quinta-feira, dezembro 08, 2022

O arame

O arame (cançoneta, 1902) - Ernesto de Sousa - Interpretação: Bahiano

Disco selo: Zon-o-Phone X-526 / Título da música: O Arame / Ernesto de Sousa (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Data de lançamento: 1903 / Gênero musical: Cançoneta / Obs.: Mídia não localizada.

A Banda da Casa Edison era formada por músicos que integravam a Banda do Corpo de Bombeiros, criada e dirigida por Anacleto de Medeiros, que reunia muitos dos maiores músicos de choro da virada do século e teve importância fundamental para a música e a cultura populares brasileiras.

Em 02/08/1902, a Casa Edison do Rio de Janeiro lançou o primeiro suplemento de discos gravados no Brasil cujo selo era Zon-O-Phone.


Fontes: Discografia Brasileira.

quinta-feira, outubro 13, 2022

Elis Regina: Letras, Cifras e Músicas



Elis Regina - Letras, cifras e gravações deste blog

Agnus Sei

Águas de março

Alô, alô, marciano

Altos e baixos

Amor até o fim

Aos nossos filhos

Aprendendo a jogar

Arrastão

As aparências enganam

Atrás da porta

Bala com bala

Cabaré

Canto de Ossanha

Canto triste

Cão sem dono

Cartomante

Casa no campo

Caxangá

Chovendo na roseira

Colagem

Como nossos pais

Comunicação

Corrida de jangada

Dois pra lá, dois pra cá

Eu preciso aprender a ser só

Exaltação a Tiradentes

Folhas secas

Formosa

Joana Francesa

Lapinha

Louvação

Lunik 9

Madalena

Marambaia

Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco)

Moda de sangue

Mucuripe

Nada será como antes

Nova estação

O bêbado e o equilibrista

O cantador

O primeiro jornal

O que tinha de ser

Pra dizer adeus

Redescobrir

Roda

Romaria

Saveiros

Soneto da separação

Tiro ao álvaro

Triste

Upa, neguinho

Veleiro

Velha roupa colorida

Vento de maio

Vou deitar e rolar

Wave


Veja também

14 Bis

Agepê

Alceu Valença

Belchior

Benito Di Paula

Beth Carvalho

Caetano Veloso

Cazuza

Chico Buarque

Clara Nunes

Djavan

Fagner

Gal Costa

Gilberto Gil

Gonzaguinha

Joanna

João Bosco

Legião Urbana

Mamonas Assassinas

Maria Bethânia

Maria Creuza

Martinho da Vila

Milton Nascimento

Moraes Moreira

Oswaldo Montenegro

Paulinho da Viola

Raul Seixas

Rita Lee

Roberto Carlos

Secos e Molhados

Toquinho

Zé Ramalho

domingo, setembro 04, 2022

Canção do abandono


Em 1932 a cantora e radiatriz Alda Verona gravou em dueto com César Pereira Braga "Canção do abandono" (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) e encerrou a carreira discográfica com as canções "Diga-me uma vez" (Gentner e Sivan) e "Tão fácil a felicidade" (Valdemar de Oliveira). Gravou um total de 21 discos com 40 músicas.

Canção do abandono (1932) / Compositores: Joubert de Carvalho e Olegário Mariano / Interpretações: Alda Verona e César Pereira Braga / Acompanhamento: Harry Kosarin e Seus Almirantes / Disco Victor 33584-b / Gravação: 14-Junho-1932 / Nº da matriz 65385-4 / Lançamento: Março 1933 / Gênero musical: Valsa.


sexta-feira, janeiro 25, 2019

Dentinho de Ouro - Aracy Cortes


Aracy Cortes
Dentinho de Ouro (samba-canção, 1931) - Henrique Vogeler e Horácio Campos

Um dos mais interessantes discos da gravadora Brunswick é o samba-canção Dentinho de ouro, uma esplêndida interpretação de Araci Cortes. Seus autores são compositores dos mais famosos: Henrique Vogeler, músico completo, professor do Conservatório, autor de Linda flor (Ai, Ioiô) com Luiz Peixoto e Marques Porto, e Horácio Campos, autor dos versos de A voz do violão, que Francisco Alves imortalizou.

Título da música: Dentinho de ouro / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Cortes, Arací / Compositores: Vogeler, Henrique - Campos, Horácio / Gravadora Brunswick / Número do Álbum: 10148 / Data de Gravação: 1929-1931 / Data de Lançamento: 1931 / Lado B / Rotações: 78 rpm:



Quanto tu me sorris / Meu amor, meu querido
Sinto uma coisa aqui / Mexer bem, em mim

O seu dente de ouro / Começa a brilhar
A brilhar... a brilhar / Eu não olho pra ele
Ele pega a me olhar...

No que tu me sorris / Começa a brilhar
A brilhar... a brilhar / Viro a cara pro lado
Ele pega a me olhar...

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Sul: Música Gaúcha ou Nativista

Música nativista é um gênero musical brasileiro característico do Sul do Brasil e que tem como temas principais o amor pelas coisas dos estados, pelo campo, pelo cavalo, pelos rios e pela mulher. É construída em cima de um andamento mais lento e intimista, com letras bastante elaboradas, conotativas e metafóricas.

A música gaúcha de origem tradicionalista parece ter origem na escola literária do parnasianismo, por sua semelhança quando canta coisas da natureza e do ambiente como: a terra, o chão, os costumes, o cavalo - e pela musicalidade, sempre buscando a rima num arranjo muito acertado com as melodias, criando entre letra, música e dramatização, uma dinâmica que rebusca origens e paixões. Vale a pena estudar este aspecto e descobrir que por outras origens históricas podemos enriquecer nossas culturas.

