terça-feira, abril 10, 2012

Vassourinha e as Emílias


Mário Ramos, o Vassourinha
Garoto e humilde, Mário Ramos apresentou-se na administração da emissora para executar as tarefas no emprego que seus pais lhe haviam arranjado. Miudinho, estando entre 13 e 14 anos, ficaria longe dos estúdios e dos microfones. Seria utilizado como menino de recados. Pela manhã, faria a limpeza da sala dos diretores varrendo-a e espanando móveis. Na sua condição subalterna, mandado por muitos, assistia embevecido à movimentação reinante no escritório. Cruzava com os artistas que por ele passavam indiferentes ou jogando-lhe a despreocupada saudação de costume: “como vai vassourinha!”.

Invejava toda aquela gente famosa, de muitos fãs, e tinha um desejo incontido de estar no meio dela. Sabia cantar uns sambinhas buliçosos, de breque, e se lhe dessem oportunidade, veriam que tinha jeito prá coisa. De fato assim foi. No dia que o levaram para o canto da sala e ouviram o menino, desembaraçado, com muita bossa, dar uma pala de seu valor, abriram-lhe caminho para sua carreira, infelizmente bem curta.

No melhor de sua ascensão, quando o apelido "Vassourinha" popularizava um excelente intérprete de nossa música popular, fazendo esquecer o office boy que antes fora, ele desapareceu. Morreu sem gozar o sucesso que lhe deu a boa Emília, cujo mérito de “preparar o café” ele alardeava em ritmo e melodias gostosas.

Apenas um “vassourinha”

O que o Sr. Paulo de Almeida Ramos e sua esposa Tereza pretendiam para o filho Mário era um emprego qualquer, de menor, próprio para um garoto de 13 anos já feitos. Precisavam de uma ajuda nas despesas da casa e o dinheirinho que ele iria ganhar na Rádio Record, de São Paulo, em serviços de escritório seria bem útil. Além disso, o ambiente de uma emissora estava no agrado do menino que vivia cantando seus sambinhas, imitando os artistas mais em evidência. Mesmo sendo para levar recados, para fazer limpeza, ser vassourinha, o meio lhe agradaria. Poderia talvez (“quem sabe lá?”) ter oportunidade de entrar em algum programa, cantar qualquer coisa: uma musiquinha fácil de seu repertório doméstico e só conhecido dos familiares.

Aquilo que o garoto tinha como sonho irrealizável, no entanto aconteceu. Puseram-no diante de um microfone e com essa chance facilitavam o que ele ambicionava. "Vassourinha" era o apelido que ganhara varrendo e espanando o escritório da PRB-8 e com ele ia sendo guindado à fama através de interpretações não só no estúdio, mas também no cinema e no disco. Suas primeiras gravações, já que ele cantava no estilo do famoso Luiz Barbosa, foram Juraci e Seu Libório. Depois vieram outras: Ela vai à feira, Olga, Chik Chick bum, Apaga a vela, E o juiz apitou, etc., todas favorecendo seu modo de interpretar, a bossa que lhe era peculiar. Dentro em pouco estava vitorioso e tinha lugar de destaque nos programas da rádio e nas pesquisas de vendagem de discos.

Emília, a velha e a nova

Iniciando-se em 1935 e falecendo a 3 de agosto de 1942, pôde mesmo assim, em apenas sete anos de atuação artística, deixar uma não muito numerosa mas expressiva bagagem. Nela sobressai-se, porém, o samba Emília, de Haroldo Lobo e Wilson Baptista, um de seus últimos (ou, parece, o último) sucesso. Lançado para o Carnaval de 1942 e tendo como motivo a exaltação da “mulher que sabia lavar e cozinhar”, além de acordar o amante na exata “hora de trabalhar”, era uma canção alegre, graciosa. Tinha a característica de um lamento (“Papai do céu é quem sabe a falta que ela me faz”) formulado com música viva, isenta de tristeza, de choramingas. Reclamava a volta da amada, insistentemente sim, suplicante não: “Emília! Emília! Emília!”.

