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sábado, abril 07, 2007

Tião Carreiro e Pardinho

Tião Carreiro e Pardinho. Dupla sertaneja forma da por José Dias Nunes (Montes Claros MG 1934—São Paulo SP 1993) e Antonio Henrique de Lima (São Carlos SP 1932-).

José Dias Nunes (Tião Carreiro) sempre cantou em dupla, inicialmente com o nome de Zezinho (com Lenço Verde), depois como Palmeirinha (com Coqueirinho) e mais tarde como Zé Mineiro (com Tietezinho), completando quatro anos de carreira. Antonio Henrique de Lima (Pardinho começou cantando com Miranda (Estevão Valério de Miranda) e depois formou uma dupla provisória com Zé Carreiro, da dupla Zé Carreiro e Carreirinho, para concorrer ao Torneio de Violeiros (1956) da Rádio Tupi de São Paulo SP.

Premiada com o cururu Canoeiro (Zé Carreiro), a dupla recebeu então convite de Teddy Vieira para gravar na Columbia, quando Antônio Henrique adotou o pseudônimo de Pardinho, lançando em disco os sucessos Facão do Cristiano (Dito Mineiro e Zé Carreiro) e Boiadeiro feliz (Zé Carreiro e Pardinho).

Teddy Vieira diretor do setor sertanejo da Columbia, procurando outro nome que substituísse o famoso Zé Carreiro, deu a Zé Mineiro (José Dias Nunes) o pseudônimo de Tião Carreiro que formou dupla com Carreirinho, fazendo diversas gravações. Mais tarde Tião Carreiro e Pardinho formaram dupla, uma vez que Zé Carreiro e Carreirinho voltaram a atuar juntos.

O primeiro sucesso da dupla foi Cavaleiros do Bom Jesus (João Alves, Nhô Silva e Teddy Vieira), gravado na Columbia, mesma gravadora que lançou seu grande êxito Boiadeiro punho de aço (Teddy Vieira e Pereira). Pela Chantecler a dupla gravou vários LPs, entre os quais Em tempo de avanço (1968), em que foi incluída A beleza do ponteio, biografia em versos do Tião Carreiro, de autoria do Capitão Furtado e musicada pelo próprio Tião.

Em 1970, a dupla foi a principal intérprete do filme Sertão em festa, de Osvaldo de Oliveira, com músicas que já haviam sido gravadas pela Chantecler, como Caboclinha malvada (Serrinha), Em tempo de avanço (Lourival dos Santos e Tião Carreiro), Jerimu (Arlindo Pinto), Mestre carreiro (Raul Torres), a moda do peão Oi, vida minha! (Cornélio Pires) e Pagode (Tião Carreiro e Carreirinho).

Mas foi no LP A força do perdão que a dupla efetivamente se consagrou no gênero, obtendo grande sucesso com a música de Piraci, Lourival dos Santos e Tião Carreiro Rio de lágrimas, também conhecida como Rio de Piracicaba.

Em 1996 Tião Carreiro foi homenageado num disco tributo, Saudades De Tião Carreiro (selo Continental), com músicas suas interpretadas por Sérgio Reis, Zezé Di Camargo e Luciano, Irmãs Galvão, Almir Sater, Chitãozinho e Xororó e outros.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Tião Carreiro

José Dias Nunes, nascido em 13 de dezembro de 1934, foi um dos maiores violeiros que o mundo sertanejo já viu. Mineiro de Monte Azul, perto de Montes Claros, criado numa fazenda de Araçatuba, no interior paulista, morreu aos 59 anos, em 1993, deixando histórias e lendas, músicas e toques que chegaram às novas gerações de aficionados da viola de 10 cordas.

Inventor do pagode caipira, mistura dos gêneros rurais paulistas e mineiros com o samba, Tião foi o primeiro a enfrentar o desafio de gravar discos com seus solos de viola. Almir Sater e Renato Andrade são alguns dos músicos que reverenciam este mestre que não era dado a sorrisos e agrados, mas que também não se fazia de rogado para, numa roda de admiradores, varar a noite na cantoria.

Figura obrigatória nas festas de rodeios do interior de São Paulo, recebido como rei nas casas da elite rural e com carta branca para gravar o que quisesse na Chantecler/Continental, onde registrou quase toda sua obra, deixou uma obra vasta e expressiva.

Compôs com vários parceiros e cantou com muita gente, mas ficou famoso duetando com Pardinho, o Antonio Henrique de Lima, paulista de São Carlos. A dupla formada no final da década de 50, nos circos do interior paulista, teve trajetória tumultuada, com separações e voltas mas brilhou em 60 e 70.

Alguns de seus maiores sucessos são: Rei do gado, de Teddy Vieira, que virou nome do primeiro LP da dupla, em 1961, Rio de lágrimas, de Tião, seu compadre Lourival dos Santos e Piraci; a divertida Viúva rica, feita com Edward de Marchi; e a genial Viola vermelha, homenagem a Florêncio, outro grande tocador de viola, assinada também por Jesus Belmiro. Do LP Em Tempo de avanço, de 1969, foi escolhida A Beleza do ponteio, moda de viola de Tião com letra do lendário Capitão Furtado, contando a saga do violeiro mineiro.

Da curta fase em que o "rei do pagode" cantou com Paraíso foi selecionada Palavra de honra, de parceria com Pedro D'Aquino. Quando formou dupla com Carreirinho - outro inspirado compositor - gravou belas modas de viola como Terra roxa, de Teddy Vieira, e Meu carro é minha viola, de Carreirinho e Mozart Novaes, esta comparando as cordas do instrumento a um carro-de-boi.

O exímio solista que dominava muitos toques e afinações pode ser apreciado nas duas faixas instrumentais selecionadas do LP É isto que o povo quer, de 1976: a moda de viola O menino da porteira e o arrasta-pé Cabelo loiro.

Depois de sua morte, não foi esquecido. Na coleção Som da Terra, da Warner, em 1994, mereceu três CDs. Em 1996, a gravadora lançou Saudades de Tião Carreiro, no qual alguns de seus sucessos com Pardinho foram remixados e ganharam a participação de novos astros sertanejos.

Fonte: Rosa Nepomuceno - Biografia compilada do encarte da Enciclopédia Musical Brasileira distribuído pela Warner Music Brasil Ltda.