O estilo musical gauchesco mostra também origens fortes na música flamenca espanhola, e na música portuguesa. Os campos harmônicos bem arranjados, denotam ritmos bem elaborados e melodias com dois ou mais violões. Com uma formação harmônica/melódica complexa, a música tradicionalista torna-se difícil de ser interpretada em alguns casos, por outros grupos ou músicos que não possuem ligação direta com a cultura gaúcha.

Festivais

A partir de 1971 surgiu em Uruguaiana a Califórnia da Canção Nativa, festival considerado a mãe de todos os festivais nativistas, dando origem a festivais de música nativista nos estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.  Após a Califórnia da Canção Nativa surgiram:

Escaramuça da Canção Gaudéria, em Triunfo;  Tertúlia Musical Nativista, em Santa Maria; Festival da Barranca, em São Borja; Coxilha Nativista, em 1981 Cruz Alta; Musicanto Sul-americano de Nativismo, em Santa Rosa; Canto sem Fronteira, em Bagé; Tafona da Canção Nativa, em Osório; Acorde da Canção Nativa, em Camaquã;  Estância da Canção Gaúcha, em São Gabriel;  Semeadura da Canção Nativa, em Tupanciretã;  Sapecada da Canção Nativa, em Lages;  Um Canto para Martín Fierro, em Santana do Livramento;  Carijo da Canção Gaúcha, em Palmeira das Missões;  Encontro Internacional de Chamameceros, em São Luiz Gonzaga;  Cante uma Canção, em Vacaria;  Gauderiada da Canção Gaúcha, em Rosário do Sul;  Comparsa da Canção Gaúcha, em Pinheiro Machado;  Grito do Nativismo Gaúcho, em Jaguari;  Reponte da Canção, em São Lourenço do Sul;  Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul;  Salamanca da Canção Nativa de Quaraí;  Laçador do Canto Nativo, em Porto Alegre;  Canoa do Canto Nativo, em Canoas;  Bicuíra da Canção Nativa, em Rio Grande;  Acampamento da Canção Nativa, em Campo Bom;  Galponeira, em Bagé;  entre outros.

Ritmos musicais

Existem vários ritmos que fazem parte da folclore riograndense, mas a maioria deles são variações de danças de salão centro-européias populares no século XIX. Esses ritmos, derivados da valsa, do xote, da polca e da mazurca, foram adaptados como vaneira, vaneirão, chamamé, milonga, rancheira, xote, polonaise e chimarrita, entre outras.

O único ritmo riograndense é o bugio, criado pelo gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, o Neneca Gomes, em 1928, na região de São Francisco de Assis. Inspirado no ronco dos bugios, macacos que habitam as matas do Sul da América, o ritmo foi banido por ser considerado obsceno, mas foi mantido em São Francisco de Paula, onde hoje se realiza um festival "nativista" conhecido como "O Ronco do Bugio".

A partir de 1970, com a criação da Califórnia da Canção Nativa em Uruguaiana, começaram a surgir os festivais, que serviram de incentivo para músicos e compositores lançarem novos estilos, popularmente chamados de "música nativista". Essa música é formada por ritmos pré-existentes, especialmente a milonga e o chamamé, porém com canções mais elaboradas e com letras quase sempre dedicadas ao Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul também existe um ritmo chamado Tchê music, que incorpora ritmos tradicionalistas com influências do Maxixe nordestino. Também é comum neste estado, entre os descendentes de alemães, a Música folclórica alemã, em festivais como a Oktoberfest de Igrejinha

Nativismo e tradicionalismo

Apesar de tratar dos mesmos temas que os tradicionalistas, os nativistas discordam destes em alguns pontos. Entre os pontos de maior divergência estão o passado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e a influência espanhola dos países vizinhos.

São divergências bastante sutis, mas podem ser percebidas em certas canções, como por exemplo "Sabe, Moço", cantada por Leopoldo Rassier, que fala da tristeza de um soldado que lutou nas guerras históricas dos estados e recebeu cicatrizes em vez de medalhas. É um assunto que dificilmente seria abordado pelos tradicionalistas, que preferem ver glória e heroísmo nas mesmas guerras.

Quanto à influência espanhola, os tradicionalistas têm um certo desprezo por considerar que os espanhóis muitas vezes no passado foram inimigos nas guerras em que os estados se envolveram. Os nativistas, por outro lado, não se envergonham de admitir que muitas características culturais e folclóricas são originárias dos países vizinhos (Argentina e Uruguai), muitos chegam a gravar músicas em espanhol e até se fala em "três pátrias gaúchas" (Argentina, Uruguai e Sul do Brasil).

Outro ponto de divergência entre tradicionalistas e nativistas é a religião. Tradicionalistas na maioria das vezes são católicos fervorosos, enquanto alguns nativistas poucas vezes falam em Deus, e há letras que chegam a falar em Ateísmo (como por exemplo a canção Changueiro de vida e lida, cantada por Adair de Freitas, Jari Terres e Luiz Marenco).

Nativismo e Tchê Music

Existe um certo atrito entre os artistas nativistas e os representantes da Tchê Music. A principal razão disso é cultural: enquanto os nativistas buscam o retorno às raízes da música gaúcha, os "tchê's" buscam modernizá-la, adicionando elementos de ritmos brasileiros e até estrangeiros - o que faz com que os nativistas afirmem que a música deles já não é mais tipicamente gaúcha, o quê lhes dá razão.

As acusações geralmente incluem também, por parte dos nativistas, o fato de os representantes da Tchê Music trabalharem para tornar seu som o mais dançante e comercial possível. Os "tchês", por sua vez, acusam os nativistas e tradicionalistas de tentarem prejudicar seu trabalho, impedindo-os de tocar em CTG's, bailes tradicionais e eventos diversos realizados pelo MTG ou por outras entidades tradicionalistas e/ou nativistas.

