terça-feira, abril 04, 2006

O Carnaval


Carnaval, festa popular, de caráter coletivo, geralmente considerada como reminiscência das festas pagãs greco-romanas realizadas a 17 de dezembro (Saturnais) e 15 de fevereiro (Lupercais), quando se comemoravam as colheitas, comendo e bebendo desbragadamente, e se permitia inclusive aos escravos usar máscaras.


Foi introduzido no Brasil pelos portugueses, com o nome de entrudo (de introitus,“começo, entrada”, nome com que a Igreja Católica designava as solenidades litúrgicas da Quaresma, quando se exige retirada da carne, base mórfica admitida para carnaval e formas afins de várias línguas modernas).

Brincadeira de rua suja e violenta, muito praticada pelos negros escravos desde o séc. XVIII, o entrudo passou a coexistir com o Carnaval moderno, inspirado em modelo europeu, a partir dos bailes de máscaras, principalmente em teatros (o primeiro foi realizado no Rio de Janeiro RJ em 1840), e dos desfiles de carros alegóricos, iniciados em 1854, ainda no Rio de Janeiro, sob o patrocínio do escritor José de Alencar. Durante o entrudo dos negros e das camadas populares, e assim no Carnaval das novas camadas da classe média da segunda metade do séc. XIX, foliões dançavam e cantavam nas ruas quadrinhas de autores anônimos, ao ritmo de percussão, dançando nos salões ao som geralmente de bandas, que tocavam os gêneros europeus da época, principalmente a polca, o xótis, a valsa e a mazurca.

A música especialmente composta para Carnaval surgiu com a marcha de Chiquinha Gonzaga intitulada Ò abre-alas, de 1899, embora desde a década de 1880 os cordões carnavalescos cariocas tornassem conhecidas composições de autoria dos próprios foliões anônimos, como a do cordão Flor de São Lourenço, citada pela pesquisador Mansa Lira, que teria popularizado em 1885 a quadrinha “O dona Mariquinhas/Agite seu lenço/ Para dar um viva/À Flor de São Lourenço”.

Quanto ao famoso Zé Pereira, música que até hoje anuncia, em fanfarra, a abertura dos bailes de Carnaval e é considerada a primeira canção especialmente adaptado ao ritmo dos foliões de rua — os tocadores de zabumbas chamados zé-pereiras — ironicamente não constitui uma criação brasileira, mas tem suas origens em tradição portuguesa associada à cena cômica Zé pereira carnavalesco, da peça musicada francesa Les pompiers de Nanterre, representada no Teatro Fênix, do Rio de Janeiro, em 1869.

A partir de fins da década de 1970, apesar das tentativas da TV Globo e da Rádio Nacional (com apoio da Riotur) de reviver em 1976, no Rio de Janeiro, o interesse pela música de Carnaval — a primeira com o programa Convocação Geral, a segunda com um concurso de marchinhas — a era da produção musical exclusivamente carnavalesca chegou ao fim. No mesmo ano de 1976, duas marchas aproveitavam o bordão “Mexa-se!”, de uma campanha de televisão promovendo esportes, outra explorava o sucesso da figura do detetive Kojak, também da TV. E até um carimbó paraense, então ritmo de dança da moda (que antecipava em dez anos seu subproduto internacionalizado, a lambada), figurou no agonizante “repertório carnavalesco do ano”.

Assim, ao despontar da década de 1980, os eventuais "sucessos" da música de Carnaval passaram a sair apenas da televisão (inclusive de trilhas de novelas), da regravação de músicas antigas (caso da marcha Balancê, de João de Barro e Alberto Ribeiro, de 1937, revivida como música de meio de ano por Gal Costa em 1980, e a mais cantada no Carnaval de 1981), ou, finalmente da promoção pessoal de apresentadores de TV de grande popularidade, como Chacrinha que, valendo-se da parceria com o experiente compositor João Roberto Kelly, transformou a marcha Maria Sapatão no maior sucesso do Carnaval de 1981.

