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sexta-feira, janeiro 25, 2019

Dentinho de Ouro - Aracy Cortes


Aracy Cortes
Dentinho de Ouro (samba-canção, 1931) - Henrique Vogeler e Horácio Campos

Um dos mais interessantes discos da gravadora Brunswick é o samba-canção Dentinho de ouro, uma esplêndida interpretação de Araci Cortes. Seus autores são compositores dos mais famosos: Henrique Vogeler, músico completo, professor do Conservatório, autor de Linda flor (Ai, Ioiô) com Luiz Peixoto e Marques Porto, e Horácio Campos, autor dos versos de A voz do violão, que Francisco Alves imortalizou.

Título da música: Dentinho de ouro / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Cortes, Arací / Compositores: Vogeler, Henrique - Campos, Horácio / Gravadora Brunswick / Número do Álbum: 10148 / Data de Gravação: 1929-1931 / Data de Lançamento: 1931 / Lado B / Rotações: 78 rpm:



Quanto tu me sorris / Meu amor, meu querido
Sinto uma coisa aqui / Mexer bem, em mim

O seu dente de ouro / Começa a brilhar
A brilhar... a brilhar / Eu não olho pra ele
Ele pega a me olhar...

No que tu me sorris / Começa a brilhar
A brilhar... a brilhar / Viro a cara pro lado
Ele pega a me olhar...

sábado, dezembro 09, 2017

Dentinho de Ouro - Aracy Cortes


Araci Cortes
Dentinho de Ouro (samba-canção, 1931) - Henrique Vogeler e Horácio Campos

Um dos mais interessantes discos da gravadora Brunswick é o samba-canção Dentinho de ouro, uma esplêndida interpretação de Araci Cortes. Seus autores são compositores dos mais famosos: Henrique Vogeler, músico completo, professor do Conservatório, autor de Linda flor (Ai, Ioiô) com Luiz Peixoto e Marques Porto, e Horácio Campos, autor dos versos de A voz do violão, que Francisco Alves imortalizou.

Disco 78 rpm / Título da música: Dentinho de ouro / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Cortes, Araci / Compositores: Vogeler, Henrique - Campos, Horácio / Gravadora Brunswick / Número do Álbum: 10148 / Data de Gravação: 1929-1931 / Data de Lançamento: 1931 / Lado B:



Quanto tu me sorris / Meu amor, meu querido
Sinto uma coisa aqui / Mexer bem, em mim

O seu dente de ouro / Começa a brilhar
A brilhar... a brilhar / Eu não olho pra ele
Ele pega a me olhar...

No que tu me sorris / Começa a brilhar
A brilhar... a brilhar / Viro a cara pro lado
Ele pega a me olhar...

terça-feira, setembro 26, 2017

A Casinha da Colina em Revista

Aracy Cortes - 1924
A canção "A casinha da colina", em fins de 1926, apareceu no teatro de revista do Rio de Janeiro cantada pela vedete Araci Cortes, com versos do revistógrafo Luiz Peixoto, sobre arranjo musical do maestro Pedro de Sá Pereira.

A letra muito extensa dessa canção (nada menos de 42 versos distribuídos por quatro estrofes) fora publicada em 1926 no Almanaque de modinhas, trazendo uma indicação significativa: "Versos de Luiz Peixoto - Música arranjo de Pedro de Sá Pereira".

Arranjo, apenas, porque na realidade, a música de "A casinha da colina" era a mesma da canção mexicana de Othon e Llera intitulada "La casita", gravada pela primeira vez para a Victor norte-americana na interpretação de Alcides Briceño (disco Victor nr. 73.943), e relançada em 1928 pela Brunswick, na voz de Gaston Flores, conservando o número da gravação original mexicana ou americana - Brunswick nr. 40.114-A.

Disco 10" / Título da música: La Casita (Canción / Our little home) / Manuel José Othon (Compositor) / Felipe Llera (Compositor) / Alcides Briceño (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Data da gravação: 18/06/1923, Nova York, NY / Nº Álbum 73943 / Matriz nº B-28092/3 / Lado indefinido / Gênero musical: Canção:



A casinha da colina (1926) - Versos de Luiz Peixoto e arranjo de Pedro de Sá Pereira

Disco 76 rpm / Título da música: A casinha (Casinha da colina) / Sílvio Vieira (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum 123116 / Lado indefinido / Gênero musical: Canção.


