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domingo, fevereiro 11, 2018
Luís Americano - Biografia
Luís Americano (Luís Americano Rego), instrumentista e compositor, nasceu em Aracaju SE, em 27/2/1900, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 29/3/1960. Começou os estudos de clarineta aos 13 anos com o pai, Jorge Americano, mestre-de-banda em Aracaju.
Ingressando no Exército, tornou-se músico do 20º Batalhão de Caçadores, sediado em Maceió AL. Transferido em 1921 para o Rio de Janeiro para servir no 3º Regimento de Infantaria, deu baixa no ano seguinte.
Já dominando o sax-alto e a clarineta, passou a atuar como músico profissional. Integrou diversas orquestras, entre as quais as de Justo Nieto, Raul Lipoff, Simon Bountman e Romeu Silva. No início da década de 1920 participou com destaque de gravações realizadas na Odeon, ainda pelo processo mecânico: Coração que bate, bate..., maxixe (Freire Júnior), gravado em 1922, traz no selo seu nome e do Grupo de Donga.
Em 1928 viajou para a Argentina, levado pelo norte-americano Gordon Stretton, baterista e chefe de orquestra, com quem trabalhou três meses. Integrou em seguida a orquestra do argentino Adolfo Carabelli, regressando em 1930 ao Rio de Janeiro, onde formou o conjunto de danças American Jazz, que gravou na Victor.
Em 1932 passou a integrar o Grupo da Guarda Velha e a partir do mesmo ano foi relançado pela Odeon, revelando-se nessa nova fase como grande compositor e um dos maiores clarinetistas brasileiros. São dessa época os lançamentos de É do que há, choro, e Lágrimas de virgem, valsa, ambos de sua autoria.
Em agosto de 1940 fez parte do grupo de músicos e compositores brasileiros escolhidos por Pixinguinha, a pedido do maestro Villa-Lobos, para realizarem gravações para o maestro Leopold Stokowski (1882—1976), que visitava o Brasil.
Além de atuar por muitos anos no teatro musicado e em dancings, participou como músico de estúdio das orquestras da Rádio Mayrink Veiga — de fins da década de 1930 ate 1950 — e da Rádio Nacional, de 1950 até a morte.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Um craque do saxofone
| Luiz Americano - CARIOCA 12/9/1936 |
Nascido em Sergipe, demonstrou desde garoto invulgar predileção pela música. Estudando saxofone, progrediu assombrosamente, em pouco tempo. Hoje, que além de saxofone Luiz Americano toca também eximiamente clarinete e bandoneon, já tem alcançado na vida êxitos capazes de consagrá-lo.
Exibindo-se em cassinos, dirigindo orquestras, no Brasil e na Argentina, além de atuar em várias estações de rádio, Luiz tornou-se em pouco tempo um nome admirado e conhecido.
Rádio Nacional contratou-o, recentemente.
Uma carreira feliz
— Divido a minha carreira em duas etapas — diz Luiz Americano. — Uma no Brasil, outra na Argentina. Tive em Buenos Aires uma vida artisticamente atribulada. Sucesso também dá trabalho. . . As emoções experimentadas aqui não foram renovadas lá. Simplesmente foram vividas de outra maneira. O povo argentino não é tão fácil ao aplauso como o brasileiro. Mas quase sempre é acolhedor para a música brasileira.
Na Argentina, Luiz Americano exibiu-se em muitos teatros, cassinos, estações de rádio, obtendo grande êxito.
— Também gravei vários discos. Composições minhas. Tenho, aliás, mais de trinta, todas elas felizmente bem sucedidas.
Entrando para o Rádio
— Se o cinema falado e sincronizado veio até certo ponto prejudicar a atuação de muitos artistas que viviam das orquestras dos cinemas, o rádio, progredindo, chegou para compensar esse fato. Observo que existem hoje, colocados nas orquestras dos estúdios muitos artistas que exploraram aquele outro ramo de vida.
Pela sua parte Luiz Americano, que sempre se exibiu em vários lugares ao mesmo tempo, também tocou durante longo tempo na orquestra de um dos nossos principais cinemas. Há quatro anos passados ingressou para o rádio, estreando-se num programa de Renato Murce e Gramury, na Rádio Sociedade.
Um fã dos outros artistas
No nosso “broadcasting” Luiz Americano já atuou em várias estações, sendo um admirador do progresso apresentado pelos programas.
Distingo entre os bons dirigentes Renato Murce. Capacidade e talento além de espírito batalhador. Na parte musical, devo declarar que observo muito apreciando os verdadeiros valores. Entre os intérpretes de saxofone, por exemplo, admiro Dedé e Sandoval, artistas de valor. Violinista, Pereira Filho, o mais movimentado, inspirado e admirável. Na flauta, reconheço um artista absoluto: Pixinguinha. Entre os cantores e cantoras, Sílvio Caldas, Francisco Alves, Carmen Miranda e Aracy de Almeida.
Música sinfônica
— Estou, no entanto, muito longe de apreciar unicamente o gênero popular. Prefiro mesmo a música sinfônica a qualquer outra, admirando Cesar Franco, Wagner, Beethoven e Rimisk Kovsakowisk — aliás um dos mais apreciáveis compositores da música árabe.
Luiz Americano gosta do ritmo árabe. Nas suas composições executa toda espécie de música. Atualmente tem composto muitas valsas e choros, sendo uma das suas últimas produções uma linda música intitulada “Yolanda Pereira”, que é aliás a sua predileta.
— Dedicada a Miss Universo 1930?
— Não ... — respondeu-nos Luiz Americano. — Dediquei-a à senhorita Yolanda Pereira, graciosa irmã de Pereira Filho.
Luiz Americano, que será um dos bons elementos da Rádio Nacional, dirige também um dos principais dancings do Rio e é um homem perfeitamente amável e simpático.
— Sinto-me perfeitamente bem no meio radiofônico, apreciando todos os colegas.
Ele referiu-se também entusiasticamente ao talento de Radamés Gnatalli, o surpreendente pianista da PRE-3.
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Fonte: CARIOCA, de 12/9/1936.
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