percussão. Com o conjunto acompanhou diversos músicos norte-americanos, como Tony Bennet e Robert Palmer, além do grupo Blood, Sweet and Tears.

Apresentou- se no projeto Som das ondas, na praia do Arpoador, Rio de Janeiro, em 1992. No ano seguinte, lançou o álbum Saudades (Water Lily Acoustics). Em 1997 fez show na Casa de Cultura Laura Alvin, Rio de Janeiro, na série Quintas Acústicas. Na mesma ocasião, realizou workshop sobre bateria no teatro Cultura Inglesa, em São Paulo. Depois de 30 anos sem gravar no Brasil, registrou o CD Rhythm traveler e participou dos CDs de Itamara Koorax e de Nelson Ângelo.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Dom Salvador


Dom Salvador (Salvador da Silva Filho), instrumentista e compositor, nasceu em Rio Claro SP, em 12/9/1938. Iniciou a carreira aos 12 anos, tocando piano em orquestra. Em 1961 já era pianista conhecido, mas passou a ter maior sucesso atuando na boate Lancaster, em São Paulo SP, ponto de encontro dos músicos do jazz.

A convite do baterista Dom Um, foi trabalhar no Rio de Janeiro RJ, integrando o Copa Trio. Com o grupo atuou em boates do Beco das Garrafas, em Copacabana, acompanhando shows de Elis Regina, Quarteto em Cy e Jorge Ben.

Em 1965, ainda atuando no Beco das Garrafas, formou o Rio-65 trio, com Edison Machado (bateria) e Sérgio Barroso (contrabaixo), participando de shows e gravando discos.

No ano seguinte o trio foi para a Europa, apresentando-se em nove países com Edu Lobo, Sylvia Telles, Rubens Bassini e Rosinha de Valença. Com o sucesso, o grupo gravou um LP na República Federal da Alemanha, destacando-se uma música sua, Meu fraco é café forte.

Em 1966, com Copinha, Chico Batera e Sérgio Barroso, foi para os EUA, atuando em Nova York, Minneapolis e no Texas. Mais tarde, retornou aos E.U.A. acompanhando Elza Soares no Hotel Waldorf Astoria, de Nova York. De volta ao Brasil, afastou-se dos shows e atuou em várias gravações, além de ter viajado por outros países, pesquisando música.

Em 1970, formou um grupo somente com músicos negros, o Abolição, tendo Darci no trompete, Oberdã no sax-tenor e flauta, Serginho no trombone, Lulu na bateria e vocal, Rubão Sabino no contrabaixo, Nelsinho na tumbadora, Mariá cantando e ele ao piano e acordeom. No ano seguinte, o grupo gravou um LP pela CBS.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.