Longe de isso pretender, usando embora personagem de igual nome, o sambista evocava uma velha heroína de saudosa modinha que, nos fins do século passado e princípios deste, era a preferida dos seresteiros. De origem presumidamente portuguesa, teve como seu mais conhecido intérprete o sempre lembrado Eduardo das Neves. Empunhando o violão aparecia no picadeiro e os aplausos do público que lotava toda a arquibancada do circo o saudavam. Feria as cordas e cantava: "Perdão Emília, se roubei-te a vida./ Se fui impuro, fui cruel, ousado./ Perdão, Emília, se manchei teus lábios./ Perdão, Emília, para um desgraçado.”

Depois numa descrição macabra, sofrida, tendo como cenário um cemitério, os versos relatavam um amor infeliz, o diálogo entre a Emília morta e o amante infiel arrependido. A antiga Emília, vítima lamuriada em música e letra, proporcionou ao Das Neves e a todos que cantaram a desdita, grande êxito de interpretação. A nova, aquela cuja ausência não permitia ao amante “viver em paz”, ao invés de provocar lágrimas, dava ao humilde Vassourinha também sucesso e fama.

Pouco, mas o bastante

Da carreira artística do office boy Mário Ramos, o menino que embora subindo jamais perdeu o apelido ganho na sua humilde origem de vassorinha de uma emissora de rádio, pode-se dizer ter sido ela rápida, porém vitoriosa. Os sete anos em que se exibiu nos estúdios, palcos e telas — pois afora os programas internos, participou de festivais e de filmes (Fazendo fita, em 1936, foi um deles) — bastaram para que deixasse patente sua qualidade de magnífico intérprete. Tal valor ainda mais se evidencia nos vários discos que gravou e nos quais ainda se tem a grata satisfação de ouvi-lo com sua bossa própria e muito apreciada.

Assim, duas Emílias, mulheres diversas, mas de igual nome, bem distantes uma da outra, serviram de pretexto para que se recordasse o garoto vitorioso tão prematuramente desaparecido. A Emília de agora, de nossos dias, que Vassourinha num alegre apelo queria tê-la fazendo o gostoso café e “não desfazendo nas outras”, era mulher amiga e carinhosa, levou-o à fama e popularidade. Não pôde, infelizmente, o Vassourinha desfrutar o sucesso que a boa Emília lhe deu e que se refletia na procura constante dos discos onde ele a chamava: “Emília!, Emília!, Emília!, eu não posso mais.”

(O Jornal, 18/7/1965)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

Negros e macumba inspiraram Ary


Os sambistas antigos, os chamados da velha guarda, ligados aos africanos ou a seus descendentes quase todos baianos e de cor preta ou mulata — freqüentavam macumbas, candomblés e tinham seus terreiros preferidos. Daí encontrar-se em muitas de suas produções referências a meu pai de santo, meu orixá, afora o recurso de buscar rimas fáceis em termos africanísticos ou pseudo-africanísticos: Ôcu-babá gê-lê, saravá, etc. Característica que se tem comprovação abundante relembrando-se os sambas de Donga, Getúlio Marinho, Hilário Jovino e até mesmo do popularíssimo Sinhô.

Quando os musicistas brancos, já despegados das raízes negras que influenciavam o samba autêntico, relegaram a modinha e a cançoneta, criando o samba citadino (dos morros, do asfalto e das mesas dos cafés), tomaram novo rumo os motivos passaram a ser outros: o barracão, a pobreza do Com que roupa?, a crítica do Aí, Filomena, amores infelizes e glosas momentâneas. O africanismo deixou de surgir nas letras, embora o melódico e o rítmico ainda repousassem nele. Assim, ao se ver, um compositor de música popular, já aureolado pelo sucesso de suas produções — Ary Barroso — num terreiro de macumba era de se esperar que aquela sua incursão não fosse apenas curiosidade. E não foi. Trouxe do ritual que viu e ouviu, sugestões, temas que usou.

