segunda-feira, janeiro 14, 2013

Daisy Paiva

Daisy Paiva (Daisy Paiva Ribeiro), vedete, cantora e atriz, filha do maestro e compositor Vicente Paiva, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4/1/1938, e faleceu na mesma cidade em 21/4/2001. Iniciou a carreira artística em 1955, quando fazia vestibular para o curso de Arquitetura e viajou de férias para São Paulo.

Nessa época seu pai apresentava com Humberto Cunha no Teatro de Alumínio a revista Alô, alô São Paulo, cujo destaque era a atriz Nélia Paula. Também faziam parte da revista, entre outros, os atores Paulo Celestino, Pedro Dias, Manuel Vieira, Odilon Del Grande e Mauricio de Loyola.

Uma vez em São Paulo foi direto ao Teatro de Alumínio, lá chegando durante a matinê. O teatro estava cheio, já às escuras e para entreter o público que aguardava o começo da revista, seu pai a mandou cantar sem microfone. E ela assim o fez, cantando por cerca de 50 minutos e sendo bastante aplaudida sem que ninguém soubesse quem era que estava cantando. A atriz Nelia Paula então a apresentou e explicou que ela não estava no elenco da revista.

No dia seguinte, vários jornais paulistas comentaram seu sucesso e ela passou então a fazer parte do elenco. Foi em seguida convidada para um entrevista na Rádio Record, e a partir daí abandonou a idéia de seguir carreira de arquiteta. Pouco depois, retornou ao Rio de Janeiro, convidada pelo teatrólogo e compositor Chianca de Garcia para estrelar a comédia musical Gente bem no morro, no Teatro da Tijuca, com músicas de seu pai Vicente Paiva e atuando ao lado de Grande Otelo.

Nessa época, o poeta e compositor Vinícius de Moraes estava preparando a peça musical Orfeu da Conceição. Comparecendo ao Teatro da Tijuca a viu cantar. Após o espetáculo foi ao camarim e a convidou para fazer o papel de Eurídice na peça que estava escrevendo.

Em 1956, participou da montagem de Orfeu da Conceição no papel de Eurídice no Teatro Municipal com cenários de Oscar Niemeyer, pinturas de Carlos Scliar, caricaturas de Lan, e regência da orquestra sinfonica dirigida pelo Maestro Leo Peracchi. O espetáculo foi depois apresentado no Teatro República, na Avenida Gomes Freire.

Em 1959, estrelou no Teatro João Caetano, com Conchita Mascarenhas, Luz del Fuego e Ivaná, primeiro transformista francês trazido para o Brasil por Walter Pinto, a revista Boa é apelido, de Vicente Paiva, que contou ainda com as participações de Magico Dimitrius, Nilo Amaro, Jairo Aguiar, The Golden Boys, Darlene Glória e mais um elenco de 80 artistas. Essa revista ficou em cartaz no Rio de Janeiro durante dois meses, e se apresentou em seguida em São Paulo no Teatro Paramount, na Brigadeiro Luiz Antonio durante mais três meses.

Foi em seguida contratada pela TV Record e atuou na novela Banzo ao lado de Francisco Cuoco. Atuou ainda nos programas Show 713, Grande show, União dos bairros, Show do dia 7, Chocolate e seus bombons, Prêmio Roquete Pinto, e Golden show. Ainda na Tv Record apresentou diversos artistas estrangeiros que se apresentaram no Brasil, entre os quais, Sammy Davis Jr e Ella Fitzgerald.

Em 1960, integrou a Companhia de Teatro criada por seu pai para excursionar pelo sul do país indo de Porto Alegre a Curitiba, e da qual fizeram parte também o cômico Manula Dimitrius, o transformista Ivaná, Riva Ketter, Amalia Ribeiro, que era a sua mãe, Manuel Restife, o ator Pedro Ivan e a grande orquestra de seu irmão Décio Paiva. As apresentações eram realizados em teatros e clubes e incluiam um show e um baile. Com seu pai e seu irmão criou um conjunto de danças.

De volta a São Paulo continuou atuando na TV Record e também fazendo shows pelo Brasil. Foi convidada a participar do Festival de Berlim, mas não chegou a viajar. Ainda em 1960, gravou pela Copacabana com acompanhamento de orquestra o samba Malandro, de Vicente Paiva e Luiz Iglesias, e o samba-canção Se eu quizesse, de José Saccomani e José Gonçalves.

Em 1963, gravou, também pela Copacabana, com acompanhamento de orquestra e coro, o samba Naié, Naié, de Vicente Paiva e Chianca de Garcia. Apresentou-se durante muito tempo como cantora no programa de Cleo Meireles na TV de Salvador. Apresentou-se também semanalmente na TV de Recife e em quase todo o Nordeste do país.

Em 1975, retornou ao Rio de Janeiro. Em 1982, criou com a família o restaurante O Italianinho no bairro carioca de Copacabana. Dois anos depois, adquiriu uma fazenda que foi vendida em 1986, ano em que abandonou a carreira artística depois de mais de 30 anos de atuação.

Discografia

(1960) Malandro / Se eu quizesse • Copacabana • 78
(1963) Naié, Naié • Copacabana • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

Orquestra Pan American


A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.

A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.

Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.

Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.

No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.

Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.

Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.

Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.

