sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Coca

Francisco. Mignone
Coca (valsa, 1930) - Francisco Mignone

Quando Sinhô compôs a canção-tango A cocaína em 1923 (Só o vício me traz / cabisbaixa me faz / reduz-me a pequenina / quando não tenho à mão / a forte cocaína / quando junto de mim / ingerida em porção / sinto só sensação / alivia-me as dores / neste meu coração), e Francisco Mignone a sua valsa Coca em 1930, não estavam exaltando nada proibido, na época e aqui no Brasil.

A droga era vendida em farmácias, como elixir para "os males do espírito", como nos reclames da época. Felizmente foi descoberto o grande estrago que a cocaína causa, que antes era encarada como um "divertido elixir" .

Disco 78 rpm / Título da música: Coca / Autoria: Mignone, Francisco, 1897-1986 (Compositor) / Orquestra Paulistana (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Nº Álbum 13209 / Gênero musical: Valsa


A cocaína (canção-tango, 1923) - Sinhô

Só o vício me traz / Cabisbaixa me faz
Reduz-me a pequenina / Quando não tenho à mão
A forte cocaína.

Quando junto de mim / Ingerida em porção
Sinto só sensação / Alivia-me as dores
Neste meu coração.

Ai, ai és a gota orvalina / Só tu és minha vida
Só tu ó cocaína. / Ai, ai mas que amor purpurina
É o vício arrogante / De tomar cocaína.

Sinto tal comoção / Que não sei explicar
A minha sensação / Louca chego a ficar
Quando a sinto faltar.

Esse sal ruidoso / Que a mim só traz gozo
Somente de olhar / E para esquecer
Eu começo a beber.

Quando estou cabisbaixa / Chorando sentida
Meio entristecida / É que o vício da vida
Torna a alma perdida.

Louca hás de voltar / Vendo-me estrangular
Para o vício afogar / Neste toque fugaz
Que me há de findar.




Cena do Espetáculo: "Teatro Musical Brasileiro 1915-1945 de Luiz Antonio Martinez Corrêa Participação de Anabel Albernaz e Andréa Dantas Teatro João Caetano RJ - 1994


Fontes: Sinhô, o rei do Samba; Letras que falam de drogas - Samba & Choro.