Fora de tais casos, o que se chamou de música carnavalesca passou a confundir-se, ao findar do século XX, com os samba de enredo de maior sucesso nos desfiles das escolas de samba de primeiro grupo do Rio de Janeiro e de São Paulo SP: únicos a merecerem a gravação em CDs, para conhecimento do público antes do Carnaval.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Cronologia do Carnaval 1889-1975



Sucessos do Carnaval a partir de 1889, no Rio de Janeiro:

1889

Abre-alas (Chiquinha Gonzaga), marcha

1904

Carleto e Rocca — La mattchiche, (Borel Clerc), marcha

1906

Vem cá, mulata (Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre), tango-chula

1909

No bico da chaleira (Juca Storoni), polca

1910

Primavera, adaptação de trecho da opereta Viúva alegre, de Franz Lehar

1911

Fado liró (Nicolino Milano), marcha

1912

A vassourinha (Filipe Duarte e Luís Figueira), marcha

Carnavalesco (Calixto, Luiz Peixoto e Chiquinha Gonzaga), marcha-rancho

Tire o dedo do aparelho (Autor ignorado), marcha

1913

Dengo-dengo (Emília Duque Estrada Farias), polca

Minha Caraboo — Amor de uma princesa (Sam Marshal e Alfredo Albuquerque), canção

1914

Caboca di Caxangá (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense), toada