Algumas músicas gaúchas cifradas

A morte não marca hora, A partida, A vida que véio mandô, A volta do tordilho negro, A.M.M.M, Abraçada com a tristezaAbram cancha pro Rio Grande, Abre o fole tio Bilia, Amor de contrabando, Amor de infância, Amor de verão, Ao som de um gaitaço, Apenas uma florBaile da Mariquinha, Baile de candeeiro, Baile nas Cabritas, Baita macho, Barbaridade, Bate-coxa no Totonho, Bebum, Bem gauchão, Boi Barroso, Bombacha preta, Bugio da fronteira, Burro picaço, Canarinho cantador, Canção do Araguaia, Canta meu povo, Canto alegretense, Canto dos livres, Capão de mato, Céu, sol, sul, Céu, sol sul terra e cor,  Chacoaiando as mondonguêra, Chamamento, Churrasco lá em casa, Cinzeiro amigo, Cobra sucuri, Coração de luto, DesgarradosDoce amargo do amor, Domingueiro, É disso que o velho gosta, É meu, é só meu, Engarupado, Estância do meu pai, Eu quisera, Eu só peço a Deus, Facão três listas, Falso amigo,  Fica comigo, Filha de gente valente, Fim do nosso amor, Gaita e violão, Gaita velha do seu Ary, Gauchinha Bem-Querer, Gaúcho amigo, Gaúcho da Passo Fundo, Grito dos livres, Infância frustrada, Já me cansei, Judiaria, Lendário avô, Limpa banco, Lindo rancho, Majestade no Pampa, Mala de garupa, Menino potro, Mercedita, Meu sistema, Mocinho aventureiro, Morena Rosa, Morocha nãoNa casa do Zé do Guincho, Não vá, Negrinho do pastoreio, O bugioO colono, Olhar feiticeiro, Passo Fundo do coração, Prenda minha, Que droga de vida, Que saudadeQuerência amada, Rastro de bugio, Recordações de Ypacaraí, Relho trançado, Retoço de gaita e pandeiro, Roda de chimarrão, Santa Catarina, Seguindo o vento, Sistema antigo, Só espero ser feliz, Só restou, Tempo de guri, Tertúlia, Tordilho negro, Trem da fronteira, Trem da saudade, Triste madrugada, Tropeiro velho, Última carta, Última ginetiada, Um mundo de amor, Vai, vai no balanço do Tchê, Vai cantador, Vai começar, Vamo rapaziada, Vaneirinha das prendasVanerão da noite inteira, Velho casarão, Veneno da terra, Verde e amarelo, Veterano, Vida de solteiro, Yahoo.




Fonte: Wikipédia.

Frevo

O frevo é uma dança surgida em Recife (PE) a partir dos últimos anos do séc. XIX, com a progressiva multiplicação das síncopas e do gingado rítmico das músicas de bandas militares, a fim de propiciar desarticulações de corpo dos capoeiras, que exibiam sua agilidade, abrindo os desfiles militares, com passos improvisados ao som das marchas e dobrados.

Segundo Renato Almeida, citando Mário Melo, surgiu da polca-marcha e teve sua linha divisória estabelecida pelo capitão José Lourenço da Silva (Zuzinha), ensaiador das bandas da brigada militar de Pernambuco.

A marcha tem um ritmo frenético e contagiante, que lhe confere o caráter de uma dança de multidão. Seu compasso é binário e o andamento, semelhante à marcha carioca, mas o ritmo é tudo.

Ainda conforme Renato Almeida, divide-se em duas partes e seus motivos se apresentam sempre em diálogos de trombones e pistons com clarinetas e saxofones. O grande interesse está na sua coreografia, individual, improvisada: os dançarinos raramente repetem um gesto ou atitude, mantendo sempre uma feição pessoal e instintiva de improvisação - o passo - originado no gingar dos antigos capoeiras. O passo, vindo a ser feita com a ajuda rítmica de velhas sombrinhas e guarda-chuvas, dava à massa dos dançarinos que evoluíam pelas ruas apertadas uma impressão visual de fervura, o que originaria a palavra frevo, como deverbal de frever, por ferver.

Posteriormente a 1917, conforme Pereira da Costa, o frevo foi introduzido nos salões, nos clubes carnavalescos; aí, com freqüência os pares se desfazem em roda e, no centro, os dançarinos exibem seus passos individualmente.

Tipos de frevo

Na década de 30, surge a divisão do frevo em três tipos:

Pierre Verger - Frevo, Recife -1947.
Frevo de rua: É exclusivamente instrumental, sem letra. É tocado por orquestra instrumental, sem adição de nenhuma voz cancionando, feito unicamente para se dançar. Este estilo tem as modalidades de frevo de abafo (predominância de instrumentos de metal, com a finalidade de abafar o som da orquestra rival), frevo coqueiro (com notas agudas, curtas e andamento rápido. Uma variante do frevo de abafo), frevo ventania (semicolcheias, com linha melódica bem movimentada) e frevo de salão (um misto dos três outros tipos que, como o nome já diz, é próprio para o ambiente dos salões).

Conta-se ainda que a "Marcha Pernambucana" como era conhecida inicialmente nasceu do costume das bandas militares acompanharem os blocos de rua. O brabo, que puxava o povo, era treinado com passos de capoeira. Para acompanhar os passos da capoeira, as orquestras militares tocavam um ritmo mais rápido e dançante. Esta marcha pernambucana, depois de já ter sido chamada de marcha-frevo, evoluiu para o que conhecemos como frevo de rua.

Frevo-canção: É derivado da ária (composição musical escrita para um cantor solista), tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua. É seqüenciado por uma introdução forte de frevo, seguida de uma canção, concluindo novamente com frevo.

São vários os seus intérpretes. Os mais conhecidos são: Alceu Valença, Claudionor Germano entre outros grandes nomes. Entre os compositores de frevo-canção destacam-se: Capiba, Nelson Ferreira, J. Michilles, Alceu Valença, etc.

