sábado, setembro 08, 2007

João Nogueira


O cantor e compositor João Nogueira (João Batista Nogueira Júnior) nasceu em 12/11/1941 e faleceu em 5/6/2000. Carioca, aprendeu a tocar violão com o pai, o advogado e músico João Batista Nogueira, que chegou a participar, como violonista, do regional de Rogério Guimarães. Aos 15 anos, começou a compor junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira.


Morador do bairro do Meyer, aos 17 anos passou a freqüentar o bloco carnavalesco Labareda do Meyer, do qual chegou a ser diretor. Por essa época, seus sambas eram conhecidos apenas pelo pessoal do bloco. Por meio de um deles, Airton Silva, filho do saxofonista Moacir Silva (então diretor da gravadora Copacabana), conseguiu, em 1968, gravar sua composição Espera, ó nega, acompanhado por um conjunto de samba que, depois, passaria a ser chamado de Nosso Samba.

Em 1970 gravou Corrente de aço. Paulo Valdez, compositor e filho da cantora Elisete Cardoso, também freqüentador do bloco, mostrou a ela suas músicas; logo depois, Elisete regravou Corrente de aço. Nessa época, procurou Adelson Alves, que fazia um programa na Rádio Globo, para ser seu produtor.

Em 1971, Adelson produziu a gravação de duas composições suas, quando atuou também como cantor: Mulher valente é minha mãe e O homem de um braço só (homenagem a Natal, presidente da Portela), incluídas no LP Quem samba fica.

Ainda em 1971, Clara Nunes lançou Meu lema (com Gisa Nogueira) e Morrendo de verso em verso, e Eliana Pittman gravou Das duzentas pra lá. Nesse mesmo ano, com Sonho de bamba, venceu um concurso na Portela, passando a integrar a ala dos compositores da escola de samba. Sonho de bamba foi gravado por ele em 1972, ano em que lançou um LP com músicas suas e de outros compositores, e um compacto com Espelho (com Paulo César Pinheiro) e Valsa feliz.

Em 1974 lançou o LP E lá vou eu e, no ano seguinte, o LP Vem quem tem, em que se destacam as faixas Mineira (com Paulo César Pinheiro) e Chorando pelos dedos (com Cláudio Jorge). Fez apresentações em shows do Teatro Opinião, Teatro Santa Rosa e outros. Apresentou-se em 1977 nas principais capitais do Brasil, ao lado de Cartola, no Projeto Pixinguinha. Lançou o LP Espelho (Odeon), com destaque para a música-título e O passado da Portela (Monarco).

Em 1978 lançou o LP Vida boêmia (Odeon), ao lado de Sérgio Cabral. No ano seguinte, montou o show Carioca, suburbano, mulato e malandro. Lançou o LP Clube do samba (Polygram), com destaque para Súplica (com Paulo César Pinheiro) e Enganadora (Monarco e Alcides Dias Lopes).

Em 1980 lançou o LP Na boca do povo, com várias parcerias suas com Paulo César Pinheiro. No ano seguinte, saiu o LP Wilson, Geraldo e Noel, homenageando Wilson Batista, Geraldo Pereira e Noel Rosa com a interpretação de suas obras.

Em 1982 gravou o LP O homem dos quarenta, com Pimpolho moderno (Nelson Cavaquinho e Gerson Filho). Em 1983 mudou da gravadora Polygram para a RCA e lançou o LP Bem transado, com destaque para Se segura, segurança (com Edil Pacheco e Dalmo Castelo) e Um ser de luz (com Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte).

Gravou em 1984 o LP Pelas terras do pau-brasil, com destaque para Dois de dezembro — dia do samba (com Nonato Buzar e Paulo César Feital). Em 1985 lançou o LP De amor é bom, com a faixa-título (com Edil Pacheco) e É disso que o povo gosta (Carlinhos Vergueiro). Veio em 1986 o LP João Nogueira, com produção de Cristóvão Bastos, e em 1987 o LP João (selo Idéia Livre), com Cachaça da rolha (com Paulo César Pinheiro) e Maria do Socorro (com Carlinhos Vergueiro).