Uma macumba para Josephine

Em 1939, estando a famosa colored Josephine Baker no Rio, onde se exibiu em nossos principais centros noturnos, a revista O Cruzeiro e o vespertino Diário da Noite resolveram mostrar-lhe uma macumba. Da organização desse espetáculo ficaram incumbidos Heitor dos Prazeres, O professor Carlos Cavalcanti, Paulo da Portela, José Espinguela e mais alguns entendidos em samba e na prática dos ofícios das religiões negras. Não seria, a rigor, a realização do ritual, mas apenas o demonstrativo em que se juntaria uma exibição mista de sentido folclórico, o entoar de pontos e de sambas. Tudo com baianas e pastoras, gingando na coreografia propiciada pelo ritmo.

Para os conhecedores ou iniciados, os que freqüentaram os terreiros ou festas de santo dos famosos alufás ou orixás, talvez a reunião, além de profanar os mitos das crenças negras, deixasse a desejar. Tratava-se, porém, de proporcionar a uma leiga, embora precariamente, com os recursos possíveis para uma realização imediata, o conhecimento da macumba que ela sabia ter cultores não só na Bahia, mas também no Rio.

Heitor dos Prazeres que pela sua tradição no meio e convivência com tias, mães, e pais de santo foi investido como principal organizador da sessão, procurou desobrigar-se do melhor modo. Josephine assistiria a uma macumba, não legítima, verdadeira, mas capaz de empolgá-la.

No terreiro de Mãe Adedé

À falta de um local autêntico, Heitor e seus companheiros improvisaram no quintal da casa de Adedé, sua amiga residente na Rua Major Rego, no subúrbio leopoldinense de Ramos, o terreiro para a macumba. Foi para lá que na noite de 30 de junho de 1939 se dirigiu numerosa comitiva acompanhando Josephine Baker e integrada, entre outros, por Jorge Fernandes, Dircinha Baptista e Ary Barroso. Este último, embora tivesse a missão específica de irradiar pela Rádio Tupy as ocorrências do espetáculo afro de música e religião que ali seria apresentado, iria captar a musicalidade reinante.

Casando à função jornalística do momento a sensibilidade artística inata que já o marcava como um de nossos melhores compositores de música popular, Ary ouvia atentamente os pontos e aprendia sua linha melódica. Sentia, como agora ficou em moda dizer-se, a negritude dos cânticos e de seus versos onde se falava de divindades estranhas aos brancos, sempre ao jeito de lamento, numa réplica dos spirituals, mas igualmente conduzindo preces.

Viu, sem se impressionar muito, os cavalos receberem pretos velhos que baixavam saudando os presentes (“saravá meuze fio!”) e pediam pito e marafa. Fixava, no entanto, sua atenção, de modo especial, na expressividade do ambiente impregnado de música rústica marcada pelo bater constante do atabaque. O compositor branco recolhia do espetáculo sugestões, temas que viria a explorar.

Negros e macumba inspiram Ary

O que acima se articulou como possível resultante da visita de Ary Barroso ao terreiro de Mãe Adedé, de fato, aconteceu. O compositor, cuja ida à estação de Ramos seria, apenas, para fazer cobertura radiofônica da macumba que Heitor dos Prazeres e Carlos Cavalcanti proporcionaram a Josephine Baker, trouxe de lá inspiração e sugestões. E elas repontaram pouco depois. Em 1942 (segundo discografia de Almirante e de Mariusa, filha do saudoso musicista) Ary lançava um samba onde dizia: “eu vô fazê um despacho para arranjá outro amo...“. Logo a seguir, em 1943, surgia o Terra Seca, de grande sucesso, com o refrão: “trabaia, trabaia, nego”. E, sem muita demora, em meio da produção farta que o seu estro lhe permitia, um outro samba intitulado Xangô tinha a marca afro, mostrava as sugestões do terreiro de Mãe Adedé.