O frevo-canção foi tido como uma concessão provocada, segundo o jornalista Ruy Duarte. Em 1931, os compositores pernambucanos Raul e João Valença (Irmãos Valença), enviaram para a RCA, no Rio de Janeiro, seu frevo-canção com o estribilho "O teu cabelo não nega mulata...", o compositor carioca Lamartine Babo transformou-o em marchinha carnavalesca que venceu o carnaval de 1932, sob o nome de "O teu cabelo não nega". Os editores da música no Rio de Janeiro foram processados na justiça pelos Irmãos Valença e no selo do disco passou a constar: "Marcha - Motivos do norte - Arranjo de Lamartine Babo".

Os pernambucanos reagiram ao que os cariocas faziam com suas músicas e lhes mandavam de volta, e decidiram enviar ao Rio um maestro pernambucano para ensinar aos músicos cariocas como deveriam usar a matéria prima musical que seria logo transformada em produto industrial sob a forma de disco. Fervorosos do frevo do Recife pressentiram o perigo dessa concessão cultural.

Existiam os amantes do frevo ortodoxo que eram ligados a clubes carnavalescos tradicionais como o Vassourinhas, e que incorporaram o frevo-canção sob forma de marcha-regresso, um frevo lamentoso cantado nas madrugadas pelos passistas cansados quando voltavam para casa, como o belíssimo: "Se essa rua fosse minha / eu mandava ladrilhar / com pedrinhas de brilhante / para o meu amor passar...".

E foi um frevo-canção lamentoso, também chamado de frevo de bloco, que devolveu aos cariocas a invasão que fizeram no Recife com O teu cabelo não nega, quando em 1957 o maior sucesso no Rio de Janeiro foi o frevo-canção Evocação nr.1, de Nelson Ferreira.

Frevo de bloco: É executado por Orquestras de Pau e Corda. Suas letras e melodias, muitas vezes interpretadas por corais femininos, geralmente trazem um misto de saudade e evocação. Sua origem vem das serenatas no início do presente século. Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, bandolins, violinos, além de instrumento de sopro e percussão. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarinete, seguida da parte coral integrada por mulheres. É chamado pelos compositores mais tradicionais de "marcha de bloco". Frevos de bloco famosos: Valores do Passado de Edgar Moraes, Marcha da Folia de Raul Moraes, Relembrando o Passado de João Santiago, Saudade dos Irmãos Valença, entre outros.

O Frevo de Bloco é a música das agremiações tradicionalmente denominadas "Blocos Carnavalescos Mistos". Seu aparecimento no carnaval de Pernambuco faz alusão a um dado histórico e sociológico: o início da efetiva participação da mulher, principalmente da classe média, na folia de rua do Recife, nas primeiras décadas do século XX.

Há uma tendência atualmente de se adotar a denominação "Blocos Carnavalescos Líricos", que foi inscrita pela primeira vez no flabelo do bloco Cordas e Retalhos, fundado em 1998. Segundo Leonardo Dantas, no frevo de bloco está "a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano" (1998).

Entre os compositores de frevo de bloco mais importantes estão os irmãos Raul Moraes (1891-1937) e Edgard Moraes (1904-1973), João Santiago (1928-1985), Luiz Faustino (1916-1984), Romero Amorim (1937-), Bráulio de Castro (1942-), Fátima de Castro, Cláudio Almeida (1950-) e Getúlio Cavalcanti (1942-).

Frevo em frente a Igreja do Carmo, Olinda, Pernambuco.
Tomando o país

De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o país. Basta dizer que O teu cabelo não nega , de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é na verdade uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença. A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda e Osvaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se acabá, de Nelson Ferreira pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo. Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira comandada por Pixinguinha.

Ases da era de ouro do rádio como Almirante (numa adaptação do clássico Vassourinhas), Mário Reis (É de Amargar, de Capiba), Carlos Galhardo (Morena da Sapucaia, O Teu Lencinho, Vamos Cair no Frevo), Linda Batista (Criado com Vó), Nelson Gonçalves (Quando é Noite de Lua), Ciro Monteiro (Linda Flor da Madrugada), Dircinha Batista (Não é Vantagem), Gilberto Alves (Não Sou Eu Que Caio Lá, Não Faltava Mais Nada, Feitiço), Carmélia Alves (É de Maroca) incorporaram frevos a seus repertórios. Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fobica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1979, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.


Invasão no carnaval

Em 1957, o frevo Evocação No. 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo Bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco) invadiria o carnaval carioca derrotando a marchinha e o samba. O lançamento era da gravadora local, Mocambo, que se destacaria no registro de inúmeros frevos e em especial a obra de seus dois maiores compositores, Nelson (Heráclito Alves) Ferreira (1902-1976) e Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, 1904-1997). Além de prosseguir até o número 7 da série Evocação, Nelson Ferreira teve êxitos como o frevo Veneza Brasileira, gravado pela sambista Aracy de Almeida e outros como No Passo, Carnaval da Vitória, Dedé, O Dia Vem Raiando, Borboleta Não É Ave, Frevo da Saudade. A exemplo de Nelson, Capiba também teve sucessos em outros estilos como o clássico samba canção Maria Bethânia gravado por Nelson Gonçalves em 1943, que inspiraria o nome da cantora. Depois do referido É de Amargar, de 1934, primeiro lugar no concurso do Diário de Pernambuco, Capiba emplacou Manda embora essa tristeza (Aracy de Almeida, 1936), e vários outros frevos que seriam regravados pelas gerações seguintes como De chapéu de sol aberto, Tenho uma coisa pra lhe dizer, Quem vai pra farol é o bonde de Olinda, Linda flor da madrugada, A pisada é essa, Gosto de te ver cantando.