Em 1992 lançou o LP Além do espelho (Som Livre), só de parcerias com Paulo César Pinheiro. Em 1994 saiu o CD Parceria (Velas), em que canta suas composições com Paulo César Pinheiro ao longo de 22 anos, gravado ao vivo num show com a participação do parceiro.

Lançou em 1995, pela gravadora Lumiar, o CD Chico Buarque — Letra & Música (acompanhado pelo pianista Marinho Boffa), da Série Letra & Música, produzida por Almir Chediak, que conta com a participação de Leny Andrade no dueto de Sem fantasia.

Presidente do Clube do Samba, fundado, em 1979, por ele e outros sambistas famosos, como Alcione, Martinho da Vila e Beth Carvalho, faleceu aos 58 anos de idade de enfarte em sua casa. Portelense e flamenguista, o sambista apresentava debilitado estado de saúde nos últimos tempos: havia sofrido cinco derrames, uma isquemia cerebral e um acidente vascular cerebral. O enterro aconteceu às 17h, no cemitério São João Batista, no Rio.

Obra

Batucajé (c/Wilson Moreira), 1977; Clube do samba, 1979; De amor é bom (c/Edil Pacheco), 1985; É disso que o povo gosta (Carlinhos Vergueiro), 1985; Espelho (c/Paulo César Pinheiro), 1977; Jornal cantado (c/Paulo César Feital), 1985; Maria do Socorro (c/Carlinhos Vergueiro). 1987; Minha missão (c/Paulo César Pinheiro), 1982; O poder da criação (c/Paulo César Pinheiro), 1980; Um ser de luz (c/Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte), 1983; Súplica (c/Paulo César Pinheiro), 1979; Xingu (c/Paulo César Pinheiro), 1984.

CDs

Parceria: João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1994, Velas 11V046; Chico Buarque — Letra & Música (c/Marinho Boffa), 1995, Lumiar L107739-2.

Algumas músicas
























Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Jards Macalé

Jards Macalé (Jards Anet da Silva) nasceu em 03 de Março de 1943 no Rio de Janeiro RJ. Aprendeu a tocar violão por volta dos 14 anos, e em 1958 começou a estudar orquestração, arranjo, composição e violão. Na Escola Pró-Arte foi aluno de Guerra-Peixe (orquestração), Peter Daulsberg (violoncelo) e Turíbio Santos (violão). Em 1964, compôs Meu mundo é seu (com Roberto Nascimento), gravada por Elizeth Cardoso.

Sua carreira profissional começou realmente em 1965, quando tocou violão na montagem paulista do show Opinião, no Teatro Ruth Escobar, de São Paulo. Nesse mesmo ano, junto com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Carlos Castilho, participou da direção musical da peça Tempo de guerra, apresentada no Teatro de Arena, e dirigiu a parte musical do show Arena canta Bahia.

Em 1967 recomeçou seus estudos, então com Ester Scliar e com o maestro Guerra-Peixe. Em 1968, estreou no cinema: compôs musicas sobre textos de Mário de Andrade para o filme Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, participou da trilha sonora de O Dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha.

No ano seguinte, lançou seus primeiros sucessos: com Capinam, compôs Pulsars e quasars, Pula-pula e Movimento dos barcos; com Duda, escreveu Hotel das Estrelas e Archaic Lonely Star Blues. Gravou ainda, com Gilberto Gil, Aquele abraço e Cultura e civilização; foi o responsável pela direção musical e pelos arranjos, participando também como vocalista, do LP Cultura e civilização, de Gal Costa. Causou polemica, nesse ano, ao apresentar, no IV FIC da TV Globo, do Rio de Janeiro, uma música sua, escrita de parceria com Capinam: Gotham City.

Em 1970 compôs novos sucessos, desta vez com Waly Sailormoon, Vapor barato, e Mal secreto (também gravadas por Gal Costa) e fez a direção musical do show Deixa sangrar, ainda com Gal Costa.

