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sábado, junho 22, 2013

Augusto Calheiros, a "Patativa do Norte"

“Quem não conhece Augusto Calheiros a "Patativa do Norte"? Como cancioneiro ele conquistou uma posição de relevo junto ao público de todo o Brasil. 

 

Palestrar com Augusto Calheiros é conhecer o velho sertão, com todas as suas belezas e costumes e ter momentos inesquecíveis de boa prosa. Esse é o segredo de sua vitória nos meios radiofônicos e teatrais. Sabe cativar a amizade dos ouvintes, dos espectadores, enfim de todos aqueles que lhe dedicam estima pessoal.


Augusto Calheiros venceu em toda a linha e o seu programa de atividades vem sendo cumprido com destaque, merecendo uma apreciação sincera através desta nossa crônica, que lhes dedicamos prazerosamente, reafirmando o propósito de divulgar a vida artística das mais consagradas figuras do broadcasting nacional que cultivam o gênero sertanejo e o folclore da nossa terra.

— Nasceu Augusto Calheiros em Alagoas a terra dos grandes generais. Criou-se em Pernambuco, onde desde criança nasceu-lhe a vocação para cantar as nossas modinhas e canções. Quando já rapaz foi um grande seresteiro das ruas do "Leão do Norte".

Um belo dia, já integrado no ambiente seresteiro, manifestou desejo de conhecer a "cidade maravilhosa". Formando um grupo que deu o nome de "Turunas da Mauricéia" embarcou para o Rio aonde chegou em 1927 estreando incontinenti no melhor teatro daquela época que era o saudoso Lírico.

Alcançando grande sucesso percorreu o conjunto vários teatros até que encontraram em Domingos Secreto um grande benfeitor e admirador. Augusto Calheiros manifesta-se grato e considera-o um grande e sincero amigo.

O Correio da Manhã foi o criador deste sugestivo nome "Patativa do Norte" e Calheiros considera este jornal como seu padrinho. Andaram os Turunas da Mauricéia pelo interior e várias cidades do sul, levando a música genuinamente brasileira por todos os recantos do Brasil.

Voltando à Capital da República o conjunto se dissolveu. Isto em 1932. Restam hoje dos integrantes apenas Augusto Calheiros e Romualdo de Miranda, sendo que os demais já faleceram nesta querida cidade.

Confessa a "Patativa" que foi aqui que se aperfeiçoou e que quando se dissolveu o conjunto foi para a "Casa do Caboclo", no antigo São José, logo após o incêndio, onde encontrou a festejada dupla Jararaca e Ratinho.

Alcançou sucesso na Rádio Clube Sociedade, atualmente do Ministério da Educação, Mayrink Veiga e presentemente está na Rádio Nacional, onde é contratado atuando nesta emissora a um ano e meio.

Afirma Calheiros que as músicas que cantou mais, e sempre interpretou com alma e coração foram Revendo o passadoChuá-chuá — e Ave Maria.

Canta as demais com prazer e vive procurando novidades que se adaptem ao seu temperamento sentimental de cantor das canções melodiosas.

Tem em Catulo da Paixão Cearense, Hermes Fontes, Cândido das Neves e especialmente Olegário Mariano, valores incontestáveis e dignos de serem interpretados com especial respeito. Voltando ao norte, para rever velhas amizades foi recebido em várias cidades com manifestações de apreço e admiração pelo valor inegável desta "Patativa".

Na Bahia, a terra que sabe distinguir valores na arte e na música, batizaram em plena rua a Augusto Calheiros, como o "cidadão baiano", tal o carinho que dedicam a este amigo da boa música.

Hoje ele se confessa a mais triste de todas as criaturas, que cantam, só confia em Deus para que o proteja no final de sua carreira que desejava fosse breve, caso encontrasse alguém que lhe desse um outro trabalho e então cantaria só para os amigos quando quisessem ouvi-lo.

