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segunda-feira, junho 23, 2014

Bidu Reis na Rádio Nacional

"Se viéssemos dizendo que Edila Luiza Reis é uma pequena muito interessante, os leitores ficariam intrigados. Porque tal nome é estranho ao noticiário dos jornais.

Basta, todavia, uma simples explicação de nossa parte, para que tudo entre na linha e o bonde siga o seu destino: Edila Luiza é o nome que Bidu Reis recebeu um dia na pia batismal, quando ainda não sabia falar e muito menos cantar.

Diante de um caso desses, nos ocorre, naturalmente, uma outra pergunta: qual a razão que levaria uma garota que tem um nome tão bonito a adotar um pseudônimo?

A melhor resposta seria dar de ombros, fazendo uma careta de profunda incompreensão, como costumava fazer aquele "seu" Barata que Joraci Camargo incrustou no "Deus lhe pague" ...

De todos os modos, não há a negar a influência benéfica do nome numa carreira artística. O cinema, o rádio e o teatro estão de cheios de exemplos dessa natureza. Mesmo os literatos não têm resistido no fascínio de trocar de nome ... Hollywood universalizou a fórmula, possuindo nos seus estúdios uma porção de indivíduos cuja função consiste em rebatizar os novos artistas.

Quando dizíamos que Bidu Reis é uma garota bem interessante, esta afirmação está acima de qualquer dúvida.

Com Marília Batista e Regina Coeli, ela forma um trio de primeira linha. Canta, toca gaita e sapateia ... Certa vez, num programa de auditório, desacatou os maiores "gaiteiros" que andam por aí ... E como sapateia bem! (É uma pena não estar a televisão bem difundida).

Bidu Reis não é caloura no Rádio. Já fez com Emilinha Borba, na Rádio Mayrink Veiga, uma dupla que é relembrada com saudades.

Atualmente é um dos elementos da Rádio Nacional, e, no programa dominical da Luiz Vassalo, ela vem obtendo um grande sucesso.

Durante a ausência de Dalva de Oliveira, que fora ao Paraná em excursão com o Trio de Ouro, Bidu ficou fazendo o famoso gritinho do lero-lero, grito que tanta sensação tem causado na Cidade Maravilhosa.

Bidu Reis é, como vimos, uma artista "comme il faut". Interpretando canções americanas, como componente de um conjunto, gritando o lero-lero, ela sabe dar às suas criações uma boa dose de sua arte, da sua alegria sadia e moça."


Fonte: Revista semanal "Carioca", de 31/01/1942.

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