domingo, novembro 12, 2006

Charles Anjo 45



Depois de uma fase sem grandes sucessos, que se seguiu ao estouro inicial em 63, a estrela de Jorge Ben voltou a brilhar em 1969 com “Charles, Anjo 45”, “País Tropical”, “Que Pena”, “Cadê Teresa”, isso sem falar em “Crioula”, “Domingas” e “Que Maravilha”, feita com Toquinho, uma de suas raras parcerias Todas essas composições, com exceção da última, faziam parte do elepê Jorge Ben, lançado no final de 69, cuja importância rivaliza com a do disco de 63.

Jorge  Ben
Concorrente no IV FIC, “Charles, Anjo 45” é um samba de estrutura melódico-harmônica muito simples, sustentada por forte percussão, características habituais na obra de Ben. Seu ponto alto é a longa letra, que narra as aventuras e desventuras do personagem Charles (fictício, segundo O autor), um “Robin Hood dos morros”, marginal “protetor dos fracos e dos oprimidos”: “Oba, oba, oba, Charles / como é que é my friend Charles? / como vão as coisas, Charles?...”. Mas, um dia Charles “marcou bobeira e foi sem querer, umas férias numa colônia penal”. Então, Jorge Ben arremata o samba vaticinando a volta triunfal de seu anti-herói para restabelecer a felicidade no morro.

Chocante por sua temática transgressora, “Charles. 45” antecipou em vários anos o samba ácido de Bezerra da Silva e até o próprio rap, pois é em parte recitado, sendo ainda premonitório sobre a situação dos morros cariocas, atingidos pela expansão do tráfico de drogas. Embora vaiada por parte da platéia, a composição alcançou imediata popularidade, que cresceria nos meses seguintes, principalmente depois de ser levada ao Midem em Cannes, juntamente com outros sucessos de Ben.

Nessas apresentações e também na faixa incluída no elepê, o compositor cantou apoiado pelo Trio Mocotó — Nereu (pandeiro), Fritz (cuíca e violão) e Joãozinho Paraíba (atabaque) —, cujos componentes atuavam separadamente e se juntaram para acompanhá-lo. A aproximação aconteceu no Jogral, bar paulistano de Luís Carlos Paraná, onde os três participavam das “canjas” de Jorge, freqüentador do estabelecimento. No auge dessa sua grande fase, Jorge seria adotado pelo tropicalismo, tendo por várias vezes tomado parte no programa de televisão “Divino, Maravilhoso” (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).


Charles Anjo 45 (1969) - Jorge Ben
Verso 1
Am                D               Am   D
Protetor dos fracos e dos oprimidos
Am                  D
Robin Hood dos morros
Am               D
Rei da malandragem
Am                 D   Am             D
Um homem de verdade   com muita coragem
Am               D
Só porque, porque, porque
Am                   D
Charles marcou bobeira
Am            D    Am                 D
Foi tirar férias forçadas    numa colônia penal, oba
  :Am      D          G     C
R :   Oba, oba, oba Charles
e :Am      D             G      C
f :   Como é my friend Charles
r :Am    D               G      C
ã :Como vão as coisas, Charles?
o :Am       D  Am  D
:Charles,   anjo 45
Verso 2
Am          D     Am       D
Mas Deus é justo e   verdadeiro
Am       D             Am             D
E antes de acabar as férias, nosso Charles vai voltar
Am                 D
Para alegria geral
Am                     D
Antecipando o carnaval
Am              D
Vai ter batucada
Am   
Missa em ação de graças
Am                D
Whisky com feijoada
Am
E outras milongas mais
D
Oba! 
Am      D          G     C
Oba, oba, oba Charles
Am      D             G      C
Como é my friend Charles
Am    D               G      C
Como vão as coisas, Charles?
(Am F/A D/A G/A)
Charles,   anjo 45
Am       D  Am  D
Charles,   anjo 45
Am                D               Am   D
Protetor dos fracos e dos oprimidos
(Verso 2, Refrão)
 
 

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