1915

Ai, Filomena (José Carvalho de Bulhões), marcha

1916

O meu boi morreu, toada folclórica

Pierrot e Colombina (Eduardo das Neves e Oscar de Almeida), valsa

1917

A baratinha (Mário São João Rabelo), marcha

Pelo telefone (Donga e Mauro de Almeida), samba

1918

O malhador (Pixinguinha, Donga e Mauro de Almeida), samba

O matuto (Marcelo Tupinambá e Cândido Costa), cateretê

Quem são eles? (Sinhô), samba

1919

Confessa, meu bem (Sinhô), samba

Já te digo (Pixinguinha e China), samba

1920

Bá-bé-bi (Careca), samba

Cangerê (Francisco Antônio da Rocha), samba

Fala, meu louro (Sinhô), samba

O pé de anjo (Sinhô), marcha

Pois não (Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro), marcha

Quem vem atrás fecha a porta (Caninha), samba

1921

Essa nega qué me dá (Caninha e Lezute), samba

Pemberê (Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro), chula baiana

Sá Miquelina (Antônio Rodrigues de Jesus e Junquilho Lourival), samba

Sai da raia (Sinhô), marcha

1922

Ai, seu Mé (Freire Júnior e Careca), marcha

Alvinitente (Romeu Silva e D. Paulo), marcha-rancho

1923

Goiabada (Eduardo Souto), marcha

Não olhe assim (Freire Júnior), marcha

Tatu subiu no pau (Eduardo Souto), samba paulista

1924

Casaco da mulata é de prestação (Careca), samba

Miserê (José Francisco de Freitas), samba

O fubá (Romeu Silva), samba

Pai Adão (Eduardo Souto), marcha

1925

Dor de cabeça (Sinhô), samba

Os passarinhos da Carioca (Careca), marcha

1926

Amor sem dinheiro (Sinhô), samba

Eu vi Lili (José Francisco de Freitas), marcha

Morro de Mangueira (Manuel Dias), samba

Zizinha (José Francisco de Freitas e Cardoso de Menezes), marcha

1927

Braço de cera (Nestor Brandão), samba

Cristo nasceu na Bahia (Sebastião Cirino Duque), maxixe

Dondoca (José Francisco de Freitas), marcha

Ora, vejam só (Sinhô), samba

Paulista de Macaé Pedro de Sá Pereira), samba

1928

A malandragem (Alcebíades Barcelos e Francisco Alves), samba

Amar a uma só mulher (Sinhô), samba

Eu fui no mato, crioula (Gomes Júnior), marcha

Pinião (Luperce Miranda e Augusto Calheiros), embolada

1929

A vadiagem (Francisco Alves), samba

Dorinha, meu amor (José Francisco de Freitas), samba

Gosto que me enrosco (Sinhô), samba

Jura (Sinhô), samba

Samba de verdade (Francisco Alves), samba

Sou da fuzarca (Vantuil de Carvalho), marcha

1930

Amor de malandro (Francisco Alves e Ismael Silva), samba

Dá nela (Ary Barroso), marcha

Iaiá, Ioiô (Josué de Barros), marcha

Na Pavuna (Almirante e Homero Dornellas), samba

Quebra, quebra gabiroba (Plínio de Brito), marcha

1931

Batente (Almirante), samba

Batucada (Eduardo Souto e João de Barro), marcha

Carnavá tá aí (Josué de Barros e Pixinguinha), samba

Com que roupa? (Noel Rosa), samba

Deixa essa mulher chorar (Brancura), samba

Lua cor de prata (Lamartine Babo), marcha

Se você jurar (Francisco Alves, Nílton Bastos e Ismael Silva), samba

1932

A-E-I-O-U (Lamartine Babo e Noel Rosa), marcha

Gosto de você, mas não é muito (Francisco Alves, Noel Rosa e Ismael Silva), marcha

Só dando com uma pedra nela (Lamartine Babo), samba

Sofrer é da vida (Francisco Alves e Ismael Silva), samba

Teu cabelo não nega (Lamartine Babo e Irmãos Valença), marcha

Vai haver o diabo (Benedito Lacerda e Gastão Viana), marcha

1933

Arrasta a sandália (Aurélio Gomes e Osvaldo Vasques), samba

Até amanhã (Noel Rosa), samba

Fita amarela (Noel Rosa), samba

Formosa (Antônio Nássara e J. Rui), marcha

Good bye, boy (Assis Valente), marcha

Linda morena (Lamartine Babo), marcha

Moleque indigesto (Lamartine Babo), marcha

Moreninha da praia (João de Barro), marcha

Trem blindado (João de Barro), marcha

1934

Agora é cinza (Alcebíades Barcelos e Marçal), samba

Alô, alô (André Filho), samba

Carolina (Bonfiglio de Oliveira e Hervé Cordovil), marcha

Linda lourinha (João de Barro), marcha

Maria Rosa (Antônio Nássara), marcha

O orvalho vem caindo (Noel Rosa e Kid Pepe), samba

Ride palhaço (Lamartine Babo), marcha

Se a lua contasse (Custódio Mesquita), marcha

Tipo sete (Antônio Nássara e Alberto Ribeiro), marcha

1935

Cidade Maravilhosa (André Filho), marcha

Eva querida (Benedito Lacerda e Luiz Vassalo), marcha

Foi ela (Ary Barroso), samba

Grau dez (Lamartine Babo e Ary Barroso), marcha

Implorar (Kid Pepe, Germano Augusto e J. S. Gaspar), samba

Rasguei a minha fantasia (Lamartine Babo), marcha

1936

As lágrimas rolavam (Kid Pepe, Germano Augusto e Guará), samba

É bom parar (Rubens Soares e Noel Rosa), samba

Marchinha do grande galo (Lamartine Babo e Paulo Barbosa)

Palpite infeliz (Noel Rosa), samba

Pierrô apaixonado (Noel Rosa e Heitor dos Prazeres) marcha

Querido Adão (Benedito Lacerda e Osvaldo Santiago), marcha

1937

Acorda, escola de samba (Benedito Lacerda e Herivelto Martins), samba

Como vaes você? (Ary Barroso), marcha

Lig-lig-lig-lé (Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago), marcha

Mamãe, eu quero (Jararaca e Vicente Paiva), marcha

Quem ri melhor (Noel Rosa), samba

1938

Abre a janela (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti), samba

Camisa listrada (Assis Valente), samba

Juro (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), samba

Não tenho lágrimas (Max Bulhões e Milton de Oliveira), samba

Pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro), marcha-rancho

Periquitinho verde (Antônio Nássara e José de Sá Róris), marcha

Touradas de Madri (João de Barro e Alberto Ribeiro), marcha

Yes, nós temos bananas... (João de Barro e Alberto Ribeiro), marcha

1939

A jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto), marcha

Florisbela (Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão), marcha

Meu consolo é você (Antônio Nássara e Roberto Martins), samba

O homem sem mulher não vale nada (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti), samba