Claro está que Ary Barroso, versátil, de numerosa bagagem musical, não condicionou, após a ida a uma macumba, todas as suas composições aos pretos véios que viu incorporarem-se no terreiro de Ramos. Seus sambas e marchas conduzindo motivos vários, tiveram aspectos que subiram do primarismo musical, como o Dá nela, dá nela, visando ao sucesso carnavalesco, até o alegórico do Aquarela do Brasil. Não se negará, porém, que o despacho ou ebó como recurso para arranjar outro amor, assim como o negro moiado de suó ou Xangô (santo estranho a brancos), possivelmente, lhe foram sugeridos no terreiro de Mãe Adedé.

(O  Jornal, 30/5/1965)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

segunda-feira, abril 09, 2012

John Lennon, um ativista - II

1966, John declarou em uma entrevista "O cristianismo vai desaparecer e encolher. Eu não preciso discutir isso, eu estou certo e eu vou provar agora Nós somos mais populares que Jesus agora, eu não sei qual será o primeiro - o rock 'n' roll ou o cristianismo. Jesus estava certo, mas seus discípulos eram grossos e ordinários."

A frase "somos mais populares que Jesus Cristo" repercutiu no mundo todo, recebendo ataques religiosos, gerando eventos em locais públicos de jovens religiosos queimando seus discos, e até mesmo grupos fanáticos esperaram a banda do lado de fora do show para tentar matá-los.

John pediu desculpas publicamente, alegando ter sido mal interpretado, se explicando logo depois. "Não sou antideus, nem anticristo, nem antireligião" disse ele. Ele também disse que a frase dele podia ter sido substituída por "a televisão é mais popular do que Jesus" que ia ser a mesma coisa e não faria tanto barulho.

Com isso e mais as suas letras polêmicas nas carreiras solos o deram a fama de ateu, mas ele declarou em uma entrevista que tem uma visão diferente de Deus. "Sim, eu acredito que Deus é como uma usina de força, que ele é um poder supremo, que não é nem bom nem ruim, nem de direita nem de esquerda, nem branco nem preto, Ele simplesmente É".

Devido à morte do empresário dos Beatles, Brian Epstein, em 1967 a banda começou a ter problemas sérios. O fracasso financeiro da Apple Corps, empresa criada pela banda, foi o começo. O clima começou a ficar tenso no estúdio, pois havia briga entre os membros. Em 1970, Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles.

Logo após a separação, John deu uma entrevista a Revista Rolling Stone, onde ele mostrou ressentimentos relacionados a Paul McCartney e aos Beatles. Segundo ele, os Beatles tratavam Yoko hostilmente. Ele também alegava não ter o espaço que queria na banda, que a banda perdera o sentido, e até revelou sua forte insegurança em trabalhar ao lado de Paul McCartney, algo que desde quando eles se conheceram, havia o atingido. Quando viu Paul tocando pela primeira vez, se encantou, e Paul foi amigável, ensinou Lennon a tocar duas músicas que ele estava tocando errado, e John quisera ele em sua banda de primeira, mas também revelava ciúme quanto a ele. John tivera dificuldades quando começou a tocar guitarra, enquanto Paul era um prodígio com instrumentos ainda mais novo. Durante o período logo após a separação da banda, Lennon demosntrava agressividade nas entrevistas quanto a Paul McCartney, alegando até que com ele, conforme os anos, os Beatles iam se tornando a "banda de apoio" que o Paul desejava deles. Ele falou tanta coisa da banda que em outra entrevista anos depois, quando as coisas se acalmaram, ele retirou algumas de suas declarações e voltou a ocasionalmente ter contato com os antigos amigos, mas isto foi perto de sua morte.