Está Augusto Calheiros disposto a colaborar para o nosso governo se necessário for às Forças Expedicionárias Brasileiras e ao poeta Medeiros Lima Filho, já se prontificou a cantar em sua festa, oferecida aos mutilados, recreando o espírito dos nossos valorosos soldados da vitória.

Dessa forma, Calheiros vê concretizada a sua missão perante seus admiradores e amigos, que o tem na estima e o consideram com toda a justiça como uma legítima patativa do Norte."

(Escreveu Milton Filgueiras de Lacerda)

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Fonte: A Cena Muda, de 19/06/1945.

segunda-feira, maio 02, 2011

Romualdo Miranda

Turunas da Mauricéia
Romualdo Miranda, cantor, instrumentista (violão) e compositor (Recife PE, 1887 - 1930), era irmão de Luperce Miranda e de João Miranda com quem criou e integrou o grupo vocal e instrumental Turunas da Mauricéia. Começou na carreira artística no começo da década de 1920.

Em 1926, criou na cidade de Recife com os irmãos Luperce, no bandolim, e João, também no bandolim, e mais Manoel de Lima e João Frazão nos violões, e Augusto Calheiros nos vocais, o grupo vocal e instrumental Turunas da Mauricéia, com o qual foi para o Rio de Janeiro no ano seguinte onde se apresentaram com grande sucesso cantando emboladas, cocos e sambas nordestinos, ritmos até então desconhecidos na cidade, então capital Federal do país.

Nesse mesmo ano, o grupo gravou dez discos pela Odeon com vocais de Augusto Calheiros. Entre as quais sua canção Amor secreto, parceria com Leovigildo Jr. Ao todo participou da gravação de dezoito discos com os Turunas da Mauricéia.

Em 1929, sua canção Estou só!, foi gravada na Odeon por Patrício Teixeira, e a toada Tudo selado foi registrada por Gastão Formenti na Parlophon. No mesmo ano, gravou solo ao violão pela Parlophon a valsa Rosita, de sua autoria. Ainda em 1929, acompanhou ao violão o violonista Glauco Viana na gravação do fox-trot Oh! Que beijo..., e da valsa Deliciosa, de autoria de Glauco Viana.

Em 1930, o samba Estou descrente, com Pio Barcelo, foi gravado por Mário Reis na Odeon, e a canção A casinha onde moro, por Gastão Formenti, e o batuque Sá Mariquinha, e o samba Eu gosto é de apanhá, por Joviniano Araújo, as três na Parlophon. No mesmo ano, gravou ao violão, pela Brunswick a polca Rosalvo na farra, e a valsa O filtro, de sua autoria.

Ainda em 1930, sua marcha Confessa meu bem foi gravada na Brunswick pelo grupo Desafiadores do Norte com vocal de Iolanda Osório. A mesma cantora registrou o samba Jandira. De volta ao Recife, morreu prematuramente nesse mesmo ano.

Em 1940, o coco "Dinheiro novo", parceria com Manezinho Araújo foi gravado na Odeon por Manezinho Araújo. Em 1952, sua valsa Neusa, parceria com Nelson Miranda, foi gravada ao cavaquinho por Nelson Miranda em disco Todamérica.

Obras

A casinha onde moro, Amor secreto (c/ Leovigildo Jr.), Confessa meu bem, Estou descrente (c/ Pio Barcelo), Estou só!, Eu gosto é de apanhá, Neusa (c/ Nelson Miranda), O filtro, Rosalvo na farra, Rosita, Sá Mariquinha e Tudo selado.

Discografia

1929) Rosita - Parlophon - 78; (1930) Rosalvo na farra / O filtro - Brunswick - 78.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - Bibliografia Crítica: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Quero-te cada vez mais

Augusto Calheiros
Zeca Ivo (José Ivo da Costa) compõe em 1936, com João de Freitas, a valsa Quero-te cada vez mais, gravada pelo cantor Augusto Calheiros, grande sucesso do ano de 1937.