Passista mirim dança frevo no Recife antigo
Cantores como Claudionor Germano e Expedito Baracho se transformariam em especialistas no ramo. Um dos principais autores do samba-canção de fossa, Antônio Maria (Araújo de Morais, 1921-1964) não negou suas origens pernambucanas na série de frevos (do número 1 ao 3) que dedicou ao Recife natal. O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a municiar de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.

A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 80. Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antonio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano.

                    Frevo por Heitor dos Prazeres, sem data , óleo sobre tela  (MARGS).
Músicas

Vassourinhas (Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas) – Orquestra de Frevos do Recife; Valores do passado (Edgar Moraes) – Grupo Romançal; Mulata (Irmãos Valença) – Expedito Baracho; É de amargar (Capiba) – Claudionor Germano; Evocação no. 1 (Nelson Ferreira) – Bloco Batutas de São José; Oh! Julia / Casinha pequenina / Gosto de te ver cantando / Linda flor da madrugada (Capiba) – Claudionor Germano; Relembrando o Norte (Severino Araújo) – Orquestra Tabajara; Come e dorme (Nelson Ferreira) – Nelson Ferreira e sua Orquestra; Frevo no.1 do Recife (Antonio Maria ) – Maria Bethânia; Frevo (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) – Chico Buarque; No Cordão da Saideira (Edu Lobo) – Edu Lobo; Pelas ruas do Recife (Marcos e Paulo Valle) – Marcos Valle; Frevo rasgado (Gilberto Gil/ Bruno Ferreira) – Gilberto Gil; Atrás do Trio Elétrico (Caetano Veloso) – Caetano Veloso; Banho de cheiro (Carlos Fernando) – Elba Ramalho; Festa do interior (Moraes Moreira/ Abel Silva) – Gal Costa; Frevo mulher (Zé Ramalho) – Amelinha; Chego já (Alceu Valença) – Alceu Valença; Madeira que cupim não roi (Capiba) – Antonio Nóbrega; Me segura que senão eu caio (J. Michilles) – Alceu Valença; Realeza linda (Carlos Fernando/ Geraldo Azevedo) – Geraldo Azevedo; Bom danado (Luis Bandeira/ Ernani Seve) – Lenine.

Fontes: Cliquemusic (Tarik de Souza); Enciclopédia Nordeste - Frevo; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.

segunda-feira, setembro 24, 2018

Se ela perguntar - Carlos Galhardo

Carlos Galhardo
Se Ela Perguntar (valsa, 1952) - Dilermando Reis e Jair Amorim - Interpretação: Carlos Galhardo

Disco 78 rpm / Título da música: Se Ela Perguntar / Dilermando Reis (Compositor) / Jair Amorim (Compositor) / Carlos Galhardo (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: 80-0865 / Ano: 1952 / Lado A / Gênero musical: Valsa



--------------Dm ---------------------------Gm
Se ela um dia, por acaso perguntar por mim
---------------A7-------------- Dm----- A7
Diga, por favor, que eu sou feliz ...
---------Dm -------------Dm6 -------------Am
É preciso a própria mágoa disfarçar assim,
---------------------F E7------------------- Bb7--- A7
Dissimulando a dor à sombra de um sorriso...
--------Dm------------------------------------ Gm
Coração talvez não tenha aquela por quem dei
-----------------A7---------- Eb7--- D7
Tudo o que sofri e que sonhei
---------------Gm--------- ----------- Dm
Estrela solitária que no céu do meu amor
--------------------------------E7
Eternamente, desde que brilhou,
-----A7 ---------Dm
Nunca se apagou!
-------A7----------------- Dm
Esperança de revê-la ainda
--------D7------------------ Gm
Amargura de poder somente
-------------------------------------- Dm
Suplicar por ela, assim, alucinadamente
E7
Na paixão / Que é perdição / No amor
------------------A7
Que sempre é dor
---------------------Gm
Feliz porque não diz / As lágrimas que
------A7--------------------------- Dm
Sempre, sempre, esconderei sorrindo
---------D7--------------------- Gm
Desfolhando apenas malmequeres.
--------------------------------------- Dm
Pois ferir o coração é próprio das mulheres
--------E7------------ A7----- Dm
É sofrer, mesmo assim, é VIVER!

É preciso discutir - Francisco Alves e Mário Reis

Noel Rosa
É Preciso Discutir (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérpretes: Francisco Alves e Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: É Preciso Discutir / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 10905 / Gênero: Samba



Francisco Alves:

-Na introdução deste samba
Quero avisar por um modo qualquer
Que esta briga
É por causa de uma mulher...


Mário Reis:

-E eu aviso também
Que neste samba agora me meto
Para cantar com Francisco Alves
Em dueto....


É preciso discutir
Mas não quero discussão
Da discussão sai a razão
Mas às vezes sai salgada
A questão é complicada
Quero ver a decisão

A mulher tem que ser minha
A mulher não traz letreiro
Foi comigo que ela vinha
Mas fui eu que viu primeiro
Ela é minha porque vi
Mas quem segurou fui eu
A conversa já me diz
A mulher não escolheu

É preciso discutir
Mas não quero discussão
Da discussão sai a razão
Mas às vezes sai salgada
A questão é complicada
Quero ver a decisão

Não faz, amor - Francisco Alves


A amizade entre Cartola e Noel Rosa, pena, resultou em apenas dois sambas conhecidos: Qual foi o mal que eu te fiz e Não faz, amor. Este segundo foi comprado por Francisco Alves, de um Cartola doente, ardendo em febre. O Rei da Voz procurou Noel, pediu a ele que fizesse as segundas e gravou. Nem no disco nem na partitura aparece o nome de Noel, que abriu mão dos créditos dando a música de presente ao amigo (fonte: http://lameblogadas.blogspot.com/).