Em 1972, trabalhou nos arranjos e direção do LP Transa, de Caetano Veloso, e em espetáculos no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife PE e Salvador BA. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, pela Philips. No ano seguinte, lançou, pela mesma gravadora, seu segundo LP – Aprender a nadar – e fez a trilha sonora para filme dirigido por Nelson Pereira dos Santos, Amuleto de Ogum, em que também trabalhou como ator.

Em 1977 gravou o LP Contrastes, pela Som Livre. Em 1979 lançou o álbum duplo Banquete dos Mendigos, gravado ao vivo no MAM do Rio de Janeiro em 10 de novembro de 1973 e proibido pelo regime militar durante seis anos. Gravou em 1987 o disco Quatro batutas e um curinga, pela Continental.

Em 1991, atuou na novela Amazônia, da TV Manchete e, em 1994, lançou o CD inédito Let’s play that, gravado dez anos antes em parceria com o percussionista Naná Vasconcelos e recusado na época pelas gravadoras. O disco inclui Let’s play that (com Torquato Neto), Puntos cardenales (com Jorge Mautner) e música para fragmentos dos Cantos de Ezra Pound.

Desde 1994 a maioria de seus LPs foi relançada em CD, entre eles Aprender a nadar, Direitos humanos no banquete dos mendigos e Contrastes, todos pela Rock Company, em 1995. Também participou de outros discos, como os songbooks de Noel Rosa (1991), Vinícius de Moraes (1993), Dorival Caymmi (1994) e Ary Barroso (1995), todos da Lumiar.

Em 1997 musicou os dois últimos poemas que recebeu de Torquato Neto, Destino de poeta e Sim, não, além de poema inédito do cineasta Glauber Rocha.

Há mais de 30 anos no cenário musical, também transita por outras artes: no teatro, trabalhou ao lado de José Celso Martinez Correia na peça Brecht Hindemith, no cinema, atuou como ator com diretores como Nelson Pereira dos Santos e Leon Hirszman; nas artes plásticas, trabalhou com Hélio Oiticica, Lygia Clark e Rubens Gerschman.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Inezita Barroso


A cantora, instrumentista, arranjadora, folclorista e atriz Inezita Barroso (Inês Madalena Aranha de Lima), nasceu em São Paulo/SP em 04.03.1925. Inezita começou a cantar e estudar violão aos sete anos, e aos 11 iniciou seu aprendizado de piano. Depois de casada, voltou ao canto e ao violão, estreando, em 1950, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, a convite de Evaldo Rui.


Participou em seguida da transmissão inaugural da TV Tupi, canal 3, e trabalhou como cantora exclusiva da Rádio Nacional, de São Paulo, transferindo-se mais tarde para a Record. Ainda em 1950 participou do filme Ângela, dirigido por Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida e realizou recitais no Teatro Brasileiro de Comédia, no teatro de Cultura Artística e no Teatro Colombo.

Voltou a atuar em cinema em 1953, nos filmes Destino em apuros (direção de Ernesto Remani) e Mulher de verdade (direção de Alberto Cavalcanti). No ano seguinte, apareceu em É proibido beijar, de Ugo Lombardi, e O Craque, de José Carlos Burle, recebendo ainda o prêmio Roquete Pinto, como a melhor cantora de rádio da música popular brasileira, e o prêmio Guarani, como a melhor cantora do disco.

Ainda em 1953 gravou na Victor Canto do mar (Guerra Peixe), Marvada pinga (Laureano), Benedito pretinho e Dança do caboclo (ambas de Hekel Tavares), e os sambas Estatutos de gafieira (Billy Blanco) e Isso é papel, João? (Davi Raw e Cícero Galindo Machado).

A partir de 1954 passou a apresentar-se semanalmente em programas folclóricos na TV Record, de São Paulo. Em 1955 atuou no filme Carnaval em lá maior (direção de Ademar Gonzaga) e como atriz e cantora representou o Brasil no festival de Cinema de Punta del Este, Uruguai, viajando em seguida ao Paraguai. Foi novamente premiada com o Roquete Pinto e ainda com o Saci, como melhor atriz do cinema. Realizou gravações de divulgação do folclore brasileiro, ilustrando uma série de conferências de professores na universidade de São Paulo.