Quero-te cada vez mais (valsa, 1937) - João de Freitas e Zeca Ivo - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Quero-te cada vez mais / José Benedito de Freitas (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 22/09/1936 / Lançamento: 04/1937 / Nº do Álbum: 11456 / Nº da Matriz: 5391 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Quero-te cada vez mais
(Ò meu amor)
A minha vida consiste só
Em te adorar, em te beijar
És o meu rimar, meu prazer
A razão de todo o meu viver
(Meu bem querer)........



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, setembro 26, 2010

Samba de caná

Turunas da Mauriceia
Samba de Caná (samba, 1927) - Tradicional - Intérpretes: Augusto Calheiros e Turunas da Mauriceia

Disco 78 rpm / Título da música: Samba do Caná / Tradicional (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10073-a / Nº da Matriz: 1334 / Lançamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez



Versão cantada de Augusto Calheiros em 1953, gênero musical intitulado como "embolada":

Disco 78 rpm / Título da música: Samba do Caná / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Compositor) / Luperce Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13624-a / Nº da Matriz: 9900 / Gravacao: 21/Setembro/1953 / Lançamento: Julho/1954 / Gênero musical: Embolada / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi





Fontes: Instituto Moreira Salles - Discografia Brasileira; Instituto Memória Musical Brasileira

O pequeno Tururu

Augusto Calheiros
O pequeno Tururu (samba, 1927) - Augusto Calheiros e Luperce Miranda - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: O Pequeno Tururu / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Compositor) / Luperce Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10074-a / Nº da Matriz: 1336 / Lançamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Ôi balança o pequeno tururu
Ôi balança o pequeno de iaiá
Ôi balança o pequeno tururu
Ôi balança Benedito no ganzá
.................

Minha cumadi ainda ontem deu a luz
Se pegou-se com Jesus
Na porta da camarinha
Chamou-me na cozinha
Jeca me dá um tostão
Deixe de ser tão vilão
Vai comprar uma quarta de jabá
Que tu não come galinha
E balança o pequeno tururu ...

Indurinha de coqueiro

Augusto Calheiros
Indurinha de coqueiro (samba, 1927) - Tradicional - Intérpretes: Turunas da Mauriceia e Augusto Calheiros

Disco selo: Odeon / Título da música: Indurinha de coqueiro / Tradicional (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Adapt.) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Acomp.) / Nº do Álbum 10066 / Nº da Matriz: 1324 / Lançamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez




Helena

Augusto Calheiros
Helena (Samba, 1927) - Componentes do Turunas da Mauriceia - Intérpretes: Augusto Calheiros e Turunas da Mauriceia

Disco selo: Odeon R / Título da música: Helena / Romualdo Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Intérprete) / Nº do Álbum: 10068 / Nº da Matriz: 1323 / Lançamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez




segunda-feira, setembro 20, 2010

Revendo o passado

Augusto Calheiros
Revendo o passado (valsa, 1926) - Freire Júnior - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Revendo o passado / Freire Júnior (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 11021-a / Nº da Matriz: 4662-1 / Gravação: 30/Maio/1933 / Lançamento: Agosto/1933 / Gênero musical: Valsa / Coleções: IMS, Nirez


Recordar é viver / Diz o velho ditado
Recordar é sofrer / Saudades do passado
Um sonho que viveu / Em nosso coração
Um amor que morreu / Deixando uma cruel paixão

Crer num sonho de ilusão / Ver na imaginação
A imagem do primeiro amor / Que tal qual uma flor
Murchou ao relento / No chão... secou...

Quem na estrada do viver / Não encontrou alguém
Alguém que o fez sofrer / A quem se dedicou
Talvez, quem saber amor...

Quem não teve uma paixão / A mesma ainda tem
E vive na ilusão / De ainda de ser feliz
Só o destino não quis...

Quem não tem no seu passado / A vida do seu bem
No túmulo guardado / O seu amor primeiro
Talvez o derradeiro...