Em 1966, junto com seus colegas de banda, Lennon foi agraciado com a medalha da Ordem do Império Britânico (MBE). Em 1969, devolveu sua medalha à Rainha, em protesto contra a Guerra do Vietnã e contra o envolvimento do Império Britânico no conflito de Biafra. Mesmo se tratando de uma alta honraria, o título de Sir é mais distinto do que o de Membro do Império, por se tratar de um título nobiliárquico de mais alto valor, equivalente a "Cavaleiro do Comandante do Império" (Knight of the Britsh Empire). Apenas Paul McCartney recebeu a distinção, no ano de 1997, por isso, é incorreto chamar Lennon e os outros membros da banda de "Sir".

Carreira solo

Junto a Yoko Ono, John começou sua carreira solo mesmo ainda fazendo parte dos Beatles, mas sem muito sucesso. Ele lançou o primeiro álbum, Two Virgins, em novembro de 1968. Two Virgins era um álbum experimental e que trouxe gravações caseiras. A capa do álbum causou polêmica, pois os dois apareceram nus. Um mês antes do lançamento do álbum, eles foram presos pela polícia por porte de drogas.

Após o casamento em Gibraltar, em março de 1969, eles realizaram o primeiro "Bed-in for Peace" no hotel Hilton em Amsterdam, nos Países Baixos. "Bed-ins" era conferências de imprensa em favor da paz, realizados em uma cama de hotel. O movimento não foi bem aceito pela imprensa e eles acabaram sendo ridicularizados por ela. Em maio do mesmo ano, lançaram o segundo álbum Life With The Lions e realizaram o segundo "bed-in", em um hotel da cidade de Montreal, Canadá, onde gravaram a canção "Give Peace a Chance" que se tornaria posteriormente em hino a favor da paz.

Ainda em 69, lançaram o compacto com a canção "Give Peace a Chance". Em outubro, foi a vez do compacto com a canção "Cold Turkey" e em novembro, o álbum chamado Wedding Album. John quis lançar a canção "Cold Turkey" em compacto com os Beatles, mas como eles não estavam dispostos a incluí-la em um compacto, ele a gravou sozinho com Yoko.

John devolveu sua MBE (Membro do Império Britânico) que ele havia recebido da rainha Elizabeth II, no mês de novembro de 1969, em protesto contra o envolvimento britânico na guerra do Biafra e contra o apoio dado aos Estados Unidos na guerra do Vietnã.

Ele foi convidado a participar junto a Yoko Ono do Rock'n Roll Revival Concert de Toronto que contou com a participação, entre outros, de Chuck Berry e Little Richard. O show foi realizado em setembro de 1969, e virou o álbum solo de John, Live Peace in Toronto. A banda que acompanhou John Lennon no show incluiu Eric Clapton na guitarra Klaus Voorman (antigo amigo da época de Hamburgo) no baixo, e Allan White na bateria (integrante da banda de rock Yes).

Anos 1970

Após a separação dos Beatles, Lennon lançou seu álbum John Lennon Plastic Ono Band em dezembro de 1970. Era o primeiro álbum solo oficial depois dos três álbuns experimentais e do álbum ao vivo lançados enquanto ainda estava nos Beatles. Na época, John e Yoko participavam da terapia primal do Dr. Arthur Janov em Los Angeles. Através da terapia, Lennon tentou lidar com seus traumas da infância (abandono, isolamento e morte). De volta a Inglaterra, John chamou o produtor Phil Spector e começou as gravações do álbum. Participaram do álbum o ex-beatle Ringo Starr, além de Billy Preston e Alan White, futuro membro do Yes. John Lennon fala do abandono da mãe e do pai na canção "Mother". Na canção "God" John diz a famosa frase "O sonho acabou" em referência aos Beatles, e afirma ainda não acreditar nos Beatles nem em Jesus.