Discografia

(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Cândido Inácio da Silva

Cândido Inácio da Silva (circa 1800 Rio de Janeiro - circa 1838 Rio de Janeiro), violista, cantor, poeta e compositor, foi considerado o mais talentoso autor de modinhas do Primeiro Reinado e nos legou boas amostras desse gênero musical, na forma como era praticado no século XIX. Embora tivesse conquistados os salões sofisticados do Brasil colonial no fim do século XVIII, a modinha era um tipo de música de alma popular, nascida nas ruas.

Falava de paixões, de perdas e de costumes de gente comum. Muitos modinheiros não tiveram educação musical formal, criavam suas canções à base de improviso e não tinham condições de colocá-las em partitura. Cândido Inácio, porém, não era um desses. Havia recebido treinamento musical na escola do Padre José Maurício Nunes Garcia, que pode ser considerado o primeiro grande professor de música do país.

Saudade, ingratidão e sedutores olhos femininos são temas comuns a muitas canções da MPB. Na música popular brasileira do início do século XIX não era diferente, como provam as composições de Cândido Inácio da Silva, a exemplo das intituladas "Cruel saudade", "Ingratidão" e "Duma pastora os olhos belos". Atuante como cantor (classificado como tenor), poeta e violista, ele foi considerado um gênio da modinha, estilo de música praticado por gente comum nas ruas já durante o século XVIII e originado da "moda" portuguesa, que era uma canção feita para o ambiente aristocrático dos salões, com uma ou duas vozes e acompanhamento de cravo. No Brasil, a viola era o instrumento mais usado para esse fim.

A modinha tinha uma sonoridade suave e romântica, frequentemente um caráter melancólico, compasso binário simples e fazia uso de cadências femininas. Ela apresentava, ainda, um ritmo sincopado, que veio da influência do lundu, outro gênero que remonta aos primórdios da nossa música popular. Originado do batuque dos escravos africanos misturado a elementos de danças ibéricas, como o fandango, o lundu também era praticado por Cândido Inácio da Silva. Uma curiosidade é que esse compositor nasceu em 1800, o ano da morte de outro grande nome da modinha e do lundu, Domingos Caldas Barbosa, responsável por ter levado esses estilos aos salões de Lisboa. Assim, por meio de Barbosa, a modinha brasileira acabou conquistando o ambiente de onde saíra a moda portuguesa, que a inspirara. Depois disso, em outra reviravolta, a modinha foi re-exportada ao Brasil em roupagem chique (com ares de ópera italiana), virando bem de consumo de nobres, burgueses e pobres.

Foi esse o contexto histórico que Cândido Inácio encontrou quando nasceu no Rio de Janeiro de 1800, embora haja alguma incerteza sobre sua naturalidade, já que um de seus contemporâneos, Manuel de Araújo Porto Alegre, o identificara como mineiro. De qualquer modo, Cândido teve sua formação musical no Rio, tendo aprendido teoria e canto num curso ministrado pelo padre José Maurício Nunes Garcia na Rua das Marrecas. Como instrumentista, tocava viola e integrou esse naipe na Capela Imperial a partir de 1827. Além disso, cantava em coros e participou, como cantor solista, das apresentações de várias obras importantes de seu mestre, como a "Missa de Santa Cecília", nas quais lhe eram confiados até difíceis trechos de coloratura. Também era visto soltando a voz em concertos de academias, interpretando árias de óperas.

Foi um dos fundadores, em 1833, da Sociedade Beneficência Musical, entidade que promoveu audições de obras de sua autoria, como as "Novas variações para corneta de chaves" e as "Variações para corne inglês, clarineta e flauta". Uma de suas últimas obras se chama "Hino das artes" e foi executada em 1837, numa récita de gala no Teatro Constitucional Fluminense, pelo aniversário de D.Pedro II. Cândido Inácio morreu no ano seguinte, aos 38 anos. O musicólogo Mário de Andrade o considerava o "Schubert brasileiro", em referência ao genial criador de canções da Áustria, também morto precocemente.

As modinhas mais populares de Cândido Inácio foram "Busco a campina serena" e "Quando as glórias eu gozei", esta citada no famoso romance "Memórias de um sargento de milícias" (1854). Também é digno de menção o seu lundu-canção "Lá no Largo da Sé" (com letra de Manuel de Araújo Porto Alegre), que foi considerado por Mário de Andrade um dos "marcos históricos mais notáveis" desse gênero e uma peça importante "na evolução da música brasileira", por não exibir o "eruditismo imposto e importado" presente em outras obras da época, fato explicado pela influência lusitana na modinha de então.

Obras

A hora que não te vejo, A saudade, Batendo a linda plumagem, Bem te quero, Busco a campina serena, Cruel saudade, Doze valsas para piano, Duma pastora os olhos belos, Francesa, Gentil baiana, Hino das artes, Impere dentro em meu peito, Ingratidão, Josefina, Lá no Largo da Sé, Mariquinha, Minha Marília não vive, Noiva, Nova variação para corneta de chaves, Quando as glórias que gozei, Um só tormento de amor, Variações para corne inglês, clarineta e flauta, Variações para trompete e orquestra, Viúva.



Fonte: Eduardo Fradkin (http://www.musicabrasilis.org.br); Dicionário Cravo Albin.