Sei que é covardia, mas... (Ataulfo Alves e Claudionor Cruz), samba

1940

Cai, cai (Roberto Martins), batucada

Dama das Camélias (João de Barro e Alcir Pires Vermelho), marcha

Despedida de Mangueira (Benedito Lacerda e Aldo Cabral), samba

Mal-me-quer (Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira), marcha

O passarinho do relógio (Cuco) (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), marcha

Ò seu Oscar (Ataulfo Alves e Wilson Batista), samba

1941

Allah-la-ô (Haroldo Lobo e Antônio Nássara), marcha

Aurora (Mário Lago e Roberto Roberti), marcha

Helena, Helena (Antônio Almeida e Secundino Silva), samba

Nós queremos uma valsa (Frazão e Antônio Nássara), valsa

O bonde do horário já passou (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), samba

O trem atrasou (Paquito, Estanislau Silva e Artur Vilarinho), samba

1942

Ai, que saudades da Amélia (Mário Lago e Ataulfo Alves), samba

Emília (Wilson Batista e Haroldo Lobo), samba

Está chegando a hora (adaptação de Cielito lindo, Henricão e Rubens Campos)

Lero-lero (Benedito Lacerda e Eratóstenes Frazão), marcha

Nega do cabelo duro (Rubens Soares e David Nasser), batucada

Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo), samba

1943

China pau (Alberto Ribeiro e João de Barro), marcha

Laurindo (Herivelto Martins), samba

Que passo é esse, Adolfo?(Roberto Roberti e Haroldo Lobo), marcha

Roberta (Roberto Martins , Roberto Roberti e Mário Rossi), marcha

1944

Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves e Mário Lago), samba

Depois da hora (Arlindo Marques Júnior e Augusto Garcez), samba

Eu brinco (Pedro Caetano e Claudionor Cruz), marcha

Ninguém ensaiou (Benedito Lacerda e Haroldo Lobo), samba

Verão do Havaí (Benedito Lacerda e Haroldo Lobo)

1945

Coitado do Edgar (Benedito Lacerda e Haroldo Lobo), samba

Fica doido varrido (Eratóstenes Frazão e Benedito Lacerda), samba

Izaura (Herivelto Martins e Roberto Roberti), samba

Que rei sou eu? (Herivelto Martins e Valdemar Ressurreição), samba

Rosalina (Wilson Batista e Haroldo Lobo), samba

Sinfonia dos tamancos (Roberto Martins), marcha

1946

Cordão dos puxa-saco (Frazão e Roberto Martins), marcha

Deus me perdoe (Lauro Maia e Humberto Teixeira), samba

Espanhola (Benedito Lacerda e Haroldo Lobo), marcha

Promessa (Jaime de Carvalho), samba

Trabalhar eu não (Almeidinha), samba

Vou sambar em Madureira (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), samba

1947

Eu quero é rosetar (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), marcha

Odalisca (Haroldo Lobo e Geraldo Gomes), marcha

Onde estão os tamborins? (Pedro Caetano), samba

Palhaço (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), samba

Pirata da perna de pau (João de Barro e Alberto Ribeiro), marcha

1948

Cadê Zazá (Roberto Martins e Ary Monteiro), marcha

É com esse que eu vou (Pedro Caetano), samba

Enlouqueci (Luís Soberano, Valdomiro Pereira e João Sales), samba

Falta um zero no meu ordenado (Ary Barroso e Benedito Lacerda), samba

Não me diga adeus (Paquito, Luís Soberano e João Correia da Silva), samba

Rosa Maria (Aníbal Silva e Éden Silva), samba

Tem gato na tuba (João de Barro e Alberto Ribeiro), marcha.