Não Faz, Amor (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Não Faz, Amor / Cartola (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10927 / Gênero musical: Samba



Não faz, amor, deixa-me dormir
Oh, minha flor, tenha dó de mim
Sonhei, acordei assustado
Receoso que tivesses me enganado
(Eu não durmo sossegado)

Só tens ambição e vaidade
Não pensas na felicidade
E eu não descanso um momento
Por pensar que o teu amor é só fingimento
Mas eu vou entrar com meu jogo
E vou pôr à prova de fogo
A tua sincera amizade
Para ver se tu falaste verdade

Amar sem jurar é bem raro
O verbo cumprir custa caro
Amor é bem fácil de achar
O que acho mais difícil é saber amar
O mundo tem suas surpresas
Mas nós temos nossas defesas
Por isso eu estou prevenido
Pra saber se sou ou não traído

Tudo que você diz - Francisco Alves e Mário Reis

Noel Rosa
Tudo Que Você Diz (samba, 1933) - Noel Rosa - Intérpretes: Francisco Alves e Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: Tudo Que Você Diz / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Gente Boa (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10956 / Gênero: Samba



Tudo que você diz
Com a maior lealdade
É mentira
É usar de falsidade
Fale a verdade

Tudo que você diz
Com maior lealdade
É mentira
É usar de falsidade
Fale a verdade

Toda a gente fingida
Paga o mal que fez nesta vida
Por encher de ilusão
O pobre coração

Pode crer que a mentira
O sossego sempre nos tira
Fale sempre a verdade
Mesmo sem ter vontade

Tudo que você diz
Com maior lealdade
É mentira
É usar de falsidade
Fale a verdade

sábado, setembro 22, 2018

A razão dá-se a quem tem -Francisco Alves e Mário Reis

Francisco e Mário Reis
A Razão Dá-se a Quem Tem (samba, 1932) - Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves - Intérpretes: Francisco Alves e Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: A razão dá-se a quem tem / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Reis, Mário (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10939 / Gênero musical: Samba


Se meu amor me deixar
Eu não posso me queixar
Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém
A razão dá-se a quem tem

Sei que não posso suportar
(Se meu amor me deixar)
Se de saudades eu chorar
(Eu não posso me queixar)
Abandonado sem vintém
(Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém)
Quem muito riu chora também
(A razão dá-se a quem tem)

Se meu amor me deixar
Eu não posso me queixar
Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém
A razão dá-se a quem tem

Eu vou chorar só em lembrar
(Se meu amor me deixar)
Dei sempre golpe de azar
(Eu não posso me queixar)
Pra parecer que vivo bem
(Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém)
A esconder que amo alguém
(A razão dá-se a quem tem)

Se meu amor me deixar
Eu não posso me queixar
Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém
A razão dá-se a quem tem

Qual foi o mal que eu te fiz - Francisco Alves

Qual Foi o Mal Que Eu Te Fiz (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Qual Foi o Mal Que Eu te Fiz? / Cartola (Compositor) / Noel Rosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10995 / Gênero musical: Samba



Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Não creias nestas mentiras
Que roubam nossa alegria
Os invejosos se vingam
Armados de hipocrisia

A mentira infelizmente
O mais forte amor destrói
Mas se eu não tenho remorso
O meu coração não dói

Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Disseste que te enganei
Não sou tão fingido assim
Talvez queiras um pretexto
Para viver longe de mim

Disseram que eu traia
A nossa grande amizade
E tão criminosa a culpa
Que não pode ser verdade

Pela luz divina - Ataulfo Alves

Ataulfo Alves
Pela Luz Divina (samba, 1945) - Ataulfo Alves e Mário Travassos - Intérprete: Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título: Pela Luz Divina / Travassos, Mário (Compositor) / Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Alves, Ataulfo (Intérprete) / Pastoras (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1945 / Nº Álbum 80-0330 / Lado A / Gênero musical: Samba



Pela luz divina
Se é pecado me perdoa
Mas eu hei de me vingar
Não merece perdão o teu erro
Tens que ficar no desterro
O mundo há de te ensinar.

Não vá pensar
Que eu estou rogando praga
O que a gente faz aqui,
Aqui mesmo a gente paga.

Graças a Deus,
Teu nome pra mim morreu
Tu não mereces
Um amor igual ao meu !
( pela luz divina, eu juro ! )

quarta-feira, setembro 19, 2018

Desaforo eu não carrego - Ataulfo Alves

Desaforo Eu Não Carrego (samba, 1961) - Ataulfo Alves - Interpretação: Ataulfo Alves

LP Ataulfo Alves - É Bossa Mesmo / Título da música: Desaforo Eu Não Carrego / Ataulfo Alves (Compositor) / Ataulfo Alves (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Nº Álbum: CLP 11205 / Ano: 1961 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Samba.



Me respeite, ouviu
Eu não sou cego
E lá pra casa
Desaforo eu não carrego

A morena
Que falou que é boa
Você sabe
Que ela é minha patroa
E na defesa
Da moral e la de casa
Fico bravo, fico louco
Fico em brasa

Deixa essa mulher pra lá - Ataulfo Alves

Deixa Essa Mulher Pra Lá (samba,1953) - Ataulfo Alves - Interprete: Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Deixa Essa Mulher Pra Lá / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Alves, Ataulfo (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1952 / Álbum 80-1085 / Lançamento: 1953 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Rapaz, porque lastimas tanto,
Deixa essa mulher partir,
A mulher quando não quer,
Não se deve insistir.

Pela mesma dor eu já passei,
Meu amor me deixou,
Eu não chorei.

Obrigando a ela te querer,
Mas viver a vida sem prazer, ai, ai, ai,
É melhor ficar assim como está,
Deixa essa mulher pra lá.

Cidade mulher - Orlando Silva

Cidade Mulher (marcha, 1936) - Noel Rosa - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título: Cidade Mulher / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34085 / Lado B / Gênero: Marcha.



