domingo, abril 03, 2011

Marlui Miranda

Marlui Miranda
Marlui Miranda (Marlui Nóbrega Miranda), compositora, cantora e pesquisadora, nasceu em Fortaleza CE, em 12/10/1949. Criada em Brasília DF, depois de vencer um festival estudantil, em 1968, trocou o curso de arquitetura pela música.

Em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde estudou violão clássico com Turíbio Santos , Oscar Cáceres, Jodacil Damasceno, João Pedro Borges e Paulo Bellinati. Passou a tocar com artistas como Macalé, Taiguara, Milton Nascimento e Egberto Gismonti, que produziu seu primeiro LP, Olho d’água (Continental, 1979).

Na década de 1970, começou a pesquisar as falas e os cantares indígenas e com o fotógrafo Marcos Santilli, produziu o audiovisual Nharamaã, fruto de pesquisas sobre a colonização de Rondônia. Produziu e gravou os LPs Revivência (Memória, 1984) e Rio acima (Memória, 1986); produziu o disco Patter Merewa (Música dos índios suruís de Rondônia), com 13 canções suruís reunidas por ela e pela antropóloga Betty Mindlin.

A partir de 1990, recebeu bolsas da Rockefeller Foundation e The John Simon Guggenheim Memorial Foundation (New York, EUA) e da Fundação Vitae (São Paulo SP) para seu projeto Preservação e Recriação da Música Indígena da Amazônia Brasileira.

Em 1990 participou como supervisora geral e intérprete na trilha sonora do filme Brincando nos campos do Senhor, de Hector Babenco. Em 1992 foi solista e responsável pela recriação da música indígena na Ópera dos 500, de Naum Alves de Sousa e Grupo Pau Brasil. No mesmo ano, com o Grupo Pau Brasil, criou a trilha para o documentário Arawetê, produzido pelo Centro de Documentação e Informação (CEDI).

Em 1993 produziu o CD Amazon Rainforest Music, para a gravadora alemã Sonoton. Em 1995 gravou o CD IHUTodos os sons, com músicas e canções de povos indígenas brasileiros e participações de Gilberto Gil, Uakti e Coralusp, entre outros. O espetáculo IHU Todos os sons, apresentado no mesmo ano, foi transformado em especial exibido pela TV Cultura.

Em 1996, o CD IHU foi lançado nos EUA (com concertos em New York e Miami), Áustria, Suíça e Alemanha, onde recebeu o German Phono Academy Award. Em 1997 foi lançado 2 IHU — Kewere: rezar, missa indígena criada a partir de músicas de diversas tribos, com as participações da Orquestra Jazz Sinfônica e coral de 90 vozes, e apresentada pela primeira vez em junho de 1996 na catedral da Sé, em São Paulo, nas comemorações dos 400 anos da morte do padre José de Anchieta.

Em 1998, juntamente com Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, lançou pelo selo Pau Brasil o disco O sol de Oslo, no qual foram incluídas de sua autoria Sebastiana e Eu te dei meu ané, esta última em parceria com Gilberto Gil. Ainda neste ano, realizou a palestra Trilhas para alcançar a música indígena brasileira, desta vez no Departamento de Letras da USP.

Em 1999, realizou diversas palestras, entre elas, Influência da cultura indígena na música brasileira e Hiperantropia: Desenvolvendo parcerias com os povos Indígenas Brasileiros, Visão geral da música indígena brasileira, na The University of Chicago; Aldeias sem cruz: Missionários e a transfiguração da música indígena no Brasil, em seminário em Salzburg, na Áustria. no Center of Latin American Estudies in Wiscosin-Madison University, No mesmo ano, recebeu o prêmio de melhor CD de música latina pela Native American Society. Participou também do Festival de Música Sagrada na Casa do Tibet, em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, organizado pelo Dalai Lama.

Em 2000, foi lançado o filme Hans Staden, de Luís Alberto Pereira, com trilha sonora de sua autoria. No ano de 2002 com a Orquestra Popular de Câmara (de São Paulo), apresentou-se na 4ª Edição do Festival do Mercado Cultural da Bahia. Interpretou e adaptou cantos tradicionais de muitas nações indígenas brasileiras.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin da MPB.