Em 1971, John atinge o sucesso com o álbum Imagine. A faixa-título faz muito sucesso e torna-se um hino da paz no mundo inteiro. Neste álbum, John ataca o ex-parceiro musical, Paul McCartney com a canção "How do you sleep?". Na canção, John acusa Paul de fazer "canção muzak" (canções que são tocadas em elevador) e diz que a única coisa que Paul escreveu bem foi a canção "Yesterday", e que desde que abandonou os Beatles que as suas canções são desinteressantes ("The only thing you done was yesterday and since you're gone you're just another day"). John alegou que Paul sempre o atacava sutilmente em seus discos (Paul admitiu que tinha feito referências a John no disco Ram) e que "How do you sleep?" era uma resposta a essas provocações. Paul, muitos anos depois, responderia aos muitos críticos que o acusavam de fazer "Silly Songs" com a canção "Silly Love Songs". "Jealous Guy" foi originalmente composta por John em 1968, tinha uma letra diferente e se chamava "Child of Nature". Os Beatles até chegaram a ensaiá-la para o álbum duplo The Beatles, mas ela acabou ficando de fora do mesmo. "Gimme Some Truth" foi gravada com os Beatles durante as sessões de Let it Be, mas também ficou de fora do álbum Let it be. George Harrison tocou guitarra na canção "How do you sleep?". Yoko participa do álbum como co-produtora, além de ser co-autora da canção "Oh My Love", uma das mais belas do disco. John viria a dizer, pouco antes de sua morte, que parte da letra de "Imagine" era de Yoko, apesar de ele não haver creditado a parceria à esposa. O álbum atingiu o primeiro lugar nas paradas de sucesso americana e inglesa.

Em 1971, John e Yoko mudaram-se para Nova Iorque, nos Estados Unidos e no ano seguinte realizaram o álbum Some Time in New York City, com canções dele e de Yoko. Na época, John recebia em sua casa vários ativistas e criticava a postura política do presidente americano Richard Nixon. Anos mais tarde, o FBI confessou que investigava a vida de John por causa de seu envolvimento político. O álbum também trazia canções de postura anti-racial, contra a brutalidade policial e anti-sexista como na canção "Woman is The Nigger of The World" entre outros temas. A canção chamada "Sunday Bloody Sunday" era em referência ao domingo sangrento acontecido na Irlanda. No álbum foram incluídas algumas gravações ao vivo, uma que trazia John em um show em Londres em 1969 organizado pela Unicef e outro gravado em Fillmore East em 1971 com Frank Zappa e The Mothers of Invention.

Em 1973, John lançou o álbum Mind Games que marca o início de sua separação de Yoko Ono, por iniciativa dela. John mudou para Los Angeles e teve um caso com uma assistente, May Pang. Nesta época ele afundou no uso do álcool e por várias vezes se envolveu em brigas e confusões. Um de seus mais frequentes companheiros de farra era o cantor Harry Nilsson, de quem ele produziu o disco Pussy Cats. Mantinha sempre contato com Yoko e queria voltar para Nova Iorque, mas a esposa dizia ainda não ser o momento.

Em 1974, John ainda com May Pang, passou a maior parte do tempo em bebedeiras com amigos como Ringo Starr, Harry Nilsson e Keith Moon. Lançou neste ano o álbum Walls And Bridges. Alcançou sucesso com as canções "#9Dream" e "Whatever Gets You Thru The Night", esta, com a participação de Elton John no piano e vocalização. Um mês após o lançamento do álbum, ele participou do show de Elton John no Madison Square Garden na cidade de Nova Iorque. E pouco tempo depois, voltou a viver com Yoko Ono, largando May Pang. Vários anos após a morte de John Lennon, Yoko apagaria a voz de May que aparecia no coro de "#9 Dream".

No ano seguinte, John lançou o álbum Rock and Roll, que apresentava suas versões covers para rock antigos que ouvia na sua adolescência. Conseguiu fazer sucesso com a canção "Stand by Me" composição de Jerry Leiber, Mike Stoller e Ben E. King.