Sim...
Somos todos iguais / A vida é mesmo assim
Desilusões e nada mais...

segunda-feira, abril 07, 2008

Senhor da floresta

Augusto Calheiros
Senhor da floresta (samba, 1945) - René Bittencourt - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Senhor da floresta / René Bittencourt (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/04/1945 / Lançamento: 05/1945 / Nº do Álbum: 80-0279 / nº da matriz: S-078146-1 / Gênero musical: Samba


Senhor da floresta
Um índio guerreiro da raça Tupi
Vivia pescando, sentado na margem do rio Chuí
Seus olhos rasgados
No entanto fitavam ao longe uma taba
Na qual habitava, a filha formosa de um morubixaba.

Um dia encontraram
Senhor da floresta do rio Chuí
Crivado de flechas
De longe atiradas por outro Tupi

E a filha formosa do morubixaba, quando anoiteceu
Correu, subindo a montanha
E no fundo do abismo, desapareceu.

Naquele momento
Alguém viu no espaço, à luz do luar
Senhor da floresta
De braços abertos, risonho a falar:

Ó virgem guerreira
Ó virgem mais pura que a luz da manhã
Iremos agora, unir nossas almas aos pés de Tupã!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, março 06, 2008

Alma de Tupi

Jararaca
Alma de Tupi (canção, 1933) - Jararaca (José Luiz Calazans) - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Alma de tupi / José Luiz Calazans "Jararaca" (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 09/06/1933 / Lançamento: 09/1933 / Nº do Álbum: 33697 / Nº da Matriz: 65771-1 / Gênero musical: Canção


Sou caboclo brasileiro,
Tenho sangue de guerreiro,
Descendente de Tupi,
Já andei por outras terras,
Tenho visto muitas serras,
Como a nossa nunca vi,
Tenho amor à minha terra,
Que belezas ela encerra,
Nesses matos do sertão !
Onde os nossos índios bravos,
Nunca se fizeram escravos,
De qualquer outra nação !
Minha terra tem cascatas,
Tem mistérios nestas matas
Que traduz belezas mil !
Minha terra tem perfume,
Que até Deus já tem ciúme,
Destas terras do Brasil !
Folhas verdes e amarelas,
Céu azul cheio de estrelas,
Como não existe igual,
A imagem da bandeira,
Desta terra brasileira,
Neste mundo é sem rival.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Dolorosa saudade

Dolorosa saudade (valsa, 1930) - Jararaca e Ratinho - Intérprete: Augusto Calheiros com Turunas da Mauriceia

Disco 78 rpm / Título da música: Dolorosa saudade / Jararaca, 1896-1977 (Compositor) / Ratinho, 1896-1972 (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10503 / Nº da Matriz: 2937 / Lançamento: Dezembro/1929 / Gênero musical: Valsa / Coleção: IMS


Dolorosa saudade
Em meu coração
E então, pois bem sei
Que não podia estar
Tão longe de mim


É por tua maldade
Que hoje fico a sofrer
Vem um dia, meu querer
Para consolação viver

Bem sei que em mim não pensas
Mulher sem coração
Mas tem como consolo
Essa separação
Mas um dia virás
Que hás de me querer
E então compreenderás
O que é sofrer

Porque quando souberes
Que em braços de outra
Aquele que te amou
E que por ti sofreu
Procura um consolo
Uma gota de amor
Por não mais suportar a dor

Mesmo assim
Já quase tenho fé e esperança
Se compreenderes o mal que fizeste
E ainda me quiseres de mim ter lembrança
Podes vir
Indulto então deixarei
Esquecendo o passado
Meu perdão darei...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Adda


Adda (valsa, 1930) - Mário Ramos e Salvador Morais - Intérprete: Augusto Calheiros

Valsa de Mário Ramos e Salvador José de Moraes, interpretada por Augusto Calheiros no Teatro Lírico em 1927. Em disco, porém, só apareceu em 1929, em gravação instrumental da Orquestra Rádio-Central. Em janeiro de 1930, saiu a primeira gravação cantada, na voz de Francisco Alves. Calheiros só a gravou em 25 de fevereiro de 1955, na Odeon, e o 78 rpm, com o n.o 13968-A, matriz 10452, saiu em janeiro de 56, coincidindo com a morte do cantor.