1949

Chiquita Bacana (João de Barro), marcha

Jacarepaguá (Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto), marcha

O passo da girafa (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), marcha

Pedreiro Valdemar (Roberto Martins e Wilson Batista), samba

Que samba bom (Geraldo Pereira e Arnaldo Passos), samba

1950

A coroa do rei (Haroldo Lobo e David Nasser), batucada

A Lapa (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), samba

Balzaquiana (Antonio Nássara e Wilson Batista), marcha

General da banda (Sátiro de Melo e José Alcides), batucada

Nega maluca (Fernando Lobo e Evaldo Rui), batucada

Se é pecado sambar (Manuel Santiago), samba.

1951

Madalena (Ari Macedo e Aírton Amorim), samba

Pra seu governo (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), samba

Retrato do velho (Haroldo Lobo e Marino Pinto), marcha

Sereia de Copacabana (Antonio Nássara e Wilson Batista), marcha

Tomara que chova (Paquito e Romeu Gentil), marcha

Zum-zum (Paulo Soledade e Fernando Lobo), marcha

1952

Confete (Jota Júnior e David Nasser), marcha

Lata d'água (Luís Antônio e Jota Júnior), samba

Maria Candelária (Armando Cavalcanti Klécius Caldas), marcha.

Mundo de zinco (Antonio Nássara e Wilson Batista), samba

Me deixa em paz (Monsueto e Aírton Amorim), samba

Sassaricando (Luís Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães), marcha

1953

Cachaça (Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro e Heber Lobato), marcha

Na China (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), marcha

Pescador (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), samba

Zé Marmita (Luís Antônio e Brasinha), samba

1954

A fonte secou (Monsueto Menezes, Raul Moreno e Marcelo), samba

Couro de gato (Grande Otelo, Rubens Silva e Popô), samba

Jura (Zé da Zilda, Marcelino Ramos e Adolfo Macedo), samba

Piada de salão (Klecius Caldas e Armando Cavalcanti), marcha

Saca rolha (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado), marcha

Vagalume (Vitor Simon e Fernando Martins), marcha.

1955

Império do samba (Zé da Zilda e Zilda do Zé), samba

Mora na filosofia (Monsueto e Arnaldo Passos), samba

O choro do bebê (Frazão e Mano Gomes), marcha

Recordar (Aluísio Martins, Adolfo Macedo e Aldacir Louro), samba

Ressaca (Zé da Zilda e Zilda do Zé), marcha

Tutuquinha (Santos Garcia), marcha

1956

Cara linda (Waldir Machado), marcha

Exaltação à Mangueira (Enéias B. Silva e Aluísio Augusto Costa), samba

Fala, Mangueira (Mirabeau e Mílton de Oliveira), samba

Quem sabe, sabe (Carvalhinho e Joel de Almeida), marcha

Vai, que depois eu vou (Adolfo Macedo Zilda do Zé e Aírton Borges), samba

1957

Ela foi fundada (Oldemar Magalhães, Otolindo Lopes e Arnô Provenzano), marcha

Evocação (Nelson Ferreira), frevo

Jarro da saudade (D. Barbosa, Mirabeau e Geraldo Blota), samba

Olha o jacaré (Estanislau Silva e Gil Lima), marcha

Vagabundo (Wilson Batista e Jorge de Castro), samba

Vai com jeito (João de Barro), marcha

1958

Engole ele, paletó (J. Audi e David Nasser), batucada

Eu chorarei amanhã (Raul Sampaio e Ivo Santos), samba

Fanzoca de rádio (Miguel Gustavo), marcha

Madureira chorou (Carvalhinho e Julio Monteiro), samba

Mamãe, eu levei bomba (Oldemar Magalhães e Jota Júnior), marcha

Os rouxinóis (Lamartine Babo), marcha-rancho

1959

Levanta, Mangueira (Luís Antônio), samba

Mané Garrincha (Wilson Batista e Jorge de Castro), marcha

Peço a palavra (Max Nunes e J. Maia), marcha

Telefonei (Geraldo Soares, Noel Rosa de Oliveira, Moacir Vieira e J. Hugo), samba