------------------------E
Você sabe de onde eu venho / Duma casinha que eu tenho
-------------------------B7
Fica dentro de um pomar / É uma casa pequenina

----------------------------------------------E-- B7-- E
Lá no alto da colina / De onde se ouve longe o mar
----------------------------------------------E7
Entre as palmeiras bizarras / Cantam todas as cigarras
-------------------------A------------ Am------------- E
Sob o por, de ouro, do sol / Do beiral vê-se o horizonte
---------------------------B7 -----------------------( E B7 E B7 )
No jardim canta uma fonte / E há na fonte um rouxinol

--------------E
Do jasmineiro tão branco / Tomba de leve no banco
---------------------------B7
A flor que ninguém colheu / No canteiro há uma rosinha
-----------------------------------------------E
No aprisco uma ovelhinha / E em casa, meu cão e eu.
--------------------------------------------E7
Junto à minha cabeceira / Minha santa padroeira
-----------------------A----------------- Am --------E
Que está sempre no altar / Cuida de mim, se adoeço
---------------------------B7 --------------------( E B7 E B7 )
Vela por mim se adormeço / E me acorda devagar . . . .

------E
Quando eu desço pela estrada / E olho a casa abandonada
-------------------------B7
Sinto ao vê-la, não sei o que . . . / Anda em tudo uma tristeza
-----------------------------------------------E
Como é triste a natureza / Com saudade de você.
-------------------------------------------------E7
Se você é minha amiguinha / Venha ver minha casinha
---------------------A-------------- Am---------- E
Minha santa e meu pomar / Meu cavalo é ligeiro
--------------------------B7----------------------- ( E B7 E B7)
É uma légua só de outeiro / Chega a tempo de voltar

E------------------------------------- E7
Mas, se acaso anoitecer / Tudo pode acontecer
-------------------A ---------------Am--------- E
Que será de mim depois / A casinha pequenina
---------------------B7----------------------- ( E B7 E )
Lá no alto da colina / Chega bem para nós dois . . . 




Fontes: A Música Popular No Romance Brasileiro, Volume 3 - Por José Ramos Tinhorão - Editora 34; The Library of Congress - National Jukebox - La Casita.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Zilda, a rainha do samba

Aracy Côrtes, aliás Zilda Spinola
“CARIOCA entrevistou várias figuras de relevo do nosso “broadcasting”. Sylvinha Meilo, Alzirinha Camargo, Olga Praguer, Christina Maristany, as Irmãs Pagãs, Marília Batista. . . e quantas mais! Ainda não havíamos, porém, entrevistado Zilda Spinola, autêntica rainha do samba.

—— Zilda Spinola? — perguntará, surpreendido, o leitor. — Francamente, não me recordo de ter ouvido esse nome.

Cantora, pianista, declamadora? Quem será Zilda Spinola?

Zilda Spinola, — deixemos que se dissipe o mistério, — não é senão o nome verdadeiro, o nome autêntico de Aracy Côrtes, a intérprete inconfundível da nossa música popular. E, agora, na certa, o leitor declarará:

— Ora! Aracy... Também quem é que não a conhece?

Começo de carreira, no teatro
Pouca gente sabe que é esse o nome de Aracy — que, há pouco, regressou da Argentina, depois de ter conquistado expressivos triunfos no Prata. E isso porque a festejada artista só usou seu verdadeiro nome quando estreou, em 1919, no Democrata Circo. Ali, demorou pouco tempo, ingressando logo numa companhia de revistas que trabalhava no Teatro Recreio, sob a direção de João de Deus.

Trabalhando na revista “Nós pelas costas”, foi, então, crismada com o pseudônimo de Aracy Côrtes, que se transformou num dos maiores nomes do nosso teatro popular e do nosso “broadcasting” ...

Dessa temporada, Aracy não tem saudades. Seguiu para São Paulo e, voltando mais tarde ao Rio, foi a Campos como empresária, para logo depois ser contratada pela Empresa Paschoal Segreto, estreando no Teatro São José, na revista de Duque e Oscar Lopes: “Sonho de ópio”.

E acrescenta:

— Há por aí quem diga maldosamente que só consegui ser “estrela” na praça Tiradentes. É falso. Pondo a modéstia de parte brilhei na praça dos Caboclos e brilhei, na Avenida, no Glória, no Cassino Beira-Mar, no Fênix e no antigo Palace Teatro. Fui com Jardel Jercolis à Europa, onde o meu êxito, se é que houve, foi constatado pela imprensa. Percorri, nessa ocasião, Portugal, Espanha, França e Itália.

— O público já está saudoso. Quer vê-la em cena — dissemos nós.

— E eu também estou saudosa dele, mas, infelizmente, o teatro de revista está em situação precária. É doloroso dizer-se que a capital do Brasil, a “Cidade Maravilhosa”, não tenha para os turistas, não como novidade, mas como passatempo, um só teatro musicado funcionando.

— E quanto à sua viagem à Argentina?

— Fui contratada pelo empresário Cairo. Ele ficou satisfeitíssimo, porque conseguir agradar na Argentina é um “caso muito sério”. Os platinos, conquanto não sendo jacobinos, gostam muito do que é deles, e defendem muito, artística e monetariamente, a prata de casa. No terreno artístico lá vence quem tem mérito real. Aliás, você não ignora isso. É dos livros, como se diz lá no morro! Ficaram satisfeitíssimos com a interpretação dos nossos sambas, com os “breques” e contracanto, criação dessa sua criada. Há quem diga que não, mas eu tenho a certeza, embora não cobre direitos autorais.