Seu primeiro LP, Inezita Barroso, foi lançado pela Copacabana, também em 1955, com repertório folclórico que incluía, entre outras, Banzo (Hekel Tavares e Murilo Araújo), Funeral dum rei nagô (Hekel Tavares e Murilo Araújo), Viola quebrada (Mário de Andrade) e Mineiro tá me chamano (Zé do Norte).

Em seguida lançou os LPs Canta Inezita, Coisas do meu Brasil e Lá vem o Brasil. Nessa época, Jean Louis Barrault, Marian Anderson, Vittorio Gassmann e Roberto Inglez, em visita ao Brasil, levaram seus discos para a Europa, onde foram divulgados nas principais emissoras. Seus dois LPs seguintes foram Vamos falar de Brasil e Inesita apresenta, ainda pela Copacabana, reunindo neste último composições de Babi de Oliveira, Juraci Silveira, Zica Bergami, Leyde Olivé e Edvina de Andrade, do folclore baiano, mineiro e paulista.

Em 1956 publicou seu livro Roteiro de um violão. Em 1960, lançou o LP Eu me agarro na viola (Copacabana), faixa de abertura do disco, além de Leilão (Hekel Tavares e Joraci Camargo), A moda da mula preta (Raul Torres e João Pacífico), Bonde do Camarão (Cornélio Pires e Mariano Silva) e Canção da guitarra (Marcelo Tupinambá e Aplecina do Carmo).

Em 1961 lançou o Lp Inezita Barroso, com Casa de caboclo (Hekel Tavares e Luiz Peixoto), Viola quebrada, regravação do seu primeiro LP, Tambá-Tajá (Waldemar Henrique), Roda carreta (Paulo Ruschel) e Carreteiro (Barbosa Lessa).

Em 1968, lançou o LP O Melhor de Inezita, com Banzo e Funeral dum rei nagô, regravações do seu primeiro LP, O Hino dos fuzileiros navais, ou Cisne Branco (Antônio Manuel do Espírito Santo e Benedito X. de Macedo), Lampião de gás (Zica Bergami) e Moda da pinga (Laureano), os dois números mais populares.

Em 1969, lançou o LP Clássicos da música caipira, volume 1, cujas composições de destaque são: Chico Mineiro (Francisco Ribeiro e Tonico), Do lado que o vento vai (Raul Torres), Baldrana macia (Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto), Sertão do Laranjinha (adaptação de Tonico e Tinoco e Capitão Furtado) e Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico). Nesse mesmo ano ganhou troféu do I Festival de Folclore Sul-Americano, em Salinas, Uruguai.

Em 1970 lançou o LP Modinhas, onde se destacam as composições Canção da felicidade (Barroso Neto e Nosor Sanches) e Conselhos (Carlos Gomes). Ainda neste ano produziu um documentário que representou o Brasil na Expo-70, no Japão. Em 1972 lançou o volume dois dos Clássicos da música caipira, com Rio de lágrimas (Piraci, Lourival dos Santos e Tião Carreiro), Divino Espírito Santo (Canhotinho e Torrinha), Destinos iguais (Capitão Furtado e Laureano) e Rei do Café (Carreirinho e Teddy Vieira).

Em 1975, lançou o LP Inezita em todos os cantos, com Negrinho do pastoreio (Barbosa Lessa), Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e números folclóricos recolhidos na Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Fez programas especiais para o Uruguai, Paraguai, EUA, Israel, antiga U.R.S.S., França e Itália.

Tem mais de 70 discos gravados, entre 78 rpm, LPs e CDs; recentemente gravou CDs com o violeiro Roberto Côrrea e a Orquestra de Violas de São José dos Campos. Desde os anos 70 comanda o programa `Viola, Minha Viola", exibido até hoje pela TV Cultura.


Fonte: Inezita Barroso - Raizes Sertanejas -vol. 2 - Revivendo Musicas - Biografias.