Cidade de amor e ventura
Que tem mais doçura
Que uma ilusão
Cidade mais bela que o sorriso
Maior que o paraíso
Melhor que a tentação
Cidade que ninguém resiste
Na beleza triste
De um samba-canção
Cidade de flores sem abrolhos
Que encantando nossos olhos
Prende o nosso coração

Cidade notável
Inimitável
Maior e mais bela que outra qualquer
Cidade sensível
Irresistível
Cidade do amor, cidade mulher

Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado
Teu sol é namorado
Das noites de luar
Cidade padrão de beleza
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu.

Retiro da Saudade - Carmen Miranda e Francisco Alves


Retiro da Saudade (marcha-rancho, 1934) - Nássara e Noel Rosa - Intérpretes: Carmen Miranda e Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Retiro da Saudade / Autoria: Nássara, 1910-1996 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1934 / Nº Álbum 33827 / Lado A / Gênero musical: Marcha.



Quando li o seu recado
Por ti fascinado
Encontrei no seu cartão
Minha desilusão
Retirei saudosamente
Pra mostrar a essa gente
Que não tenho coração

Quando por amor suspiro
A saudade vem então
Encontrar o seu retiro
Encontrar o seu retiro
Dentro do meu coração

Dentro do teu coração
Não me diga que não
Só existe falsidade
É a pura verdade
Eu já fiz um trocadilho
Pra cantar com estribilho
No retiro da saudade

terça-feira, setembro 04, 2018

Osvaldo Molles - Biografia

Osvaldo Molles (Santos, SP, 1913 - São Paulo, SP, 14/05/1967) aos 16 anos de idade iniciou sua carreira no jornalismo, trabalhando na redação do Diário Nacional e, em seguida, no São Paulo Jornal e no Correio Paulistano.

Viajou pelo interior do Brasil escrevendo reportagens sobre os nordestinos. Fixou residência em Salvador (BA), ocasião em que se juntou ao grupo fundador de O Estado da Bahia.

De volta a São Paulo, participou do lançamento da Rádio Tupi, iniciando sua carreira de grande sucesso na radiofonia nacional, que continuou crescente nas rádios Bandeirantes e Record.

Entre suas produções, podemos citar: História das Malocas, O crime não compensa e a História da literatura brasileira, levada ao ar durante dois anos consecutivos e que contou com a colaboração de Oswald de Andrade e Sérgio Milliet, dentre outros.

Como compositor fez, em parceria com Adoniran Barbosa e João B. dos Santos, o samba Conselho de mulher (1953); Tiro ao álvaro, com Adoniran; e em 1968 torna-se sucesso o samba Mulher, patrão e cachaça, feito também com Adoniran.

Inspirado em Saudosa Maloca, samba de Adoniran lançado pelos Demônios da Garoa em maio de 1955, Molles criou, na Rádio Record, o programa História das Malocas, onde Adoniran figurava como Charutinho, um negrinho malandro e boêmio, com sotaque italianizado dos paulistanos.

Gostava dos fraseados errados do companheiro, considerando-os a expressão do autêntico modo de falar do povo. E foi com a pretensão de aprofundar esse mergulho no espírito popular que Molles produziu esse programa. Sucesso absoluto, História das Malocas ficou no ar durante dez anos, de 1955 a 1965, chegando até a ser levado para a televisão.

Acompanhava de perto e incentivava todo o processo de criação de Adoniran Barbosa. Era ele quem enviava Adoniran para longos passeios pelas redondezas, para observar e extrair histórias para seus programas. Também foi Molles quem deu chance para o amigo e parceiro interpretar diversos tipos.

A parceria dos dois deu tão certo que, em 1946, a imprensa chamava Adoniran de "o milionário criador de tipos" e, Molles, "o milionário criador de programas". Nesse ano, Adoniran fazia nada menos do que dezesseis interpretações diferentes.

Na TV Record, produziu Gente que fala sozinho e outros sucessos, tendo sido agraciado, por onze anos consecutivos, com o Prêmio Roquete Pinto, além dos Prêmios Tupiniquim (4 vezes), Paulo Machado de Carvalho (melhor programador de 1959) , tendo sido condecorado com a Medalha de Ouro do Mérito Radiofônico. Com o roteiro do filme Simão, o caolho, obteve o Prêmio Governador do Estado de São Paulo e o Prêmio Saci.

Poeta, contista e romancista, conquistou o Prêmio Castro Alves e o Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, tendo suas crônicas publicadas nos jornais paulistanos O Tempo, Folha de São Paulo e Diário da Noite e na revista Manchete. Alguns críticos diziam ser ele o sucessor, na literatura paulista, de Antônio de Alcântara Machado.


Fontes: MPB Compositores - Adoniran Barbosa - Editora Globo; Piquenique Classe C - Boa Leitura Editora – São Paulo, sem data, pág. 345; Releituras.com.

O Nascimento da Orquestração Brasileira - Artigo


Antes de Pixinguinha, o samba das orquestras tinha som de maxixe e os arranjos eram da escola italiana. Com ele, o colorido sonoro ganhou tons verde-amarelos, criando a maneira brasileira de se fazer ouvir.



Ary Barroso foi um dos primeiros a protestar contra a forma como os sambas e outros ritmos brasileiros estavam sendo gravados, nos momentos da expansão da indústria fonográfica no Brasil. Não que tivesse algo de pessoal contra os maestros e instrumentistas estrangeiros encarregados de executar nossas músicas, mas bastava simplesmente ouvi-los para sentir a falta de sotaque brasileiro.

Os arranjos obedeciam à escola italiana, os músicos tocavam como nos velhos tempos dos maxixes, não se observava a presença de ritmistas nas orquestras, faltando molho e sabor nacionais às gravações.