— Quais os seus autores prediletos?

— Todos aqueles que escrevem boas revistas.

— Das peças que já representou, qual é a que mais gosta?

Aracy, em casa, com seu canário cantor
— Duas: “Cidade Maravilhosa” e “Miss Brasil”. E já agora aproveito para dizer que dois sambas que mais me impressionaram até hoje foram: “Ai yoyô”, de Luiz Peixoto e Vogeler, e “Sorris”, letra e música de J. J. Soares.

— E, agora, — dissemos nós, — um pouco de suas preferências. Qual o seu manjar predileto?

Aracy deu uma gostosa gargalhada e respondeu:

— Espiga de milho cozido.

— E, se fosse rica, que faria?

— Viajaria muito, muitíssimo. Teria criadagem especial para tratar exclusivamente das malas, chapeleiras, etc.

Despedimo-nos. Aracy trouxe-nos, gentilmente, até ao elevador, onde acrescentou:

— Diga na CARIOCA que eu até nova ordem estou no rádio, porque sou positivamente do rádio: — cansa pouco e populariza mais! ...”


Fonte: CARIOCA, de 25/01/1936.

segunda-feira, maio 13, 2013

Carlos Espíndola

Carlos Espíndola (circa 1870 - 1920, Rio de Janeiro, RJ), instrumentista e flautista, pai da cantora Aracy Cortes. Foi feitor de turma da antiga prefeitura do então Município Neutro como se chamava o Rio de Janeiro na época do Império. Foi amigo de Alexandre Gonçalves Pinto a quem conheceu ainda solteiro. Faleceu precocemente.

Era considerado como um bom flautista e aprendeu a tocar com o professor João Salgado, tornando-se um exímio executante de flauta e um chorão inveterado. Tocou em inúmeros bailes na Tijuca, Andaraí, Vila Isabel, Matoso e Itagipe, entre outras localidades do Rio de Janeiro do final do século XIX e começo do século XX.

Alexandre Gonçalves Pinto, o "Animal", comenta em seu livro "O Choro", de 1936, sobre  o flautista Carlos Espíndola:

"Foi um grande amigo e chorão, executor de flauta com grande perfeição, pae da grande artista Aracy Córtes, luminosa estrella theatral no nosso amado Brasil, que tantas glorias, bellezas e applausos tem feito na nossa capital e tambem retumbante successo no estrangeiro. Fui amigo intimo de seu pae, conheci-o ainda solteiro quando frequentavamos bons e maus bailes na Tijuca, Andarahy, Villa Isabel, Mattoso, Itapagipe e muitos outros lugares desta capital, alguns pagodes que estavam acostumados a receber os musicos a café e cachaça, festas estas que Espindola, ia me dizendo vamos dar o fóra pois não estou acostumado a passar a "Pirão de Areia secca" e "Pirão de Bagre", que significava não haver uma bella ceia regada com o competente vinho; então respondia eu vamos sahir de barriga pois ella esta dando horas. Saindo deste pagode hiamos para qualquer botequim, mandavamos vir uma porção de mortadella, pão e vinho e assim faziamos um bello repasto, sahiamos dalli mais ou menos forrados, caminhavamos pela rua afóra rindo e commentando o baile.

Espindola, comia bem e antes de tocar flauta já era grande frequentador de pagodes, pois conhecendo muitos tocadores de chôro escorregava nas aguas delles. Dahi parte o conhecimento delle com o inesquecivel professor João Salgado, também de saudosa memoria. Nesse tempo metteu-se na cabeça de Espindola, aprender a tocar flauta, o que conseguiu comprando uma de novo systema convidando João Salgado para seu professor que promptamente aquieceu. João Salgado que era um professor de grande merito e paciencia para ensinar a mais rude cabeça foi aos poucos ensinando a Espindola, que com a vontade que tinha de aprender foi depressa, pois em poucos tempos tornou-se um flautista respeitado nas rodas dos tocadores, impondo-se á admiração de todos que o conheciam e tambem deste que estas linhas escreve, que muito o apreciava.

Morreu muito moço ainda e, se vivesse, hoje seria a gloria dos grandes chorões com a sua maviosa flauta. Falleceu á rua Barão de Ubá, e o autor destas linhas acompanhou o seu enterramento ao Cemiterio de São Francisco Xavier. Occupava elle, o cargo de feitor de turma da Prefeitura. Não sei de certo, se a sua viuva ainda existe, o que faço votos que sim, pois, quando carteiro que fazia entrega na rua do Lavradio encontrei-a, uma occasião, morando no Hotel Nacional. Palestramos um pouco, finalizando a nossa conversa sobre a vida do seu saudoso esposo.