Disco 78 rpm / Título da música: Adda / Mário Ramos (Compositor) / Salvador Moraes (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13968-a / Nº da Matriz: RIO-10452 / Gravação: 25/02/1955 / Lançamento: Janeiro/1956 / Gênero musical: Valsa / Coleção: Nirez



Interpretação de Francisco Alves em 1930:

Disco 78 rpm / Título da música: Adda / Mário Ramos (Compositor) / Salvador Moraes (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Rio Artists (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10556 / Nº da Matriz: 3159 / Lançamento: Janeiro/1930 / Gênero musical: Valsa / Coleção: Nirez D


Adda, meu doce amor
Adda, meu terno afeto
Tu tens a fragrância, o esplendor
O perfume da flor

Do meu sonho dileto

Adda, meu ideal
Ó minha inspiração
Tu és o meu casto fanal
Que palpita afinal
Sempre em meu coração


Quando vi teu perfil
Quando vi teu olhar
Eu te achei tão gentil
Linda, casta, infantil,
Como a luz do luar.

Desde logo eu te amei
Desde logo eu te quis
Foi o que eu adorei
desde que acho e que sei
Que quem ama, é feliz

Ó Adda, meu coração tu tens risonho
Pois só penso em ti
Desde o dia em que te vi
Resplender o teu ser
E sorrir ao meu sonho

Ó Adda, como é sereno o teu olhar
É o santo elixir
Do meu doce porvir
Meiga luz, que me pus à adorar.



Fontes: Samuel Machado Filho - YouTube; Discografia do Brasil - IMS.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Falando ao teu retrato

De Chocolat
Falando Ao Teu Retrato (valsa-canção, 1935) - Meira e De Chocolat - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Falando Ao Teu Retrato / De Chocolat (Compositor) / Meira (Jaime Florence) (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1935 / Nº Álbum: 11.221-A / Lado B / Gênero musical: Valsa-canção.



Na ilusão de um novo amor
Deixaste o nosso lar
Enquanto eu, louco sonhador
Busquei-te sem cessar

Voltando ao lar abandonado
Apaixonado, eu juro, sem querer chorei
E ao ver o teu retrato amado
Num desvario louco
Tudo lhe falei

Contei-lhe então que tu partiste
Me deixando triste na desilusão
E o retrato amigo
Disse a chorar comigo
Que tu não tens mais coração

Formoso, o teu retrato insiste
Em me fazer mais triste
Nesta solidão
Dizendo que o meu peito
Em dor vive desfeito
Porque não tens mais coração

segunda-feira, abril 03, 2006

Pinião

Os Turunas da Mauricéia, conjunto vocal e instrumental de Recife PE, era formado por Luperce Miranda, Augusto Calheiros, Manuel de Lima, Piriquito e Romualdo Miranda. Em 1927 viajaram ao Rio de Janeiro (sem Luperce Miranda), apresentando-se na Rádio Clube cantando cocos e emboladas, ritmos até então pouco divulgados entre os cariocas, obtendo grande sucesso.

Gravaram Helena (Luperce Miranda) e a embolada Pinião (Luperce e Augusto Calheiros), esta logo cantada em toda a cidade, tornando o grande sucesso do Carnaval de 1928.

Pinião (embolada / carnaval, 1928) - Luperce Miranda e Augusto Calheiros - Intérpretes: Augusto Calheiros e Turunas da Mauriceia

Disco 78 rpm / Título da música: Pinião / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Compositor) / Luperce Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10067-a / Nº da Matriz: 1322 / Lancamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Embolada / Coleções: IMS, Nirez



------D----- A7----- D
Pinião, pinião, pinião, oi
-------------A7------------------- D
Pinto correu com medo do gavião
-----------------A7------------ D
Por isso mesmo o sabiá cantô
B7/F#----------- E7/D ------------A7
Bateu asa e voou e foi comê melão

