quinta-feira, dezembro 02, 2010

Russo do Pandeiro

Russo do Pandeiro - 1947
Russo do Pandeiro (Antônio Cardoso Martins), instrumentista e compositor, nasceu em São Paulo, SP, em 29/01/1913, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16/05/1985. Mudou-se com a família para o Rio aos três anos, passando a infância na Rua Santana, perto do Café Jeremias, reduto de boêmios.

Seu primeiro emprego foi na oficina mecânica da Light; depois começou a viver de biscates, ao mesmo tempo em que freqüentava as sociedades carnavalescas do Estácio e do Rio Comprido (União do Estácio, Deixa Falar, Para o Ano Sai Melhor), que antecederam as escolas de samba. Na época, era chamado Alemão, apelido familiar de infância.

Tocou pandeiro pela primeira vez a 6 de outubro de 1929, num conjunto da Festa da Penha, onde se tocavam sambas e chorinhos, passando, desde então, a fazer parte do mesmo, que era formado por Augusto (trombone de vara), Paulo (pistom), Newton (bateria), Álvaro (banjo) e Antônio (saxofone). Sempre vivendo de biscates, trabalhou no Clube Naval e fez parte da claque do Cine Central, do Teatro Lírico e do Cassino Beira-Mar.

No casamento de sua irmã, tocou pandeiro, ao lado de Benedito Lacerda (flauta) e Antônio Conceição (guitarra), nascendo desse encontro o conjunto Gente do Morro, que mais tarde se transformou no Regional de Benedito Lacerda, onde passou a ser chamado Russo do Pandeiro. Com o conjunto, fez numerosas gravações e participou de shows em teatros e clubes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No Carnaval de 1935, fez sucesso o seu samba Criança, toma juízo (com Benedito Lacerda), gravado por Almirante. Ainda nesse ano, foi gravado por Carmen Miranda, na Odeon, seu samba Esqueci de sorrir. Participou, ainda em 1935, do filme Alô, alô, Brasil!, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, e passou a trabalhar na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1936, foi para Buenos Aires, Argentina, com o Regional de Benedito Lacerda e mais Francisco Alves e Alzirinha Camargo, fazer uma temporada na Radio El Mundo. Castro Barbosa gravou pela Victor, em 1937, seu samba Roda do samba (com Alcides e Raul Marques). Entre 1937 e 1938, apresentou-se com Carmen Miranda no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro.

Em 1939 teve seu samba Era ela (Peterpan) gravado por Sílvio Caldas, na Victor. Convidado pelo maestro Simon Bountman, tocou com a orquestra do Cassino Copacabana. Acompanhou, no ano seguinte, a cantora Josephine Baker em suas apresentações no Cassino da Urca, indo com ela, logo depois, para Paris, França, onde se apresentou no Cassino de Paris e no cabaré Bagatelle, voltando ao Brasil, no início da Segunda Guerra Mundial, quando os shows foram suspensos.

Ao retornar, participou da orquestra de Carlos Machado, no Cassino da Urca e, no Carnaval de 1940, teve sucesso seu samba Em cima da hora (com Valfrido Silva), gravado por João Petra de Barros. Compôs em 1941 Batuque no morro (com Sá Róris), que foi sucesso nas gravações de Linda Batista (1941) e da orquestra Zacarias (1944).

Nos dois anos seguintes seriam gravadas músicas de sua autoria: em 1942, Conversa pra siri (com Valfrido Silva), gravada por Arnaldo Amaraí na Columbia; e em 1943, com o mesmo cantor, Do mundo nada se leva (com Valfrido Silva). Quando o Brasil mandou tropas para a Itália, foi convocado para servir como pracinha na Força Expedicionária Brasileira.

Retornou à vida civil em 1944, e, indicado por Carmen Miranda, foi contratado por duas semanas para tocar em New York, EUA, onde acabou ficando durante nove meses. A partir de 1947, participou de vários filmes em Hollywood: Copacabana, em que trabalhou ao lado de Carmen Miranda e Groucho Marx, e Uma ilha com você, filme com Esther Williams, além de outros, estrelados por Bob Hope, Bing Crosby e Dorothy Lamour.

Fazendo sucesso nos EUA, fundou uma orquestra, Russo and the Samba Kings, apresentando-se em quase todos os Estados norte-americanos. Voltando ao Brasil em 1950, tornou-se funcionário público, encerrando a carreira musical.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.