A sua dilecta filha Aracy Córtes, um dos astros que circula em nosso meio artistico homenageada pelos applausos dos seus admiradores, a vi muito creança."

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Fonte: "O Choro", 1936 - Alexandre Gonçalves Pinto

Júlio Cristóbal

Aracy Cortes no Teatro de Revista
Júlio Cristóbal (circa 1890 São Paulo - circa 1956 Rio de Janeiro), compositor e maestro, fez músicas para o teatro de revista na década de 1920. Por volta de 1913, o choro Josefina, com Pedro de Sá Pereira, Luiz Peixoto e Marques Porto, foi gravado pelo Choro Faulhaber na Favorite Records.

Em 1916, fez a música para Lusitania, um episódio patriótico em versos apresentado no Colyseu Santista, na cidade de Santos, SP. Em 1918, foi sucesso a revista Flor do Catumbi, de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt, para a qual fez músicas juntamente com Enrique Sánchez.

Em 1926, fez sucesso com o samba O sarambá gravado na Odeon por Pedro Celestino e Artur Castro Budd com acompanhamento da American Jazz Band de Sílvio de Souza. No mesmo ano, Artur Castro gravou a canção Jaqueline também contando com o acompanhamento da American Jazz Band Sílvio de Souza. Nesse ano, fez com o maestro Pedro de Sá Pereira as músicas para a revista Prestes a chegar, de Luiz Peixoto e Marques Porto, que alcançou grande sucesso no Teatro Recreio.

Em 1929, foi juntamente com Pedro de Sá Pereira e Ary Barroso, autor de músicas para a revista Laranja da China, escrita por Olegário Mariano e dirigida por Luís Peixoto, tendo como grande cartaz a cantora Aracy Cortes. A revista foi apresentada no Teatro Recreio. Nesse ano, seu samba-canção A polícia já foi lá em casa, com letra do poeta Olegário Mariano, e incluída na revista Laranja da China, foi gravado na Odeon por Aracy Cortes:



Em 1946, fez a orquestração e regeu a orquestra no filme O ébrio, direção de Gilda de Abreu e um dos maiores sucessos do cinema brasileiro. Teve a música A polícia foi lá em casa gravada por Clara Sandroni e Grupo Lira Carioca no CD Notáveis desconhecidos de 2002.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, março 24, 2012

Chopin e Debussy na música de Vogeler

Henrique Vogeler
Estudiosos da música popular brasileira, Vasco Mariz e Elza Cameu apontaram as composições de Henrique Vogeler como influenciadas ou conduzidas por Chopin e Debussy. Ele, em seu livro A Canção Brasileira, escreveu: “... sua música (de Vogeler), sempre romântica, revela forte influência de Chopin...“. Elza, secundando-o, numa conferência que realizou em dezembro de 1962, disse: “... A influência de Debussy se fez sentir até na música popular de piano.” Esclarecendo a seguir: “... Não em seus processos técnicos, é claro, mas no aproveitamento da célula conclusiva de La plus que lente, da qual Henrique Vogeler tirou toda a inspiração para o seu Linda Flor.

Tem-se assim que o nosso saudoso musicista (patrício apesar do sobrenome germânico trazido de seu genitor), não foi verde-amarelo puro, absoluto. Sua bagagem artística onde se encontra obras algo elevadas ao lado de outras bem populares, enfeixa muitas que teriam sido inspiradas pelos citados mestres. Compositor com escola, e não de caixas de fósforos ou de tamborilamento, talvez não sentisse tais sugestões. Mesmo indo à regência de orquestras e à partitura de operetas e burletas, tais como A Canção Brasileira, de Miguel Santos e Luiz iglezias, de grande sucesso no Teatro Recreio, é possível que sua erudição não lhe tolhesse as concessões ao popularesco. Veio, no entanto, a marcá-las com tonalidades trazidas de seus estudos e predileções.

Recordando Vogeler

Bom compositor, ainda que seu nome não tenha logrado a popularidade de tantos outros de menor valia, Henrique Vogeler deixou um bom punhado de músicas. Constantes todas, ou quase todas, do excelente fichário de Almirante, vão desde o samba buliçoso, de melodia fácil, passando por valsas, foxes, até a canção de muito sentimento brasileiro. Mas, afora essas, visto serem partes integrantes das peças a que ser- viram, deve haver outro igual punhado de concepção mais alta, pomposa. Citemos, para imediato exemplo, as que compôs para a peça fantástica A Passagem do Mar Vermelho, de Fonseca Moreira, e foi apresentada no Teatro Carlos Gomes em maio de 1921.

Não sendo apenas um produtor de músicas destinadas ao sucesso das ruas, já que quase sempre esteve integrado em companhias teatrais regendo suas orquestras, fazendo a partitura de peças, dele pouco se fala. Até mesmo a sua Linda Flor, depois tornada Iá-iá, que vem tendo gravações sucessivas (a mais recente na voz de Isaurinha Garcia), provoca apenas a citação de sua grande criadora: Aracy Côrtes. Tudo muito compreensível em se tratando de um compositor vindo de uma época de sobriedade publicitária e perdido em meio de centenas (talvez milhares) de colegas. Estes, ainda que muito atentos a auto-divulgação, não lhe conseguem roubar o valor.