-------------D --------A7---------- D
Essa sumana o gavião lá dos oitero
---------------------- Em7-------- A7-------- D
Chegou lá no meu terreiro biliscando pulo chão
------------A7----------------------- D
E um pintinho que tava jun’da galinha
B7/F# ----------------E7/D---------------- ---A7
Foi correndo pa cozinha com medo do gavião

---------------D --------------A7------- D
No meu terreiro tinha um pé de araçá
-------------------- Em7--- A7 -------D
Onde um sabiá-gongá fazia seu plantão
-------------A7------------------ D
Um dia desse ela tava descuidada
------B7/F#--------- E7/D -----------------A7
Quase morre degolada nas unha do gavião

---------D --------A7---------- D
O gavião é um bicho carniceiro
---------------------Em7 ------------A7 ----------D
Quando bate num poleiro come os pinto qu’ele qué
-------------A7------------------------ D
Um dia desse um se trepou lá na mesa
---------B7/F# --------E7/D----------------- A7
Nunca vi tanta afoiteza, biliscou minha muié

-------------D ------------A7 -----------D
Minha muié se assombrou-se nesse dia
-------------------- Em7--------- A7----------- D
Quase morre de agonia com uma dô no coração
------------A7---------------------- D
Gritava tanto cus dois óio abuticado
--------B7/F#---------- E7/D----------------- A7
Até que eu fiquei vexado cum medo do gavião


Fonte: Dicionário da MPB - Luperce Miranda

quinta-feira, março 30, 2006

Ave Maria

Erothides de Campos
Esta valsa-serenata foi a primeira "Ave Maria" a fazer sucesso na música popular brasileira. Seu autor é Erothides de Campos, um paulista de Cabreúva que passou a maior parte da vida em Piracicaba, compondo, tocando vários instrumentos e... ensinando física e química na Escola Normal Sud Mennucci. De sobrenome Neves pelo lado materno, ele usava o pseudônimo Jonas Neves quando fazia letras, como é o caso desta canção, que muitos pensam ser de duas pessoas.

Composta em 1924 e lançada em disco em 1926, por Pedro Celestino, "Ave Maria" somente ganhou sua gravação ideal em 1939, quando Augusto Calheiros soube valorizar o clima de nostalgia e misticismo romântico que marca a composição. Uma prova do sucesso nacional de "Ave Maria" é a valsa "Cheia de Graça", escrita em Recife, no final dos anos vinte, por Nelson Ferreira e Eustórgio Wanderley, em homenagem a Erothides de Campos. O curioso em "Cheia de Graça" é que a canção repete as notas iniciais da "Ave Maria", só que em escala descendente, ao contrário do original.

Ave Maria (valsa-serenata, 1924) - Erothides de Campos

Interpretação de Pedro Celestino em disco Odeon lançado em 1926:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Ave Maria / Erothides de Campos (Compositor) / Jonas Neves (Compositor) / Pedro Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 123085 / Lançamento: 1926 / Gênero musical: Valsa / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação de Augusto Calheiros em disco Odeon lançado em outubro de 1939:

Disco 78 rpm / Título da música: Ave Maria / Erothides de Campos (Compositor) / Jonas Neves (Compositor) / Augusto Calheiros (intérprete) / Antenógenes Silva [Acordeon], Rogério e Laurindo (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 11775-a / Nº da Matriz: #6188 / Gravação: 30/agosto/1939 / Lançamento: Outubro/1939 / Gênero musical: Valsa / Coleções: IMS, Nirez


----------Bm ------Gb7----- Bm------- Em---- B7------ Em
Cai a tarde tristonha e serena, em macio e suave langor
----------G7-------- Em----- Bm------- A7------ G7------ Gb7
Despertando no meu coração a saudade do primeiro amor!
----------Bm-------- Gb7------- Bm B7 ---------Em ----B7----- Em
Um gemido se esvai lá no espaço, ----nesta hora de lenta agonia
--------------G7 ------Em------ Bm ------A7------- Gb7 ----Bm
Quando o sino saudoso murmura badaladas da “Ave-Maria”!