Vai ver que é (Carvalhinho e Paulo Gracindo), marcha

Vem me buscar (Zilda do Zé, Aílton Borges e Adolfo Macedo), samba

1960

A Maria tá (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), marcha

Cacareco é o maior (Risadinha e José Roy), marcha

Favela amarela (Oldemar Magalhães e Jota Júnior), samba

Fechei a porta (Sebastião Mota e Ferreira dos Santos), samba

Me dá um dinheiro aí (Homero Ferreira, Ivan Ferreira e Glauco Ferreira), marcha

1961

A lua é dos namorados (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti), marcha

De lanterna na mão (José Sacomani, Elzo Augusto e Jorge Martins), samba

Índio quer apito (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), marcha

O velho gagá (Almira Castilho e Paulo Gracindo), marcha

Quero morrer no carnaval (Luís Antônio e Eurico Campos), samba

1962

Garota de Saint-Tropez (João de Barro e Jota Júnior), marcha

Nega do Congo (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), marcha

Oba! (Osvaldo Nunes), samba

Se eu morrer amanhã (Garcia Junior e Jorge Martins ), samba

Vou ter um troço (Arnô Provenzano, Otolindo Lopes e Jackson do Pandeiro, marcha

1963

A lua é camarada (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti), marcha

Eu agora sou feliz (Mestre Gato e Jamelão), samba

Lambuzando o selo (Aldacir Louro, Linda Rodrigues e William Duba), marcha

Pó-de-mico (Dora Lopes, Renato Araújo e Arildo de Sousa), marcha

Twist no carnaval (João de Barro e Jota Júnior), marcha

1964

A cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly e Roberto Faissal), marcha

A índia vai ter neném (Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira), marcha

Bigorrilho (Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil), samba

Coitada da Madame Butterfly (Carlos Morais, Luis de Carvalho e José Utrine), marcha

Mag, Inês e Ana (Jorge de Castro e Vera Falcão), marcha

Pistoleira (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), marcha

1965

Bigu (Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil), samba

Mulata iê iê iê (João Roberto Kelly), marcha

Rancho da Praça Onze (João Roberto Kelly e Francisco Anísio), marcha-rancho

Saravá (Carvalhinho, Zilda Gonçalves e Jorge Silva), samba

Trem das onze (Adoniran Barbosa), samba.