“Iá-iá” substitui “Linda Flor”

A música mais popularizada de Henrique Vogeler é, sem dúvida, a Linda Flor que teve seus primeiros versos escritos pelo literato Cândido Costa. Bonitos inegavelmente, de apurada correção, cantavam: “Linda flor, tu não sabes, talvez, quanto é puro o amor que me inspiras. Não crês, nem sobre mim teu olhar veio um dia pousar.” E seguiam sempre ternos, no preciosismo do tratamento da segunda pessoa do singular, suplicando o interesse da mulher que era linda e era flor. Apesar do apuro da letra, de seu exato encaixe no ritmo e na melodia suave, lenta, ficou quase inédita sem repercutir como merecia.

Algum tempo depois, a habilidade de um famoso revistógrafo, Luiz Peixoto, que se permitia acumular ser também irreverente caricaturista e poeta com muito senso do gosto da gente comum, concebia e rimava um novo motivo. A boa terra, essa Bahia que vem inspirando tantos sambas, daria uma de suas filhas para ser a personagem da canção. Nasceu, então, na mesma música de Vogeler — essa que Elza Cameu apontou como sugerida pelo tema de La plus que lente, de Debussy — o poemeto: “Ai, iô-iô!, eu nasci pra sofrê, fui oiá pra você, meus óinho fechô.” Sem perder o caráter ingênuo, simplório, prosseguia: “... E, quando os óio abri, quis gritá, quis fugi..“. Tinha-se, agora, versos espontâneos, gostosos, destinados a êxito certo.

Aracy garante o sucesso

Com sua nova forma, a canção de Henrique Vogeler foi incluída na revista Miss Brasil com a qual a renomada parceria Luiz Peixoto-Marques Porto subia mais uma vez ao letreiro luminoso do velho Recreio Dramático. Estreando no elenco, Aracy Côrtes, a mulata, como a tratava a imensidão de seus admiradores, foi escolhida para cantar o número. Chamada a interpretar música e letra bem próprias ao seu feitio, ela que nessa época (dezembro de 1928) dominava o nosso teatro popular, fez toda a platéia delirar. Quando o regente J. Cristobal, atendendo à insistência de bis deu as clássicas batidas com a batuta na estante pensou que a repetição bastaria para satisfazer ao numeroso público, mas enganou-se. Teve que fazer o mesmo gesto ainda por mais duas vezes.

Desenvolta, consagrada pelos aplausos entusiásticos, calorosos, Aracy não se fazia rogada e cantava: “Ai, iô-iô!, eu nasci pra sofrê, fui oiá pra você, meus Óinho fechô...“. E se a atriz se deixava empolgar pelo sucesso que alcançava, também Vogeler via projetar-se triunfante a sua música. Já não era mais a Linda Flor orgulhosa de quem se suplicava um olhar, era a Iá-iá. Renascia a música de Vogeler, graças aos versos de Luiz Peixoto e ao charme de quem os cantava, para popularizar o seu nome em toda a cidade. Consolidava esse triunfo a crítica, como o fez o saudoso Abadie Faria Rosa no Diário Carioca: “... A Sra. Aracy Côrtes que estreava como estrela do Recreio, emprestou a vários números aquele seu cunho de atriz bem nossa, cantando um lindo samba do maestro Vogeler com um sabor verdadeiramente acariciante.

Influência, sugestão, assimilação

Em música, como em qualquer outra arte, é sempre possível que as predileções, a retenção inconsciente de frases melódicas, de trechos, ou mesmo de acordes venham a se refletir na obra produzida. São, portanto, válidas e merecem acatamento as observações de Vasco Mariz e Elza Cameu quanto às influências de Chopin e Debussy nas composições de Henrique Vogeler. Um ou outro repontando no ritmo, na tessitura melódica e talvez no todo de algumas obras — tendo-se em conta que ambos provocaram escolas pianísticas e Vogeler foi exímio executante desse instrumento — não afetaram a brasilidade de sua música.

O reparo, a apreensão feita de vestígios, de influências chopiniana e debussiniana nas obras de Henrique Vogeler têm procedência porque se referem a um compositor enfronhado na escrita da pauta. Fosse ele um maestro caixa de fósforos, que os temos muitos e fazendo música verdadeiramente bonita por simples inspiração, falar-se-ia em assimilação inconsciente.

O certo, o inegável, é que a Linda Flor, ou a Iá-iá na concepção através da qual ganhou popularidade, tenha ou não a influência de Frederico (Chopin) ou de Cláudio (Debussy) resultou bem brasileira e ao nosso gosto.