-------------A7------------------- D------------------ A7 -------------------D
Sino que tange com mágoa dorida, recordando sonhos da aurora da vida
-------------------B7 --------------G7 -----Em-- Bm--- Gb7 --Bm Gb7
Dai-me ao coração paz e harmonia, na prece da “Ave Maria”!

Cai a tarde tristonha . . .. (repetir a 1a. Estrofe)

--------B--- Gb7----- B----------- G7----- Gb7------ Bm
No alto do campanário uma cruz simboliza o passado
-------------B7------------ Em ------------------Bm----- Gb7--- Bm
De um amor que já morreu, deixando um coração amargurado
-------B---- Gb7----- B -----------G7----- Gb7--- Bm
Lá no infinito azulado uma estrela formosa irradia
-----------B7--------------- Em ------G7--- Em-- Bm ---Gb7-- Bm (Bm)
A mensagem do meu passado quando o sino tange “Ave Maria”


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Augusto Calheiros

Augusto Calheiros, cantor e compositor, nasceu em Maceió AL 5/6/1891 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 11/1/1956. Jovem ainda, foi para Recife PE, onde conheceu Luperce Miranda, tendo sido convidado a participar, como cantor, do grupo formado pelos irmãos Luperce (bandolim), João (bandolim) e Romualdo Miranda (violão), e mais os violonistas Manuel de Lima (que era cego) e João Frazão (Periquito). Por sugestão do historiador Mário Melo, o grupo passou a chamar- se Turunas da Mauricéia, numa alusão ao governador holandês do séc. XVII, Maurício de Nassau.

Foi logo apelidado de “A patativa do Norte”, pela sua voz afinadíssima e estilo peculiar de cantar, que o tornariam um dos cantores mais originais do seu tempo. Em janeiro de 1927, sem Luperce Miranda, os Turunas desembarcaram no Rio de Janeiro, com suas roupas sertanejas e chapéus de aba larga. Estrearam com muito sucesso no Teatro Lírico, em espetáculo patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, cantando emboladas, cocos e outros ritmos ainda desconhecidos dos cariocas, apresentando-se depois, em várias ocasiões, na Rádio Clube. Como solista gravou canções sertanejas na Casa Edison, obtendo grande sucesso com os Turunas, no Carnaval de 1928, com a embolada Pinião, de autoria de Luperce Miranda, que não participou dessa gravação. No ano seguinte o grupo se desfez e o cantor passou a atuar individualmente.

Ainda em 1929 gravou na Odeon Valsa da saudade (Levino da Conceição) e Saudades do Rio Grande (Levino da Conceição e Nelson Paixão). Na Victor gravou Alma tupi (Jararaca) e Céu do Brasil (Henrique Vogeler e Jararaca), lançando em seguida diversos discos, como Revendo o passado (Freire Júnior), em 1933, e um de seus maiores êxitos, Chuá, chuá (Sá Pereira e Ari Pavão).

Em 1939 gravou a valsa Ave Maria (Erothides de Campos e Jonas Neves). Seis anos depois foi contratado pela Victor, gravando vários sucessos, como os sambas Senhor da floresta (1945) e Garoto da rua (1947) (René Bittencourt), a canção Caboclo vingador (Artur Goulart e José Colombo), as valsas Fatal desilusão (1947) (Meira e Marcial Mota) e Dúvida (Luiz Gonzaga), além das músicas de sua autoria Célia e Bela. No auge da popularidade, atuou ao lado de Durvalina Duarte, Jararaca, Ratinho e outros, na Casa de Caboclo, famosa companhia de espetáculos da Praça Tiradentes.

Compôs Adeus, Pilar e Pisa no chão devagar, por 1950, ano em que saiu da Victor e passou para a Todamérica, onde gravou seu último sucesso, Grande mágoa (Clóvis Santos), além de Meu dilema e Audiência divina, ambas de Guilherme de Brito, então lançado como compositor. Entre seus maiores êxitos estão ainda Na praia, Iolanda e Saudade do meu Norte, este em parceria com Artur Goulart.


Fonte: Collector's Studios Ltda.