1966

Balancei a roseira (João de Barro), samba

Maria Fumaça (Santos Garcia e Serafim Adriano), marcha

O direito de nascer (Blecaute e Brasinha), marcha

Roubaram a mulher do Rui (José Messias), marcha

Tristeza (Haroldo Lobo e Niltinho), samba

1967

A patroa me contou um segredo (Newton Teixeira e Brasinha), marcha

Colombina iê-iê-iê (João Roberto Kelly e David Nasser), marcha

Linda mascarada (João Roberto Kelly e David Nasser), marcha rancho

Máscara negra (Zé Keti e Pereira Matos), marcha rancho

Palmas no portão (Walter Dionísio), samba

Vem chegando a madrugada (Zuzuca e Noel Rosa de Oliveira), samba

1968

Amor de carnaval (Zé Keti), marcha

Até quarta-feira (Paulo Alves Sete e H. Silva), marcha-rancho

Portela querida (Colombo, Noca e Picolino), samba

Senta, levanta (Brasinha), marcha

Voltei (Osvaldo Nunes), samba

1969

Avenida iluminada (Brasinha e Newton Teixeira), marcha-rancho

Bloco de Sujo (Luís Antônio e Luiz Reis), samba

Eu não posso parar (Graciano Campos, Jorge Washington e José Garcia), samba

Levanta a cabeça (Osvaldo Nunes e Ivan Nascimento), samba

Olha o leite das crianças (Luiz Reis e Pedro Caetano), samba

1970

Bandeira branca (Max Nunes e Laércio Alves), marcha-rancho

Bom-dia (Walter Dionísio), samba

Dondoca (Antônio Almeida), marcha

Não me deixes (Osvaldo Nunes, Milton de Oliveira e Hílton Meneses), samba

Primeiro clarim (Klécius Caldas e Rutinaldo), marcha-rancho

1971

Bloco da solidão (Evaldo Gouveia e Jair Amorim), marcha

Chinelo novo (Niltinho e João Nogueira), samba

Esta noite é nossa (Klécius Caldas e Rutinaldo), marcha

Lágrima (Max Nunes e Laércio Alves), marcha

Pra frente Brasil (Miguel Gustavo), marcha

Saberás (Osvaldo Nunes e Rubem Gerardi), samba

1972

Ê, baiana (Baianinho, Ênio Santos Ribeiro, Fabrício da Silva e Miguel Pancrácio), samba

Festa para um rei negro (Pega no ganzê) (Zuzuca), samba

Mangueira, minha madrinha querida (Tengo-tengo) (Zuzuca), samba

Marcha da cueca (Livardo Alves, A. Mendes e Sardinha), marcha

Paz e amor (João Roberto Kelly e Toninho), marcha

1973

Guardei minha viola (Paulinho da Viola), samba

Israel (João Roberto Kelly e Raquel)

Lendas do Abaeté (Preto Rico, Jajá e Manuel), samba-enredo

Ninguém tasca (Marinho da Muda e João Quadrado), samba

Tem capoeira (Batista da Mangueira)

1974

A Festa do Divino (Tatu, Nezinho e Campo)

Boi da cara preta (Zuzuca), samba

Mangueira em tempo de folclore (Jajá, Preto Rico e Manuel), samba

O mundo melhor de Pixinguinha (Evaldo Gouveia, Jair Amorim e Velha), samba-enredo

Oi, tá-tá-tá (Jota Júnior e Vicente Longo)

1975

Compensou (Jota Júnior e Vicente Longo)

Fantástico (Zé Keti, Tito Mendes e Valdemar Moniz)

Macunaíma (Davi Correia e Norival Reis)

Marcha do Kung-Fu (Brasinha)

Salve a Mocidade (Luiz Reis)


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Araci de Almeida


Araci Teles de Almeida (19/08/1914 - 20/06/1988), cantora, nasceu e foi criada no subúrbio carioca de Encantado; o pai, Baltasar Teles de Almeida, era chefe de trens da Central do Brasil. Estudou num colégio em Engenho de Dentro, onde foi colega do radialista Alziro Zarur, e passou depois para o Colégio Nacional, no Meyer. Costumava cantar hinos religiosos na Igreja Batista e, quando conheceu Custódio Mesquita, por intermédio de um amigo, cantou para ele Bom dia, meu amor (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano), conseguindo que aquele compositor a levasse para cantar na Rádio Educadora (depois Tamoio), em 1933.



Já no ano seguinte, gravou para o Carnaval seu primeiro disco, pela Columbia, com a música Em plena folia (Julieta de Oliveira), e, em 1935, assinou seu primeiro contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul. Nesse ano, gravou, pela Columbia, Riso de criança (Noel Rosa), de quem se tornaria uma das principais intérpretes.

Transferindo-se para a Victor, participou do coro de diversas gravações, e lançou ainda em 1935, como solista, Triste cuíca (Noel Rosa e Hervé Cordovil), Cansei de pedir, Amor de parceria (ambas de Noel Rosa) e Tenho uma rival (Valfrido Silva). A partir de então, tornou-se conhecida como intérprete de sambas, músicas carnavalescas e, principalmente, de Noel Rosa, tendo sido apelidada por César Ladeira de O Samba em Pessoa.

Foi casada com um famoso goleiro de futebol (Rei), de quem se separou. Trabalhou também na Rádio Philips (fazendo dupla com Sílvio Caldas, no Programa Casé), na Cajuti, Mayrink Veiga e Ipanema, excursionando com Carmen Miranda ao Rio Grande do Sul. Em 1936, foi para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e gravou com sucesso duas músicas de Noel Rosa: Palpite infeliz e O 'x' do problema. No ano seguinte, atuou na Rádio Nacional e destacou-se com os sambas Tenha pena de mim (Ciro de Sousa e Babaú), Eu sei sofrer (Noel Rosa e Vadico) e Último desejo, de Noel Rosa, que faleceu nesse ano. Gravou, em 1938, Século do progresso (Noel Rosa) e Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), e, em 1939, lançou em disco Chorei quando o dia clareou (Davi Nasser e Nelson Teixeira) e Camisa amarela (Ary Barroso).