(O Jornal, 5/7/1964)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

domingo, março 11, 2012

Como nasceu o samba “Jura”

As discografias apontam os nomes de Mário Reis e Aracy Côrtes como intérpretes do bonito samba Jura, do famoso Sinhô. E, de fato, esses dois expressivos nomes de nossa música popular levaram para a fonografia com todos os requintes rítmicos e melódicos a consagrada composição do “Rei do Samba” tornando-a imperecível jóia do cancioneiro carioca.

A verdade, porém, é que o Jura antes de ser gravado, e ter assim maior difusão, registrou o seu primeiro e grandioso sucesso no teatro lançado como quadro de uma revista musicada pelo Sinhô e por um maestro português que se encontrava no Brasil.

Quem o cantou, então, logrando calorosa salva de palmas e tendo de trisá-lo para satisfazer ao numeroso público que lotava toda a platéia, foi Aracy Côrtes, “A Mulata”, como a chamavam seus milhares de fãs sempre presentes aos espetáculos que a tinham como vedete.

No velho Teatro Phoenix

Em 1928, no velho Teatro Phoenix, existente na Rua Almirante Barroso, e há pouco demolido, estreava na noite de 28 de setembro a revista Microlândia. Eram seus autores os mais famosos revistógrafos da época: Marques Pôrto, Luís Peixoto e Afonso de Carvalho, três nomes que ficaram ligados ao histórico de nosso teatro popularesco.

A revista, com a qual fazia sua estréia naquela casa de espetáculos a companhia dirigida por Norka Rouskaya, tinha, ainda como fator de grande atração, seus números musicais que eram de Sinhô e do maestro Antônio Rada, este tido como de nacionalidade portuguesa e que tinha a originalidade de reger a orquestra dançando e fazendo vibrar uma espécie de chocalho metálico.

Havia ainda, e isto como garantia de seu êxito, o nome de Aracy Côrtes estrelando o elenco ao lado do ator cômico Grijó Sobrinho. Tudo posto em destaque nos anúncios e cartazes anexados à porta do teatro pelo empresário M. Franciscus.

“Jura! Jura!”

No programa, onde, como era de praxe, vinham os retratos das principais figuras do conjunto e a enumeração dos quadros da revista, constava no segundo ato, como seu terceiro número, o samba Jura! Jura! Não se indicava, no entanto, que seria Aracy Côrtes a intérprete, e muito menos esperava-se que a nova composição de José Barbosa da Silva, já cognominado o “Rei do Samba” se tornasse no grande sucesso do espetáculo.

Correu o primeiro ato com agrado geral sucedendo-se os quadros musicais e de comicidade sob palmas entusiásticas. E, portanto, foi num ambiente de alegria e satisfação que se iniciou o ato final onde aparece na Aracy Côrtes, que já vinha sendo aplaudida nas intervenções que tivera antes, para depois da introdução faustosa do novo samba de Sinhô, começar com sua voz rica de nuances melódicas: “Jura! Jura!, pelo Senhor... Jura!, Jura!, pela imagem do redentor prá ter valor a tua jura...”.

Passou da primeira para a segunda parte do samba sempre cantando com aquela bossa bem própria, e ao chegar aos versos finais: “... os sonhos meus, bem junto aos teus, para livrar-nos das aflições da dor”, todo o teatro em delírio gritando: “bis!, bis!, bis!”, insistia para que Aracy cantasse novamente uma, duas, três vezes, em verdadeira consagração, à nova composição do já vitorioso autor de tantos sucessos musicais populares.

Sinhô, presente ao espetáculo, apareceu no palco e abraçado a criadora do seu novo samba, a quem beijara efusivamente, agradecia comovido, quase chorando de alegria, os aplausos e as exclamações de júbilo dos espectadores.

A mulata e o português

Figuras tradicionais de nossas antigas revistas teatrais, a mulata e o português, que sempre apareciam nos quadros de comicidade juntavam-se naquela noite ao sucesso de um samba bem carioca.

A mulata Zilda Espíndola, que no teatro tomara o nome de Aracy Côrtes, lançava vitoriosamente uma nova composição do Rei, que até hoje, em gravações sucessivas, em interpretações as mais diversas, se faz ouvir com agrado.

o português Antônio Rada (1), regente exótico, que conduzia a orquestra gingando e dançando ao ritmo da música executada, integrando-se inteiramente no balanço do samba carioca, contribuíra também para a vivacidade interpretativa comunicando aos músicos que dirigia o seu allegro molto vivo. O ritmo brasileiro, contagiante, agressivo, positivava-se de maneira absoluta.

Os jornais disseram

No dia imediato, fazendo a consagração para a posteridade, definitiva e documentária, as colunas dedicadas ao teatro pela imprensa diziam do sucesso do novo samba. Na unanimidade que marca o êxito absoluto, os jornais ressaltavam nas críticas feitas á revista Microlândia o sucesso da composição que vinha enriquecer a bagagem de Sinhô.