Na época da gravação do álbum Rock'n Roll, Yoko engravidou de John Lennon e após o nascimento do seu filho, Sean, John abandonou a carreira para se dedicar ao filho e a família. Ainda em 1975, John ganhou o Green card americano, o que lhe deu direito de permanecer morando nos Estados Unidos, mesmo sendo estrangeiro.

Após cinco anos de reclusão, em 1980, John Lennon voltou a gravar um novo álbum, Double Fantasy. Durante este período de reclusão, John gravou alguma coisa em sua casa e compôs algumas canções. O álbum foi dividido entre canções de Lennon e Yoko. Em "(Just Like)Starting Over", John faz referências à sua volta. "Starting Over" e "Woman" atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso. Ainda fizeram sucesso "Watching the Wheels" e "Beautiful Boy", sucesso que foi impulsionado pela morte de John Lennon.

Morte de John Lennon

Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, no edifício Dakota, em frente ao Central Park, John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP Double Fantasy em frente ao Dakota. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, que acabou disparando 5 tiros com revólver calibre 38, os quais 4 acertaram em John Lennon. A polícia chegou minutos depois e levou John na própria viatura para o hospital. O assassino permaneceu no local com um livro nas mãos, O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger. John morreu após perder cerca de 80% de seu sangue, aos quarenta anos de idade.

Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se juntou em frente ao Dakota, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de John foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.

O assassino foi preso, pois permaneceu no local, esperando os policiais chegarem. Ao entrar na viatura, pediu desculpas aos policiais pelo "transtorno que havia causado". Em seu julgamento alegou ter lido em "O apanhador no Campo de Centeio" uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Acabou sendo condenado à prisão perpétua e até hoje é mantido numa cela separada de outros presos, devido às ameaças de morte que recebeu. Segundo Chapman, o motivo do crime foram declarações de Lennon consideradas por Chapman como blasfêmia, como se declarar mais popular que Cristo e dizer em suas letras de músicas coisas como não acreditar em Jesus e dizer que todos imaginassem que os céus, em sentido espiritual, não existissem.

Após a morte de John, foi criado um memorial chamado Strawberry Fields Forever no Central Park, em frente ao Dakota. Alguns discos póstumos foram lançados, como Milk and Honey, com sobras de canções do disco Double Fantasy. Várias coletâneas e um disco chamado Accoustic foram lançados em 2005. Yoko Ono administra tudo o que se refere a John Lennon, suas canções em carreira solo, seus vídeos e filmes.

Uma das últimas fotos de John Lennon vivo, feita pelo fotógrafo amador Paul Goresh, exibe Lennon autografando o álbum Double Fantasy para seu futuro assassino. A última fotografia de John Lennon vivo, também tirada por Paul Goresh, mostra o músico de perfil enquanto entra em sua limosine.

Discografia de John Lennon

Unfinished Music No.1: Two Virgins (1968)
Unfinished Music No.2: Life with the Lions (1969)
Wedding Album (1969)
Live Peace In Toronto (1969)
Plastic Ono Band (1970)
Imagine (1971)
Sometime In New York City (com Yoko Ono) (1972)
Mind Games (1973)
Walls And Bridges (1974)
Rock 'n' Roll (1975)
Shaved Fish (coletânea) (1975)
Double Fantasy (com Yoko Ono) (1980)
The John Lennon Collection (coletânea) (1982)
Milk And Honey (com Yoko Ono) (1984)
Live In New York City (show gravado em 1972) (1986)
Menlove Ave (1986)
Imagine: John Lennon (1988)
Lennon (Box com 4 cds) (1990)
Lennon Legend (coletânea) (1997)
John Lennon Anthology (1998)
Wonsaponatime (1998)
Accoustic (2004)
Peace, Love & Truth (2005)
Working Class Hero: The definitive John Lennon (coletânea) (2005)
The US Versus John Lennon (coletânea) (2006)

Fonte: Wikipédia.