A solução veio com um gênio negro, nascido no Rio de Janeiro, em 1898, e que, aos 12 anos, já era considerado o maior flautista da cidade. No futuro, viria a sê-lo também do Brasil e, em termos de música popular, talvez do mundo. Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, que já tivera a grande experiência internacional liderando Os Oito Batutas em Paris, era nome conhecido e respeitado como músico e líder, quando sua carreira de arranjador, uma guinada em seu destino e no da música popular brasileira, aconteceu.

A primeira vez que formou uma orquestra, ou algo parecido, foi na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, no Rio de Janeiro. Como ele mesmo contava: “A Rádio Sociedade tinha um estúdio na Exposição.Tinha aqueles alto-falantes e fui irradiar da Exposição. Eu e Zaíra de Oliveira, grande cantora e que veio a ser posteriormente esposa do Donga (...) toquei em uma exposição da General Motors, da qual participou também Villa-Lobos. Eu organizei uma orquestra popular, com instrumentos de orquestra”.

Sérgio Cabral, na biografia de Pixinguinha, aclara: “O compositor e pianista Eduardo Souto, encarregado de convidar os artistas e as orquestras que iriam apresentar-se diariamente, pediu a Pixinguinha para organizar uma orquestra, tarefa cumprida com a participação de todos os batutas e mais o reforço de Bonfiglio de Oliveira e da cantora Zaíra de Oliveira. (...) Durante toda a exposição, Pixinguinha e sua orquestra tocaram diariamente no pavilhão da General Motors”.

Pixinguinha escrevendo músicas.

Nascia o primeiro maestro brasileiro a tocar música com o nosso sotaque. A primeira escola de arranjos para Pixinguinha foi o teatro de revista. Foi em composições suas e alheias que o maestro burilou o estilo e iniciou o trabalho de criação de uma forma brasileira de execução orquestral. Seu jeito de levar para a pauta a parte de cada instrumento, no todo de um arranjo, foi ganhando forma na soma de trabalhar muitos ritmos e maneiras de fazer música. Ele próprio, compondo para revistas, fazia músicas japonesas, americanas, argentinas, francesas e por aí afora.

Em 1928, logo após a implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como laboratório para seus experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores. Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na II Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos, 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra “típica”, fazer frente às jazz bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha como seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções.

Sérgio Cabral destaca a partir daí a importância dessa orquestra para o panorama da música brasileira de então, já que finalmente se passou a tocar música brasileira de um jeito brasileiro, incluindo aí o samba provindo do Estácio. As orquestrações de Pixinguinha podiam ser reconhecidas de imediato.

As introduções que criava, compondo sobre temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. A de O teu cabelo não nega chega a ser tão lembrada quanto a própria música. Sem nunca ter parado de estudar e trabalhar, Pixinguinha é uma referência até hoje para os maestros brasileiros, como continuará sendo amanhã.


Fonte: História do Samba - Editora Globo.

Waldir Calmon - Biografia

Waldir Calmon (Valdir Calmon Gomes), pianista e compositor, nasceu em Rio Novo-MG (30/1/1919) e faleceu no Rio de Janeiro-RJ (11/4/1982). Aos 11 anos já tinha aprendido a tocar piano com a mãe. Entretanto, sua primeira aspiração era ser cantor. Para tanto, foi crooner num conjunto em que formou em Juiz de Fora-MG em sua época escolar.

Em 1936, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu o compositor e flautista Benedito Lacerda e graças a ele, passou a apresentar-se nas rádios Guanabara e Transmissora, inicialmente como cantor, depois como pianista, com o nome Waldir Gomes.

A partir de sua transferência para a Rádio Cruzeiro do Sul, adotou o nome artístico de Waldir Calmon, que não constou de sua primeira gravação, acompanhando Ataulfo Alves em Leva meu samba (Mensageiro), no ano de 1941.

Depois de formar o grupo Gentleman da Melodia, que durou apenas alguns anos, tocou nos Teatros Rival e Serrador, além da boate Meia-Noite, do Copacabana Palace, todos no Rio, e em cassinos, como o Atlântico (Santos, SP). Foi por essa época que começou a tocar o primeiro solovox (pequeno teclado incorporado ao piano, precursor dos sintetizadores) trazido para o Brasil, popularizando o instrumento.

Com o fechamento dos cassinos, em 1946, foi atuar na boate Marabá-SP. Um ano depois, voltou ao Rio e foi contratado pela boate Night and Day, no Centro, onde permaneceu pelos oito anos posteriores.

Em 1951, começou a gravar discos de 78 rpm no selo Star. Na década de 50 seus discos Ritmos Melódicos (na etiqueta Discos Rádio), Para Ouvir Amando, Chá Dançante e Feito para Dançar (Copacabana) venderam como água. Foi o pioneiro a gravar sucessos dançantes em faixas únicas, ininterruptas, adequados a animar festas, eternizando nos acetatos o som que produzia nas boates de então. Nesse período, atuou na Rádio Tupi e na Rádio Serviço Propaganda, gravando muitos jingles.

Em 1955, deixou a boate Night and Day e abriu sua própria casa noturna, a popular Arpège, no Leme (RJ), que funcionaria até 1967 - onde atuaram João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, além de Chico Buarque, que fez um de seus primeiros shows, em 1966, ao lado de Odete Lara e MPB-4.

Seu conjunto era formado nessa época por Paulo Nunes (guitarra), Milton Banana (bateria), Eddie Mandarino e Rubens Bassini (percussão), Gagliardi (contrabaixo) e o próprio Calmon, ao piano e solovox, que rivalizava as atenções do público com Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo na boate vizinha, o Drink. Gravou quatro LPs intitulados Uma Noite no Arpège.

Depois de arrendar sua boate, continuou atuando em bailes e excursões. Entre 70 e o começo de 77, atuou com sua orquestra de baile no Canecão (RJ), antes e depois do show principal. Nos últimos anos de carreira, passou a tocar também sintetizadores. Morreu em 1982 de infarto do miocárdio.


Fonte: Clique Music.