Um dos jornais, O Globo, cuja crítica vinha assinada por um simpIes Erre, dizia, depois de louvores iniciais:

“... Quanto à música do maestro Rada e aos sambas buliçosos de Sinhô, seria injusto dizer-se que não agradam vastamente, suscitando aplausos e bis, como aquele “Jura! Jura!” em que a desenvoltura morena da senhora Arcy Côrtes obteve êxito franco...”.

Hoje, decorridos mais de trinta anos, o Jura! Jura! continua registrando o mesmo sucesso obtido num teatro que as picaretas do progresso demoliram, quando a “mulata” Aracy Côrtes e o “português” Rada contribuíam para o lançamento estrondoso desse inesquecível samba do “Rei” Sinhô.

(1). o maestro Rada (Antônio, Serafim) embora fosse espanhol, era tido como português por ter vindo para o Brasil como regente de uma companhia portuguesa de revistas liderada pela atriz Laura Costa e estreou no Teatro República a 21 de abril de 1926.

(O Jornal, 23/12/1962)


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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Rosa de ouro


Rosa de ouro, (samba, 1965) - Elton Medeiros, Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

LP Rosa de Ouro - Araci Cortes, Clementina De Jesus e Conjunto Rosa De Ouro / Título da música: Rosa de ouro / Elton Medeiros (Compositor) / Paulinho da Viola (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Participação do Conjunto Rosa de Ouro (Élton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento, Anescar do Salgueiro e Paulinho da Viola) / Trilha Sonora do espetáculo musical produzido e dirigido por Hermínio Bello de Carvalho no Teatro Jovem - Rio de Janeiro / Gravadora: Odeon / Ano: 1965 / Álbum: MOFB 3430 / Lado A / Parte inicial da faixa 1 / Gênero musical: Samba.


    Cm              F7         Bb      Gm
Ela tem uma rosa de ouro nos cabelos
Cm         F7        Bb     Gm
E outras mais tão graciosas
Cm                   F7             Bb      Gm
Ela tem outras rosas que são os meus desvelos
Cm             F7  Bbº      Bb      Gm
E seu olhar faz de mim um cravo ciumento
Cm F7  Bb      Gm
Em seu jardim de rosas
Cm  F7  Bb  Gm      Cm     F7
Rosa de ouro, que tesouro
Bb                   G7
Ter essa rosa plantada em meu peito
Cm  F7  Bb  Gm      Cm
Rosa de ouro, que tesouro
F7                        Bb      Gm
Ter essa rosa plantada no fundo do peito
     Cm                  F7          Bb     Gm
Esta rosa de ouro que eu trago nos cabelos
Cm         F7        Bb     Gm
E outras mais tão graciosas
Cm              F7              Bb      Gm
Floresceu no lindo jardim dos meus desvelos
Cm         F7 Bbº       Bb       Gm
Brotou em meu coração e cravos ciumentos
Cm       F7       Bb      Gm
Querem colher - o quê? - a rosa
Cm  F7  Bb  Gm   Cm   F7
Rosa de ouro, singela
Bb                G7
Quero ofertar esta rosa tão bela
Cm  F7  Bb  Gm   Cm
Rosa de ouro, singela
F7                       Bb      Gm
Quero ofertar a você esta rosa tão bela
Cm              F7       Bb
Quero ofertar a você esta rosa tão bela

quinta-feira, novembro 01, 2007

Rosa de Ouro

Paulinho da Viola e Araci Cortes no espetáculo "Rosa de Ouro".

Quando as luzes se apagavam, entravam em cena Os Cinco Crioulos: Nelson Sargento, Anescarzinho, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros e Paulinho da Viola. Era o início do show Rosa de Ouro, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho.

Paulinho abria o espetáculo com Recado. Depois, cada músico cantava uma composição de sua autoria. Quando todos estavam aquecidos, era hora da entrada triunfal de Araci Cortes. Tão majestosa quanto na época em que era a grande estrela do teatro musicado do país.

Na segunda parte do espetáculo, ao som dos atabaques de Paulinho e Elton, brilhava, a então estreante, Clementina de Jesus. No palco do samba, já não cabia tanta emoção. Era o ano de 1965 e, no Teatro Jovem do Rio, Rosa de Ouro tornava-se um divisor de águas, uma espécie de ritual de passagem de uma época em que o samba estava esquecido para um retorno triunfal aos meios de comunicação e às gravadoras.

Momento de reafirmação do ritmo, num período em que a bossa nova e a música estrangeira dominavam quase totalmente o cenário da música popular brasileira. Um grande início de carreira para o jovem Paulinho. Um marco na carreira de Elton Medeiros e de Clementina de Jesus, a despedida para Araci Cortes.

Programado para apenas algumas semanas, o espetáculo ficaria em cartaz no Rio por quase dois anos. O sucesso se repetiria em outras cidades do Brasil. Em São Paulo, Rosa de Ouro teria espaço no palco do Teatro Oficina.