Para o Carnaval de 1940, gravou a marcha Passarinho do relógio (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira) e, no ano seguinte, Passo do canguru (dos mesmos autores). Em 1942, lançou o samba Fez bobagem (Assis Valente), Caramuru (B. Toledo, Santos Rodrigues e Alfeu Pinto), Tem galinha no bonde e A mulher do leiteiro (ambas de Milton de Oliveira e Haroldo Lobo). Fez sucesso no Carnaval de 1948 com Não me diga adeus (Paquito, Luís Soberano e João Correia da Silva) e, em 1949, gravou João Ninguém (Noel Rosa) e Filosofia (Noel Rosa e André Filho).

Entre 1948 e 1952, trabalhou na boate carioca Vogue, sempre cantando o repertório de Noel Rosa; graças ao sucesso de suas interpretações nessa temporada, lançou pela Continental dois álbuns de 78 rpm com músicas desse compositor: o primeiro deles, lançado em setembro de 1950, continha Conversa de botequim (com Vadico), Feitiço da Vila (com Vadico), O X do problema, Palpite infeliz, Não tem tradução e Último desejo; no segundo, lançado em março de 1951, interpretou Pra que mentir (com Vadico), Silêncio de um minuto, Feitio de oração (com Vadico), Três apitos, Com que roupa? e O orvalho vem caindo (com Kid Pepe).

Mudou-se para São Paulo SP, em 1950, e viveu durante 12 anos nessa cidade. Em 1955, trabalhou no filme Carnaval em lá maior, de Ademar Gonzaga, e lançou, pela Continental, um LP de dez polegadas só com músicas de Noel Rosa, no qual foi acompanhada pela orquestra de Vadico, cantando, entre outras, Coisas nossas, Fita amarela e as composições inéditas Meu barracão, Cor de cinza, Voltaste e A melhor do planeta (com Almirante). Três anos depois, lançou pela Polydor o LP Samba em pessoa. Em 1962 a RCA, reaproveitando velhas matrizes, editou o disco Chave de ouro.

Em 1964 gravou com Tonico e Tinoco o cateretê Tô chegando agora (M. Vieira) e se apresentou com Sérgio Porto e Billy Blanco na boate Zum-Zum. Em 1965 fez vários shows no Rio de Janeiro: Samba pede passagem, no Teatro Opinião, Conversa de botequim, dirigido por Miele e Boscoli, no Crepúsculo, e um espetáculo na boate Le Club com o cantor Murilo de Almeida.

Em 1966, a Elenco lançava o disco Samba é Araci de Almeida. Com o cômico Pagano Sobrinho, fez É Proibido Colocar Cartazes, programa de calouros da TV Record, de São Paulo, em 1968.

No ano seguinte, a dupla apresentou-se na boate paulistana Canto Terzo. Ainda em 1969, fez o show Que maravilha!, no Teatro Cacilda Becker, de São Paulo, ao lado de Jorge Ben Jor, Toquinho e Paulinho da Viola.

Participou como jurada do programa de calouros A Buzina do Chacrinha e do programa Sílvio Santos. Em 1988 saiu o LP póstumo Araci de Almeida ao vivo e à vontade, pela Continental, documentando uma apresentação da cantora no teatro Lira Paulistana em 1980. CDs Orlando Silva, Carmen Barbosa e Araci de Almeida, 1991, Revivendo CD-012; Noel Rosa por Araci de Almeida e Mário Reis, 1992, Revivendo CD 027; Mestres da MPB: Araci de Almeida (2 CDs), 1995, Continental 0630/0776-2.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.