quinta-feira, setembro 01, 2011

Henrique Alves de Mesquita

Henrique Alves de Mesquita, compositor, organista, regente e professor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15/3/1830, e faleceu na mesma cidade, em 12/7/1906. Iniciou estudos musicais com Desidério Dorison, e em 1847 já executava solos de trompete.

No ano seguinte ingressou no Liceu Musical, na classe de Gioacchino Giannini, que depois seria seu professor no Conservatório de Música. Em fins de 1853, com o clarinetista Antônio Luís de Moura, abriu, na Praça da Constituição, o Liceu e Copistaria Musical, estabelecimento que oferecia cursos de música, copiava partituras, fornecia orquestras para bailes e vendia instrumentos.

São dessa época suas primeiras composições: a modinha O retrato, 1854; a romança Ilusão, 1855; a valsa Saudades de Madame Charton e o lundu Beijos de frade, as duas últimas publicadas em 1856 por T. B. Dinis. Nesse ano diplomou-se no Conservatório de Música, obtendo medalha de ouro nos cursos de Gioacchino Giannini (contraponto e órgão). Foi o primeiro aluno a receber prêmio de viagem à Europa, para aperfeiçoar-se. 

Em julho de 1857 seguiu para a França, onde cursou o Conservatório de Paris, estudando harmonia com François-Emmanuel-Joseph Bazin (1816—1878). Na capital francesa fez encenar a opereta La nuitau chateau (libreto de Paul de Koch) e obteve êxito com a quadrilha Soirée brésilienne. A coleção Abelha Musical (1858—1859) publicada no Rio de Janeiro pelo sucessor de Pedro Laforge, continha trechos de sua ópera Noivado em Paquetá. De Paris enviou obras ao Rio de Janeiro, como uma Missa executada a 26 de agosto de 1860, na igreja da Cruz dos Militares, sob a regência de Francisco Manuel da Silva; uma abertura sinfônica L’Étoile du Brésil, executada em 1861 na festa de distribuição de prêmios do Conservatório de Música. 

Sua ópera O vagabundo ou A infidelidade, sedução e vaidade punidas (libreto em italiano de Francesco Gumirato) foi representada a 24 de outubro de 1863 no Teatro Lírico Fluminense, pela empresa da Ópera Nacional, com libreto traduzido por Luís Vicente de Simoni. Alcançou êxito, sendo reencenada em 1871, desta vez cantada no original italiano. Ainda em Paris, envolveu-se em problemas pessoais, perdendo a pensão e regressando ao Brasil em julho de 1866. 

No Rio de Janeiro, integrou durante algum tempo a orquestra do Alcázar como trompetista, e a partir de 1869 passou a atuar como regente da orquestra do Teatro Fênix Dramática. Ali apresentou várias operetas de sucesso: Trunfo às avessas, 1871; Ali Babá (libreto de Eduardo Garrido), 1872; Coroa de Carlos Magno, 1873, entre outras. Segundo consta, foi o primeiro compositor brasileiro a usar a palavra tango para designar o tipo de música teatral até então conhecido como habanera ou havaneira, quando assim intitulou sua composição Olhos matadores, de 1871. 

Em 1872 foi nomeado professor de solfejo e princípios de harmonia no Conservatório de Música. Desse ano até 1886 foi organista da igreja de São Pedro. Em 1877 foi representada sua opereta Loteria do diabo no Teatro Fênix Dramática, e em 1885, A Gata Borralheira, no mesmo teatro, seu último êxito. 

Afastando-se do teatro, continuou a ensinar no Conservatório de Música. Em 1890 foi efetivado como professor de instrumentos de metal, aposentando-se em 1904, pelo já então I.N.M. 

Obras 

Música dramática: Ali Babá, opereta, 1872; Coroa de Carlos Magno, opereta, 1873; A Gata Borralheira, opereta, 1885; Loteria do diabo, opereta, 1877; La nuit au chateau, opereta, c. d.; Trunfo às avessas, opereta, 1871; O vampiro, drama fantástico, 1873. 

Outros: Ali Babá ou Os quarenta ladrões, tango, V.C.&C., s.d.; Ali Babá ou Os quarenta ladrões, quadrilha, A.N.&C., s.d.; À terra um anjo baixou, romance, J.P.S., s.d.; Aurora, polca, N.J.P.B.; s.d.; Batuque, tango, V.M.&C., s.d.; La brésilienne, polca, N.J.RB., s.d.; La brésilienne, polca, O.L., s.d.; Camões, polca, N.A.N.&M., s.d.; La coquette, quadrilha, A.N.&C., s.d.; A coroa de Carlos Magno, p/piano, s.d.; Esaudito amore, canto-piano, B.&G., s.d.; Espectro horrível, modinha lúgubre, B.&G., s.d.; A Gata Borralheira, quadrilha, N.&A.N., s.d.; Mayá, polca, M.A.G., s.d.; Minha estrela, recitativo, N., s.d.; A oração da infância, recitativo, A.N.&C., s.d.; A pêra de Satanás, quadrilha, A.N.&C., s.d.; Quadrilha heróica, N.&A.N., s.d.; Quebra, quebra minha gente, polca, A.N., s.d.; Raios do sol, quadrilha, A.N., s.d.; Remissão dos pecados, tango, N.&A.N., s.d.; Romance da ópera O vagabundo, R.N.&C., s.d.; Recitativo: sempre, N.&A.N., s.d.; Soirée brésilienne, quadrilha, N.&A.N., s.d.; Soirée brésilienne, quadrilha, S.R., s.d.; Souvenir du Tejo, polca, N.&A.N., s.d.; A surpresa, polca, N.&A.N., só.; Trunfo às avessas, recitativo, N.&A.N., só.; Trunfo às avessas, polca, A.N.&C., s.d.; Trunfo às avessas, quadrilha, T.H.C., s.d.; A vaidosa, tocata, B.G.&I., s.d. 

 Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.