Fonte: MPB Compositores - Editora Globo.

terça-feira, março 28, 2006

Araci Cortes


Araci Cortes (Zilda de Carvalho Espíndola), cantora e atriz, nasceu no Rio de Janeiro em 31/03/1904 e faleceu na mesma cidade em 08/01/1985. Filha do chorão Carlos Espíndola, até os 12 anos morou no bairro do Catumbi, onde foi vizinha de Pixinguinha. Após alguns anos vivendo com a madrinha, deixou a família aos 17 anos, passando a atuar em circos.

Cantava e dançava maxixes no Democrata Circo, da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, quando foi descoberta por Luiz Peixoto e levada para fazer teatro de revista. Com o pseudônimo de Araci Cortes, que lhe foi dado por Mário Magalhães, crítico teatral do jornal A Noite, fez grande sucesso nas décadas de 1920 e 1930.

Foi a responsável pelo lançamento de diversos compositores em revistas da Praça Tiradentes, como Ary Barroso, Zé da Zilda, Benedito Lacerda e outros. Em 1923 já era intérprete consagrada, com o sucesso do samba Ai, madama, incluído na revista Que pedaço, de Sena Pinto, com música de Paulino Sacramento, no Teatro Recreio.

Em 1925 estreou em disco, com três gravações na Odeon, Serenata de Toselli, A casinha (motivo mexicano com versão de Luiz Peixoto, mais conhecida como A casinha da colina e Petropolitana (sem autor no disco).

Em 1928 atuou na revista Miss Brasil, de Luiz Peixoto e Marques Porto, cantando o samba-canção Iaiá (Linda flor), com música de Henrique Vogeler, e uma terceira letra, Iaiá, ioiô, já então de Luiz Peixoto. A peça foi sucesso em dezembro de 1928 e janeiro de 1929, e sua interpretação desta música, gravada na Parlophon, fez sucesso no Carnaval de 1929.

Ainda em 1928, na peça Microlândia, de Luiz Peixoto, Marques Porto e Afonso de Carvalho, com música de Serafim Rocha e Sinhô, fez com grande êxito o lançamento do samba amaxixado Jura (Sinhô), que teve duas gravações simultâneas, por ela e por Mário Reis. Na revista Laranja da China, de Olegário Mariano, com música de Júlio Cristóbal, Pedro Sá Pereira e Ary Barroso, encenada no Teatro Recreio, interpretou o samba Vamos deixar de intimidade, responsável pelo lançamento de Ary Barroso como compositor.

Em 1932, na revista Angu de caroço, de Carlos Bittencourt, Luís Iglésias e Jardel Jércolis, estreada no Teatro Carlos Gomes, apresentou-se com grande êxito, ao lado de Sílvio Caldas, interpretando o samba Mulato bamba (Noel Rosa). Em 1933 o empresário Jardel Jércolis realizou a primeira excursão de uma companhia brasileira de revistas à Europa, sendo ela a estrela.

De 1929 a 1935 lançou 32 discos, a maioria pela Odeon, registrando sua melhor fase como intérprete. Em 1930 lançou, na revista Diz isso cantando, a música No morro (Ary Barroso e Luís Iglésias), que oito anos mais tarde seria reescrita e se tornaria o sucesso Boneca de piche. Em 1939, novamente no Teatro Recreio, atuou na revista Entra na faixa, de Luís Iglésias e Ary Barroso, na qual lançou o samba-exaltação Aquarela do Brasil.

Foi em 1953 que gravou, pela Odeon, seus últimos três discos de 78 rpm; em seguida, afastou-se do meio artístico. Atuaria no teatro de revistas até 1961, sendo a última É por aqui Sinhô, no Teatro Zaqui Jorge, no bairro carioca de Madureira.

Em 1965 o poeta e compositor Hermínio Belo de Carvalho promoveu sua volta ao palco no show Rosa de ouro, no Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, no qual se apresentou ao lado de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus, entre outros. Deste espetáculo resultaram dois LPs lançados pela Odeon, Rosa de ouro 1 (1965) e Rosa de ouro 2 (1967), nos quais participou em várias faixas.

Em 1976 deu recitais no Teatro Glauce Rocha, e, em 1978, no Teatro Dulcina. Em 1984, em comemoração aos seus 80 anos, foi lançado o LP Araci Cortes, uma coletânea com depoimentos da cantora, e o livro Araci Cortes, de autoria de Roberto Ruiz, ambos pela Funarte. Entre os seus grandes sucessos como cantora, estão ainda Quem me compreende (Benedito Vivas e Ary Barroso), Tem francesa no morro, maxixe que marcou a estréia de Assis Valente como compositor, e Os quindins de Iaiá (Pedro de Sá Pereira e Cardoso de Meneses).


Fonte: Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 1998 - SP.